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POEMAS FILOSÓFICOS

No documento Boulevard de Inverno (páginas 82-92)

“A SABEDORIA ELEVA SEUS FILHOS E CUIDA DOS QUE A ROCURAM” (Eclo 4, 11)

VIDA E MORTE

Há quem viva e queira morrer;

E quem esteja morrendo e queira viver.

Pessoas há que trabalham em favor da morte, Out as lab am, p nd a vida c m “n te”...

Em favor da vida, está quem partilha, Promovendo a morte está quem retira.

Muitos lutam pela vida, Doando-se por suas famílias.

Não poucos, promovem a morte, Só buscando a sua sorte.

Ainda há quem morra em paz,

“Voando” pa a uma vida plena.

Existe, porém, quem se fez mal;

Merecendo por lucro a tristeza abissal.

Capanema – PA, janeiro de 2008.

AMOR E ÓDIO

O amor supera a dor, Partilhando a felicidade;

Doando-se, em seu candor, Dispersa toda a maldade.

82 O ódio estraga a vida, Amargurando o coração...

Tristeza é a recompensa tida, Por quem não deu o perdão.

O amor liberta, plenifica, Torna a pessoa mais feliz...

O ódio age lhe escravizando, E sua própria sorte o maldiz.

Capanema, janeiro de 2008.

BEM E MAL

O homem, com todo seu ser, Por natureza, quer o bem...

Precisa buscar para [o] ter, Nas atitudes que dele provêm.

Mas quando o homem se perde, Nesta busca vivencial;

O desespero a verte, Numa tristeza fatal.

Escravizado na maldade, Perdendo sua liberdade;

Este ser expulsa o amor, Seguindo, do vício à dor.

Necessita, porém, liberdade, Com o amor e a verdade.

Capanema, janeiro de 2008

83 PENSAMENTOS

Pensamentos vão e vêm;

Na lucidez da razão...

Por vezes, como bravo cão, Noutras, como plácida paisagem.

Uns podem sugerir o bem, Outros, só planejam o mal;

Só com vigilância racional, É p ssível “vê-l s” bem.

Necessário é conhecê-los, Discernindo, os vários fins.

Elegendo os bons e mantê-los, Humanizar-nos ao vivê-los.

Capanema, janeiro de 2008.

FELICIDADE

Em busca da felicidade, Andam os homens, nesta vida.

Tudo fazem a procurando, Alegrar-se-ão encontrando...

E, seguem por essa via, Quando vivem a caridade...

Capanema – PA, janeiro de 2008.

SABER VIVER NOSSA HISTÓRIA

Encontro-me, hoje, com saudades de você, Contemplando árvores e casas

No frio de uma chuva de inverno.

84 Aqui, não desejo o inferno,

Da ausência de tuas protetoras asas;

Quero saber, das cisões de nossa história, o por quê.

Assim, mergulho no mundo das ideias,

Este plasma das essências, em busca da verdade, Verdade nossa, de todo homem, nossa resposta.

É aqui que julgo as tuas propostas Que dão à tua paixão um ar de liberdade;

Esta, que a mim, os tons do teu olhar, ofuscam.

E com juízo te respondo: O amor é caridade!

A “ca itas” é a ve dade d n ss se , É ela a via que imortaliza nosso viver.

E dá à nossa história o bom caráter do saber.

São Luís - MA, 25 de janeiro de 2010.

FILOSOFIA JÔNICA

Em natureza, ou na Physis, Procuraram o princípio Que une tudo o que existe...

Como grande causa disso tudo, Na Jônia, tais filósofos e estudo;

Em Mileto, Tales na água insiste, Anaximandro investiga o Apeiron, E Anaximenes, o ar em sua dinamis.

São Luís – MA, 09 de julho de 2010.

ESCOLA ELEÁTICA Unindo Ser e pensamento, Parmênides toca a metafísica

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Supondo o Ser como Princípio Arché estático: Razão, princípio...

