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Perfil profissional do professor-acadêmico.

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DO UTÓPICO AO REAL

4.5. A realidade pessoal – a identidade do professor-acadêmico

4.5.3. Perfil profissional do professor-acadêmico.

O ingresso t ardio , nest e est udo , po de ser analisado e at é mesmo just ificado pelas razõ es indicadas pelo s pro fesso res-acadêmico s. O hiat o

t empo ral ent re a co nclusão do ensino médio e o ingresso numa IE S fo i just ificado pela maio ria co mo dificuldade financeira e falt a de o po rt unidade.

Co nsiderando -se que há o s dado s indicando a co nclusão do 2º grau na década de 1970, verifico u-se um hiat o t empo ral de at é 30 ano s ent re est a e o início do curso superio r. Os pro fesso res-acadêmico s ao elencarem as just ificat ivas pelo ingresso t ardio numa IES, list aram quat ro razõ es maio res: dificuldade financeira, falt a de o po rt unidade co mo a LPP, residir dist ant e de inst it uição e falt a de t ranspo rt e ent re cidade e inst it uição .

Gráfico 33: Do s mo t ivo s do s pro fesso res-acadêmico s pelo ingresso t ardio numa IE S. 0 5 10 15 20 Geografia História Matemática Letras Pedagogia Falta transporte/cidade/instituição Falta de oportunidade PLPP

Residir distante instituição

Dificuldade Financeira

Fonte: Questionário aplicado aos professores-acadêmicos, 2003.

E st as just ificat ivas se ent relaçam e se int er-relacio nam sendo que a realidade financeira se so brepõ e. E st as dificuldades se espelham na realidade so cial o nde o s direit o s básico s de uma pesso a, t ais co mo acesso a educação são negado s em desrespeit o ao s direit o s inalienáveis de uma pesso a.

Merece dest aque t ambém o quesit o falt a de o po rt unidade para est udar, co mo o PLPP, co m quat ro indicaçõ es em Hist ó ria, 18 em Pedago gia, set e em Let ras, cinco em Geo grafia, o que parece co nfirmar a validade do PLPP, implant ado para at ender as necessidades do pro cesso de int erio rização e visando , assim, a at ender o s pro fesso res das redes est adual, municipal e privada sem fo rmação . Est e Pro grama fo i reco nhecido pelo s pro fesso res- acadêmico s co mo uma o po rt unidade de cursar o ensino superio r e, igualment e,

de at ender às exigências legais de mo do a favo recer a co nciliação do s fat o res financeiro s, so ciais e geo gráfico s.

A ação po lít ica de int erio rizar a educação at ravés do PLPP fo i lo uvada pelo s pro fesso res-acadêmico s, já que est a lhes permit iu acesso a fo rmação pro fissio nal dent ro das limit açõ es geo gráficas e eco nô micas. E st a ação po lít ica, na o pinião do pro fesso res-acadêmico s, garant iu-lhes o acesso à qualificação pro fissio nal de pro fesso res em exercício . Amplio u-se, ainda assim, o s direit o s de cidadania at ravés da melho ria de serviço s prest ado s nas inst it uiçõ es de ensino pelo acréscimo do numero de pro fesso res co m fo rmação superio r.

Gráfico 34: Das razõ es pesso ais do s pro fesso res-acadêmico s para cursar a parcelada. 0 5 10 15 20 25 Geografia História Matemática Letras

Pedagogia Realização pessoal

Melhor capacitação e qualificação Adequação as exigências legais Melhoria de seus conhecimentos

Fonte: Questionário aplicado aos professores-acadêmicos, 2003.

Cit ando razõ es pesso ais para cursar o PLPP, o s 52 info rmant es dest a pesquisa dest acaram, co mo mo t ivação ext erna, a necessidade pro fissio nal de adequar-se às exigências da Lei nº . 9. 394/96, po r melho r qualificação e capacit ação e, co mo mo t ivação int erna, a realização pesso al at ravés de um diplo ma, o que vário s pensavam ser um so nho inat ingível de melho r status so cial e aument o de renda. Muit o s desses pro fesso res, cient es as t ransfo rmaçõ es que se efet ivam na so ciedade, ansiavam e anseiam pela ampliação de seus co nheciment o s específico s e gerais.

