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Capítulo 3 Metodologia

3.1. Plataforma de Simulação – Modelagem no SimPowerSystems

A plataforma utilizada foi o SimPowerSystem e as ferramentas disponíveis em

sua biblioteca e no Simulink/MATLAB. Esta plataforma trata-se de uma moderna

ferramenta de projeto que permite a engenheiros e cientistas modelarem e simularem,

rapidamente e facilmente, os sistemas de potência. Ela utiliza o próprio ambiente

Simulink/MATLAB (Hydro-Québec; Transénergie Technologies, 2015). Neste

ambiente, os modelos existentes na biblioteca do próprio MATLAB, modelos

disponibilizados por Salles (2007) e os modelos criados durante o desenvolvimento

deste trabalho são apresentados.

3.1.1. Gerador Síncrono

O gerador síncrono distribuído foi simulado utilizando o modelo de máquina

síncrona Synchronous Machine pu Standard, disponível na biblioteca do

SimPowerSystems do MATLAB conforme Figura 3.1, sendo Pm a entrada do controle

de velocidade, Vf a entrada do controle de excitação, m a saída das variáveis internas

do gerador síncrono e A, B e C as saídas das fases do gerador. A parte elétrica do

bloco é representada por um modelo de oitava ordem (Hydro-Québec; Transénergie

Technologies, 2015). Os parâmetros das máquinas de cada estudo de caso estão

disponíveis no Apêndice A.

Figura 3.1: Bloco do gerador síncrono utilizado nas simulações – Synchronous Machine

Fonte: (Hydro-Québec; Transénergie Technologies, 2015)

3.1.2. Controle de Excitação - AVR

O controle de excitação do gerador síncrono foi simulado utilizando o modelo

IEEE type DC1A previsto em IEEE 421 Standard (2005), disponível na biblioteca do

SimPowerSystems do MATLAB conforme Figura 3.2, sendo Vref a entrada da

referência de tensão, Vt tensão terminal da máquina, Vstab a entrada de uma tensão

de estabilização e Efd a saída da tensão de campo. Os ajustes dos ganhos e

constantes de tempo do regulador de tensão estão disponíveis no Apêndice A.

Inicialmente, foi testado o modelo de excitatriz IEEE tipo 1 do próprio

SimPowerSystems. Porém, muitas inconsistências foram encontradas e optou-se pela

substituição pelo modelo IEEE tipo DC1A cujos resultados foram mais coerentes com

o esperado.

Figura 3.2: Bloco do controle de excitação utilizado nas simulações – IEEE type DC1A do

SimPowerSystems

3.1.3. Controle de Velocidade

Neste trabalho desconsiderou-se o controle de velocidade, visto que o objetivo

é analisar o comportamento do sistema de geração distribuída em tempos pequenos

quando comparados aos tempos de resposta das turbinas e seus reguladores de

velocidade, pois a duração das simulações foi de 1 segundo. Desta forma, a entrada

Pm da máquina síncrona foi aplicada conforme resultado do fluxo de potência

determinado para cada simulação através de uma variável constante do

SimPowerSystem do MATLAB.

3.1.4. Transformador

Nas simulações, o transformador de potência, aplicado para elevação de tensão

dos geradores síncronos distribuídos ao nível de tensão da distribuição, foi

representado pelo modelo de dois enrolamentos Three-Phase Transformer (Two

Windings) disponível na biblioteca do SimPowerSystems do MATLAB, conforme

Figura 3.3, sendo A, B e C os terminais do enrolamento 1 e a, b e c os terminais do

enrolamento 2. Os parâmetros do modelo estão disponíveis no Apêndice A.

Figura 3.3: Bloco do transformador de potência utilizado nas simulações – Three-Phase Transformer

(Two Windings) do SimPowerSystems

Fonte: (Hydro-Québec; Transénergie Technologies, 2015)

3.1.5. Cargas Elétricas

As cargas do sistema de distribuição foram simuladas utilizando o modelo de

carga estática, conforme Kundur (1994) e Hydro-Québec; Transénergie Technologies

(2015). Na biblioteca do SimPowerSystems do MATLAB há o modelo Three-Phase

Dynamic Load, que foi aplicado neste trabalho, conforme Figura 3.4, sendo A, B e C

as entradas das fases da fonte de alimentação e m a saída das variáveis internas da

carga.

