• Nenhum resultado encontrado

6 ANÁLISE DAS CRIPTOMOEDAS NO SISTEMA INTERNACIONAL

6.3 PERSPECTIVAS DO MERCADO

Em teoria, as moedas digitais poderiam servir como dinheiro para qualquer pessoa com um computador ou dispositivo habilitado com internet, como é afirmado por Ali (2014, p. 279). Atualmente, as moedas digitais cumprem os papéis do dinheiro apenas até certo ponto e apenas para um pequeno número de pessoas. Conforme o autor, é difícil estimar o número de pessoas que possuem ou usam as moedas digitais, tendo o conhecimento de que o Bitcoin é o mais utilizado. Em 9 de julho de 2014, haviam quase 41 milhões de endereços listados na cadeia de blocos do Bitcoin, mas apenas 1,6 milhão continha um saldo de mais de 0,001 Bitcoins. Na análise feita pelo autor, Ali (2014, p. 279) cita que durante os 30 dias até 20 de agosto de 2014, quase 60% do comércio de Bitcoin com as moedas tradicionais foi contra o renminbi chinês (moeda oficial da China), com 32% negociados em relação ao dólar dos EUA e 3% em relação ao euro, e apenas 1,2% da negociação foi a libra esterlina. Se o número de usuários de Bitcoin em cada Estado for proporcional à negociação da moeda do país, a sugestão de Ali (2014, p. 279) seria um limite superior de cerca de 20.000 pessoas no Reino Unido que detém qualquer participação significativa de Bitcoins. Estima-se ainda que em todos os usuários do Reino Unido, apenas 300 transações podem ocorrer por dia.

Segundo Ali (2014, p. 279), “o valor de um ativo como reserva baseia-se nas crenças das pessoas em relação a sua oferta e demanda futuras”, ou seja, o custo de aquisição das criptomoedas, especialmente o Bitcoin, vem da crença das pessoas, como também ação, especulações de ofertas e demandas futuras, mesmo as perspectivas de demanda futura sendo bem menos seguras. Uma vez que as moedas digitais necessitam de qualquer demanda autônoma (como para uso na produção ou para consumo) e nenhuma autoridade central está por trás delas, uma opinião citada por Ali (2014, p. 279) sobre sua demanda futura, é que ela deve basear-se em: a) uma crença sobre seu uso futuro como meio de troca, ou seja, se as pessoas ou usuários continuarão apostando no Bitcoin como meio de troca e a valorização que ela terá no futuro; b) a crença de que eles (mercado) continuarão a exigir ainda mais no futuro.

Enquanto os preços não-zero (que não chegam a zero) das moedas digitais revelam que possuem realmente um valor para os usuários, as moedas podem ser estoques de curto prazo, justamente pela volatilidade significativa das taxas de câmbio com as moedas tradicionais. O gráfico 1 abaixo, retirado do artigo de Ali (2014, p. 279), mostra a variação diária dos preços dos Bitcoins (em azul) e da libra esterlina (em magenta), ambos expressos em dólares americanos desde o início de 2012, até o ano de 2014.

Gráfico 1

Segundo a análise do autor, o desvio padrão das movimentações diárias (ou seja, quanto o preço de um ativo financeiro varia ao longo do tempo) do Bitcoin é 17 vezes maior do que para a libra esterlina. O valor do Bitcoin como uma reserva de médio ou longo prazo, no entanto, depende da força da demanda ao longo do tempo, que como já dito, dependerá das crenças e evolução dos usuários sobre o sucesso final da moeda digital. Conforme Ali, (2014, p. 279), na medida em que uma moeda está sendo usada como meio de troca, é o número de varejistas que estão preparados para aceitá-la em pagamento, sendo assim, os comerciantes precisam estar preparados para o mercado das criptomoedas, entretanto, atualmente existem

milhares de varejistas em todo o mundo (provedores de internet) que estão dispostos a receber pagamento em Bitcoins.

