3. EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
3.4. Período de 2016 a 2017
Em 2 de janeiro de 2016 iniciei funções, na qualidade de técnica superior, na Felba – Promoção de Frutas e Legumes da Beira Alta. A Felba é um agrupamento complementar de empresas que iniciou atividade em 23 de outubro de 2003, com sede em Viseu, que tem como missão promover e gerir produtos hortofrutícolas, definir e implementar regras na produção, conservação e comercialização, de acordo com os mais elevados padrões de qualidade e exigências do consumidor (http://www.felba.pt).
Os objetivos da Felba são a gestão da Indicação Geográfica Protegida, IGP, Maçã da Beira Alta e da Denominação de Origem Protegida, DOP, Maçã de Bravo de Esmolfe no que diz respeito à utilização pelos associados ou agricultores em geral, realizar prospeção, estudos e promoção de vendas nos mercados através da realização de campanhas publicitárias e de promoção, incentivar o uso efetivo dos sistemas de certificação (qualidade, meio-ambiente e origem geográfica), incrementar a consciencialização do consumidor sobre os sistemas de certificação e os benefícios que pode retirar destes mesmos produtos. Estes objetivos visam a melhoria da qualidade do produto e a sua adequação às exigências do mercado.
A DOP – Maçã de Bravo de Esmolfe e a IGP – Maçã da Beira Alta estão registadas na Comissão Europeia, conforme o regulamento CE nº 1107/96, publicado no Jornal Oficial das Comunidades Europeias nº L 148, de 21.6.1996, p.1.
O uso de DOP e IGP obriga a que a maçã seja produzida, colhida e acondicionada de acordo com as regras estipuladas no caderno de especificações, permitindo assim a redução do risco na obtenção destes produtos, tendo por base a segurança alimentar e o respeito pela saúde pública.
Percurso Multidisciplinar no Exercício da Atividade de Engenharia Florestal. Ao integrar o quadro técnico da Felba sou responsável pelas seguintes tarefas:
Assessorar o Conselho de Administração.
Zelar pelo correto funcionamento do processo de comercialização, através da inscrição anual dos agricultores aderentes ao processo; prestar os esclarecimentos necessários a todos os envolvidos no processo, quer sejam produtores, comerciantes ou consumidores.
Trabalhar em parceria com as entidades oficiais que fiscalizam o processo, nomeadamente a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). Responder ao Inquérito Anual da Direção Geral de Agricultura e
Desenvolvimento Rural (DGADR) que dá cumprimento ao previsto no Despacho Normativo n.º 32/2000, de 31 de julho, e consiste num questionário onde se regista os elementos referentes à produção e comercialização dos produtos com DOP e IGP, de forma a dar resposta às necessidades de caracterização do sector por parte da DGADR.
Organizar e providenciar toda a logística necessária para os eventos promocionais em que a Felba participa.
Executar tarefas administrativas.
3.4.1. A Certificação
Nos últimos anos, verifica-se uma alteração gradual nos hábitos alimentares dos consumidores, isto porque se preocupam cada vez mais com a segurança alimentar, com a forma como se produz, o local onde se produz, quando se produz e quem produz. Estas alterações nos hábitos alimentares vão no sentido de uma maior cuidado na escolha do que comem, uma procura crescente na qualidade e uma maior preocupação com o ambiente, o que leva o consumidor a querer frutas e legumes durante todo o ano e mais variedade, mais segurança, mais confiança, mais informação e produções amigas do ambiente.
A certificação de um produto é um meio de garantir a sua conformidade com a norma portuguesa NP EN 45011 entre outros documentos normativos. Para ser credível deve ser feito através de uma entidade independente, organismo privado de controlo e certificação (OPC) através de um processo não discriminatório, eficaz e transparente.
