2. METODOLOGIA …
2.2. Obtenção e análise dos dados
2.2.1. Procedimentos do curso de formação continuada e das entrevistas 73
2.2.1.2. Perfil dos sujeitos participantes
Com as fichas de inscrição no curso, foi possível, pois, identificar o perfil dos sujeitos participantes do estudo, ou seja, daqueles professores que desejaram participar do curso de formação continuada. Das quinze vagas oferecidas, quatorze foram preenchidas no momento das inscrições, por professoras do ensino Básico da rede pública Estadual da Bahia, com faixa etária que variou entre 28 e 41 anos.
Para as professoras inscritas no curso, foi enviada uma mensagem contendo o cronograma das atividades. Nesse cronograma, também se alertava sobre a importância da entrega do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e sobre os horários para realização das entrevistas semi-estruturadas, de forma individual.
As professoras inscritas são residentes e ensinam em quatro municípios da Bahia: Salvador, Euclides da Cunha, Feira de Santana e Serra Preta. Quanto ao nível de ensino, a minoria (quatro professoras) ensina apenas no nível Médio (biologia) e uma maior parte (dez professoras) nos níveis Fundamental e Médio (ciências naturais e biologia).
Todas as professoras possuem o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, com datas de conclusão que variaram entre os anos de 1995 e 2007. O grupo incluía professoras formadas tanto em universidades públicas quanto privadas: Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Católica do Salvador (UCSAL) e Faculdades Jorge Amado (FJA).
A maioria das professoras (treze) possui pós-graduação, incluindo os seguintes cursos: 1- Especialização: Análise Clínicas, Educação Ambiental e Educação; 2- Mestrado: Saúde Pública, Engenharia Civil e Ambiental e Botânica. Estes cursos foram também realizados em universidades públicas e privadas: Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC).
Entre os fatores que motivaram as professoras a participarem do curso, destaca-se a preocupação com a formação continuada, especialmente para o aperfeiçoamento profissional e melhoria da prática pedagógica e salarial, como
mostram as respostas a seguir, fornecidas diante do questionamento “Quais os
fatores que motivaram você a realizar esse curso?”: “Buscar o aprimoramento
profissional, e a atualização quanto às teorias e práticas didáticas”; “O fato de ser na área de Educação e a contribuição que o mesmo possa vir a dar na melhoria do ensino da biologia”; “Aquisição de conhecimentos, melhorar a prática pedagógica ensino/aprendizagem”. É importante destacar essa preocupação das professoras com a melhoria da qualidade das suas formações como um requisito essencial para que isto ocorra, pois, como afirmam Eekelen et al. (2006), o sucesso da formação do professor depende essencialmente do seu próprio interesse, já que ele possui experiências que lhe permite reconhecer-se como sujeito ativo da construção de saberes docente, capaz de melhorar as suas próprias práticas pedagógicas.
Outras preocupações também relacionadas com a melhoria da prática pedagógica foram reveladas nas respostas dadas pelas professoras nas suas fichas de inscrição. É o caso, por exemplo, de respostas que destacam o desejo de refletir, discutir e compartilhar experiências com colegas da área sobre os aspectos abordados durante o curso. As seguintes respostas ilustram
essas preocupações das professoras: “Manter-me atualizada, ter a
possibilidade de refletir, discutir com outros colegas da área, na busca de melhorar a atuação na sala de aula”; “Participar das discussões, compartilhar experiências”. Essas preocupações foram essenciais para oferecer-lhes oportunidades para explanações e compartilhamento das suas opiniões e experiências, oriundas das suas vivências nas salas de aula das escolas onde atuam. Levou-se em consideração que a formação do professor não apenas acontece no plano individual, nos seus processos mentais, mas, também, no plano social, na construção de saberes que são resultantes das relações que eles estabelecem com outros profissionais da área (TARDIF, 2002).
