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Brasil e Nordeste

4.4. Planeamento e Turismo

É comum dizer-se que o planeamento em turismo, iniciou-se na França, com a elaboração do primeiro “Plano Quinquenal de Equipamento Turístico” que compreendia o período de 1949 e 1952. Outro país pioneiro no campo do planeamento do turismo em nível nacional foi a Espanha, em 1952, ao passo que criava o Ministério de Informação e Turismo (Marques e Bissoli, 2000).

Ao longo da década de 60, o planeamento foi-se expandindo na Europa entre os países com vocação e interesse turístico e, na década de 70, estendeu-se para outras regiões, começando também a ser difundido na América Latina. Em 1968, o México elaborou o primeiro “Plano Nacional de Desenvolvimento do Turismo”. A Argentina, no mesmo ano, elaborou o primeiro documento para planificação da actividade turística do país que serviu de base para o primeiro “Plano Nacional de Desenvolvimento do Turismo” (Marques e Bissoli, 2000).

No início da década de 70, foram realizados planos em países como Colômbia, Venezuela e Panamá. A influência do enfoque urbanístico na elaboração do

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planeamento turístico estendeu-se até a década de 90. No caso da América Latina, o enfoque urbanístico coexistiu com o de política económica, como no caso de Cancún, no México, e Purto Plata, na República Dominicana, concebidos com o objectivo de captar divisas e contribuir com a geração de empregos e o desenvolvimento regional (Marques e Bissoli, 2000).

Um plano nacional de turismo para um país, reproduz o planeamento estratégico, representando-o de forma a introduzir as directrizes gerais que devem ser seguidas pelo planeamento em prol do desenvolvimento do turismo.

O Planeamento ao se relacionar com o turismo torna-se um processo mais delicado por ser o turismo uma actividade multidisciplinar e por tratar directamente com pessoas, se o planeamento for idealizado e implantado da forma correcta preocupando-se com todos os factores que envolvem a actividade terá grandes possibilidades de ser um sucesso, caso contrário, corre sérios riscos de causar danos irreversíveis principalmente ao meio ambiente ou mesmo a monumentos que jamais serão reparados.

Cooper et al (2001) consideram como planeamento em nível internacional as linhas de acção definidas para fim de orientação. Os exemplos de agentes de planeamento internacional são: a Organização Mundial de Turismo (OMT), União Europeia,

Caribbean Tourism Organization (CTO), etc.

Ao nível nacional o planeamento se estende a todo o território do país. Devido a sua extensão geográfica e o nível de abrangência, o planeamento termina por ficar restrito a estabelecer directrizes gerais, tendo um papel apenas de orientação.

O planeamento turístico em nível nacional deve incluir: políticas de turismo; estratégias de marketing; estrutura de impostos; esquema de incentivos e subsídios; legislação relativa a empregos e investimentos; desenvolvimento de infra-estrutura; sistemas de transporte e organizações externas e internas; programas de educação/treinamento e força de trabalho (Cooper et. al., 2001).

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preocupação voltada para o meio ambiente e áreas de património histórico e cultural, ou seja, a elaboração de leis necessárias a protecção e conservação de bens de finalidade turística, fomento, infra-estrutura de apoio, enfim, tornar possível o desenvolvimento do turismo de forma sustentável proporcionando meios para que isso ocorra.

Ruschman (1997) destaca mais especificamente, em nível nacional, que o planeamento do turismo dever ter uma maior preocupação com a protecção e conservação dos recursos turísticos; buscar incentivo e investimento para desenvolver tipos de turismo que gerem o máximo de benefícios para a nação e o mínimo de impactos sobre o ambiente; prevenir e corrigir no sentido de manter a qualidade ambiental; definir os padrões e meios para o desenvolvimento socioeconómico e físico da nação através do processo de planeamento; resolver questões relacionadas a concentração do turismo em termos espaciais e temporais; distribuir a actividade turística ao longo do território de forma a possibilitar a integração nacional e o desenvolvimento regional.

Quando planeado de forma adequada, o sector de viagens e turismo actua como uma atraente oportunidade para se desenvolver novos negócios, promover novas culturas, melhorar a distribuição de renda além de actuar como ferramenta na preservação ao meio ambiente e ao património histórico, proporcionando ao homem usufruir das opções de lazer e entretenimento oriundas do turismo. Porém, o turismo não pode se desenvolver em toda e qualquer localidade, antes de ser implementado deve haver um planeamento onde deve-se analisar a disponibilidade dos recursos, os mercados potenciais, a aceitação e a participação da comunidade, disponibilidade de mão-de- obra e infra-estrutura necessárias para dar suporte a actividade turística.