Alguns pro fesso res-acadêmico s indicaram, co mo um do s fat o res impulsio nado res para cursarem a educação superio r nest e mo ment o , a

realização pesso al. Est e aspect o fo i levant ado po r t rês pro fesso res-acadêmico s do curso de Hist ó ria , 16 de Pedago gia, 10 de Let ras, t rês de Mat emát ica e cinco de Geo grafia, superando as expect at ivas em t o rno de o ut ro s quesit o s, co mo adequação às exigências legais.

Surpreende frent e ao discurso da o brigat o riedade. Observa-se, po rém, que a at ual legislação não impõ e a o brigat o riedade de curso superio r para o exercício da do cência nas séries iniciais, ho je co m maio r co ncent ração nas redes municipais, o nde o co nvênio assinado co m a UE G at ende co m a o fert a do Curso de Pedago gia. Out ro s dado s que despert aram a at enção fo ram o alt o percent ual de indicaçõ es do s pro fesso res-acadêmico s quant o ao int eresse em buscar a melho ria de seus co nheciment o s, bem co mo melho r capacit ação e qualificação . Ist o demo nst ro u que há, po r part e dest es, uma clara preo cupação co m a melho ria na qualidade da educação nas unidades esco lares o nde at uam e em seus município s de o rigem.

Os pro fesso res-acadêmico s, apó s vário s semest res, mesmo dando uma avaliação muit o favo rável ao curso , co lo cam dificuldades pesso ais que co nt urbam o pro cesso de aprendizagem.

Gráfico 35: Fat o res que dificult am o pro cesso de aprendizagem no deco rrer do curso . 0 5 10 15 20 Geografia História Matemática Letras Pedagogia Pouco interesse Falta de base Dificuldade de aprendizagem Tempo de leitura e estudo

Fon t e: Qu est i on á r i o a p l i ca d o a os p r ofessor es- a ca d êm i cos, 2 0 0 3 .

E st as dificuldades em aprender, segundo dado s reco lhido s, deco rrem, ent re o ut ro s fat o res, de falt a de base, em especial, po r part e do s pro fesso res-

acadêmico s que at uam nas séries iniciais. Est es afirmam t er sua linguagem e hábit o s de leit ura “reduzido s” para se adequarem aa realidade do aluno . Obviament e, a ausência de um t empo direcio nado especificament e à leit ura e est udo reflexivo impede o desenvo lviment o de um int eresse maio r no co nt eúdo aplicado . O pro fesso r-acadêmico cerceado pela falt a de t empo , de base e de fo rmação ant erio r, na maio ria das vezes, pro duz o que lhe é so licit ado , co m a qualidade necessária para se alcançar a média.

A grande part e do s pro fesso res-acadêmico s indico u, co mo fat o res prejudiciais a sua graduação , a falt a de co ndiçõ es para co nciliar o t rabalho e est udo , bem co mo o po uco t empo que lhes rest a para as leit uras e o est udo . E m quest ão abert a, o s pro fesso res-acadêmico s indicaram o ut ro s fat o res que, de alguma fo rma, prejudicam a sua graduação , dent re o s quais merecem at enção respo st as co mo “doenças da idade” e “alojamento”. Como solução, no perío do presencial, nas férias de janeiro e julho , a maio ria do s pro fesso res- acadêmico s, visando reduzir gast o s co m aliment ação e ho spedagem, bem co mo evit ar o cansaço das viagens co nst ant es, o rganiza-se em grupo s e aluga barracõ es em Palmeiras, t razendo prat icament e sua mudança. Alguns pro fesso res-acadêmico s afirmam que caberia ao Est ado o u a Prefeit ura arcar co m t ranspo rt e o u alo jament o , mas não indicam o u sugerem co mo financiar t ais gast o s.

Fo ram indicado s ainda, co mo fat o res prejudiciais, a dificuldade de co nciliar t rabalho , est udo e família, afirmando que filho s e espo so s co mpreendem, mas reclamam co nst ant ement e da sua ausência no s sábado s e nas férias esco lares, quando po deriam est ar junt o s.

Segundo Gramsci (1982, p. 138-139),

[. . . ] deve-se convencer à muit a gent e que o est udo é t a mbém um t r a ba lho, e muit o fa t iga nt e, com um t ir ocínio pa r t icula r pr ópr io, nã o só muscula r -ner voso ma s int elect ua l: é um pr ocesso de a da pt a çã o, é um há bit o a dquir ido com esfor ço, a bor r eciment o e mesmo sofr iment o.