As professoras também revelaram motivações nitidamente
relacionadas com a temática específica do curso, isto é, com a importância da etnobiologia, bem como da história e da filosofia das ciências para as suas práticas pedagógicas. Além disso, elas se interessaram pela consideração da diversidade cultural presente nas salas de aula, de modo que os conteúdos de ensino tenham maior significado para os estudantes, na medida em que elas, enquanto professoras, poderiam atuar como mediadoras entre os saberes
locais e os conhecimentos científicos escolares. Este interesse está presente nas seguintes falas: “Aprimorar meus conhecimentos sobre a etnobiologia e história e filosofia das ciências, além de aprender a lidar com a diversidade cultural existente”; “A preocupação de permitir aos meus estudantes momentos diferenciados em sala de aula proporcionando-os uma aprendizagem significativa, como educadora procuro um crescimento profissional contínuo, oportunidade de troca de ideias com outros profissionais da área, maior conhecimento científico na área educacional que atuo”; “O curso me dará uma melhor compreensão de como os saberes de uma determinada população podem ser importantes para uma melhor abordagem na sala de aula, ou seja, como estas comunidades usam os recursos naturais. O professor pode ser um instrumento entre a cultura local e os saberes científicos”.
Ainda em relação à preocupação com a diversidade cultural, uma das professoras inscritas apresentou como motivação para participação no curso a possibilidade de contribuição para o planejamento de aulas voltadas para a realidade do campo e, também, para adequação do seu projeto de doutorado, dado que pretende fazer seleção num programa de Pós-Graduação em Ensino
de Ciências envolvendo a temática abordada no curso: “Primeiramente por
tratar de questão específica aos alunos do campo, como agricultores, o que ajudaria no planejamento de minhas aulas. Outra questão é que gostaria de utilizar a temática do curso para adequar e planejar um projeto de Doutorado que gostaria de pleitear dentro do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências, envolvendo a comunidade”.
É interessante notar essa motivação da professora, anunciada na sua fala, de continuar seus estudos ao nível de doutorado. Motivações como esta, seguramente, são importantes para a formação de professores que pretendam ser pesquisadores, uma vez que nos cursos de pós-graduação eles poderão ter as suas concepções epistemológicas e seus horizontes teórico-metodológicos ampliados. Todavia, é válido lembrar que mesmo sem uma formação ao nível de pós-graduação, o professor pode ser investigador de suas próprias práticas pedagógicas, a partir de reflexões, por exemplo, sobre as suas ações, tornando-se, assim, produtor de saberes (SCHÖN, 1992). Neste sentido, Rosa e Schnetzler (2003) argumentam que é importante estabelecer parcerias entre universidades e escolas onde atuam os professores, desde que isso contribuirá
para fomentar e valorizar a sua autonomia nesse espaço. Para Ludke (2001c, p. 91), quando se trata de estabelecer parcerias entre universidades e escolas,
é necessário o “... estabelecimento de critérios, que sejam compatíveis com os
dois tipos de pesquisa, sem marginalizar novas epistemologias, mas ao contrário fortalecendo áreas comuns e possibilidades de colaboração entre as duas culturas…”.
2.2.1.3. Desenvolvimento do curso de formação continuada e das entrevistas
O curso de formação continuada de professores de ciências aconteceu entre os meses de abril a outubro de 2009 e teve encontros semanais de oito horas, perfazendo um total de cento e trinta e duas horas. Os espaços físicos utilizados foram uma sala de aula e uma sala de reuniões da Pós-Graduação em Educação do Departamento de Educação da Universidade Estadual de
Feira de Santana/UEFS (Figura 1), localizada no município de Feira de
Santana, no estado da Bahia.
Figura 1. Encontro com as professoras participantes do curso de formação continuada na sala de reuniões da Pós-Graduação do Departamento de Educação da UEFS.
Feira de Santana está situada na região semiárida da Bahia, a 110 km
da cidade do Salvador, no Nordeste do Brasil (Figura 2).
Figura 2. Localização geográfica do município de Feira de Santana, Bahia. Fonte: Adaptado de IBGE (2009).
O primeiro encontro com as professoras participantes consistiu da realização das primeiras entrevistas semi-estruturadas, antes do curso de formação continuada propriamente dito. O objetivo foi Identificar quais as concepções prévias das participantes sobre prática pedagógica em biologia, diversidade cultural, etnobiologia e investigação de saberes culturais. O roteiro
que serviu de base para as entrevistas se encontra no Anexo 9. As entrevistas
foram registradas com auxílio de um gravador (Pen Drive Sony ). Para cada
professora entrevistada, foram criados códigos com o objetivo de garantir a sua privacidade, a saber: PE1 (Professora Entrevistada 1); PE2 (Professora Entrevistada 2); PE3 (Professora Entrevistada 3) e, assim, sucessivamente.