As relações entre a actividade turística e os lugares onde ela se desenvolve nem sempre resultam apenas em impactos positivos, muitas vezes podem resultar em impactos negativos causando sérios danos e prejuízos. A medida em que o tempo passa, também observamos em muitos casos a perpetuação dos costumes, das crenças, expressões artísticas e edificações, apresentando-se, cada vez mais, como

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sendo um valioso património para actividade turística dos lugares. Porém, o que muitas vezes ocorre é a exploração de forma indevida dos lugares e de seus atractivos, seja pelo sector privado ou público, apossando-se do espaço, transformando-o ou muitas vezes inserindo nele inúmeras facilidades que acabam por comprometer não só a qualidade de vida da população bem como a qualidade ambiental. Muitas vezes também se percebe a criação de ambientes que servem apenas para serem utilizados pelas camadas mais ricas da população.

Muitos danos causados em decorrência do desenvolvimento da actividade turística, sejam eles prejuízos sociais, culturais, ambientais ou económicos, normalmente são associados as formas de se planear o turismo pois, ao haver um planeamento da actividade turística ocorrem mudanças que provavelmente não ocorreriam de outra forma. Hall (2001) sustenta que as condições impostas pelo planeamento turístico e com a intervenção por parte do governo em seu processo de desenvolvimento são típicas soluções para que não haja um crescimento desordenado do sector, em especial no âmbito local; o planeamento visa reduzir os impactos negativos e ampliar os benefícios especialmente os económicos, estimulando assim um retorno positivo por parte da comunidade receptora em relação a actividade turística. Desta forma o planeamento é visto como um elemento crítico na garantia de um desenvolvimento sustentável a longo prazo em destinos turísticos.

O planeamento não se limita apenas a uma previsão do futuro desejado, disponibilizado sob a forma de documentos. Tornou-se comum que planos quando não são implementados, transformem-se em meros documentos burocráticos que prevêem metas a serem atingidas em condições previsíveis. Actualmente a tendência é que as metodologias de planeamento estejam cada vez mais voltadas para a cultura de cada local, tendo a comunicação como uma ferramenta essencial neste processo.

A comunicação é de extrema importância para o desenvolvimento do turismo por deter o poder de intervir nos desejos e vontades da população, dependendo da forma como actua, pode intensificar ou afastar os fluxos turísticos em determinada localidade. É inegável que os meios de comunicação interferem directamente na

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acordo com a realidade inspirando credibilidade e respeito ao turista. Porém, a mídia não serve apenas para a divulgação de produtos turísticos, também pode assumir um papel ao incentivar a implementação do planeamento participativo utilizando as informações transmitidas em prol de alcançar um grande número de pessoas auxiliando o poder público a divulgar seus planos, conscientizando a população sobre a importância de sua participação.

No sentido de um planeamento participativo, Sant’Anna, Oliveira e Berentein (2001) destacam a importância deste tipo de planeamento na busca de um Estado descentralizado:

(...) Ao que tudo indica, o desenvolvimento impulsionado pelo Estado centralizador e excludente está com os dias contados. Uma estratégia moderna de desenvolvimento começa a introduzir conceitos de escassez, ecologia e valorização do espaço físico, através do resgate de uma cidadania de uma gestão pública, democrática e co-responsável. (…) A gestão participativa visa, essencialmente, democratizar as relações entre o Estado e a sociedade civil, permitir a expressão criativa dos movimentos sociais, identificar os problemas locais como um todo, interpretar os interesses específicos da comunidade e discutir possíveis soluções. É desejável que o desenvolvimento local seja discutido, analisado e realizado no âmbito da sociedade local, através da participação directa dos cidadãos. Trata-se de valorizar o conceito de cidadania como força propulsora do desenvolvimento sustentável. (…)

O planeamento turístico associado a uma gestão participativa realizada de forma descentralizada é de suma importância pois se torna mais sensível às necessidades da comunidade local e ao ser participativa torna-se mais facilmente aceita proporcionando uma sustentabilidade económica por um período mais longo.

4.5. Desenvolvimento do Planeamento e das Políticas Públicas de Turismo no