Figura 10: Arquivo pessoal Rosalia Lemos
Às ancestrais: Quinhentos anos em um dia. Havia ameaça, mas não choveu.
O que era um tantinho de mulher negra virou um tantão e comoveu. Lembrava um rio onde flutuavam milhares de flores coloridas.
As dezenas de faixas traziam mensagens; traduziam anseios de vidas doloridas. As falas emocionadas alternavam com as melodias cheias de ginga e exalavam alegria. Nem os fascista pró-ditadura, empanaram ou reduziram nossa energia.
No todo, um Estado um tanto indiferente, embora um governo reticente.
Os meios de comunicação não comunicaram, omitiram, silenciaram – mídia de brancos para brancos e brancas -, mas com o silêncio, não nos calaram.
Sim, mulheres negras se importam com outras e repudiam o extermínio de seus rebentos fêmeas e machos, pela mão do Estado que é o primeiro a violar a Lei das Leis.
Nunca poderemos sair deste ´buraco` puxando-nos por nossos próprios cabelos. Algo tem de acontecer além de nossos apelos.
Capitalismo só é bom para capitalistas.
Sim, quem lá esteve sabe que o tudo que fizerem ainda será pouco, neste país encharcado de racismo e machismo; ´desnaturalizá-los` é apenas um item das listas.
A maioria das que atenderam a ´convocação`, pôde fazer uma catarse racial e aliviará o coração.
Pode ter sido só cócegas no poder, mas, é sabido que quando o piso se move, a estrutura da pirâmide trinca.
E ... com mulheres negras não se brinca.
Rimas pobres na língua do colonizador; não dá para roçar minha língua na língua de minha afro-etnia desconhecida por força da dor.
Crianças, adolescentes, jovens, adultas , idosas; cadeirantes, lésbicas, não-alfabetizadas, doutoras, empregadas domésticas, professoras e todas que lá estiveram, fizeram desse 18 de novembro de 2015, um dos dias mais significativos para a luta de nossa gente negra, contra a opressão, subalternização secular . A AMNB –Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras e as demais organizações do Comitê Impulsor da Marcha de Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, podem reivindicar a autoria desse ´atentado ´ em favor da democracia racial, de gênero e amplamente participativa.
Nilma Bentes
30 de novembro de 2015.
Uma das fundadoras do CEDENPA-Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará; uma das atuais coordenadoras da AMNB e propositora da MMNegras 2015.
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Sou Piedade Marques. [Figura 10]. Sempre digo que sou a jovem de 29 nascida em 69. Não adianta fazer outro cálculo por que não vou completar 30 no próximo ano, ponto. Isso, às vezes, deixa pessoal meio doido. Oxe, então você nasceu com que idade? Com uns 20, 21, mas tenho 29. Contando de outra forma, estou com 47. É assim que hoje fico tirando onda. Tenho a vantagem de ser relativamente suave, pessoal sempre diz. Sou filha de Oyá. Então também não dá para achar que a suavidade é constante. Sou filha de Naldo do Fugão e Toinha. Minha mãe era doméstica, depois foi ser manicure. E, praticamente, junto com meu pai, criou; somos 7, 3 homens e 4 mulheres e mais uma irmã agregada, que na verdade era neta de um primo da minha avó. A gente traz um sentido muito próprio de família. Sou a caçula, com tudo de direito, sou a mais manhosa, tenho o direito de ser a mais chorona, acho que o choro ajuda para além do físico, ajuda a alma. Minha família toda é de negro. Na adolescência, eu comecei a participar da pastoral. Era católica na época, minha família é de uma formação católica. Estar na rua, estar no mundo, estar no movimento, sempre foi uma coisa minha. Acho que tinha 11 anos, quase fui ser uma empregada doméstica, na época era ser escrava mesmo, porque ser empregada aqui é para se fuder. Tinha uma mulher que estava precisando de babá e como sempre gostei muito de criança e tal, fui lá. Lembro-me que eu ainda fui na casa dela, passei um dia, em Afonso Carvalho mesmo, mas painho e mainha não concordaram. Isso foi uma outra coisa boa, eles sempre preservaram