Em seguida, as entrevistas foram transcritas para posterior análise
professoras antes e após as suas participações no curso de formação continuada (Ver abaixo).
Após o primeiro encontro com as professoras, aconteceram leituras, discussões e exposições dialógicas com base em alguns textos relacionados ao ensino de ciências e à etnobiologia, à formação de professores de ciências
e à história e à filosofia das ciências no contexto do ensino de ciências (Anexo
11).
Cabe destacar que as atividades desenvolvidas durante todos os encontros com as professoras não foram filmadas, mas, sim, anotadas em um diário de campo, no qual foram registradas todas as informações resultantes de observações da pesquisadora. Portanto, não houve uma transcrição detalhada de como os encontros aconteceram. Isto aconteceu porque as professoras foram unânimes em não aceitar filmagens desses encontros, o que é perfeitamente aceitável nas pesquisas de natureza qualitativa, segundo Ludke e André (1986). Como discutem Bogdan e Biklen (1994), o diário de campo constitui em espaço no qual o pesquisador relata por escrito aquilo que vê, experiencia e pensa no desenvolver da sua coleta de dados. Para estes autores, o diário de campo pode ser descritivo e reflexivo. No primeiro tipo, o pesquisador busca captar uma imagem da realidade com o máximo de detalhamento, incluindo o local, as pessoas, suas falas, ações etc. Já no reflexivo, a ênfase recai sobre o ponto de vista do observador, suas percepções e ideias (BOGDAN e BIKLEN, 1994). No presente estudo, buscamos combinar no diário de campo abordagens descritivas e reflexivas.
Para a análise do diário de campo, um roteiro pré-estabelecido foi utilizado como norteador, contendo os seguintes itens: - Os comportamentos; - As falas e reflexões; - As emoções demonstradas; - os questionamentos envolvendo a temática do curso. Concordando com André e Pacco (2007), os estudos sobre a formação docente devem, dentre outros aspectos, evidenciar os processos de constituição da profissionalidade desses professores, buscando compreendê-los em suas histórias, saberes, experiências, representações, sentimentos, emoções, relações e práticas estabelecidas no contexto institucional em que atuam.
Com base nas discussões teóricas desde o segundo encontro, uma nova etapa foi iniciada, buscando permitir às professoras momentos para a
reflexão sobre as suas práticas, ou seja, sobre a condução das suas atividades nas salas de aula no que tange à contribuição da etnobiologia para o ensino de ciências e ao diálogo cultural nas salas de aula de biologia: as professoras participantes realizaram, então, entrevistas semi-estruturadas com os estudantes agricultores das escolas onde atuavam. Por um lado, o objetivo dessas entrevistas foi permitir às professoras em formação continuada oportunidades para a investigação dos conhecimentos tradicionais dos seus alunos, com base nos procedimentos metodológicos utilizados pelas pesquisas etnobiológicas voltados para o ensino de ciências (BAPTISTA, 2007). Estas foram, contudo, também oportunidades de uma formação de caráter metodológico. Por outro lado, essas entrevistas também visaram gerar oportunidades para que as professoras coletassem dados para a construção de materiais didáticos e o planejamento de intervenções pedagógicas nas salas de aula de biologia.
Para a realização das entrevistas, foi eleito o tema “controle biológico de pragas”. Tal escolha surgiu das discussões com as professoras participantes sobre a experiência anterior da autora desta tese na construção e no teste de materiais didáticos e sequências de ensino envolvendo os conhecimentos tradicionais agrícolas de estudantes agricultores de uma escola pública do município de Coração de Maria, na Bahia (BAPTISTA, 2007). Esta experiência revelou que um dos grandes problemas que afetam as comunidades de onde são provenientes estudantes agricultores são as pragas agrícolas, tornando evidente a importância de as escolas, especificamente o ensino de ciências, oferecerem oportunidades para que esses estudantes agricultores possam ampliar os seus conhecimentos tradicionais com conhecimentos científicos pertinentes e refletir sobre as possibilidades de solucionar tais problemas (BAPTISTA, 2007).
