PARTE I – UM PERCURSO CURRICULAR, ACADÉMICO E PROFISSIONAL
2. Um Percurso Curricular – Académico e Profissional
2.3. Período 2012 à presente data
Como iremos verificar o ano de 2012 foi, a nosso ver, considerado um ano de viragem na sua atividade profissional. Embora se reconheça constituir uma nova oportunidade interdisciplinar, caracterizada pela abertura abrangente a um outro universo de conhecimento, o desafio lançado revelou-se adequado ao momento e à capacidade adaptativa a novas realidades contextuais e concetuais no âmbito do serviço da Administração Pública.
Contudo, por questões de cronologia, convém, em primeiro lugar, referir o convite lançado pela pessoa do senhor ex-bastonário da OCC, Dr. Domingos Azevedo, recentemente falecido, a participar com uma intervenção no Ciclo de Conferências Nacional intitulado de “Portugal - A Soma das Partes: as economias regionais como fator de desenvolvimento”, levado a efeito por aquele organismo, que decorreu em Vila Real, em parceria com a TSF e o Jornal de Notícias25. Este evento contou ainda com a presença participativa de empresários locais e regionais, nomeadamente os ligados ao sector vitivinícola, bem como de órgãos políticos regionais e nacionais. Este ciclo de conferências teve como especial propósito destacar os setores de atividade mais relevantes em cada distrito, de modo a refletir-se e a discutir-se, sob a égide da análise diagnóstica SWOT, os seus pontos fortes, as suas oportunidades, bem como os seus pontos fracos e as suas ameaças. Pretendia-se com este modelo de abordagem, relembrar o papel do poder político local, enquanto agente impulsionador e interventivo na criação de condições apropriadas para a continuidade e fixação das unidades empresariais na região, bem como destacar o papel e a importância das funções do contabilista na certificação da informação financeira. A sua intervenção teve como especial intuito referenciar, no âmbito empresarial e regional, o papel crucial do contabilista certificado no processo de tomada de decisão para o desenvolvimento empresarial e municipal, sendo também “parte dessa soma”. Este alinhamento interventivo, teve dois propósitos: i) analisar a perspetiva tributária do poder local na definição das medidas em sede de impostos de natureza municipal para a captação e fixação de cidadãos e empresas na região, e ii) discutir sobre o papel preponderante do contabilista certificado, sabendo nós que ele constitui-se uma “parte da soma”, a quem compete de forma profissional e íntegra executar e certificar, sob diferentes ângulos de
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natureza técnica, a informação financeira constante das demonstrações financeiras, base a todo o processo de tomada de decisão por parte dos utilizadores desta informação, em suma, de todos os stakeholders.
Conforme referido no início deste ponto, em meados do ano de 2012, emergiu uma nova realidade profissional, configurada através de um convite lançado meses antes, para o cargo de direção da Unidade de Prestações e Contribuições (UPC) do Centro Distrital de Vila Real26, abrindo-se uma nova janela de oportunidades no território da aplicação e consolidação dos conhecimentos adquiridos e na capacitação de os articular e apropriar agora nos domínios das contribuições para a Segurança Social, das prestações sociais e da solidariedade social em geral.
A Segurança Social é uma instituição que, no geral, visa salvaguardar e proteger os mais fracos e debilitados da sociedade, de modo a fornecer-lhes e a acautelar-lhes as condições mínimas económicas, sociais e financeiras promotoras do bem-estar individual e social, como sendo um direito social consagrado na Constituição da República Portuguesa (CRP), exigindo, para tal, um papel regulador e interventivo do Estado. Paralelamente, visa cumprir com a legislação dos regimes contributivos existentes no Sistema Previdencial de Segurança Social (co)financiadores daquele sistema.
A UPC, Unidade de negócio que lhe foi atribuída, desdobra-se em dois distintos mas complementares núcleos: i) o Núcleo das Prestações que se constitui por três equipas de trabalhadores de acordo com os processos a instruir e a decidir nas várias prestações sociais (desemprego e prestações familiares; doença, parentalidade e serviço de verificação de incapacidades para o trabalho; pensões e solidariedade social) e, ii) o Núcleo das Contribuições, também constituído por três equipas de trabalho, que asseguram os processos e procedimentos no âmbito dos regimes contributivos (gestão de remunerações; gestão de contribuições; identificação e qualificação). Esta Unidade (UPC) agrega, igualmente, a figura do Gestor do Contribuinte e as matérias relacionadas com os organismos europeus e internacionais, decorrentes do princípio da mobilidade de pessoas e, em particular, de trabalhadores entre os vários Estados Membros e outros países terceiros.
