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Conforme mencionado na Seção 4.2, nas águas jurisdicionais brasileiras são exercidas diversas atividades econômicas, incluindo navegação, turismo e esporte. Também é um espaço estratégico para segurança nacional e utilizado para realização de manobras militares navais, e guarda costeira. Diante desse contexto, outros usos e atividades a serem desenvolvidas no mar, devem, quando possível, coexistir em harmonia e considerar outras eventuais restrições.

Portanto, o conhecimento do contexto brasileiro sobre atividades, programas e planos atualmente desenvolvidos no mar e na zona costeira, torna-se imprescindível para caracterizar o arcabouço jurídico-regulatório, com vista ao aproveitamento da energia eólica offshore. Isto será tratado nesta seção.

Programa de Avaliação, Monitoramento e Conservação da Biodiversidade Marinha

O Programa de Avaliação, Monitoramento e Conservação da Biodiversidade Marinha (REVIMAR)62, é coordenado pelo MMA, por intermédio do Instituto Brasileiro do Meio

Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)63. O REVIMAR tem como objetivo avaliar, monitorar e promover a conservação da biodiversidade marinha, com enfoque ecossistêmico, visando ao estabelecimento de bases científicas e ações integradas capazes de subsidiar políticas e ações de conservação e estratégias de gestão compartilhada para uso sustentável dos recursos vivos.

62 O Comitê Executivo REVIMAR foi criado pela Portaria nº 233/MB, de 14 de setembro de 2005, do Comandante da Marinha. O REVIMAR dá prosseguimento às ações do Programa de Avaliação do Potencial Sustentável dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva Brasileira – REVIZEE, que teve início em 1995 e foi encerrado oficialmente em setembro de 2006.

63 O IBAMA foi criado pela Lei Nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, que dispõe sobre a extinção de órgão e de entidade autárquica, cria o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e dá outras providências.

Programa Aquicultura e Pesca

O Programa Aquicultura e Pesca (AQUIPESCA) coordenado pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), visa à execução de ações prioritárias do Plano de Desenvolvimento Sustentável da Pesca e Aquicultura, incluindo o incentivo a maricultura64.

Programa de Avaliação da Potencialidade Mineral da Plataforma Continental

O Programa de Avaliação da Potencialidade Mineral da Plataforma Continental Jurídica Brasileira (REMPLAC)65, tem como objetivo identificar, detalhar e avaliar a potencialidade mineral da plataforma continental jurídica brasileira e da zona costeira associada. A supervisão das atividades do REMPLAC é realizada por um Comitê Executivo, no âmbito da CIRM, coordenado pelo MME.

Programa de Biotecnologia Marinha

O Programa de Biotecnologia Marinha (BIOMAR)66, coordenado pelo Ministério da

Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tem como objetivo fomentar o aproveitamento sustentável do potencial biotecnológico dos organismos marinhos existentes nas zonas costeiras e de transição e nas áreas marítimas sob jurisdição e de interesse nacional, com foco no desenvolvimento de conhecimentos, absorção de tecnologias e promoção da inovação, nas áreas de saúde humana, ambiental, agropecuária e industrial.

Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro

O Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC)67 tem como objetivos definir o zoneamento de usos e atividades na Zona Costeira e dar prioridade à conservação e proteção dos recursos naturais, renováveis e não renováveis.

64 O Comitê Executivo AQUIPESCA foi criado pela Portaria nº 125/MB, de 13 de maio de 2005, do Comandante da Marinha.

65 O REMPLAC foi criado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, por meio da Resolução nº 004, da CIRM, de 03 de dezembro de 1997.

66 O Comitê Executivo do BIOMAR foi oficialmente criado em 14 de setembro de 2005, pela Portaria nº 230/MB, do Comandante da Marinha.

A Zona Costeira é definida como o espaço geográfico de interação do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos ambientais, abrangendo uma faixa marítima que se estende mar afora distando 12 milhas marítimas das Linhas de Base estabelecidas de acordo com a CNUDM, compreendendo a totalidade do Mar Territorial; e uma faixa terrestre do continente, formada pelos municípios que sofrem influência direta dos fenômenos ocorrentes na Zona Costeira.

No âmbito federal, compete ao MMA coordenar a implementação do PNGC. Os Estados e Municípios poderão instituir os Planos Estaduais ou Municipais de Gerenciamento Costeiro e designar órgãos para a respectiva execução, observadas as normas e diretrizes do Plano Nacional.

Programa de Observação dos Oceanos e Clima

O Programa de Observação dos Oceanos e Clima (GOOS/Brasil), conduzido pela Marinha do Brasil, tem como objetivo ampliar e consolidar o sistema de observação dos oceanos, da zona costeira e atmosfera, a fim de aprimorar o conhecimento científico e contribuir para reduzir riscos e vulnerabilidades decorrentes de eventos extremos da variabilidade do clima e das mudanças climáticas que afetam o Brasil.