Para a construção do roteiro destas entrevistas, foram propostas às professoras questões centrais, a saber: - Qual o seu nome? - Você é agricultor ou filho de agricultor? - Você sabe o que é praga agrícola? - Dá alguma praga na região onde trabalha, ou seus familiares trabalham? - Como chamam as pragas? - Por qual motivo essas pragas atacam as plantas? - Quais as plantas que as pragas atacam e o que elas causam? - O que é feito para combater as pragas? - Será que existe algum ser vivo capaz de combater essas pragas? -
As pragas quando atacam a agricultura prejudicam o ser humano? - Como? Você sabe o que é veneno agrícola e para que serve? - Quais são as vantagens e desvantagens dos venenos? - Tem alguma relação do período de plantio no ano com o combate das pragas? - Com quem você aprendeu esses conhecimentos?
A escolha para a realização de entrevistas semiestruturadas com os estudantes nas escolas se deu com base em conversas realizadas com as professoras. Especificamente, sobre as suas atividades de ensino nas escolas públicas da Bahia. Segundo as professoras participantes, elas não dispõem de tempo suficiente para a realização de atividades relacionadas ao ensino fora da escola. Isto ficou ainda mais evidente quando a pesquisadora questionou às professoras de forma geral sobre as suas possibilidades de realizarem visitas aos espaços agrícolas dos estudantes, assim como observações participantes e entrevistas nesses espaços. De forma unânime, as professoras preferiram realizar entrevistas com os estudantes no próprio espaço das escolas onde ensinam, pois isto contribuiria para um melhor aproveitamento do tempo e dedicação a atividade.
Após as entrevistas com os estudantes agricultores15, as professoras elaboraram materiais didáticos incluindo os saberes tradicionais dos estudantes e apresentando relações de semelhanças e/ou diferenças desses conhecimentos com o conhecimento científico escolar (BAPTISTA, 2007). Essa relações foram estabelecidas pelas professoras participantes com auxílio dos livros didáticos de biologia por elas utilizados e referencias na área de entomologia e agronomia (BURG e MAYER, 1999; PENTEADO, 2000; LOPES, 2004; LINHARES, S. e GEWANDSZNAJDER, 2005; AMABIS e MARTHO, 2006). O propósito dessa comparação não foi o de “validar” os conhecimentos
tradicionais dos estudantes (no caso das semelhanças), nem o
estabelecimento de uma suposta superioridade do conhecimento científico escolar (no caso das diferenças). Os conhecimentos tradicionais obedecem
15 Cabe salientar que os dados das entrevistas não serão anexados no presente trabalho, visto que ficaram de posse das professoras, segundo solicitação das mesmas, e não contribuíram diretamente para o alcance dos objetivos deste trabalho. Do mesmo modo, salientamos que a descrição dos procedimentos da realização das entrevistas pelas professoras com seus estudantes que são agricultores está presente nos procedimentos metodológicos ora relatados pelo fato de que esses procedimentos constituíram um dos momentos disponibilizados pelo curso para reflexões por parte dessas professoras sobre as suas próprias práticas pedagógicas com relação a diversidade cultural.
aos seus próprios critérios de validação, não tendo qualquer sentido, num trabalho dessa natureza, uma busca de sua validação por referência ao conhecimento científico, seja escolar ou não. O propósito com tais comparações foi o de identificar oportunidades para a elaboração de projetos didáticos que permitissem estabelecer, no contexto da sala de aula de biologia, diálogos entre os conhecimentos tradicionais e científicos.
Assim, com base nos materiais didáticos, elas elaboraram projetos didáticos para intervenções no ensino de biologia (Nível Médio) baseadas no diálogo cultural. As construções desses materiais e projetos foram mediadas pela pesquisadora, como professora do curso, com o intuito de contribuir para reflexões e aprimoramentos dos mesmos.
