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5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.5. Aspectos gerenciais

5.5.1. Planejamento e objetivos

Planejar é definir o que deve ser feito, de forma que haja participação de todos no sistema, empresário rural, familiares, funcionários e, se possível, fornecedores e técnicos. É definir metas, meios e requisitos para mudar a situação atual da empresa para o objetivo desejado.

Dentro dessas características, o que se verificou nas empresas pesquisadas está resumido no quadro que segue (Quadro 20).

Quadro 20 - Pontos fortes e fracos do planejamento praticado nas empresas

PLANEJAMENTO

Pontos Fortes Pontos Fracos

§ Há determinação de objetivos pessoais e para a empresa, apesar de não formalmente escri- tos.

§ Nenhuma empresa possui um planejamento, em nível estratégico, por escrito

§ O planejamento, por escrito, é considerado im- portante.

§ Não possuem planejamento, em nível opera- cional.

§ Os procedimentos operacionais, por escrito, são considerados importantes. §

Não há procedimento operacional, por escrito. § Prever os resultados dos trabalhos é um hábi-

to, dentre os entrevistados.

§ Não há definição clara de metas. § Todos os entrevistados dizem utilizar os fatos

ocorridos para replanejar, ainda que não este- jam registrados.

§ A prevenção de possíveis problemas, ao pla- nejar, não é um hábito de todos os entrevista- dos.

Embora nenhuma das empresas tenha indicado o uso de um planejamento estratégico, houve casos, seis dentre as 15 empresas, em que um simples planejamento operacional, com a finalidade de plantio de lavouras, reforma de pastagens ou produção de volumosos para os bovinos, foi elaborado, mesmo assim por exigência das agências financiadoras.

Os funcionários demonstraram, por unanimidade, falta de planejamento nas empresas onde trabalhavam, alegando que este seria uma boa solução para melhor organizar as tarefas inerentes aos processos produtivos das empresas, reduzindo tempo, mão-de-obra e recursos.

Da mesma forma, os produtores, apesar de não utilizarem o planejamento escrito, sabiam dos benefícios que este instrumento poderia trazer para eles próprios e para a empresa. Por exemplo, dos entrevistados que concordavam que o planejamento era importante, 46,15% afirmaram ser esta uma forma de orientá-los melhor no trabalho e possibilitar uma previsão dos gastos; outros enfatizaram a economia d e tempo e de dinheiro, ao segui-lo, além do fácil reconhecimento dos erros, determinação das metas e execução das tarefas.

Apesar de não adotarem os procedimentos operacionais das tarefas que eram desempenhadas nas suas propriedades, por escrito, os produtores entrevistados achavam importante o seu uso, porém não apresentaram explicação clara do porquê de não se utilizar tal prática. As justificativas mais comuns, colocadas pelos próprios entrevistados, foram a falta de interesse do próprio produtor (seis respostas); ausência de orientação (três respostas); a não-credibilidade no sistema (duas respostas), já que os funcionários não iriam seguir os procedimentos descritos; a não-necessidade do uso dos procedimentos operacionais, dado o costume de realizar as tarefas (duas respostas).

Outro aspecto que foi abordado diz respeito à previsibilidade dos produtores, ou seja, se havia preocupação com a previsão dos resultados e de possíveis problemas, antecipadamente. A resposta foi a seguinte: dentre os 15 entrevistados, 13 tinham preocupação com a previsão dos possíveis resultados dos trabalhos que deveriam ser executados, mas somente nove deles se preocupavam em prevenir os possíveis problemas. Na gestão da qualidade,

prever e prevenir são duas ações de extrema importância e estão extremamente relacionadas com a questão do planejamento da empresa.

A gestão da qualidade considera, também, a questão do uso de dados reais na elaboração de novos planos. De acordo com as respostas, esse hábito já era rotineiramente praticado pelo grupo de produtores entrevistados, haja vista que 14 deles usavam os fatos ocorridos para replanejar o trabalho, ainda que este fosse um replanejamento "mental" ou informal.

Em relação aos objetivos pessoais e da empresa, as respostas foram diversas. A maioria delas, dentro da mesma linha de pensamento, denotava preocupação com a melhoria de condição de vida da família do produtor, considerada como objetivo pessoal (Quadro 21).

Quadro 21 - Objetivos dos produtores entrevistados em relação à empresa ru- ral (em 15 produtores)

Respostas Total

Elevar a produtividade/vaca 7

Investir em benfeitorias, máquinas e equipamentos 4

Melhoria das pastagens 2

Melhoria do rebanho 2

Substituir a pecuária de leite pela pecuária de corte 2

Produzir todo alimento necessário para fabricação do concentrado gasto na

empresa 2

Auto-sustentação da empresa e diversificação 2

Elevar a produção total de leite 1

Manter/aumentar a pecuária de corte 1

Instalar um tanque de expansão 1

Reduzir a idade das novilhas ao 1o. parto 1

Crescimento da empresa (aumentar recursos) 1

Isto mostra a necessidade de se adequar o processo administrativo da empresa rural, para que a qualidade de vida da família do empresário rural possa ser melhorada. Além desse grupo que se preocupava em oferecer o melhor a sua família, dois produtores afirmaram que seus objetivos pessoais eram “aumentar o patrimônio” e “ter estabilidade financeira”, enquanto outro afirmou não ter um objetivo pessoal definido.

Percebe-se que três produtores objetivavam “reduzir ou liquidar com a pecuária de leite”, substituindo-a pela pecuária de corte. Esse fato demonstra a insatisfação dessas pessoas com a atividade leiteira, o que poderia ser solucionado com a adoção de uma política adequada ao setor.

Os objetivos, apesar de não terem sido formalmente registrados foram determinados, exclusivamente, pelo produtor (oito casos). Quando isso não ocorria, havia participação de membros da família, o que quer dizer que não existia participação freqüente de funcionários no processo de definição dos objetivos das empresas consideradas, somente em três casos, segundo os próprios funcionários.

Estes objetivos eram simplesmente comentados com os funcionários (sete produtores), ou nem o eram (seis não comentavam), visto que somente cinco funcionários afirmaram conhecer os objetivos da empresa na qual trabalhavam.