Out ro fat o r cit ado fo i o desgast e físico e ment al durant e a fase presencial, vist o que est es pro fesso res-acadêmico s não t êm go zado suas férias esco lares no s últ imo s do is o u t rês ano s. A adapt ação às viagens t ambém fo i um fat o r que se evidencio u, t endo sido apo nt ado po r no ve acadêmico s, num

percent ual de 17%. A dist ância ent re seus município s e o município de Palmeiras não é muit o grande, mas viajar co nst ant ement e é cansat ivo .

Há reco nheciment o de que o PLLP lhes po ssibilit a acesso ao ensino superio r, co nciliando -o co m sua at ividade do cent e, co mo fo i expresso po r alguns pro fesso res-acadêmico s e que po de ser resumido na seguint e afirmat iva:

“este curso me possibilita trabalhar e estudar ao mesmo tempo”.

A falt a de t empo que o s pro fesso res-acadêmico s apresent aram é co nseqüência das suas múlt iplas at ividades para pro ver a sua subsist ência. E nguit a (1989, p. 175) defende que:

[. . . ] O t empo do a luno deixa de ser a dimensã o a ber t a na qua l t r a nscor r e sua a t ivida de pa r a conver t er -se, sob a for ma de ca lendá r io, hor á r io e seqüencia çã o de a t ivida des por pa r t e do pr ofessor , no or ga niza dor da mesma ou, ma is exa t a ment e, na mediçã o a t r a vés da qua l out r os a or ga niza m. As necessida des or ga niza t iva s podem explica r a opçã o por t a l ou qua l dist r ibuiçã o hor á r ia fr ent e a out r a , ma s nã o explica m de for ma

a lguma que t enha que ha ver de qua lquer modo uma

dist r ibuiçã o da a t ivida de escola r por unida des hor á r ia s ou pa r ecida s. De qua lquer for ma , o que o a luno encont r a é que seu t empo é fr a gment a do, nor ma liza do e r ecompost o na for ma de um quebr a -ca beça de a t ivida des que ele nã o pla nejou nem é ca pa z de compr eender .

E st a ausência de t empo de leit ura e est udo que o pro fesso r-acadêmico expressa po deria ser so lucio nado permit indo se a redução de carga ho rária em sala de aula, sem redução salarial, para dedicação a est udo s, se necessário , so b supervisão .

Vário s fat o res dificult am o pro cesso de ensino e aprendizagem co nfo rme o s pro fesso res-acadêmico s dest acaram. E m relação a est as dificuldades, T avares (2001, p. 28) disco rre que:

[. . . ] C onst r uir , pr oduzir conheciment o, a pr ender , a pr eender e compr eender , r esolver pr oblema s, a da pt a r -se à s r ea lida des pa r a empr eender e, event ua lment e, sobr eviver na s sit ua ções ma is a dver sa s da vida nã o é um exer cício fá cil. É pr eciso, com cer t eza , desenvolver ma ssa cr ít ica que seja ca pa z de pensa r , r eflet ir , decidir e a ssumir r esponsa bilida des.

Gráfico 36: Fat o res que prejudicam o desenvo lviment o do s pro fesso res/acadêmico s.

0 5 10 15 Geografia História Matemática Letras Pedagogia Conciliação com o trabalho Adaptação a viagem Aquisição de materiais Dificuldade Financeira

Fon t e: Qu est i on á r i o a p l i ca d o a os p r ofessor es- a ca d êm i cos, 2 0 0 3 .

A maio ria do s pro fesso res/acadêmico s cit am ent re o s fat o res que prejudicam o seu desenvo lviment o , no co rrer do curso , fat o res o riundo s de pro blemas financeiro s. A necessidade de co nciliar um o rçament o do mést ico apert ado co m o s gast o s de um acadêmico dificult am pro cediment o s básico s co mo o pagament o de có pias xero gráficas, a aquisição de fichário s e livro s. A mesma dificuldade o briga-o s a viajarem em co ndiçõ es precárias acarret ando maio r cansaço e fo rça-o s a co nciliar t rabalho , est udo e família.

