A escola fica localizada no centro da cidade de Taguatinga, maior cidade do Distrito Federal depois de Brasília. É um dos maiores Centros Educacionais de ensino médio e dos mais antigos da cidade. Oferece somente ensino médio nos três turnos.
É uma escola pública conhecida pela comunidade como uma escola de referência e, por esse motivo, a maioria dos alunos vem de outras cidades próximas em busca de um melhor ensino. Em Taguatinga, no geral, os alunos da periferia buscam a escola do centro da cidade e os alunos do centro da cidade buscam escolas em Brasília ou na rede de ensino particular.
A escola possui uma grande infra-estrutura física, tendo quatro blocos mais antigos com oito salas de aulas cada e um bloco mais novo com quatro salas de aula. Possui um bloco administrativo, um bloco de salas de laboratório com três laboratórios (física, química e biologia) e uma sala de educação artística. A escola dispõe ainda de uma biblioteca, uma sala de informática com 50
15 A expressão "turno de fala" deve ser entendida como a forma de demarcar a mudança do falante, quando um dos interlocutores (professor ou alunos) toma para si a elaboração de uma
microcomputadores, duas salas de vídeo, uma sala de reuniões, um auditório, uma quadra de esporte e uma sala de educação física.
A escola tinha, naquele ano do estudo de caso, mais de doze professores de química. Essa equipe de professores era bastante heterogênea em termos de concepção de ensino. Um dos professores – diferente daquele investigado neste estudo de caso – faz parte do grupo PEQS e conseguiu fazer com que todos os professores de química adotassem o livro Química na
Sociedade. Alguns outros eram contra a adoção do livro. O grupo como um todo
tinha dificuldades em fazer o planejamento em conjunto.
Os professores da rede de ensino público do Distrito Federal têm um dia predeterminado na semana para ficarem na escola, fora de sala, a fim de planejarem as suas aulas. Esse dia é chamado dia de coordenação. Apesar da orientação da Secretaria de Educação para os professores reunirem-se para discutir o processo pedagógico em conjunto, nesse dia, naquela escola, não havia um planejamento muito sistemático de tal processo. A Profa. Cristina de nosso estudo de caso comparecia regularmente ao dia de coordenação e planejava as suas aulas em conjunto com duas outras professoras que adotavam o livro.
A direção da escola não tinha uma programação específica para o planejamento pedagógico e nem exercia alguma forma de controle em relação ao trabalho do professor. Dessa forma, os professores tinham uma relativa autonomia de desenvolver o seu próprio trabalho, independente dos demais colegas.
A turma que acompanhamos era do turno noturno. A maioria dos alunos, de acordo com a professora, tinha por volta de 18 anos, trabalhava no
comércio, em oficinas, na construção civil e em serviços domésticos; morava em cidades vizinhas; e pertencia à classe sócio-econômica de baixa renda. A turma tinha 50 alunos matriculados, mas a freqüência média no segundo semestre era em torno de 25 alunos. Segundo a professora, a evasão da turma chegou a 50%.
A Profa. Cristina, que acompanhamos neste estudo de caso, é mineira, casada, mãe de três filhos, morava em Taguatinga e tinha 35 anos na época da coleta de dados. Não participava regularmente de atividades de outras organizações como associações e partido político. A sua principal fonte de informação era o telejornal. Lia ocasionalmente jornais e não tinha o hábito regular de ler revistas. As sessões de interesse nos jornais eram política, economia e notícias locais. Participava ocasionalmente de eventos culturais, como shows, espetáculos teatrais e cinema. Assistia a programação de televisão com freqüência diária de até uma hora e se interessava por noticiários, filmes e entrevistas. Tinha uma situação sócio-econômica relativa a da classe média. Os seus pais tinham ambos escolaridade correspondente ao ensino fundamental incompleto e pertenciam aos grupamentos profissionais três e quatro do questionário sócio-econômico-cultural (vide anexo 1.3).
A Profa. Cristina graduou-se em Licenciatura Curta em Ciências e Licenciatura Plena em Química pela Universidade Católica de Brasília, na época Faculdades Integradas da Católica de Brasília, em 1987. Trabalhava em regime de dedicação exclusiva na rede de ensino público do Distrito Federal em uma única escola, nos turnos matutino e noturno, com uma carga horária semanal em sala de aula de 26 horas aula. Tinha 14 anos de magistério, período no qual lecionou ciências no ensino fundamental e química no ensino médio. Havia
participado de quatro Ecodeqs (Encontros Centro-Oeste de Debates em Ensino de Química) e de cinco cursos de formação de professor, sendo dois cursos de extensão oferecidos pela Universidade de Brasília com carga horária de 30 horas aula e três mini-cursos ministrados nos Ecodeqs.
Relatou, nas entrevistas, que na faculdade teve contato com propostas inovadoras de ensino de química e que, ao longo do tempo, vinham guardando as novas propostas que recebia nos cursos que fazia.
Ao final do ano de 1998, tinha feito um curso de extensão oferecido pela Universidade de Brasília sobre o livro Química na Sociedade. Naquele ano, a Profa. Cristina recomendou o livro Química na Sociedade para os alunos e usou alguns de seus textos em suas aulas. Em 1999, adotou o livro como livro didático.