Projeto GLOSS-Brasil

O projeto GLOSS-Brasil, coordenado pela Marinha, é uma das ações do VIII PSRM e envolve atividades relacionadas ao monitoramento do nível do mar em águas jurisdicionais brasileiras, e tem como objetivo implantar uma rede permanente de monitoramento do nível do mar denominada Rede GLOSS–Brasil com vistas a produzir dados confiáveis para determinação da tendência de longo prazo do nível médio do mar.

O projeto GLOSS-Brasil faz parte do Sistema Global de Observação dos Oceanos (Goos), criado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI), em cooperação com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Programa Nacional de Boias

O Programa Nacional de Boias (PNBOIAS), parte integrante do Programa GLOOS/Brasil, visa coletar dados oceanográficos e meteorológicos em tempo quase real. O objetivo é caracterizar o meio ambiente e prover informações sobre a segurança da navegação nas áreas marítimas sob a responsabilidade do Brasil, para efeitos de previsão meteorológica marinha e salvaguarda da vida humana no mar.

Investigação Científica na Plataforma Continental

Compete à Marinha autorizar e acompanhar o desenvolvimento de atividades de pesquisas e investigações científicas realizadas na plataforma continental e em águas sob jurisdição brasileira68. As investigações científicas compreendem o conjunto de trabalhos executados com finalidade puramente científica, que incluam estudos oceanográficos, limnográficos e de prospecção geofísica, empregando navios, aeronaves e outros meios, através de operações de gravação, filmagem, sondagem e outras.

Aquicultura no Mar

Com o objetivo de desenvolver a prática da aquicultura, podem ser delimitadas áreas para a localização de parques aquícolas nas águas interiores, no mar territorial, na ZEE e na plataforma continental69. A Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República (SEAP/PR), deve ter prévia anuência do MMA, da Marinha, e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MP), no âmbito de suas respectivas competências.

A SEAP/PR tem a competência para concessão de licenças, permissões e autorizações para o exercício da aquicultura e da pesca nas águas continentais e interiores e o mar territorial da plataforma continental e da ZEE, as áreas adjacentes e as águas

68 O Decreto n° 96.000, de 02 de maio de 1988, dispõe sobre a realização de pesquisa e investigação científica na plataforma continental e em águas sob jurisdição brasileira, e sobre navios e aeronaves de pesquisa estrangeiros em visita aos portos ou aeroportos nacionais, em trânsito nas águas jurisdicionais brasileiras ou no espaço aéreo sobrejacente.

69 O Decreto nº 4.895, de 25 de novembro de 2003 dispõe sobre a autorização de uso de espaços físicos de corpos d’água de domínio da União para fins de aquicultura.

internacionais, excluídas as unidades de conservação federais e sem prejuízo das licenças ambientais previstas na legislação vigente70.

Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca

A Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca71, tem como objetivos promover: (i) o desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura como fonte de alimentação, emprego, renda e lazer, em harmonia com a preservação e a conservação do meio ambiente e da biodiversidade; (ii) o ordenamento, o fomento e a fiscalização da atividade pesqueira; (iii) a preservação, a conservação e a recuperação dos recursos pesqueiros e dos ecossistemas aquáticos, e (iv) o desenvolvimento socioeconômico, cultural e profissional dos que exercem a atividade pesqueira, bem como de suas comunidades.

As áreas para atividade pesqueira, incluem as águas continentais, interiores, o mar territorial, a plataforma continental, a ZEE, o alto-mar e outras áreas de pesca, conforme acordos e tratados internacionais firmados pelo Brasil, excetuando-se as áreas demarcadas como unidades de conservação da natureza de proteção integral ou como patrimônio histórico e aquelas definidas como áreas de exclusão para a segurança nacional e para o tráfego Aquaviário72. (Grifo nosso).

A Tabela 4.1 apresenta uma síntese dos principais planos e programas desenvolvidos no âmbito da PMN e PNRM, com a indicação da entidade coordenadora, incluindo outras atividades de caráter geral.

70 Cf. Inciso VIII do Art. 44 do Anexo V do Decreto Nº 9.038, de 26 de abril de 2017.

71 A Lei Nº 11.959, de 29 de junho de 2009, dispõe sobre a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca, regula as atividades pesqueiras, revoga a Lei no 7.679, de 23 de novembro de 1988, e dispositivos do Decreto-Lei no 221, de 28 de fevereiro de 1967, e dá outras providências.

Tabela 4.1 - Programas e planos relacionados ao mar e zona costeira

Fonte: Elaboração própria.