Os parâmetros deste modelo são os expoentes np e nq, conforme (3.1) e (3.2),

em que np e nq iguais a 0, 1 ou 2, representam as características potência constante,

corrente constante e impedância constante, respectivamente.

P = P . V

V (3.1)

Q = Q . V

V (3.2)

Figura 3.4: Bloco de carga estática utilizado nas simulações – Three-Phase Dynamic Load do

SimPowerSystems

Fonte: (Hydro-Québec; Transénergie Technologies, 2015)

Como o objetivo maior deste trabalho é analisar a detecção de ilhamento por

meio de funções de proteção de técnicas passivas, o tipo de carga tem um forte

impacto nos resultados, visto que a frequência elétrica varia em função do desbalanço

de potência ativa entre a geração e a carga (Kundur,1994).

Carga do tipo impedância constante (np=nq=2) representa uma dependência

maior da potência absorvida pela carga (P, Q) da tensão da rede (V). Quando ocorre

um ilhamento com déficit de geração, a tendência é de subtensão. Logo, a potência

absorvida pela carga (P, Q) será menor (V/V

0

)² vezes do que a potência nominal (P

0

,

Q

0

). Neste cenário, o desbalanço de potência será menor do que o esperado em

relação a potência demandada pré-ilhamento. Para o caso de um ilhamento com

excesso de geração, a tendência é de sobretensão. Logo, a potência absorvida pela

carga (P, Q) será maior (V/V

0

)² vezes do que a potência nominal (P

0

, Q

0

). Neste

cenário, o desbalanço de potência será menor do que o esperado em relação a

potência demandada pré-ilhamento. Portanto, os relés baseados em frequência serão

afetados negativamente, tendo seu desempenho prejudicado.

Carga do tipo corrente constante (np=nq=1) apresenta o mesmo comportamento,

porém, com um menor impacto da variação da tensão V/V

0

, que irá impactar de forma

mais suave na potência absorvida pela carga (P, Q). Já para carga do tipo potência

constante (np=nq=0), como o próprio nome diz, a tensão da rede não influencia a

potência absorvida pela carga (P=P

0,

Q=Q

0

) que é constante.

Então, pode-se afirmar que simulações que utilizam cargas do tipo impedância

constante apresentam resultados mais conservadores em comparação com as

demais. Logo, será utilizado neste trabalho o modelo de impedância constante para

as simulações.

3.1.6. Linha de Distribuição

As linhas de distribuição foram representadas pelo modelo de linha de

transmissão Three-Phase Pi Section Line disponível na biblioteca do

SimPowerSystems do MATLAB, conforme Figura 3.4. Os parâmetros ajustados foram

calculados pela ferramenta Compute RLC Line Parameters do PowerGui do

Simulink/MATLAB para uma rede de 3 fios e resistividade do solo de 100 Ω.m.

Figura 3.5: Bloco da linha de distribuição utilizado nas simulações – Three-Phase Pi Section Line do

SimPowerSystems

Fonte: (Hydro-Québec; Transénergie Technologies, 2015)

3.1.7. Relé de Salto de Vetor – ANSI 78

O modelo do relé de salto de vetor utilizado nas simulações deste trabalho foi

criado utilizando os blocos funcionais disponíveis na biblioteca do SimPowerSystems

do MATLAB. O salto vetorial é detectado através da verificação da diferença entre

períodos de ciclos consecutivos de fase de tensão para a rede elétrica. Quando houver

uma diferença angular (salto) nos vetores de tensão acima do valor especificado no

ajuste da função de proteção é gerado um sinal de TRIP. O valor da diferença angular

entre dois ciclos consecutivos é calculado convertendo o tempo medido em graus na

base de 60 Hz. O modelo simplificado do relé salto de vetor está apresentado na

Figura 3.6.

