Atualmente, o desenvolvimento da energia eólica offshore na Holanda é feito com base na Lei de Energia Eólica Offshore (LEEO) de 2015, sob a execução dos Ministérios de Assuntos Econômicos (MAE) e o de Infraestrutura e Meio Ambiente - MIMA (DMA, 2015). A conexão dos parques eólicos à rede é de responsabilidade da TenneT, operadora do sistema nacional de transmissão (ENERGY ACADEMY EUROPE; TNO; ECN, 2016; LOYENS; LOFFE, 2016).
O Ministério Holandês dos Transportes, Obras Públicas e Gestão da Água (MTOGA) é responsável por emitir a aprovação final do site e autorizações para projetos de energia eólica offshore. O MTOGA agora faz parte do MIMA. As responsabilidades e os procedimentos administrados por uma única autoridade, ajudam a reduzir os riscos do desenvolvedor em um estágio inicial do projeto.
Para implementar o Acordo de Energia de 2013, o governo propôs as seguintes diretrizes: a) designação da TenneT como operadora de rede offshore; nova designação de áreas e sites eólicos offshore; novo quadro regulatório para uma licença combinada de geração e aplicação de subsídios (LOYENS; LOFFE, 2016). A designação de áreas e sites é feita em conjunto pelo MAE e o MIMA com base Plano Nacional de Água, nos termos da Lei da Água.
Em 2015, um Plano de Gestão Integrado para a ZEE da Holanda, no Mar do Norte, criou um quadro de avaliação integrado para todas as atividades que requerem uma autorização e zonas específicas foram identificadas para o desenvolvimento eólico offshore (HAMILTON, et al., 2014).
O processo atual de concessão de parques eólicos offshore é centralizado pelo governo, que assumiu a responsabilidade pela seleção de sites de projetos específicos, condução das investigações preliminares do local e obtenção do consentimento e das permissões de conexão à rede (WORLD WIND ENERGY ASSOCIATION – WWEA, 2018).
Decisão do Site
Weijden, Rabbie e Voorst (2017) relatam que parques eólicos offshore na Holanda só podem ser desenvolvidos em locais designados pelo MAE, por um ato denominado “decisão do site” (em holandês: kavelbesluit). A decisão do site, segundo os autores, trata- se de um novo instrumento que encontra sua base legal na LEEO.
Na decisão do site são levados em consideração os seguintes requisitos: cumprimento das funções sociais do mar, incluindo o uso eficiente; implicações para terceiros; interesses ambientais e ecológicos; custos de desenvolvimento, e conexão de rede eficiente.
A decisão do site deve, em qualquer caso, contemplar termos e condições em relação aos direitos e interesses de terceiros, incluindo proteção do meio ambiente; preservação das áreas Natura 2000 e medidas de compensação nos termos da Lei de Proteção da Natureza; fornecimento de isenções sob a Lei da Flora e Fauna; uso eficiente do site pelo parque eólico; termo de permissão; custos incorridos com a preparação do site, inclusive avaliações, e a segurança para o descomissionamento.
Além disso, a decisão do site deve contemplar medidas que visem reduzir ou mitigar os efeitos do desenvolvimento e operação do parque eólico; medidas temporárias para desenvolver o parque eólico; dimensão geográfica do local e a rota do cabo; resultados do levantamento meteorológico e oceanográfico; a pesquisa e o levantamento ecológico do solo, e a pesquisa arqueológica.
O Estado holandês é responsável por todas as pesquisas, cujos resultados são publicados na decisão do site. Os candidatos não são obrigados a fazer uma avaliação individual desses aspectos, e os custos são por conta do Estado e não serão ressarcidos pelo vencedor da licitação.
De acordo com Weijden, Rabbie e Voorst (2017), o novo arcabouço legal para o desenvolvimento da energia eólica offshore na Holanda contempla dois tipos de propostas: com subsídio e sem subsídio.
