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3 POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

3.9 DEFINIÇÃO DE BACIA HIDROGRÁFICA NO BRASIL

3.9.1 Planejamento, orçamento de programas e categorias da bacia

Após o planejamento e definição do orçamento das ações dos programas em busca de melhorias da bacia hidrográfica, deverá ser consolidado um programa de investimentos eficiente e eficaz, tendo em vista a busca da sustentabilidade financeira do Plano da Bacia. Também deverão ser indicadas possíveis fontes de recursos financeiros para os programas como o orçamento federal, orçamento estadual e orçamento municipal, fundos de investimento e linhas de financiamento internacionais e de empresas, além deum percentual dos recursos oriundos da cobrança pelo uso da água pelas populações das cidades e áreas rurais (Ibid., 2013). Além disso, deve-se elaborar um quadro apresentando os programas e as respectivas ações com a disponibilidade de recursos financeiros que atenda o Programa de Investimentos que atenda três cenários, sendo o primeiro o cenário desejável, que permite cumprir todas as metas do Plano de Bacia de forma contínua, o cenário ideal; o segundo cenário é o de piso, do qual serão eliminadas as intervenções que não possuem fonte identificada de recursos; E por fim, o terceiro um cenário intermediário entre os dois anteriores, que compatibilize as demandas

do cenário desejável com os recursos existentes, de acordo com as prioridades estabelecidas para o momento. (Ibid., 2013).

Desse modo, o Programa de Investimentos em programas de recursos hídricos são estruturados por meio de componentes de gestão e de infraestrutura, de acordo com a sua temática ou área de atuação, sendo usual dividi-los nas seguintes categorias:

a) Componente não-estrutural – Faz parte da gestão das ações voltadas ao fortalecimento institucional dos órgãos públicos, bem como ao planejamento, à gestão do controle e monitoramento das ações e metas a serem alcançadas em busca dos objetivos planejados; b) Componente estrutural – É composto das obras e projetos necessários à manutenção, conservação, proteção, recuperação e controle dos problemas hídricos-ambientais de cada bacia hidrográfica, tais como projetos e obras nas áreas de saneamento básico, de sistemas para controle de cheias e evasão de água, de controle de erosão no trajeto e nos reservatórios, de recuperação de áreas degradadas por meio de reflorestamento, de uso múltiplo de água, de conservação de solo e água. (BRASIL, 2013). “O Programa de Investimentos deve estar em sintonia com os Planos Plurianuais (PPAs) dos poderes públicos (federal, estadual e municipal), bem como com os planos setoriais relacionados ao uso dos recursos hídricos” (Ibid., p. 29).

Nesse sentido, as estratégias de implementação de melhorias da bacia hidrográfica devem ser definidas em planejamento estratégico dentro de uma realidade exequível e que “terão como base as metas do Plano de Bacia, o arranjo institucional proposto, as ações necessárias, o programa de investimentos e respectivos cenários de disponibilidade de recursos financeiros” (Ibid., p. 30). Portanto, é fundamental a elaboração deste plano para a bacia hidrográfica do rio Apodi/Mossoró, que atualmente é inexistente.

Na busca do planejamento e sua realização estratégica para cada bacia hidrográfica, deverá ser estruturada da dentro de uma análise da inter-relação entre os diversos programas e proposta realistas que atendam aos interesses sociais, político, estratégico, administrativos e institucionais a satisfazer a todos os atores; mapeamento dos pontos fortes e fracos do Plano de Bacia; formar alianças constituídas e o papel de cada ator da bacia hidrográfica; apresentar os pontos críticos e obstáculos para o sucesso do plano; Definição das políticas que levem o Plano de Bacia a atingir seus resultados; maior eficiência e eficácia das práticas gerenciais a serem empregadas na condução do Plano de Bacia e gestão de suas atividades efetivas, com o menor custo, com aprovação e aceitação pública e eliminação dos efeitos negativos; apresentar ações de impacto destinadas a dar visibilidade ao Plano de Bacia e despertar o interesse e a consciência do público em geral da importância do que foi planejado para uso racional da água; Distribuir responsabilidades dos diferentes atores envolvidos na sua implementação e cobrar o

cumprimento das metas; definir o cronograma de implementação do Plano de Bacia, com ênfase nas atividades de sensibilização dos atores sociais e cobrar a aprovação e liberação dos recursos das autoridades competentes, com acompanhamento de discussões orçamentárias e captação de recursos necessários aos planos de bacia; e por fim o atendimento de pré-requisitos, programas e intervenções que integram os programas, planos e ações das bacias hidrográficas (Ibid., 2013).

