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4 A ATUAÇÃO DOS PODERES PÚBLICOS EM UM ESTADO AMBIENTAL

4.3 Os poderes públicos e o Estado Ambiental

4.3.2 O Poder Legislativo

Sendo a Constituição Federal de 1988uma Constituição Dirigente não basta que as leis ordinárias não contrariem a Constituição, é preciso que as mesmas ajudem a efetivá-la.Nesse sentido, o Poder Legislativo está proibido não somente de produzir leis que causem degradação ambiental, também está obrigado a agir no sentido de produzir uma legislação que promova a proteçãodo meio ambiente.144

Além disso, em um Estado Ambiental toda a legislação, e não só as normas voltadas especificamente ao Direito Ambiental, devem oferecer meios de diminuir os danos causados pelo homem ao meio ambiente. Buscando ainda conservar este o máximo possível além de restaurar o que foi degradado.

Cabe também em boa medida ao Poder Legislativo dar ampla discussão acerca das questões ambientais com participação da sociedade civil nos projetos de lei promovendo o aumento da participação dos cidadãos próprio do conceito de Estado Ambiental.

No ano de 2012 o que se viu, entretanto, foi o Legislativo Federal em dissonância com seu dever de preservação do meio ambiente especialmente em relação a proibição de produzir leis que diminuam a proteção ambiental já alcançada, aprovar a Lei 12.651/2012, conhecida como Novo Código Florestal que comparada com a Lei 4771/1965 trouxe significativos retrocessos em termos ambientais para a legislação brasileira.

A título de exemplo, entre os principais pontos de diminuição da preservação do meio ambiente estão a diminuição da extensão e, em algumas hipóteses, até mesmo a extinção de áreas de preservação permanente145 e de reserva legal146, além da anistia para quem desmatou ilegalmente até o ano de 2008.

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“A Constituição, que regula a produção de normas gerais, pode também determinar o conteúdo das futuras leis. E as Constituições positivas não raramente assim procedem ao prescrever ou ao excluir determinados conteúdos”. (KELSEN, 1998, p. 249).

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Segundo conceitua o art. 3º, II da Lei 12.651/12, área de Preservação Permanente é aquela protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

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Segundo conceitua o art. 3º, III da Lei 12.651/12, reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa.

Os parágrafos 4º, 5º do art. 12 da Lei 12.651/2012 tratam da possibilidade de redução da reserva legal em razão de o Município e o Estado conter em seu território terras indígenas e unidades de conservação da natureza de domínio público. Já os parágrafos 6º, 7º e 8º do mesmo dispositivo legal dispensam a reserva legal em razão de empreendimentos de abastecimento público de água, tratamento de esgoto, exploração de energia elétrica e implantação ou ampliação de ferrovias e rodovias.147 Tais possibilidades acerca da diminuição da proteção das áreas de reserva legal não constavam na Lei 4.771/1965 atualmente conhecida como Antigo Código Florestal.148

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Art. 12. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais mínimos em relação à área do imóvel, excetuados os casos previstos no art. 68 desta Lei: (Redação dada pela Lei nº 12.727, de 2012).

I - localizado na Amazônia Legal:

a) 80% (oitenta por cento), no imóvel situado em área de florestas; b) 35% (trinta e cinco por cento), no imóvel situado em área de cerrado; c) 20% (vinte por cento), no imóvel situado em área de campos gerais; II - localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento).

§ 1º Em caso de fracionamento do imóvel rural, a qualquer título, inclusive para assentamentos pelo Programa de Reforma Agrária, será considerada, para fins do disposto do caput, a área do imóvel antes do fracionamento.

§ 2º O percentual de Reserva Legal em imóvel situado em área de formações florestais, de cerrado ou de campos gerais na Amazônia Legal será definido considerando separadamente os índices contidos nas alíneas a, b e c do inciso I do caput.

§ 3º Após a implantação do CAR, a supressão de novas áreas de floresta ou outras formas de vegetação nativa apenas será autorizada pelo órgão ambiental estadual integrante do Sisnama se o imóvel estiver inserido no mencionado cadastro, ressalvado o previsto no art. 30.

§ 4º Nos casos da alínea a do inciso I, o poder público poderá reduzir a Reserva Legal para até 50% (cinquenta por cento), para fins de recomposição, quando o Município tiver mais de 50% (cinquenta por cento) da área ocupada por unidades de conservação da natureza de domínio público e por terras indígenas homologadas.

§ 5º Nos casos da alínea a do inciso I, o poder público estadual, ouvido o Conselho Estadual de Meio Ambiente, poderá reduzir a Reserva Legal para até 50% (cinquenta por cento), quando o Estado tiver Zoneamento Ecológico-Econômico aprovado e mais de 65% (sessenta e cinco por cento) do seu território ocupado por unidades de conservação da natureza de domínio público, devidamente regularizadas, e por terras indígenas homologadas.

§ 6º Os empreendimentos de abastecimento público de água e tratamento de esgoto não estão sujeitos à constituição de Reserva Legal.

§ 7º Não será exigido Reserva Legal relativa às áreas adquiridas ou desapropriadas por detentor de concessão, permissão ou autorização para exploração de potencial de energia hidráulica, nas quais funcionem empreendimentos de geração de energia elétrica, subestações, ou seja, instaladas linhas de transmissão e de distribuição de energia elétrica.

§ 8º Não será exigido Reserva Legal relativa às áreas adquiridas ou desapropriadas com o objetivo de implantação e ampliação de capacidade de rodovias e ferrovias.

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A Lei 12.651/2012 atualmente é objeto de três ações diretas de inconstitucionalidade (ADI 4.901, ADI 4.902 e ADI 4903) cujo julgamento, ainda pendente, foi reunido e está sob a responsabilidade do ministro Luiz Fux.

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