No primeiro caso, os desenvolvedores competem por sites num processo de leilão, cujos vencedores recebem um contrato de subsídio SDE + (Estímulo à Produção de Energia Sustentável)155 e todas as autorizações necessárias para prosseguir na construção de
parques eólicos (IEA RETD TCP, 2017; ENERGY ACADEMY EUROPE; TNO; ECN; 2016).
Nos leilões, os licitantes propõem o preço de subsídio com base na SDE+ para construir e operar um parque eólico num local específico. Em cada rodada o licitante com o menor preço recebe a licença do site e ganha o direito de receber a diferença entre o preço de mercado e o preço de exercício da energia produzida por 15 anos (MARSDEN, et al., 2018). O atual processo é ilustrado na Figura 6.4.
Figura 6.4 - Processo de consentimento de usinas eólicas offshore (Holanda)
Fonte: Adaptado de IEA RETD TCP (2017).
Nota: G = Governo; TSO = Operador Nacional do Sistema; D = Desenvolvedor.
O regime sem subsídio foi aplicado pela primeira vez em dezembro de 2017. Para tanto, emitiu-se uma ordem ministerial com medidas temporárias para facilitar a realização de uma proposta de acordo com o cronograma proposto. As licenças emitidas devem satisfazer os mesmos critérios de uma licitação com subsídio, e os proponentes que não atenderem a esses requisitos serão inabilitados (WEIJDEN; RABBIE; VOORST, 2017).
Ainda conforme Weijden, Rabbie e Voorst (2017), nesse regime as regras são mais rigorosas para satisfazer o requisito de viabilidade financeira, e exige que o capital próprio do candidato deva ser igual a pelo menos 20% do investimento total do parque (no regime de subsídio, a exigência é de 10%).
155O SDE + é um subsidio que os produtores recebem quando o custo da energia renovável é maior do que
o preço de mercado. A diferença de preço é chamada de componente não lucrativa. A SDE + compensa os produtores por um número fixo de anos, dependendo da tecnologia usada. (Disponível em https://english.rvo.nl/subsidies-programmes/sde. Acesso em: 6 jul. 2018).
D G G G G G / TSO TSO Identificação de Zonas Seleção do Site Investigação do Site Consentimento / Permissão Solicitação de Conexão Projeto e Cosntrução da Rede Leilão
A habilitação de proponentes, em qualquer caso, inclui: projeto do parque eólico; cronograma de desenvolvimento e operação; avaliação de custo e receita; avaliação de custos sociais; identificação e análise de riscos; descrição das medidas para salvaguardar a relação custo-benefício, e partes envolvidas no desenvolvimento e operação do parque eólico, com a descrição de suas experiências.
As propostas de licenças em leilões sem subsídios são avaliadas com base nos seguintes critérios de qualidade: (i) conhecimento e experiência das partes envolvidas; (ii) qualidade do projeto do parque eólico; (iii) capacidade do parque eólico; (iv) custos públicos (com base na eficiência do uso da rede de transmissão offshore), e (v) identificação e análise de riscos.
De acordo com Lautenbach (2018), os critérios de classificação, no caso sem subsídio, podem ser específicos para cada site e atribuir uma maior pontuação, por exemplo, a um projeto que proporcione mais benefícios ambientais e proteção para fauna e flora marinhas.
Sobre a centralização do processo de consentimento, Marsden et al. (2018) confirmam que o governo holandês e o TenneT desenvolvem o site e a conexão à rede, além de fornecerem dados e informações, tais como: a) descrição geral do site, layout, coordenadas, limites, cabeamento existente e outras infraestruturas; b) estudos geológicos, geofísicos e geotécnicos do solo oceânico, estudos morfodinâmicos, avaliação de recursos eólicos e estudos meteoceânicos; c) estrutura jurídica - lei aplicável, requisitos de permissão, códigos aplicáveis do setor e exemplos de acordos com a TenneT relacionados à realização e conexão à rede; e d) avaliação de impacto ambiental e quaisquer pedidos de consentimento ou planejamento exigidos.