Det ect o u-se uma co ncent ração de pro blemas na fase de t abulação em diferent es part es do quest io nário respo ndido pelo s pro fesso res-acadêmico s. Os depo iment o s pesso ais, as respo st as de quest õ es abert as, o s pro blemas apo nt ado s demo st ram a exist ência de um círculo vicio so impedit ivo de uma fo rmação co nt ínua de alt o nível. O po nt o inicial dest e círculo est á nas deficiências e falhas do ant igo 1º e 2º grau, o que no dizer do s pró prio s pro fesso res-acadêmico s deixo u-o s ”sem base”. O t racejar do círculo est ende po r um perío do lo ngo , um hiat o , em que o pro fesso r-acadêmico “impedido ” de co nt inuar seus est udo s, perdeu o est ímulo e o hábit o da co nquist a permanent e do co nheciment o . E o círculo se fecha co m est e pro fesso r imerso em circunst âncias pesso ais, cult urais e financeiras impedit ivas do pro cesso ensino aprendizagem.

E st e círculo se evidencia, mat emat icament e no s gráfico s 27 a 29 e 34 a 37. T avares (2001, p. 21), assim define as exigências básicas para a aquisição de co nheciment o s a nível superio r:

[. . . ] O ensino super ior pr essupõe t oda uma const r uçã o de conheciment os que dever á ser a ssegur a da nos a nos a nt er ior es e, sobr et udo, nos a nos de t r a nsiçã o da for ma çã o secundá r ia pa r a a super ior que se pr ojet a r á no fut ur o, no desenvolviment o pessoa l, socia l e cult ur a l de ca da cida dã o e da s difer ent es socieda des. A dimensã o pr ofissiona l dessa const r uçã o, embor a

se deva desenvolver de um modo pr ogr essivo na s et a pa s

pr ecedent es, configur a -se de uma for ma ma is a r t icula da e conscient e na s et a pa s t er mina is e, designa da ment e, no ensino super ior e ser pr osseguida na for ma çã o cont inua e per ma nent e a o longo da vida .

Vário s do s pro fesso res-acadêmico s já at uam na do cência há bast ant e t empo , o que lhes permit iu o desenvo lviment o de prát icas baseadas, em muit o , na int uição e no apo io do s co legas mais experient es. Co nt udo , em sua grande maio ria, sem um apo io o u saber cient ífico para auxiliá-lo s na co mpreensão das relaçõ es do co t idiano esco lar.

Gráfico 37: Do t empo de at uação do cent e do s pro fesso res-acadêmico s.

0 2 4 6 8 10 Geografia História Matemática Letras Pedagogia 1 a 5 6 a 11 11 a 15 16 a 20 Mais de 20

Fon t e: Qu est i on á r i o a p l i ca d o a os p r ofessor es- a ca d êm i cos, 2 0 0 3 .

A ausência de saberes cient ífico s, po r o casião de ent revist as, durant e o t empo de do cência, po de ser co mpreendida nas falas do s pro fesso res- acadêmico s:“estou gostando muito do meu curso, porque agora passei a ter

conhecimento de linhas de pensadores e de organização escolar”( professor-

embasamento teórico para enriquecer minha prática pedagógica”(professor-

acadêmico /Pedago gia-11); “agora tenho a teoria e reconheço as minhas

falhas, mas também percebi que já praticava muito, sem conhecer e saber o que é teoria”( professor-acadêmico/Pedagogia-1); “ou pude perceber que antes eu ministrava minhas aulas de maneira totalmente errada”( professor-

acadêmico /Mat emát ica-4).

Muit o s dest es pro fesso res-acadêmico s, 38%, t êm uma carga ho rária semanal igual o u superio r a 30 ho ras-aulas o que dificult a uma maio r dedicação ao s curso s, co mo fo i dest acado po r alguns pro fesso res-acadêmico s, co nfo rme expressado : “ter carga horária máxima no trabalho prejudica o

andamento do curso”( professor-acadêmico/História-4).

Dest aca-se que o ut ro s 16% do s pro fesso res-acadêmico s t êm carga ho rária semanal inferio r a 30 ho ras-aulas semanais. Salient a-se, t ambém, que 35% do s pro fesso res-acadêmico s ent revist ado s t rabalham 40 ho ras-aula e 12% mais de 40 ho ras-aulas semanais, divididas ent res as redes pública est adual e municipal e a rede privada. Co nfo rme Fo ucault (1999, p. 37) “[. .. ] o po der se art icula diret ament e so bre o t empo ; realiza o co nt ro le dele e garant e sua realização ”.