“O Se é

EU, AGOSTINHO E O TEMPO

Foi muito boa

A supra-existêncial experiência, De aprender o agostiniano conceito Da presencialidade do tempo.

Lia, do santo, as Confissões, Num metafísico ócio filosófico,

Ao som da correnteza em Ferreira Gomes, Naqueles refrescantes ares sem nomes.

Ah! Só há presente!

No presente, a atenção, Do pretérito, a lembrança, E para o futuro, a esperança.

O presente, não-ausente, Que assente à esperança, E no Amor, o Tudo alcança, Pela fiducial esperança.

Ah! Esta experiência não é Cronos, Mas essencialmente, no fenômeno, É “N umen ”, é Kairós!

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São Luís – MA, 25 de setembro de 2010.

HERÁCLITO

De Éfeso, o calor do fogo convida, Do sophos Heráclito, à Filosofia:

Buscando o princípio da natureza, Na mutabilidade, instabilidade...

Dinâmica!

Pois num rio, duas vezes não se entra, Já que este e o banhista mudaram e mudam.

Os contrários vão e vêm, como em danças, Antônimos, contrários,

A Physis, fundamentam!

São Luís – MA, 30 de outubro de 2010.

PITÁGORAS

Na metafísica numérica mergulhado, Pitágoras vê os arquétipos geométricos.

E na harmonia estelar fixado,

Transmite que o número é o princípio.

Pitágoras de Samos que vê os números celestes:

Sábio que deu nome aos filósofos!

São Luís – MA, 30 de 0utubro de 2010.

SOFISTAS

Aparência, técnica, oratória...

Vazias palavras relativas,

87 Politicagem e demagogia.

Protágoras e suas antilogias, Górgias com sua retórica niilista, Seguido de Pródico com sinonímia.

“Medida de tud é h mem!”

Relativas “ve dades” sem n mes!

São Luís – MA, 25 de novembro de 2010.

SOFIA (= Sabedoria)

Nesta noite de Ano Novo Extasio-me no jardim, Vendo as constelações Que pontilham o nosso céu.

Porém sinto o desejo do mel Que provém das tuas ações, Perfumadas de jasmim, Na luz dos teus belos olhos.

Ó amada Sofia,

Angustio-me em tua ausência Na saudade de ti, desejada Consolo-me com tuas estrelas...

Oh! E quão belas são elas!

Assim, minha presença te aguarda, Nos teus adjetivos e essência.

Aqui, aguardo-te. Sê bem-vinda!

São Luís – MA, 01 de janeiro de 2011.

88 O FILÓSOFO

Colocando-se no caminho da ex-sistência, O perplexo amigo da sabedoria reflete Perante as novidades fenomênicas Dadas na fluidez da realidade, Em busca do fundamento a essência.

Faz-se racional, amante do saber, Na busca da memória-verdade, procura Que conhecida, pautará o seu agir

Numas, ética e política, sobre a realidade, E nas estética e transcendência do viver.

O filósofo: ser humano a caminho, Assume a sua autêntica presença Ao resguardar sua tarefa em seu estilo.

Ser filósofo é ter peso sobre o mundo;

Pois já que é livre, tem missão de libertar, Propiciando a alteridade dos "pessoais mundos".

São Luís – MA, 08 de agosto de 2011.

ETERNA VOZ

Lendo, por dentro, o livro da existência, Uma singela pessoa,

Cultivado no tempo, foi o amor;

Irmanado amor, que brota da ternura, Anunciando, da chama viva, o perene calor, Nascido na Eterna Voz que ressoa

Encaminhando-nos na via da essência.

Ordem que vige nas entranhas da presença, Legitimando a cruz plantada na vida;

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Imergindo adiante, na luz da Sabedoria, na Verdade do dasein que cultiva sua rosa Elevando-se rumo às alturas formosas, Irradiantes de esplendor da parusia, Rumando sobre a angústia perdida Ao Amor, sentido pleno da vivência.

São Luís – MA, 07 de junho de 2012.

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No documento Boulevard de Inverno (páginas 82-92)

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