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POEMAS SOCIAIS

No documento Boulevard de Inverno (páginas 58-68)

“SE TU TE RIVARES ARA O FAMINTO, E SE TU SACIARES O OPRIMIDO, TUA LUZ BRILHARÁ NAS TREVAS, A ESCURIDÃO SERÁ

ARA TI COMO A CLARIDADE DO MEIODIA” (Is 58, 10)

PURO MARKETING

Mesmo no plainar do avião sobre as nuvens, Ou no tic-tac do tempo passageiro,

Há homens que se tornaram alheios Pois não mais olham a verdade e o bem.

Homens-alheios que não sabem de onde vêm.

-“C nhece -se?!”. Dizem: - “É mit de budistas!

Exterior é só o que olham os realistas:

Retrógados que se abandonam ao se !”

_ “Ev luçã cidental?!”. -“ ap u ad ! É puro marketing de mercado e propaganda, Que, da vida, os sérios bens, rouba e esbanja, E te faz viver qual marionete. Alienad ! ”

Quem falou que tal demência é liberdade, Pois a moda que nos dão é escravidão?!

Foi o açougue-mercado-da-ilusão, Ao empurrar suas bugigangas para todos.

Este quer nos roubar nossa idade de vigor, Além de ocultar nosso valor,

Em sua era que enriquece os States, A ancand n ss s “melh es leites”.

No entanto, se enxergamos com a verdade, E com a razão que nos torna singulares, Alcançaremos a força para lutar,

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Rumo à vitória da verdadeira liberdade.

Capanema – PA, 2006.

COMO PODE?

Como pode um governo corrupto, Vir nos bater, piorando nossa vida?

Esse lobo se disfarçou de cordeiro;

Demos-lhe o reino, enganados, Esperando ver a luz de bons dias, Porém, sujou-se e vendeu-se ao erro.

Trabalhamos, suando muito para viver;

Sustemos nossos filhos, educamos, Construímos os futuros cidadãos,

Transmitimos-lhes o saber que acarretamos...

E tal “b m lag ” se t n u p luiçã , Atrevendo-se querer nos afogar.

Lutamos, e com razão!

Escravos?! Não o somos! Não!

Exigimos nossos direitos, E o fim da enganação!

Não sujes mais a política!

Não mates o são cidadão!

São Luís, 28 de julho de 2007.

FAMÍLIA

Do amor de um casal, Com razão e coração;

De sua mútua doação, Travam enlace matrimonial.

59 Amáveis filhos terão, Com prazer, trabalharão, Educando-os com amor.

Esta família será, Nova célula social...

Em cada amor esponsal, A humanidade revigora a moral.

Capanema – PA, janeiro de 2008.

ESCOLA Por pouco saber amparado;

Preparando-se para as escolhas, Que terá em suas mãos.

Salve, ó casa do saber, Que prepara os cidadãos;

Salve, os que te frequentam, E trazem progresso à nação!

Dos que fazem a tua ação,

E os corações, de zelo, esquentam, Desenvolvem os seus dons,

60 Dando ao mundo, as ações.

Salve, ó escola!

Da educação, vitória...

Capanema, janeiro de 2008.

O CATADOR DE CARVÕES

Menino pobre, Necessitado...

À sua família Dá a sua ajuda.

Desde cedo, não estuda, Mas trabalha em carvoaria.

Sua alva pele?! Está manchada!

Pela tisna do carvão.

Trabalha sem proteção, Pois seus patrões não a dão.

Sua, cansa, sente dor, Sob o sol quente. Que horror!

Mal ele sabe falar.

Escola?! Nunca ele viu.

Apenas, sua pobre família, E os colegas da carvoaria.

Pobre criança!

Vítima da sociedade Má, omissa e corrupta.

Criança-animal-de-carga!

Haverá alguma esperança, Para o infante catador de carvões?

61 Sim!

Acredito haver!

No amor da sua pobre família...

Nas brincadeiras dos intervalos.

Sim! Na sua ingenuidade, Ele se pensa feliz.

Marabá – PA, 14 de agosto de 2008.