a história da gente estudar. Sempre foi uma coisa que eles nunca abriram mão. Meu pai não sei se chegou até o 3º ano, a antiga 4ª série, mas acho que mainha chegou. Eles basicamente fizeram o fundamental. Eu gostava de movimento, da possibilidade de falar. Quando as pessoas, às vezes, dizem que sou muito inteligente, por que não era, nunca fui. Olha só, não era muito inteligente. Uma criança de 6 anos, porra. (risos) Mas por exemplo, nessa fase de adolescência, por que na verdade é uma característica minha, sou muito de observar e sou muito calada. E dependendo do ambiente, chego e saio sem falar. Hoje, desenvolvi uma capacidade de ser à francesa mais africana do mundo. Eu trabalho, tenho que ir para um lugar, tenho que ser vista, aí todo mundo me vê, depois sumo e ninguém me vê quando saio. Saio à francesinha assim. Aí eu fico, às vezes, tirando onda com meu chefe, assim: "aprenda comigo, você chega mais cedo, você circula, senta no lugar estratégico e puft, quando o negócio começa, que holofote muda, aí você não deve ficar junto de quem vai ficar no holofote. Fica para algumas fotos né? Porque você aí você sai e não sei o que, mas depois ó, vai tirando o seu da reta". Eu sempre relaciono minha atividade de militância. Porque sou militante. Gosto de ser militante de estar gratuitamente, pensando assim, considerando o coletivo. Na
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pastoral, o fato de sair do grupo, pequeno, de comunidade. Comecei a participar de um coletivo que era, um grupo de jovens na época, a gente tinha média entre, sei lá 15 a 20 anos, e era o momento da Teologia da Libertação, então a gente se movia fazendo o debate político à luz da fé. Nunca consegui me ver em uma relação aonde o divino não tenha a ver com a realidade, o real, o dia a dia. E foi aí que terminei me filiando ao PT. Só que em um determinado momento eu e mais alguns amigos negros começamos a ficar incomodados como as coisas funcionavam. A gente já estava dentro do partido, já tinha essa dificuldade da discussão racial e de gênero dentro do partido. Mesmo sendo muito nova, já tinha 19 anos, e a gente já ia para o Alafim38 . Foi o espaço que era para além de você encontrar a negada e tinha a história do cabelo. Minha mãe nunca soube muito fazer trança de raiz. A gente começou a trazer a discussão para dentro da pastoral e foi quando a gente começou a sentir a dificuldade da discussão de raça dentro da pastoral também. Nesse período da Marcha em Brasília, fiquei uma semana lá, encontrei o Edson Cardoso, ele disse: "Piedade quando entrou no MNU ela era mulher livre e isso deixaria as criaturas, as pessoas que eram tão amarradas em pânico, porque quando cheguei era exatamente isso. Mandava para puta que pariu. A primeira experiência com o MNU foi horrível. Teve um encontro, acho que foi isso, 88, de negros do Norte e Nordeste, em Pernambuco, foi sobre educação, foi lá na Rural. Na época, já estava dando aula, era professora, 17 ou 18 anos terminei o meu magistério, logo depois fui ser professora da Prefeitura. Eu já tinha meu dinheiro. Eu já era independente, depois disso fudeu, ninguém me segurava mais, porque eu quero ir, tenho dinheiro, não preciso mais de autorização. Apesar de sempre fazer o charminho com meus pais e tal, para não criar, já que eles se preocupavam tanto. No encontro de Salvador eu fui, não consegui passagem direto. Fui para Aracaju e de Aracaju fui para lá. Quando a gente estava lá, Mônica Oliveira do Alafim disse: "Pipa, tem duas vagas no ônibus, acho que dá para organizar e tu voltar, conversa com Josefá", que era um dos ativistas do MNU. Tinha dinheiro para me locomover, era garantido a alimentação e tinha o dinheiro da volta. Fui conversar com Josefá, a primeira coisa que ele pergunta: "tais fazendo o que aqui?" Aí, minha irmã, quando ele disse isso, me bateu uma raiva, fiquei tão puta da vida que eu não disse mais nada, só disse assim: "eu vim dar o cu, mas não é para você", me virei e fui embora. Fazer uma pergunta idiota dessas.... Entrei no MNU uns anos depois, e ele era lá. Hoje eu até me relaciono com ele, gosto dele (risos). E acho que o movimento traz isso, as
