Objectivos do estudo
N. B.: dados recolhidos no período de aulas (excluindo
4.1. Conceptualização e objectivos do estudo
4.2.1. Plano de amostragem
Pretendemos obter uma amostra representativa da população de alunos dos cursos de formação inicial (licenciatura) do ensino universitário da Universidade de Aveiro do ano lectivo de 2001/2002. De modo a obter-se uma amostra que traduzisse a referida população, decidimos contemplar:
— vários anos, para obtermos uma panorâmica dos hábitos de sono em diferentes momentos da vida universitária, desde o 1º ano, que inclui estudantes em processo de transição e integração na universidade, até ao 3º ano em que o estudante se encontra em plena vida universitária88;
— licenciaturas de diversas áreas, pelo que planificámos representar (para os três anos) aproximadamente metade das licenciaturas de cada área: Ciências / Tecnologias; Engenharias; Economia / Gestão / Planeamento; Línguas; Educação Infantil e Básica. Estipulou-se o seguinte:
- de um universo de 8 licenciaturas em ciências/tecnologias (e ensino de), selecção de 5; - de um universo de 10 licenciaturas em engenharias, selecção de 5;
- de um universo de 4 licenciaturas em economia, gestão e planeamento, selecção de 2; - de um universo de 4 licenciaturas em línguas, selecção de 2;
- de um universo de 2 licenciaturas em educação infantil e básica, selecção de ambas.
Inicialmente o plano de amostragem previa, para cada um dos três anos, a selecção de 16 licenciaturas, distribuídas por 5 áreas (cf. Anexo 2). Entretanto, na fase de recolha de dados viríamos a contemplar mais duas licenciaturas (pela sua participação no preenchimento dos questionários): uma da área das Ciências / Tecnologias (Ensino de Electrónica e Informática), outra da área das línguas (Ensino de Português e Inglês). Por conseguinte, o plano de amostragem revisto contemplou um total de 18 licenciaturas.
O plano de amostragem definido correspondeu, em parte, a uma estratégia de
amostragem por grupos ou clusters (Almeida & Freire, 2003; Fife-Schaw, 1995c; Henry, 1990)89 pois o processo de selecção incidiu sobre licenciaturas e não sobre estudantes90. A
88 Decidimos renunciar aos “finalistas” (que, dependendo dos cursos, são estudantes do 4º ou do 5º ano) pois muitos deles encontram-se em estágio, portanto numa situação diferente das dos outros estudantes, de transição para o mundo do trabalho (cf. Caires, 2001). Como nem todas as licenciaturas têm a mesma duração, de modo a manter-se o equilíbrio da amostra, foi definido como limite o 3º ano.
89 As estratégias clássicas de amostragem incluem: amostragem aleatória simples; amostragem sistemática; amostragem estratificada (proporcional ou não); amostragem por grupos ou clusters;
amostragem foi também definida de acordo com um plano de selecção relativamente proporcional de licenciaturas por área. Contudo, não escolhemos quaisquer licenciaturas ao acaso, donde a selecção não foi aleatória, ao contrário dos procedimentos habitualmente envolvidos numa amostragem por grupos.
Os dois principais critérios que estiveram subjacentes à escolha das licenciaturas por área a integrar no plano de amostragem foram: por um lado a preferência por licenciaturas com maior número de alunos; por outro lado, a preferência por licenciaturas que partilhassem uma disciplina em comum (no semestre em que se iriam recolher os dados). Na área de Línguas e de Economia / Gestão escolhemos licenciaturas com cadeiras comuns; na área das Engenharias procurámos seleccionar as licenciaturas com maior número de alunos (não considerámos, p. ex., Engenharia dos Materiais, Engenharia Física ou Engenharia Geológica). Adicionalmente, pelo facto da nossa actividade pedagógica se dirigir fundamentalmente aos estudantes das licenciaturas via ensino, na área de Ciências /Tecnologias demos preferência à representação das licenciaturas via ensino e na área de Educação Infantil / Básica incluímos ambas as licenciaturas.
Foram excluídos à partida: os cursos do ensino politécnico da UA (ex.: cursos do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro e da Escola Superior de Saúde); as três licenciaturas do Departamento de Comunicação e Arte (Ensino de Música; Design; Novas Tecnologias da Comunicação), pela sua especificidade e, simultaneamente, heterogeneidade entre si; as licenciaturas iniciadas em 2001/2002 (Gestão; Línguas e Relações Empresariais), ano lectivo em que foi realizada a recolha de dados, uma vez que em todos os cursos pretendíamos abranger estudantes até ao 3º ano.
Optámos pela selecção de licenciaturas (e não de alunos/curso) por vários motivos inter-dependentes: tornar viável a recolha de uma amostra que contemplasse uma diversidade de anos e áreas91; obter um n em cada curso de dimensão suficiente para permitir analisar associações entre padrões de sono-vigília e classificações académicas pois, em rigor, as notas de diferentes licenciaturas e disciplinas não são comparáveis entre si.
Quanto a vantagens e limitações da estratégia de amostragem adoptada, de referir que as amostragens por grupos não alcançam o mesmo potencial de representatividade e precisão das amostras aleatórias simples ou sistemáticas (Fife-Schaw, 1995c; Henry, 1990)92. Acrescenta-se que na nossa amostra a selecção dos grupos não obedeceu aos critérios de aleatoriedade (não se garantiu, portanto, que todos os cursos tivessem a mesma probabilidade
consoante os autores são ainda referidas a amostragem multi-estádios ou polietápica (Almeida & Freire, 1997; Henry, 1990) e a amostragem por quotas (Fife-Schaw, 1995c), entre outras.
90 Neste tipo de amostragem, todos os membros (neste caso estudantes) dos grupos escolhidos (neste caso cursos) são seleccionados para a amostra.
91 Sobretudo atendendo a que, por um lado, a equipa de investigação era reduzida e, por outro lado, a natureza das variáveis em estudo (padrões de sono-vigília) colocava constrangimentos de ordem temporal (como será explicado adiante, na secção “Procedimentos”).
92 Com efeito, nas amostras por grupos ocorre um aumento de erros padrão, pois nem todos os elementos individuais (neste caso estudantes) têm igual probabilidade de ser seleccionados, por outras palavras, a selecção de cada unidade não é independente (Henry, 1990).
de ser seleccionados). Apesar destes inconvenientes, utilizámos um procedimento do tipo estratificação (área de curso), o qual, como menciona Henry (1990), permite aumentar o rigor e a credibilidade da amostra. Com efeito, pensamos que se garantiu uma representação relativamente proporcional de licenciaturas de uma variedade de áreas. De qualquer forma, persiste sempre o problema de generalização dos resultados a outros cursos que não os incluídos na amostra.
De acordo com o plano de amostragem definido, previu-se que o n da amostra seria suficientemente grande para aplicação de uma grande variedade de testes e procedimentos estatísticos.
No ano lectivo de 2001/2002, conforme era dado a conhecer na Intranet, a Universidade de Aveiro era frequentada por cerca de 10.000 alunos (incluindo estudantes de pós-graduação e do ensino politécnico da UA, não contemplados na amostra do presente estudo). Segundo uma fórmula proposta pela “NEA Research Division” dos EUA, a uma população de 10.000 indivíduos correspondem, para níveis de confiança de 5% ou 2,5%, amostras de 374 ou 1667 sujeitos, respectivamente (conforme quadro de valores determinados por Pinto, 1990, p. 150, com base na referida fórmula).