Percurso Multidisciplinar no Exercício da Atividade de Engenharia Florestal. O controlo é feito pelo OPC, no pomar, na estação fruteira, no transporte e no posto de venda, através de visitas de inspeção, verificação de registos e documentos bem como colheita de amostras e avaliação de resultados de ensaios. Nas inspeções é verificado o cumprimento da legislação, a localização do pomar, as regras de produção DOP e IGP, condições de higiene no embalamento, transporte e conservação bem como a separação entre maçã DOP e IGP da restante maçã. Posteriormente os resultados das auditorias são comunicados à Felba para que esta autorize a utilização das respetivas marcas.
A certificação de produtos é facultativa e é um instrumento para a comercialização, com vantagens para todos os envolvidos: produtor, comerciante e consumidor. Através de um processo de certificação um produtor consegue comunicar as caraterísticas do produto, colocando o produto em vantagem perante a concorrência, porque o consumidor é facilmente informado face a uma certificação objetiva. Para o comerciante a presença da marca funciona como um argumento de venda, que ajuda na seleção dos produtos e transmite segurança a quem os adquire. A presença da marca para o consumidor funciona como garantia de qualidade, significa diferença, garante que o produto foi controlado o que assegura que o produto está conforme.
3.4.2. Atividades Promocionais
Para além da certificação dos produtos, são também desenvolvidas atividades promocionais que vão desde a participação em feiras, eventos turísticos, seminários conforme se explana na tabela 8.
Percurso Multidisciplinar no Exercício da Atividade de Engenharia Florestal. Tabela 8 – Atividades promocionais desenvolvidas em 2016 e 2017.
Data: Evento Organização Local:
13 e 14 de
fevereiro de
2016
XXV Feira /Festa do Pastor e do Queijo Câmara Municipal de Penalva do Castelo Penalva do Castelo 29 de março de 2016
Seminário: Recursos do Território ao Serviço do Desenvolvimento Local
ADDLAP Viseu
15 e 16 de julho de 2016
Dão Capital 2016 Comissão
Vitivinícola Regional do Dão Lisboa 24 a 28 de setembro de 2016
Dia Mundial do Turismo Turismo Centro de
Portugal
Viseu
16 de outubro de 2016
XXI Feira da Maçã de Bravo de Esmolfe Câmara Municipal de Penalva do Castelo e Junta de Freguesia de Esmolfe Esmolfe 4 de novembro de 2016
II Encontro Nacional Produções Artesanais Certificados
ADERE Minho Tibaldinho
11 e 12 de
fevereiro de
2017
XXVI Feira /Festa do Pastor e do Queijo Câmara Municipal de Penalva do Castelo Penalva do Castelo 8 de outubro de 2017
XXII Feira da Maçã de Bravo de Esmolfe Câmara Municipal de Penalva do Castelo e Junta de Freguesia de Esmolfe Esmolfe
Estas atividades revestem-se de um carácter muito importante, porque para além de reforçarem a importância de produtos certificados junto dos consumidores, permitem a troca de experiências, anseios e preocupações entre pares, na promoção e divulgação de produtos tradicionais e regionais.
Percurso Multidisciplinar no Exercício da Atividade de Engenharia Florestal.
3.4.3. Conclusão
A certificação informa, de uma forma objetiva, toda a cadeia desde o produtor até ao consumidor, realça as qualidades ligadas ao produto e assegura a proteção do consumidor, o qual está disposto a pagar pela garantia que é transmitida pela marca de certificação.
A função que exerci na Felba e se mantém até ao dia de hoje é uma função multidisciplinar que pensa o produto e a certificação como um todo ao envolver o produto, logística, distribuição e comunicação e onde o marketing é o elemento agregador que torna o conceito entendível por consumidores e distribuidores.
A competitividade global exige empenho, dinamismo e perseverança e a sustentabilidade do setor está dependente de um maior apoio através de linhas de financiamento onde urge definir novas estratégias de conquista de novos clientes, porque os compradores querem receber informação de forma célere e ajustada.
Percurso Multidisciplinar no Exercício da Atividade de Engenharia Florestal.