Depois da construção de todos os materiais e projetos didáticos por todas as participantes, foram selecionados dois desses materiais com seus respectivos projetos de ensino para serem aplicados em intervenções no ensino de biologia, pelas próprias autoras. Os critérios para esta seleção foram:
1- Interesse e envolvimento das professoras no processo de construção dos materiais e projetos didáticos, que deveriam ser significativos no sentido de buscas constantes e participativas por parte das professoras e da pesquisadora;
2- Qualidade da elaboração do material didático e organização do planejamento para as intervenções didáticas. Sobre o material didático, foi considerada uma abordagem que permitisse o diálogo cultural entre os conhecimentos tradicional e científico escolar no campo da biologia. Sobre o projeto didático, foi considerada a presença e clareza nas descrições dos seguintes itens: Temática a ser abordada e conteúdos relacionados; Objetivos; Metodologia, com recursos e estratégias utilizadas para o ensino; Forma de Avaliação e Bibliografia, tanto consultada quanto a ser indicada como fonte de informações aos estudantes.
Foram propostas às autoras destes materiais e projetos didáticos (PE1 e PE8) intervenções pedagógicas nas salas de aula de biologia das escolas onde atuavam. Cumpre informar, segundo informações obtidas em conversas pessoais com elas, que ambas as professoras atuam no Ensino Médio de escolas localizadas na zona urbana do município de Feira de Santana (BA),
que atendem, além dos estudantes dessa zona, estudantes da zona rural do município, que são agricultores e/ou filhos de agricultores.
As intervenções no ensino de biologia foram filmadas (CARVALHO, 2007; MARTINS, 2006). O objetivo das filmagens foi obter dados para posterior análise das concepções das professoras sobre as suas práticas pedagógicas reveladas durante as entrevistas. Do mesmo modo, para abertura de oportunidades nas quais fossem possíveis discussões em sala de aula do curso, entre as professoras e a pesquisadora. Partiu-se do pressuposto de que uma intervenção na realidade da sala de aula permite a reflexão por parte das professoras (SCHÖN, 1992).
É valido destacar que a pesquisadora cumpriu um período de ambientação nas salas, antes do inicio das aulas, buscando uma familiarização com os estudantes, ao especificar os seus objetivos naquele espaço, bem como com a utilização da câmera de filmagem (CARVALHO, 2007). Tal fato permitiu que houvesse menor interferência no desenvolvimento das aulas, tendo esta se limitado a olhares esporádicos dos estudantes para as câmeras e risos. Cada professora cumpriu um total de quatro intervenções, subdivididas em dois momentos (aulas geminadas), que aconteceram em duas semanas seguidas. Também é válido destacar que, embora a pesquisadora tenha acompanhado as intervenções pedagógicas, elas não serão descritas no presente trabalho, por não serem o principal objeto de estudo do mesmo, sendo aqui descritas pelo fato de terem sido um dos momentos disponibilizados pelo Curso de Formação de Professores de Ciências para reflexões dessas professoras sobre as suas próprias práticas pedagógicas com relação à diversidade cultural16.
O procedimento para a filmagem dessas aulas consistiu da instalação de uma câmera de vídeo num dos cantos da frente das salas de aula e o do posicionamento da pesquisadora no fundo dessas salas, controlando uma segunda câmera (CARVALHO, 2007). O objetivo foi alcançar todo o espaço das salas, sem perder de vista a ação da professora. Nas figuras 3 e 4 é
16 Reconhecemos a limitação metodológica do presente estudo no que tange a triangulação dos dados, isto é, de que uma comparação das concepções das professoras expressas nas entrevistas com os resultados das intervenções pedagógicas poderiam contribuir para uma melhor confiabilidade dos resultados (Ver perspectivas para trabalhos futuros no item Considerações Finais deste trabalho).
possível a visualização dos posicionamentos dos estudantes, que estavam dispostos em grupos, e das câmeras nas duas salas de aulas utilizadas pelas duas professoras durante as suas intervenções. As professoras ficaram livres, transitando por todos os espaços das salas de aula. Nas figuras 5 e 6 é possível observar os posicionamentos das professoras e dos estudantes nas salas de aula. Com o intuito de garantir as privacidades, os rostos dos sujeitos