PARTE III Atividades Desenvolvidas
2. Planeamento
2.2. Planeamento do Treino Equipa Sub13B (2017/2018)
2.2.1. Etapas de Formação a Longo Prazo de um Jovem Atleta
Para Antunes (2005), o processo de formação desportiva de crianças e adolescentes não deve visar o rendimento, mas sim um processo de ensino e aprendizagem que conjuga múltiplos fatores.
Ao longo da época desportiva, tivemos em conta diversos fatores que são de extrema relevância para a evolução da criança, não só como atleta, mas também como pessoa. Passo a nomear, desde logo, todo o processo referente ao treino e às exigências competitivas com base no Long Term Athlete Development (LTAD), as fases sensíveis referentes à idade dos atletas que constituem a equipa, e, por fim, o mais importante no entender de toda a equipa técnica, todo o desempenho escolar ao longo dos 3 períodos que constituem o ano letivo.
Na presente época, o RAFC tinha aproximadamente 600 jovens a praticar futebol, parte deles em competição e a outra parte em lazer. No entanto, a maior parte destes 600 jovens nunca chegará a ser profissional.
O clube oferece a todos os atletas os mesmos privilégios (conhecimento tático, técnico, físico e psicológico) para que possam evoluir como atletas e como pessoas. Contudo, com o passar do tempo, vários atletas não evoluem de forma significativa para responder às exigências das competições nacionais (Sub15, Sub17 e Sub19).
Como tal, nós, como equipa técnica, damos valor ao desempenho desportivo e desempenho escolar. Não saberemos o futuro deles nos próximos 10 anos, mas pelo menos sabemos que incutimos princípios que levarão para o resto das suas vidas.
2.2.2. As Etapas do Modelo LTAD (Long-Team Athlete Development)
O LTAD (Figura 29) é um modelo que surgiu no Canadá pela mão de Balyi et al. (2005), cujo principal objetivo é servir de base para o planeamento a longo prazo para crianças e jovens. Esta pirâmide está dividida em 6 patamares e, em cada um desses patamares, estão referenciadas as componentes a serem trabalhadas e a idade ideal para o trabalho das mesmas.
Os atletas que representam a equipa de Sub13B do RAFC têm idades compreendidas entre os 11 e os 12 anos, encontrando-se no segundo e terceiro patamar da pirâmide, intitulados de “aprender a treinar” e “treinar para treinar”.
“Aprender a treinar” tem como principais componentes a serem trabalhadas todas as habilidades desportivas fundamentais, enquanto “treinar para treinar” centra-se em desenvolver a condição física e a consolidação das habilidades desportivas específicas.
2.2.3. Fases Sensíveis
A equipa Sub13B é maioritariamente constituída por atletas com 11 anos, nascidos no ano de 2006, e uma minoria por atletas de 12 anos, nascidos no ano de 2005. Neste pressuposto, a equipa técnica teve em atenção as fases sensíveis propostas por Vasconcelos (2006), trabalhando todas as capacidades físicas e motoras importantes para estas idades, como sejam a resistência, a velocidade de base e a coordenação.
Como podemos visualizar na Figura 30, também foram potenciados aspetos psicológicos, fazendo referência à capacidade afetivo-cognitiva, que assume uma especial relevância, uma vez que as emoções têm um papel importante no processo de aprendizagem do ser humano, estando presentes em todas as áreas da vida e influenciando profundamente o crescimento cognitivo.
2.2.4. Macrociclo Sub13B
Este macrociclo resume, de uma forma geral, o planeamento de uma época (Tabela 4), onde estão apresentados a cores diferentes os três mesociclos, todos os jogos que fomos disputando no campeonato, bem como todos os torneios em que a equipa esteve presente.
De salientar que o macrociclo foi sofrendo reajustes, uma vez que realizamos a 1ª fase da competição, passando em 1º lugar para a segunda fase e, por último, disputamos as meias finais e finais da competição, tendo um período de competição superior às demais equipas.
2.2.5. Mesociclo
!! Mesociclo nº1
Este primeiro período da época desportiva foi muito importante (Tabela 5). É conhecido por pré-época e é neste período que os atletas se conhecem e conhecem a equipa técnica que os irá orientar até ao final da época.
Neste período, cabe ao treinador orientar os treinos de forma pedagógica, de modo a detetar as potencialidades e fraquezas que cada elemento possui, delineando estratégias para colmatar as fraquezas presentes no grupo e potencializar tudo o que de bom os atletas possuem.