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contribuições, os caras são sacanas, os caras são escrotos, com as mulheres. Continuei fazendo minhas coisas, aí depois engravidei, acho que eu tinha entre 15 e 16 anos. Quando entrei no MNU eu já estava com meus filhos. Assim, de alguma forma, tinha a coisa do assédio. Como Edson dizia, eu era a menina, a gostosa e liberta. Todo mundo queria dar uma totadinha (risos). Dizia, "com você nem pensar; com você podemos conversar" (risos). Meu primeiro trabalho foi em um programa da antiga LBA. Era estudante secundarista. Foi a minha melhor experiência e, na questão de relações de gênero, eu me deparei com coisas do tipo, encontrar senhoras bem mais velhas do que eu que olhavam para mim e diziam "eu nunca gozei". Meu marido vem e faz, e eu achava aquilo surreal. Ia para casa das pessoas e depois quando eu entrei na universidade, a minha militância e esse feminismo negro vem disso. Dessa minha memória do cuidado. Eu lembro que mainha levava para casa umas revistas e, obviamente de famílias brancas e, a gente quando olhava aquilo não conseguia se ver, começava a criar uma nova versão para aquilo, botando a negritude ali e enumerando quem éramos nós ali. Esse exercício eu lembro que a gente adorava fazer. A gente enegrecia todas as publicações. E ficava perguntando "e cadê fulano, e cadê beltrano?". Porque não estavam, porque famílias brancas são famílias curtas, pequenas, um negocinho assim. Meu primeiro vestibular foi para Serviço Social, meu desejo. Saiu o resultado, olhei e meu nome não estava, ponto. Mudei de página, fui fazer Administração. Me matriculei, numa particular, quando eu estava estudando, encontro uma amiga me dando parabéns que eu tinha passado em Serviço Social para a Católica. Só que era tipo 6 meses depois. (risos). Eu tinha ficado no remanejamento. No 2º semestre desisti, abandonei o curso. Adoro abandonar. Uma coisa não me serve, acabou, tchau, fui. Fui fazer pedagogia, até então não tinha filho e fiquei grávida. Olhava para as habilitações da Pedagogia e não me via. Foi em uma época em que eu não depilava o sovaco, andava de havaiana, era hippie. Isso deixaria as pessoas em pânico. Eu era novinha, tava com 18, 19 anos. Em meu primeiro concurso eu fui demitida porque usava havaiana. No município. Todos os meus concursos foram do município. Eu fiz 3 concursos para poder estar ainda hoje no município. Teve uma greve de uma fábrica que foi uma coisa que mexeu com todo mundo. Primeiro, porque tinha gente muito próxima que trabalha lá e foi quando eu me aproximei do movimento sindical, no ano passado, eu sou do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial do município. Estou no final de mandato de coordenação e aí chamaram para gente ir lá na secretaria de educação. Têm umas coisas na educação que eu nunca vi, um bando de mulheres, principalmente na educação básica, majoritariamente mulher. São poucos
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professores do 1º ano ou da pré-escola até o 5º ano e de tudo está ali: homofobia, racismo, é um negócio absurdo. Algumas pessoas conseguiram me suportar, tem outras que é uma falsidade que a gente sabe. E aí as pessoas meio que se olhavam assim, "quem eram essas?". Eu senti na pele, no ambiente do trabalho, essa coisa do racismo, sobre o cabelo que não fosse alisado, sobre usar o cabelo solto. A roupa, o sapato, qualquer coisa que da estética afro, e eu sempre usei, as pessoas relacionavam com essa história do hippie. Para mim sempre ficou muito nítido que tinha a ver com essa estética, que foi uma estética que em me apaixonei quando eu me aproximei do Alafim, do ambiente, que era lá que eu encontrava a negrada, era lá que as roupas estampadas, as roupas Afro, as sandálias rasteiras.