Assim, seguindo estas etapas do planejamento estratégico para a bacia hidrográfica do rio Apodi/Mossoró, teremos a busca de realizações efetivas na Região do Alto Oeste Potiguar. É fundamental estabelecer mecanismos de acompanhamento e avaliação de desempenho em cada bacia hidrográfica, por intermédio da construção de um conjunto de indicadores específicos, que possam ser monitorados e avaliados a sua eficiência na implementação dos planos e ações. É preciso reavaliar os planos de bacia, incorporar o progresso ocorrido, identificar as ações corretivas, as novas perspectivas, decisões e aprimoramentos, para assim um novo redirecionamento em busca das mudanças necessárias em busca de melhores resultados a curto, médio e longo prazo no planejamento de cada bacia hidrográfica, como o da bacia do rio Apodi/Mossoró. (Ibid., 2013).

Os membros precisam estar diretamente envolvidos na implantação do Plano de Bacia, tendo em vista as necessidades de articulação para realizar as ações definidas nos programas. As instituições que fazem parte das três esferas governamentais que atuam na bacia hidrográfica precisam trabalhar de forma integrada, juntamente com os setores econômicos pra financiarem os programa e ações que atendam a demanda dos Planos de Bacias. Esses planos devem apresentar as ações e programas operacionais com detalhamento e especificidade que mostre o que deve ser feito, como e quando, em cada cidade que forma a referida bacia hidrográfica. (Ibid., 2013).

A busca, aprovação e disponibilidade de recursos financeiros, aplicados ao programas e ações prioritários, é elemento essencial para o sucesso do Plano de Bacia, uma vez que as ações estruturais, como as obras de manutenção e construção do setor de saneamento, exigem maior volume de recursos financeiros, daí a necessidade de articulação política e institucional para que tais recursos sejam priorizados para atender as necessidades de infraestrutura da bacia hidrográfica. “A utilização eficaz dos instrumentos previstos legalmente para a gestão de recursos hídricos, sobretudo a cobrança pelo uso da água, pode contribuir, assim como a identificação de novos instrumentos econômicos de gestão” (BRASIL, op. cit., p. 31).

Um dos desafios da gestão dos recursos hídricos é o estímulo às mudanças de comportamentos de produção de forma racional e sustentável com sistemas eficientes e

eficazes, bem como de criar uma mentalidade e cenário mais consciente e responsável com atitudes proativas, desde os gestores públicos até os consumidores pessoas físicas e jurídicas de água tratada. Isso gera uma colaboração de todos e uma sinergia com práticas mais sustentáveis de uso da água, sendo o ponto central ou crítico de alcance dos objetivos pretendidos, como a implementação de obras de adutoras mais eficientes e do Plano de Bacia Hidrográfica para a Região do Alto Oeste Potiguar. É importante destacar que a tarefa de acompanhamento da execução do Plano de Bacia é dos órgãos gestores conjuntamente com os comitês e a agência de água de forma integrada. Assim, fica evidente que este plano, requer recursos financeiros, parcerias, colaboração e coordenação gerencial de gestão desses recursos hídricos, cada vez mais demandado e escasso para as populações (Ibid., 2013).

O comitê e demais órgãos representativos deverão criar um grupo de acompanhamento das metas e objetivos que farão parte do comitê de bacia, cujos atores, deverão representar diversas instituições, públicas e privadas, para acompanhar a evolução dos trabalhos por meio dos indicadores que mensuram os resultados alcançados por meio dos instrumentos de recursos hídricos (Ibid., 2013).

Dentre as políticas públicas que são utilizadas por meio de programas e ações efetivas para a falta de água em períodos de seca no semiárido nordestino, temos a Operação Carro-Pipa (OCP) que vem sendo realizada por meio da parceria entre o Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria Nacional de Defesa Civil, com o Exército Brasileiro. O Programa de Distribuição de Água Potável no Semiárido Brasileiro foi implementado pelo Governo Federal há mais de 20 (vinte) anos, tendo como objetivo realizar o abastecimento de água potável no Polígono da Seca Nordestino. As atividades da Operação Carro-Pipa compreendem à distribuição de água potável às populações rurais e urbanas atingidas pela seca como a última em período prolongado de 2017 a 2018, com prioridade aos municípios que se encontram em situação de emergência ou estado de calamidade pública em virtude da falta de água ameaçar a sua sobrevivência.

A Operação Carro-Pipa (OCP) será abordada no capítulo seguinte, mostrando a sua importância para atender as necessidades emergenciais das populações mais necessitadas de água potável no semiárido nordestino.

4 POLÍTICA PÚBLICA NO SEMIÁRIDO NORDESTINO E OS BENEFÍCIOS DA