É também neste período que centramos a nossa atenção na melhoria dos índices físicos dos atletas, desde a força, a capacidade aeróbia, a coordenação e o equilíbrio.
A nível tático, começamos por transmitir de uma forma simples os princípios gerais e os comportamentos que queremos que cada elemento desempenhe dentro do campo, quer no momento defensivo, quer no momento ofensivo. De salientar que é também neste período que trabalhamos alguns fatores psicológicos, como seja a coesão de grupo, e transmitimos os valores que o atleta deve ter enquanto atleta do RAFC.
Durante este período, o clube retirou o relvado
desgastado do campo nº1 e acabou por ser um período em que havia muitas equipas a treinar ao mesmo tempo e em espaços reduzidos. A solução que encontramos foi realizar jogos amigáveis com clubes vizinhos, de modo a que os atletas pudessem desempenhar as suas funções em conformidade com a nossa ideia de jogo.
1 2 3 4 Inicio de Época 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Jogo de Treino Balazar 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Jogo de Treino Sousense 24 25 26 Jogo de treino Amorim 27 Jogo de Treino Laundos 28 29 30 Jogo de Treino M.A.R.C.A Dia/Mês Setembro Macrociclo Sub13b (2017/2018) Tabela 5 - Mesociclo nª1, pré- época.
!! Mesociclo nº2
Foi ao longo deste período que a equipa de Sub13B competiu no escalão de Juniores D 2ª divisão (Tabela 6), contra equipas com um plantel com uma média de idades superior à nossa.
Neste período, demos continuidade a todo o trabalho realizado. À medida que a competição ia avançando, íamos consolidando os princípios gerais da equipa e os comportamentos desempenhados por cada elemento. Com o auxílio das gravações dos jogos que tínhamos possibilidade de realizar, analisávamos os aspetos táticos nos quais estivemos menos bem e trabalhávamos durante a semana, nunca descorando o trabalho de finalização com zonas bem definidas e que faziam e fizeram sempre parte da nossa ideia de jogo. 1 2 U.D. LAVRENSE © 3 F.C.PEDRAS RUBRAS © U.D. LAVRENSE (F) 4 F.C.PEDRAS RUBRAS (F) 5 6 S.C.D. SANDINENSES © 7 S.C.D. SANDINENSES (F) 8 9 SPORT C. SRa. HORA (F) 10 LEC!A FUT. CLUBE (F) SPORT C. SRa. HORA © 11 LEC!A FUT. CLUBE © 12 13 CUSTO"IAS F.C. (F) 14 CUSTO"IAS F.C. © 15 16 C.C.G.BENFICA MATOSINHOS © 17 F.C. AVINTES © C.C.G.BENFICA MATOSINHOS (F) 18 F.C. AVINTES (F) 19 20 G.D. ALDEIA NOVA © 21 G.D. ALDEIA NOVA (F) 22 23 24 VARZIM S. C. (F)
Dezembro Janeiro Fevereiro Março
Dia/Mês Outubro Novembro
!! Mesociclo nº3
Foi neste período da época que ocorreu a segunda fase do campeonato (Tabela 7), na qual estávamos inseridos uma vez que a equipa conseguiu chegar ao objetivo que alterámos a meio do Mesociclo 2.
A equipa acabou a segunda fase com 6 jogos disputados, contando com 5 vitórias e 1 empate, numa competição onde as equipas eram tendencialmente mais fortes que na primeira fase, alcançando, assim, o primeiro lugar na segunda fase, que lhe permitiu o apuramento para a última fase. Neste momento, a equipa encontra-se com 1 semana de pausa para que sejam sorteadas as 4 equipas que farão parte da fase de apuramento ao campeão.
2.2.6. Microciclo!
Segundo Castelo et al. (1998), existem cinco tipos de microciclos: microciclos graduais, de choque, de aproximação, de recuperação e de competição. Ao longo da época que foi decorrendo, optámos por realizar 3 tipos de microciclos, tendo sempre em conta a altura da época e aquilo que achávamos que os atletas necessitavam.
Utilizámos os microciclos graduais no início de época, com o intuito de preparar os atletas para o esforço que posteriormente iria ocorrer com o desenrolar da competição.
Foram utilizados os microciclos de aproximação no período antes de iniciarem a competição e em pausas mais prolongadas do campeonato.
Por fim, ultilizámos os microciclos de competição (Tabela 8 e 9), que têm como principal objetivo o desenvolvimento e a manutenção dos índices elevados de rendimento.