[..]. No MNU, nós, nessa reestruturação do MNU [..] um dos GTs era GT Mulher. Eu não era, até em função do grupo que compunha. Eu circulava entre o GT de educação e de cultura. O MNU criou o Ominira, acho que foi o primeiro grupo de mulheres, dos anos 90 para cá, aqui em Pernambuco. Eu participava de todas as ações. O MNU tinha um processo massa de formação, de fazer grupos de estudos, de fazer seminários. Marcava o final de semana, sexta e sábado, para discutir textos, para fazer reunião. Todas as rodas de conversa que a gente tinha, todo mundo saia com o cabelo trançado. E eu me lembro que o MNU foi as organizações do movimento negro misto, que realizou o encontro de mulheres negras com a participação dos homens. Foi no Sindicato dos Bancários e para mim, acho que foi a última participação na Lélia como convidada, Luiza Bairros. Todo esse pessoal das antigas, a Valdeci, a Iêda, a Ivana, a Silvani, as meninas de Salvador, assim, foram 3 dias. Olha o que acabou acontecendo, mais ou menos, até a Marcha de 95, eu acho que praticamente tava todo mundo. E aí aconteceu umas coisas. Do tipo, desses companheiros, referência, neste encontro, algumas coisas começaram a rolar que fizeram travar algumas coisas dentro do MNU. Inclusive, companheiros que vieram comigo, que eram gays. Inclusive foi quando eles assumiram, estavam morando juntos e não sei o quê. Essa coisa, desse contexto, terminou pegando, porque de alguma forma. Esse grupo meio que se solidariza com essa dor, depois de 95 algumas pessoas foram para governo. Logo um pouco depois dessa crise, um grupo de pessoas ligadas ao PT entra e um grupo ligado ao PCdoB se aproxima. Lembro que foi extremamente fatídico, eu era da coordenação nacional do MNU na época, estava já no finalzinho do mandato, teve uma eleição da coordenação aqui e, a coisa da prática da coisa de partido, que o MNU não tinha, e aí, por exemplo, mandar representação para a votação. O feminismo negro, ele entra para mim, a partir muito dessa forma sistemática, inclusive de discutir. A gente começou a
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construir, acho que foi a primeira tentativa, de um Fórum de organizações negras. Começou meio que legal, mas a necessidade de algumas criaturas, pensar que ser referência é ganhar dinheiro com a discussão racial, terminou por água abaixo essa primeira tentativa. Tinha umas pessoas mesmo, individuais, que estavam cá, mas eram forma de garantir em seu currículo, essa coisa de participação, mas era para ganhar dinheiro. Mais ou menos, quando a SEPPIR começa a existir e as pessoas começam a ganhar dinheiro, inclusive indiretamente. Tinha um jornal, e saiu ganhando dinheiro por muito tempo e era um povo muito sacana. Depois disso, nessa coisa da militância advento do feminismo negro, começou-se a discussão da articulação nacional das mulheres negras. A gente começou a participar de uma construção de uma outra tentativa de organização do movimento negro, algo mais coletivo. Depois, veio a história de Durban, na verdade é nessa época que tem aquele encontro lá em São Paulo. E acho que foi o primeiro choque que essa história de ter as vagas e de sacanear, que só uma pessoa vai. Pernambuco tinha duas vagas. Eu fiz o magistério. Fiz administração, saí, fui para pedagogia, não me encontrei. Aí lá, tive uma professora de Filosofia que me encantou com a Filosofia. Aí em outra instituição, em outro ano, abriu o vestibular e eu fui fazer e passei. Agora eu tenho uma história engraçada, eu fui, só que eu já tinha feito 4, já tava no 5º período já de Pedagogia, aí eu estava iniciando. Aí perguntaram lá, eu tinha comentado que já tinha começado. "Pega o histórico", só que eu era bolsista e eu não tranquei, eu abandonei. Significa dizer que o débito estava lá. Uma grana. A faculdade já tinha mudado de lugar e tal, e vou eu. Mas era a mesma freira chata que administrava. Quando eu chego na FACHO, Faculdade de Ciências Humanas de Olinda. Eu sou negociadora, eu