Gráfico 38: Da carga ho rária semanal do s pro fesso res-acadêmico s po r curso .

0 2 4 6 8 10 12 Geografia História Matemática Letras Pedagogia 14 21 30 40 Mais de 40

Deve-se levar em co nsideração a carga ho rária semanal do s pro fesso res- acadêmico s ao se analisar alguns po nt o s po r eles mesmo s indicado s co mo fat o res que dificult am o u prejudicam de alguma fo rma sua graduação . A aspiração pelo diplo ma, a exigência legal de qualificação , as exigências de uma família e uma carga ho rária “pesada” são fat o res co nflit ant es.

De aco rdo co m Fo ucault (1999, p. 119),

[. . . ] for ma -se ent ã o uma polít ica da s coer ções que sã o um t r a ba lho sobr e o cor po, uma ma nipula çã o ca lcula da de seus element os, de seus gest os, de seus compor t a ment os. O cor po huma no ent r a numa ma quina r ia de poder que o esqua dr inha , o desa r t icula e o r ecompõe. [. . . ]. A disciplina fa br ica a ssim cor pos submissos e exer cit a dos, cor pos “ fr á geis”. [. . . ]. S e a explor a çã o econômica sepa r a a for ça e o pr odut o do t r a ba lho, diga mos que a coer çã o disciplina r est a belece no cor po o elo coer cit ivo ent r e a pt idã o a ument a da e uma domina çã o a cent ua da .

O nível só cio -eco nô mico t ambém po de ser co nsiderado co mo um fat o r que fo rço u o s pro fesso res-acadêmico s a um ingresso t ardio no ensino superio r, haja vist a que seu piso salarial po de ser co nsiderado baixo , o que o s impede de cust ear uma inst it uição de educação superio r privada já que, em pequenas cidades int erio ranas as IE S, quando exist ent es, t endem a ser privadas e t em, geralment e, um cust o mensal que supera o salário do pro fesso r-acadêmico .

Para Fo ucault (1999, p. 349),

[. . . ] S e a s coisa s va lem t a nt o qua nt o o t r a ba lho que a ela s se consa gr ou, ou se, pelo menos, seu va lor est á em pr opor çã o a esse t r a ba lho, nã o é por que o t r a ba lho seja um va lor fixo, const a nt e e per mut á vel sob t odos os céus e em t odos os t empos, ma s sim por que t odo va lor , qua lquer que seja , ext r a i sua or igem no t r a ba lho.

Apenas seis pro fesso res-acadêmico s do universo pesquisado po ssuem um piso salarial acima de R$ 600, 00, co nt udo , sem se verificar sua carga ho rária semanal, superio r a média salarial brasileira para pro fesso res, que é de R$ 530, 00 co nfo rme dado s do INE P.

O piso salarial do s pro fesso res-acadêmico s do Curso de Pedago gia, curso no qual est avam inscrit o s pro fesso res da rede municipal, apresent o u uma alt o índice percent ual na faixa de salário inferio r. Ao diagno st icar o piso salarial de um pro fesso r co m nível de magist ério , 30 ho ras-aulas semanais, verifico u- se que, no município de Paraúna, o piso salarial é de R$ 324,00; em Varjão , R$

277, 00; em Palminó po lis, R$ 324,00; em Palmeiras R$ 393, 92 e Nazário , R$ 315, 00, valo res abaixo da média nacio nal, o que evidencio u a necessidade de discussõ es perant e o s po deres co nst it uído s no sent ido de buscar melho ria do s salário s pago s ao s pro fesso res, t endo -se assim, um salário mais digno para um cidadão t rabalhado r.

Gráfico 39: Do piso salarial (em reais) do s pro fesso res-acadêmico s.

0 5 10 15 Geografia História Matemática Letras Pedagogia 200 a 300 301 a 400 401 a 500 501 a 600 Acima de 600

Fon t e: Qu est i on á r i o a p l i ca d o a os p r ofessor es- a ca d êm i cos, 2 0 0 3 .

E mbo ra est ejam cursando disciplinas específicas, alguns pro fesso res-

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