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Na sequência do exposto, pode-se ainda invocar de forma sucinta as funções e competências que lhe foram delegadas27, quer de âmbito genérico, quer relativamente à natureza mais específica dos núcleos de prestações e contribuições. As competências genéricas dizem respeito à coordenação e planeamento da correspondência e do corpo de trabalhadores relativamente a férias, faltas e licenças bem como a mobilidades internas. As competências mais específicas de cada núcleo reportam-se ao dever de tomada de decisão dos múltiplos processos componentes da UPC, considerando-se as várias etapas procedimentais como a organização, a instrução, a decisão, os pareceres, os despachos e autorizações de modo a responder clara, certa, e objetivamente ao contribuinte e beneficiário.
Como já foi veiculado anteriormente, tendo-se plena consciência de que apostar na realização e participação em outras tarefas nos preenche a inquietude do saber e do aprofundamento do conhecimento, foi sendo gradualmente diversificada a sua atividade, concentrando-se na elaboração de três artigos relativos às temáticas da Segurança Social, que foram publicados em três diferentes números da Revista da OCC28. Estiveram na base da realização destes trabalhos dois propósitos essenciais: i) um, o explorar e esmiuçar as matérias escolhidas com o intuito de reforçar e consolidar os conhecimentos sobre as temáticas abordadas e, ii) outro, a partilha de informação com a incumbência de despertar reflexões sobre determinados aspetos que, em meu entender, seriam pertinentes para a sua abordagem e respetiva implicação em matéria de Segurança Social.
Submetido a um indispensável exercício de consolidação permanente, o conhecimento de cada profissional requer uma atitude presente e contínua de formação, pelo que também neste período foi importante ter participado em diversas formações (como formadora e formanda), quer de âmbito tributário, quer ao nível das matérias de Segurança Social, permitindo assegurar e melhorar as suas competências e responsabilidades pessoais e profissionais, em prol da melhor qualidade dos desempenhos das tarefas diárias, sob a égide da prestação de um serviço público de
27 Cf. Despacho n.º 9878/2015, de 31 de agosto – D.R., 2.ª série - N.º 169 – 31 de agosto de 2015
(penúltima última delegação de competências). Despacho n.º 4745/2017, de 31 de maio – D.R., 2.ª série – N.º 105 – 31 de maio de 2017 (última delegação de competências)
28 Revista n.º 176, de novembro de 2014, p. 67 a 69 sob o título “Segurança Social: trabalhador
independente e a prestação de desemprego. Revista n.º 178, de janeiro de 2015, p. 63 a 66, sob o título “Segurança Social: trabalhador independente e o pedido de alteração da base de incidência contributiva. Revista n.º 180, de março de 2015, p 66 a 68, sob o título “Segurança Social: alterações do OE/2015 ao Código Contributivo”.
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qualidade. No fundo, aperfeiçoar a conduta do “saber-saber” e do “saber-fazer”, ou seja, potenciar e otimizar as performances nos desafios e oportunidades.
A este propósito, referir ainda que, dentro da sua atividade profissional, participou e interveio em vários seminários, sob as seguintes temáticas: i) Enquadramento tributário e contributivo dos agricultores, em parceria com a Confederação de Agricultores Portugueses (CAP), realizado no Centro Distrital de Vila Real; ii) Obrigações do empregador e incentivos na área dos recursos humanos, sob a égide da entidade privada Gestão Tecnológica e Inovação, Lda que decorreu na UTAD; iii) Programa Portugal 2020 – “Visão 2020” promovido pelo IPAI29 em Vila Real; iv) “Portugal 2020”, em parceria com outros organismos públicos, que decorreu no Museu do Douro – Peso da Régua; v) “A identificação de obstáculos à mobilidade de trabalhadores transfronteiriços e destacados” entre os dois países (Portugal e Espanha), reunião de grupo de trabalho da Organização Comunitária EURES – Transfronteiriço Norte Portugal – Galiza, de periodicidade anual, que decorreu em Orense-Espanha. Reconhece-se que estas ações constituíram uma alavanca sólida, abrangente e interativa para o “universo” do conhecimento, bem como serviu para estreitar relações e parcerias entre as instituições envolvidas contribuindo para uma atitude integrativa, participativa e comum.
Pela pertinência e atualidade do tema é legítimo que ainda se mencione a ação de formação que decorreu no Centro Distrital de Vila Real, sob o título “Riscos Psicossociais no Trabalho” promovida pelo ISS, IP, onde se abordaram as questões dos riscos emergentes de novos contextos de trabalho e suas implicações no seio da organização, bem como se identificou e caracterizou a tipologia desses riscos, tais como o stress ocupacional, a síndrome de exaustão, o presentismo, o assédio moral e outros. Esta formação revelou-se de extrema importância, uma vez que, na qualidade de dirigente, a obrigou a refletir sobre a adequada postura na gestão e relação com os outros que consigo constituem equipa de trabalho na organização. É este o modo de se assegurar o bem-estar pessoal e coletivo, tão importante para a permanência e melhoria da eficiência e a eficácia do serviço público a prestar ao cidadão, assente na missão do uso das Boas Práticas.
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