Tabela 8 - Microciclo 14 com informação da hora do treino, bem como o campo em que decorrerá o mesmo.
2.2.7. Sessão de Treino
A sessão de treino (ST), também intitulada por unidade de treino, é uma estrutura diária de treino, focada tanto no atleta como na equipa. Segundo Castelo (2003), a estrutura da sessão de treino é dividida em quatro períodos. O primeiro é a introdução, período em que são comunicados aos atletas os objetivos da ST e a forma como os poderemos alcançar. É transmitido aos atletas todos os exercícios que serão realizados ao longo da ST e o momento em que devemos motivar os atletas para a prática. Todas estas informações devem ser dadas num curto período de tempo, uma vez que os atletas poderão acabar por perder o foco daquilo que lhes estamos a dizer.
O segundo período é o preparatório. Foca-se na realização de exercícios para que o organismo se adapte ao resto da sessão, e para prevenir lesões que possam acontecer no decorrer da ST.
O terceiro período, intitulado por principal, destina-se à realização dos exercícios que vão de encontro aos objetivos da ST. Neste caso, se queremos trabalhar a organização ofensiva, temos que criar exercícios e progressões dos mesmos, para que os atletas possam perceber o objetivo dos mesmos e, se possível, em situações de jogo, possam pôr em prática os princípios que queremos.
O final da ST é geralmente designado de retorno à calma, momento em que podemos dialogar com os atletas sobre a análise e a avaliação da ST, destacando sempre aspetos positivos que efetuaram e tentando suavizar os aspetos negativos, uma vez que, antes de serem atletas de um clube com o RAFC, são crianças.
2.2.8. Objetivos
Os objetivos delineados para a primeira fase da competição focavam-se principalmente na possibilidade de nos apurarmos para a segunda fase, tentando ser a equipa com mais golos marcados e menos golos sofridos. Contudo, à medida que as jornadas foram passando, tendo em conta que no final da primeira volta desta primeira fase a equipa não tinha sofrido qualquer derrota, optámos por reformular os nossos objetivos.
A reformulação dos objetivos centrava-se em sermos campeões da primeira fase, sem derrotas, e, se possível, marcar mais golos e sofrer menos golos que na primeira fase. O primeiro objetivo acabou por se concretizar, uma vez que fomos campões de série, contudo uma derrota fora fez com que a equipa não acabasse a primeira fase com o pleno de vitórias.
No que diz respeito aos golos sofridos, a equipa igualou a marca da primeira volta, com apenas 6 golos sofridos em 11 jogos, contudo, no que toca aos golos marcados, a equipa não conseguiu ultrapassar os 85 golos da primeira volta, tendo marcado 80 golos na segunda volta.
Após ter passado à segunda fase, os objetivos voltaram a ser reformulados, não só porque os adversários tinham mudado, mas também pelo facto de o grau de exigência ser maior, uma vez que só os primeiros 2 de cada série eram apurados para a segunda fase. Foi delineado que o objetivo seria lutar pelo acesso à fase final, intitulada de apuramento ao campeão.
Com os 6 jogos realizados da segunda fase, a equipa conseguiu o objetivo pretendido, apurando-se, assim, para a fase de apuramento ao campeão.
Tratando-se apenas de mais dois jogos e depois de termos passado à 2ª fase, o objetivo que delineámos foi lutar para sermos campeões nesta competição.
2.2.9. Cargas de Treino!
Quando falamos em cargas de treino, temos a obrigação de salientar os diferentes tipos de periodização existentes - falamos de periodização tradicional, contemporânea e tática.
As nossas cargas de treino assentam principalmente nos dois últimos tipos de periodização. Quando referimos a periodização contemporânea (Figura 31), falamos inevitavelmente de Tschiene (1985), que defende que o alto nível de intensidade deve ser mantido durante todo o processo de treino, fundamentalmente em exercícios específicos da competição, tendo o objetivo de aumentar a intensidade específica do treino.
Com o aumento da intensidade específica, os atletas estão mais predispostos a responderem em melhores condições às exigências que a competição lhes proporciona.
No entanto, em alturas particulares da época a que designamos de pré-época, damos preferência ao treino, separando as várias dimensões dos jogadores (física, técnica, tática, psicológica e cognitiva), focando-nos grande parte das vezes no desenvolvimento das capacidades físicas correspondentes às fases sensíveis do escalão em que se encontram, tornando-se uma periodização convencional (Clemente & Mendes, 2015).