Alguns fatores que influenciam nos preços das moedas digitais, baseado no artigo de Ali (2014, p. 280) são:

a) O retorno real esperado de manter a moeda digital (ou seja, a taxa de juros nominal menos a inflação esperada de preços), em relação a outras opções;

b) Quaisquer riscos associados à manutenção da moeda digital em relação a outras moedas, questões de segurança como riscos de roubo ou fraude e volatilidade de preços;

c) Os benefícios de usar a moeda digital como meio de troca quando comparado aos sistemas tradicionais como moeda em papel, incluindo disponibilidade, taxas de transação e a questão do anonimato;

d) Qualquer restrições de tempo ou custos associados à troca de riqueza entre a moeda digital e os ativos mais tradicionais, como a libra esterlina;

e) As preocupações não monetárias, como a preferência ideológica de usuários por uma moeda específica;

f) Uma visão de quanto as outras pessoas valorizam a criptomoeda e como isso deve mudar no futuro, ou seja, se as mesmas continuarão a usar.

Tendo em vista a análise do autor, podemos dizer que a influência do preço das moedas digitais dependem muito dos próprios usuários. Os preços são especulativos, e há uma maior atenção em relação ao futuro que terá o Bitcoin, por exemplo (que é a mais utilizada). Analisando o sistema atual, percebemos como a mídia também ajuda na propagação de conhecimento e especulações das moedas digitais, gerando mais informações e notícias sobre, as pessoas enxergam como um possível novo investimento, e consequentemente, o valor da moeda digital aumenta.

Segundo Ali (2014, p. 280), os varejistas que cotam preços em Bitcoins parecem normalmente atualizar esses preços com uma alta frequência, mantendo o preço relativamente estável quando se trata em moedas tradicionais, como dólares americanos ou libras esterlinas.

De fato, as empresas iniciantes que buscam oferecer facilidades de pagamento por Bitcoin geralmente oferecem aos varejistas a oportunidade de fazer um preço inteiramente em moedas fiduciária (ou seja, onde o valor não depende de nenhum metal, como ouro ou prata, mas sim, da confiança em que as pessoas possuem sobre a moeda) usando a moeda digital apenas temporariamente como um sistema de pagamento.

Uma característica significativa das moedas digitais como também o principal fator de interesse dos varejistas em aceitá-las em pagamento, com base em Ali (2014, p. 281), é a promessa de baixas taxas de transação. Atualmente, os pagamentos em moeda digital exigem taxas de transação que são geralmente mais baixas do que as necessárias para pagamentos eletrônicos de varejo (como pagamento por cartão de crédito) e transferências internacionais usando moedas tradicionais.

Explicando o porquê das taxas de transação do Bitcoin serem mais baixas, Ali (2018, p. 281) cita que “as baixas taxas de transação para pagamentos em moeda digital são em grande parte impulsionadas por um subsídio que é pago aos verificadores de transação (mineradores) na forma de nova moeda”, ou seja, as criptomoedas em que os mineradores ganham ao minerar. Este subsídio depende não apenas do preço atual da moeda digital, mas também das crenças em que os mineradores possuem sobre o preço futuro da moeda. Ali (2014, p. 281) explica que se as moedas digitais possuírem uma taxa fixa, serão então forçadas a competir com outros sistemas de pagamento com base nos custos. Com seus custos marginais mais altos, as moedas digitais terão dificuldades para competir com sistemas centralizados, a menos que o número de mineradores caia, permitindo que os restantes realizem economias de escala (ou seja, gastar menos e produzir mais). Segundo o autor, um risco significativo para o uso de moedas digitais como sistemas de pagamento é, portanto, que eles não serão capazes de competir em relação a custos sem deixar de possuir suas próprias características, e assim pode derrotar seus objetivos originais e expor ao risco de fraude em todo o mundo.

As pesquisas e perspectivas do mercado atualmente (2018), segundo Bastiani (2018) cita que de acordo com uma nova pesquisa conduzida pela Satis Group, que é uma empresa de consultoria de ofertas iniciais de Moedas (ICOs), o preço do Bitcoin (BTC) pode chegar a

US$98 mil nos próximos cinco anos, ou seja, podemos perceber como a especulação dos usuários estão bem otimistas com a moeda futuramente. De acordo com Frazzon (2018), um economista e analista de investimentos, cita que atualmente o Bitcoin é uma das melhores opções de investimento no mercado de criptomoedas, justamente pelo seu preço atual e robustez.

6.4 AS CRIPTOMOEDAS NO SISTEMA MONETÁRIO E A SUA RELAÇÃO COM OS

Documentos relacionados