TERREMOTO E DESTINO

As placas se atritam Sob o chão do Haiti;

Então a morte ceifa vidas,

Em arquiteturas destruídas Onde corpos são matéria aí, Sobreviventes sofrem, gritam ali.

Grande caos em Porto Príncipe (De mortes e lutas para não padecer) As mídias projetam ao mundo.

A condição de vida imunda

Fez a solidariedade das nações aparecer

Aliviando as vítimas que lutam para não perecer.

Se vemos muitos, guiados por seus instintos, Em contraste, também se vê solidariedade:

Um professor, numa praça, leva cultura e saber, A muita criança: e não sabe o destino que vai ter.

São Luís - MA, 28 de janeiro de 2010.

62 REFLETINDO FOME

Pessoas morrem de fome...

São humanos imolados

Nos altares da corrupção cultural, Erguidos pelo egoísmo

Dos humanos corações;

Abertos ao pensamento do mal:

Dignidade inferior a animal...

Atribuem opulentos, em ações, Idolatrando o deus-egocentrismo

Humanas pessoas fracas, para essa relação cultual, Pela injustiça social, estigmatizados,

Lesados em direitos, padecendo a dor, sem nomes.

A fome, necessidade vital,

Bate nos pobres, com dor-moral-estomacal.

Fere os excluídos, o sistema capital.

Se a humanidade se enchesse de caridade, Construiria, desde já, do céu, a cidade;

Dando a todos os entes humanos, a dignidade.

Quando a escondida fome de Deus for saciada Nos corações das culturas,

Das sociedades

Apagar-se-ão injustiças, Desigualdades...

A realidade será toda agraciada.

São Luís – MA, 12 de fevereiro de 2010.

AMIGA DE MINHAS MANHÃS Quando em preciosas manhãs Encontram-se nossos olhares,

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O ônibus das sete perde rotineira feiura.

Quando encontro do colóquio a ternura, Há ondas de afetivos mares

Á espera de dialogar contigo amanhã.

Outrossim, quando vens ao meu lado, Existindo a abertura da palavra na conversa Filosofamos em torno a amizade que atrai Até que o espaço-tempo nos trai

E os deveres sociais nos apartam da palestra bela, Aguardando o fluir, noutro momento, deste brilho raro.

Enquanto relembro na memória, Percebo a alegria que me deste,

Esperando-te para mais diálogo, em breve.

Também contigo vivo, Na pessoal relação Do amor, o dom, No qual existo.

São Luís – MA, 25 de novembro de 2010.

PASSAGEM

À memória de Martin Buber

Em nossa cultura de hiper-consumo, Somos tentados a menosprezar A alteridade das pessoas:

Não as vendo como tu’s, E as reduzindo a meros isso’s;

Pois, apenas, queremo-las, Conforme nos sejam úteis.

Ver os outros como pessoas,

64 Faz-se grande desafio.

É voltar-se contra o Utilitarismo, Promovendo sadio Personalismo.

Não é fácil converter-se, is s m s “se es-no-mund ”, Construindo-nos na linguagem.

Aquilo que lemos do mundo, Penetra em nossa mentalidade.

É necessária a migração, Do individual ao relacional, Para que se sobreviva Como humano-pessoal.

São Luís – MA, 02 de março de 2011.

MEU SAXOFONE MUDO2

Ester fora a razão da minha vida...

Enlaçou-nos o amor pela música!

Éramos nós dois, simbiose única.

O nosso amor foi qual chama viva...

Contemplávamos, nos domingos, a aurora, E, ela, com afinada voz, a vida cantava...

E no meu saxofone, a melodia eu lhe dava, Quando a áurea luz solar o mundo adornava.

Os anos se passaram! Felizes fomos no Amor!

Na harmonia da sua terna voz e minha música, Os primórdios semanais, davam-nos o ardor...

Mas, o tempo veio e a apartou do mundo...

2 O título deste poema foi dado pelo Fr. Jamilson Dias , OFMcap.

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Ester calou pro tempo a bela voz. Triste fiquei!

Ela se foi! Deixou-me, com o meu saxofone mudo...

Belém - PA, 20 de janeiro de 2014.

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No documento Boulevard de Inverno (páginas 58-68)

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