5 CEIER: A PRÁXIS E A PERSPECTIVA DE UM PROJETO DE
5.1 PERSONAGENS QUE FAZEM PARTE DA HISTÓRIA DO CEIER/VP-ES
A partir daquela metodologia que havíamos organizado, de “fora para dentro” do CEIER, buscamos os personagens que compuseram no espaço/tempo desde a sua criação (1982) ao atual quadro de profissionais da instituição escolar.
Entrevistamos, interrogamos e conversamos por duas, três ou mais vezes com personalidades que fazem parte da história viva do CEIER/VP-ES. Identificamos aqui alguns deles que muito contribuíram para nossa compreensão sobre a origem da prática educativa em atividades agroecológicas. Personagens como: Dulcino Bento Zucatelli, Engº. Agrônomo do INCAPER, Assessor da Sec. Mun. de Agricultura, contratado pelo então prefeito de Nova Venécia – ES (1983), Adelson Salvador, para implantar o CIER no então distrito de V. Pavão – ES. Dulcino (assim ficou conhecido na comunidade) tornou-se o primeiro diretor, depois professor até 2001, foi um dos mentores e organizadores das atividades agroecológicas no Centro Educacional; Joel Rossim nasceu e vive em Vila Pavão – ES, foi professor (1983- 2010), aposentou-se no CEIER; Jorge Kuster Jacob um dos mentores do movimento “EMANCIPAVÃO” e do “POMITAFRO” foi professor no CEIER (1988-1989), Sec. Mun. de Educação (1999-2003), Sec. Mun. de Cultura e Turismo (2003-2011); Karin Hilde Dieter diretora (1993-1997); Rogério Durães de Oliveira, Administrador Rural e Extensionista do INCAPER, foi aluno (1986-1989) e professor (1992-2003); Hélio Timm foi diretor, é professor e o atual coordenador de turno.
Dentro do quadro atual de profissionais pudemos contar com a preciosa contribuição dos personagens como secretária escolar, professores, coordenadores, pedagogos e gestores, aqui identificados: Anna Amélia Conceição Secretária Escolar, Autorização nº 047/2009, Claudiney Helmer coordenador do curso técnico em agropecuária (2009-2011), atual professor; Meris Terezinha Henrique da Silva Tenis (atual coordenadora do curso técnico em agropecuária); Andréa C. Rodrigues e Edilene Cristina Rodrigues professoras e organizadoras da PP juntamente com Vilma Berger Schraiber (atual pedagoga), e Irineu Wutke (atual diretor).
Esses profissionais juntamente com os alunos da 7ª (8º ano), 8ª séries (9º ano) e dos Cursos Técnicos em Agropecuária e em Meio Ambiente (nível médio) nos anos de 2010 a 2012 e os membros do Conselho de Escola e da comunidade rural contribuíram significativamente na pesquisa de campo para buscarmos aquela segunda parte de compreender como as atividades agroecológicas se mantêm no currículo estabelecido ou se distanciam dessa origem no processo do ensinar/aprender no currículo praticado.
5.1.1 Os primeiros passos da implantação e criação do CEIER/VP-ES
Dulcino havia chegado de volta a Nova Venécia – ES em 1982, recém-formado como Engenheiro Agrônomo na Universidade Federal de Lavras (UFLA-MG), quando, no início de 1983, recebera o convite do prefeito Adelson Salvador. “Vá ao distrito de Vila Pavão e coloque a escola pra funcionar” disse-lhe o prefeito. Com um ar de preocupação completa a sua fala: “aquilo [o prédio já construído] não pode ‘virar’ curral” em alusão ao terreno de 120 alqueires ao lado da construção, onde se criava muito gado leiteiro.
