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Planejamento e Gestão do Processo Participativo

7. Discussão e análise dos dados

7.2 Capacidades Institucionais no Processo Participativo de Urbanização

7.4.2 Planejamento e Gestão do Processo Participativo

Na análise sobre o planejamento focamos a organização para conduzir a participação e os impactos existentes nesse processo.

Nos relatórios descreve-se que o projeto contou com reuniões semanais entre aqueles que estavam constantemente envolvidos na implementação da urbanização (os três departamentos: obras, trabalho social e regularização fundiária). Ocorria monitoramento das ações com o objetivo de esclarecer as intercorrências e realizar as reprogramações necessárias. Entretanto, durante os cinco anos de urbanização, percebemos claramente o descompasso entre o que era firmado em reunião e a execução das ações. Prioritariamente, o trabalho participativo foi desenvolvido pelas assistentes sociais do Departamento de Trabalho Social.

Durante as visitas, notamos que as coordenações se envolviam, apenas, nos momentos cruciais em que eram demandadas. No caso específico, a equipe de regularização fundiária esteve presente no início do projeto, para explicar aos moradores sobre como se daria a titulação da área e, posteriormente, esteve presente no Conjunto Habitacional Três Marias, no momento próximo à concessão da titulação. Os esclarecimentos prévios foram realizados em reuniões com os síndicos e, posteriormente, ocorreram as assembléias, para esclarecer aos

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moradores as etapas e qual o tipo de adesão seria possível – Concessão do Direito Real de Uso ou o Instrumento de Compra e Venda (a ser registrado entre a prefeitura e o morador).

Ao questionarmos as técnicas sobre os maiores obstáculos na condução do processo participativo e no desenvolvimento do trabalho social, elas apontaram os problemas das obras e a falta de participação deste setor nas regiões de intervenção:

Neste período não houve o acompanhamento do físico nas intervenções, levando ao desgaste das técnicas, devido às reclamações dos moradores sobre a obra. Torna-se um desafio inserir temas de interesse e de importância para o coletivo considerando o impacto gerado pelos problemas físicos no cotidiano das famílias (São Bernardo do Campo, 2011a, p. 16).

As entrevistadas afirmaram que a atuação de uma expressiva parte daqueles que realizam as obras é de ver a atuação junto à comunidade como um trabalho a ser executado unicamente pelo Departamento Técnico Social. Muitas vezes, foi relatado que eles sabem qual o significado do processo participativo e do trabalho implementado pela referida coordenação, porém no cotidiano as ações são divergentes:

Eles achavam assim, que a reunião de equipe era suficiente, aqui dentro. Na hora de irem juntos na assembléia, pra mobilização aí era outra coisa “ah não eu não preciso ir, você vai e fala”. Reunião pra falar sobre mau uso, enfim, a gente faz ó... sozinha. E não é que eles não são convocados ou chamados, mas é quase que carregar junto. A gente aqui já teve altas brigas com eles, eu não sou secretaria, Uma vistoria num apartamento... eu não tenho condição técnica de falar “olha essa uma rachadura..” eu não tenho como falar disso. (...) Eu assistente social não tenho como falar. E a gente fica patinando, porque enquanto o problema tai, qualquer reunião que eu fizer, qualquer assembléia, o assunto vai ser em torno da obra. Porque é aquilo do cotidiano (Entrevista concedida pela Flávia Galis, assistente social – C11).

Eu sinto muito isso, muitas vezes os engenheiros tentam fazer da gente secretaria deles, até pra ligar pra morador. Eu não faço, é uma briga que eu tenho, já briguei muito com os engenheiros dos Três Marias, mas assim eu não sou empregada deles. O meu trabalho depende do trabalho deles e o trabalho deles, se a gente não liberar frente de obras, eles não fazem. Eles tratam a gente como secundário (Entrevista concedida pela Sara Bernardes, assistente social – D17).

A relação estabelecida entre as coordenações componentes da Secretaria de Habitação poderiam ter se encaixado como capacidade técnica (subcategoria articulação), porém os espaços de articulação existiam (reuniões semanais, oficinas, reuniões de monitoramento) e as coordenações estavam envolvidas no “saber fazer” específico de suas atuações. De acordo com os relatórios, o planejamento era realizado, as pendências eram discutidas, porém no momento da execução houve falhas e a falta de acompanhamento efetivo do processo como

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um todo. Para Sara, esse é um problema da relevância dada ao trabalho social e resvala na condução da participação:

Eu ainda acho que o trabalho social é visto como um trabalho secundário. (...). Mesmo com essa administração, (...), a remuneração da gente é menor do que arquiteto e do engenheiro, a gente ganha menos do que eles, e a gente, às vezes, trabalha mais do que eles, porque eles terminam a obra, o projeto, e a gente continua lá. (Entrevista concedida pela Sara Bernardes, assistente social – D20).

Além das relações existentes com as outras coordenações, foi ressaltado que o trabalho desenvolvido pela terceirizada tornou-se um caminho produtivo para o trabalho, tanto na visão das contratadas quando das pertencentes à administração direta. Evidencia-se que o planejamento do trabalho não foi segmentado em atividades específicas, o que é identificado como característica do planejamento da coordenação:

Foi muito tranqüilo trabalhar com elas. Quando a gente começa a trabalhar, elas participam de tudo, das nossas oficinas de planejamento de obras, é um trabalho em conjunto, elas não ficam descoladas, não ficam como “tarefeiras”. Porque isso é ruim, porque a pessoa não sabe do que está acontecendo. (...) Essa é a lógica da Tássia a gente tem que saber de tudo. Do projeto, da regularização e das obras. A gente não fica sem saber, não fica no limbo, como era antigamente. (...) hoje a gente consegue ter um olhar do todo do projeto. E as consultoras, essas empresas também participam disso, elas tem que cumprir aquilo que está no termo de referência delas, mas elas não ficam descoladas do que está acontecendo. (Entrevista concedida pela Sara Bernardes, assistente social – D21).

Analisamos que no tocante à capacidade de planejamento, o momento de implementação possui obstáculos, por mais que haja formas de acompanhar o processo – sua condução, suas fragilidades e seus problemas – há um descompasso entre o que se firmara e o que se efetivara.