Figura 3.6: Modelo do relé de salto de vetor – ANSI 78

|Δδ|

em graus >

E t Salto de TRIP

Vetor

VFASE >

α

Ajuste do relé

V

M ÍN

Tensão de Mínima

de Operação

tset

Temporização

Vab c TRIP SV

ANSI 78

Fonte: Próprio autor

3.1.8. Relé Direcional de Potência Reativa – ANSI 32Q

Para este trabalho foi criado o modelo do relé direcional de potência reativa.

Trata-se de um relé relativamente simples, onde a potência reativa é medida na saída

do gerador síncrono. Se a potência medida for superior ao limite ajustado em Q

EXPORT

e se a direcionalidade foi no sentido exportação, ou seja, gerador fornecendo reativo

ao sistema, um sinal de TRIP é enviado para abertura do disjuntor, conforme Figura

3.7.

A polarização do relé 32Q é definida pela comparação angular da corrente e

tensão de saída do gerador síncrono. A direcionalidade será “exportação”, ou seja,

gerador fornecendo reativo ou fator de potência indutivo, quando o ângulo entre a

tensão e corrente foi inferior a 90°, caso contrário, a direcionalidade será “importação”,

ou seja, gerador consumindo reativo ou fator de potência capacitivo.

Figura 3.7: Modelo do relé direcional de potência reativa – ANSI 32Q

Q

MEDIDO

em kVAr >

E t TRIP32Q

Direcionalidade

Exportação

Q

EXPORT

Ajuste do relé

t

set

Temporização

Iabc

TRIP 32Q

ANSI 32Q

Vabc

Fonte: Próprio autor

3.1.9. Relé de Sobre e Sub Frequência – ANSI 81 o/u

O modelo do relé de sub e sobrefrequência (ANSI 81 o/u) desenvolvido em

Salles (2007) foi utilizado neste trabalho para avaliar esta função de proteção. Este

modelo se baseia na medição da frequência do sistema por meio de medições de

passagens por zero da tensão da conexão da GD ao sistema de distribuição. Para o

relé de subfrequência (ANSI 81 u), quando a medição for menor que o ajuste de TRIP,

um sinal de disparo de atuação será ativado. Já o relé de sobrefrequência (ANSI 81

o) enviará um sinal de disparo quando a medição da frequência da rede superar o

ajuste de TRIP. O modelo ainda utiliza um bloqueio de atuação por subtensão, que

serve para o caso de um afundamento de tensão devido a um curto-circuito. A Figura

3.8 apresenta o modelo simplificado do relé.

Figura 3.8: Modelo do relé de sobre e sub frequência – ANSI 81 o/u

f

em Hz

<

OU

>

f

MÍN

Ajuste do relé

E t 81 o/uTRIP

V

FASE

>

V

M ÍN

Tensão de Mínima

de Operação

t

set

Temporização

f

MÁX

Ajuste do relé

Vab c TRIP 81u

ANSI 81 o/u

TRIP 81o

3.1.10. Relé de Taxa de Variação de Frequência – ANSI 81 df/dt

O relé ROCOF (Rate of Change of Frequency ou ANSI 81 df/dt) foi modelado

utilizando como referência Salles (2007) que utilizou da derivada da frequência elétrica

calculada a partir de medições de passagens por zero da tensão. Assim como o relé

81 o/u, o modelo possui um bloqueio de atuação por subtensão, que serve para o relé

não atuar indevidamente para o caso de um afundamento de tensão devido a um

curto-circuito. A Figura 3.9 apresenta o modelo simplificado aplicado nas simulações

deste trabalho.

Figura 3.9: Modelo do relé de taxa de variação de frequência – df/dt

f

em Hz >

E

V

MÍN

Ajuste do relé

t TRIP

ROCOF

t

set

Temporização

d

dt

V

FASE

>

V

M ÍN

Tensão de Mínima

de Operação

Vab c TRIP RF

ANSI 81 df/dt

Fonte: Próprio autor