vou por baixo, eu vou bem humilde para poder crescer mais na frente. O povo adora sentir pena para poder dar as coisas. A freira olha pra mim, porque aí também elas fazem isso, elas primeiro botam para foder em você, para depois lhe dar. "É que você aqui tinha bolsa, não sei o quê e papapá", aquilo foi me enchendo. Aquela coisa de você humilhar demais, botar para foder, para depois dizer que dá. Antes dela dizer que ia dar, eu olhei para cara da freira e disse: "só que no cu, porque eu não quero essa porra mais não", dei as costas e fui embora. Cheguei na outra, eu já trabalhava, obviamente, ir para negociação é sempre. Eu sou ruim para negociar essa história de dinheiro, sabe? Seja qual for, baixar, não sei o quê. Eu não tenho esse dom. Ela tomou um susto, ficou vermelha assim, foi a minha última visão, saí feliz que só a porra. Fui embora, peguei o ônibus, peguei os documentos que eu precisava, dei entrada e fui fazer. Eu peguei como se fosse iniciar o curso novamente. Aí fui, me matriculei e tal fui pra FAFIRI. Quando eu
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estava no 2º semestre, um colega que tinha sido seminarista, tinha dado a entrada para transferência para a federal. Era uma época que na federal, o curso de filosofia quase não tinha alunos, então eles abriam com muitas vagas, praticamente uma turma e tal. E aí a gente foi descobrir. O histórico era um custo, mas os programas terminavam dando um volume de valor grande. Eu lembro que eu fui, cada mês eu pedia, sei lá, 2, 3. Quando eu peguei tudo, abriu e um grupo enorme mais de 15 pessoas, deram entrada lá na federal, todo mundo foi para federal. O mestrado eu tentei várias vezes, pois, para mim, o mestrado tem a ver com a minha carreira pública. A gente recebe pouco, pelo menos na aposentadoria vai um pouquinho maior. Além de dar um status, de um lado, do outro, tem uma outra coisa também que é, eu comecei na carreira pública muito cedo. Eu me aposentaria há dois anos atrás se eu tivesse idade, ou se não tivesse essa frescura de ter que ter essa idade, e aí uma coisa que eu particularmente quero para mim é poder estar fazendo um outro tipo de serviço, pensar em outra carreira mais ligado a assessoria. Há uns 15 anos atrás, especialização já lhe deixava em um patamar, mas hoje não. Já estava numa fase de "não tô mais afim não, essa academia do Brasil que é muito filho da puta, é arrumadinho para cacete e aí você não é daquela universidade, você tem que chegar, fazer disciplina. Você tem que fazer tudo para que alguém lhe olhe, lhe queira, para você querer participar". Na verdade, a grande questão é essa. Aí, eu comecei a olhar e estava afim meio de mudar de cenário, vi alguns mestrados em Portugal na área de estudos africanos. Entrei em contato com as três, e uma me deu um retorno. O valor para fazer o mestrado, dos pagos daqui que aí você já tinha alguns mestrados que dava para você fazer pagando, dava praticamente a mesma coisa. Criei uma estratégia, peguei a grana de um, guardei, e sobrevivia com meu salário normal. Aí juntei o processo de inclusão no mestrado, como ele é muito diferente do daqui, também me facilitava. Porque o mestrado lá, eu fiz todo o processo online. Encaminhei documentos. Eles avaliavam a sua produção, a sua vida acadêmica, inclusive um pouco do que o tu faz de militância, dessa coisa mais pública e tal. E em cima disso, sai sua nota. Fui, passei um ano. Apesar de ter chegado um ano depois, o meu mestrado é de 2011. Paguei a disciplina, detestei Portugal. Morei em Lisboa. Cheguei lá, sai daqui assim: "vou passar um ano fora, ponto". Minha irmã, quando cheguei, nesse semestre que entrei. Ele ia até julho, só que praticamente todas as disciplinas a gente encerrava em junho, o resto do prazo era para entregar e tal. Como eu só estudava, eu fui, passava o tempo estudando, entregando tudo e tal e também porque eu não me sentia feliz. Porque era assédio de todos os lados, as pessoas sabendo que você é