Dulcino conta o que ouvira sobre os procedimentos para compra do terreno. Disse que no processo de compra do terreno, provavelmente em 1980/1981, teve uma dificuldade com relação ao tamanho do espaço a ser destinado ao centro
educacional. A prefeitura de Nova Venécia queria um terreno de 3 (três) alqueires e a dona da terra não vendia menos do que 9 (nove). Foi então que o vereador Valdir Buge assumiu a compra dos 9 (nove) alqueires. Depois vendeu os fundos do terreno (5,5 alqueires) para o Sr. José Pionte Kiosky, a parte central do terreno (3,0 alqueires) para prefeitura e o restante (0,5 alqueire) para outro proprietário Sr. José Galdino. Resolvendo assim como queria a prefeitura, um terreno de 3 (três) alqueires, com espaço para de práticas agrícolas e para a construção da escola. Ao chegar ao distrito de Vila Pavão ele se encontra com Carlúcio de Alcântara Soares, Técnico em Agropecuária, que viera de Colatina – ES, recém-formado pela Escola Agrotécnica Federal de Itapina. Ele havia sido contratado no ano de 1982, ainda na gestão de Antônio Moreira, então prefeito de N. Venécia.
Carlúcio lhe contara que durante os meses de novembro e dezembro de 1982 chamava os alunos da 7ª e 8ª séries da Escola Municipal Humberto Castelo Branco – zona urbana do distrito – para fazer uma caminhada no percurso de 4 km do distrito até a futura sede do CEIER/VP-ES. Pois, o prefeito queria colocar a escola para funcionar ainda na sua gestão municipal ou de seu sucessor. Então era necessário mostrar o local onde já estava construída a escola e o terreno destinado às práticas das teorias aprendidas nas salas de aulas. Carlúcio já tentava convencer os futuros alunos que ali seria um bom lugar para se aprender as coisas do campo. Entretanto, Antônio Moreira não elegera o seu sucessor e nem o vereador Valdir Buge fora reeleito. É eleito como prefeito Adelson Salvador e o vereador reeleito é Aldeque Ferrari. Adelson não querendo perder tempo contratara Dulcino, lhe entregara a missão e de imediato o enviara para o distrito para encontrar-se com Carlúcio e lideranças do distrito de Vila Pavão.
Juntos, Dulcino e Carlúcio saem da Escola Municipal Humberto Castelo Branco, procuram o Sr. Elizeu Kalk, uma das lideranças locais, para conversar sobre a proposta de encaminhar a implantação da referida escola.
Implantar uma escola diferenciada, que não fosse uma continuidade da rede regular de ensino e que atendesse às reais necessidades dos pequenos agricultores tornou- se um desafio enorme e que mexeu muito com o dia a dia do Dulcino, como um dos
principais personagens dessa história. Inicialmente quando fora chamado, pelo prefeito de Nova Venécia - ES Adelson Salvador no início do ano de 1983, disse de forma inquietante: “o que vamos fazer”? Segundo ele mesmo não conhecia por perto nenhuma referência educativa e nem sequer uma estrutura que pudesse se identificar com o que queriam colocar como proposta educativa voltada para as necessidades dos agricultores locais.
Mesmo assim, em 15 de março de 1983, iniciaram as aulas no CIER de Vila Pavão, então distrito do município de Nova Venécia – ES. Os alunos chegaram, não só os filhos dos pequenos agricultores locais para 5ª série como também todos os da 5ª a 8ª séries, transferidos da Escola Municipal Humberto Castelo Branco, que ficou apenas com os alunos da 1ª a 4ª séries. Dulcino se viu no papel de diretor, secretário, professor, coordenador e uma imensa responsabilidade nas “costas”. Até hoje ele arregala os olhos, franze a testa e, como se estivesse revivendo aquele dia, repete a pergunta: “e agora o que fazer com essa meninada”?
Todavia, percebemos nessa pesquisa que, uma coisa já estava certo para ele e sua resumida equipe, de 5 (cinco) professores de disciplinas do conhecimento comum – Base Nacional Curricular (BNC) – e de das 4 (quatro) disciplinas do conhecimento específico – Área de Técnicas Agrícolas –, ali naquele espaço de formação educativa queriam implantar uma proposta de ensino-aprendizagem do modo de serem reconhecidos como um “Centro Educacional”. É assim como já gostavam de ser chamados pelos próprios educadores que iniciaram a história do CEIER/VP-ES.
5.2 UM CENTRO À PROCURA DE UM CAMINHO E DE UMA IDENTIDADE