As políticas contábeis descritas a seguir são decisivas. Consideramos que uma política contábil é decisiva quando é importante para a situação financeira e os resultados financeiros das nossas operações e exigem avaliações e estimativas substanciais por parte da diretoria. Para um resumo de todas as políticas contábeis pertinentes, ver Nota Explicativa 3 das demonstrações financeiras consolidadas.
Reservas minerais e vida útil das minas
Regularmente, avaliamos e atualizamos as estimativas das reservas minerais provadas e prováveis. As reservas minerais provadas e prováveis são determinadas a partir de técnicas de avaliação reconhecidas. Para calcular as reservas, precisamos adotar premissas sobre as condições futuras, que são altamente incertas, inclusive os preços futuros do minério, taxas de câmbio de moedas estrangeiras, taxas de inflação, tecnologias de mineração, disponibilidade de licenças e custos de produção. Alterações em todas ou algumas dessas premissas podem ter impacto substancial sobre as reservas.
Um dos métodos utilizados para realizar as estimativas de reserva é por meio da determinação das datas de fechamento das minas utilizadas no valor de mercado nas operações de baixas de ativos no caso dos custos ambientais e de recuperação do local e os períodos durante os quais amortizamos os ativos minerais. Qualquer tipo de mudança na estimativa da vida útil total da mina ou dos ativos pode ter impacto sobre os custos de depreciação, exaustão e amortização registrados nas demonstrações financeiras consolidadas, na rubrica custo dos bens vendidos. As mudanças na estimativa da vida útil das minas podem também afetar de maneira significativa as estimativas de custos ambientais e de recuperação do local, descritas mais detalhadamente a seguir.
Custos ambientais e de recuperação das áreas degradadas
Os gastos relacionados ao cumprimento das regulamentações ambientais são contabilizados nos lucros ou capitalizados. Os programas contínuos são destinados a minimizar o impacto ambiental das nossas atividades.
A SFAS 143, “Accounting for Asset Retirement Obligations” (Contabilidade das obrigações de desmobilização de ativos) requer o reconhecimento do passivo pelo valor justo das obrigações de desmobilização dos ativos no período em que elas ocorrerem, se for possível fazer uma estimativa razoável. Consideramos que as estimativas contábeis relacionadas aos custos de recuperação e fechamento das minas são estimativas contábeis cruciais porque:
• como a maior parte desses custos não será repetida durante alguns anos, é necessário fazer estimativas sobre um longo período;
• as leis de recuperação e fechamento, assim como os regulamentos, podem vir a ser modificados no futuro ou as circunstâncias que afetam as operações podem mudar, em ambos casos provocando importantes alterações nos planos atuais;
• o cálculo do justo valor das obrigações de desmobilização dos ativos, de acordo com a SFAS 143, requer que sejam atribuídas probabilidades para os fluxos de caixas projetados, que sejam adotadas premissas de longo prazo sobre a taxa de inflação, que seja determinada a taxa de juros livre de risco ajustada ao crédito e estabelecidos prêmios de risco de mercado apropriados às operações, e
• levando-se em conta o significado desses fatores na determinação dos custos ambientais e de recuperação de áreas degradadas, as mudanças em algumas ou todas essas estimativas podem exercer um impacto substancial sobre o lucro líquido. Em particular, considerando-se os longos períodos nos quais muitos desses custos são descontados do valor atual, as mudanças nas nossas premissas sobre a taxa de juros livre de riscos ajustada ao crédito podem ter um impacto significativo sobre o volume das nossas provisões. O nosso Departamento de Gestão Ambiental define as regras e procedimentos a serem usados para avaliar nossas obrigações de desmobilização de ativos. Os custos futuros com a desmobilização dos ativos de todas as minas e áreas exploradas são revistos anualmente, considerando o estágio atual da exaustão e da data projetada de exaustão de cada mina e área explorada. As estimativas de custos de desmobilização dos ativos são descontadas do valor atual, utilizando-se uma taxa de juros livres de risco ajustadas ao crédito. Em 31 de dezembro de 2007, as
estimativas de valor justo do total de nossas obrigações agregadas de desmobilização de ativos era de aproximadamente US$ 975 milhões.
Recuperabilidade de custos de ativos fixos e de vida útil indefinida
Efetuamos aquisições que incluem uma quantidade significativa de ativos de vida útil indefinida, assim como avaliações de justas de ativos intangíveis e tangíveis. Segundo os princípios contábeis geralmente aceitos, com exceção dos ativos de vida útil indefinida e dos ativos intangíveis, todos os ativos fixos, incluindo-se os ativos adquiridos, são amortizados ao longo de suas vidas úteis estimadas, sendo testados para que se determine se são recuperáveis nos lucros operacionais na base de um fluxo de caixa não descontado durante suas vidas úteis, sempre que eventos ou mudanças das circunstâncias indicarem que o valor implícito não pode ser recuperado. São vários os fatores que podem desencadear uma revisão da recuperabilidade:
• desempenho significativamente inferior aos dos resultados operacionais passados ou projetados de unidades ou entidades de negócios;
• mudanças substanciais na maneira como usamos os ativos adquiridos ou na estratégia geral de negócios; ou • tendências industriais ou econômicas significativamente desfavoráveis.
Quando, a partir da análise de um ou mais indicadores de recuperabilidade, verifica-se que o valor contábil dos ativos fixos e dos ativos intangíveis de vida útil definida pode não ser recuperável, avaliamos as perdas de recuperabilidade com base em um método de projeção de fluxo de caixa descontado, utilizando uma taxa de desconto determinada pela diretoria, a fim de se equiparar com o risco inerente do nosso modelo de negócios atual.
Desde 2002, paramos de amortizar o saldo dos ativos de vida útil indefinida existente em 31 de dezembro de 2001. Somos obrigados a atribuir, às unidades reportadas, os ativos de vida útil indefinida e a comparar, uma vez por ano, no mínimo, a recuperabilidade dos ativos de vida útil indefinida com a recuperabilidade e sempre que forem identificadas as circunstâncias que indicam que os ativos de vida útil indefinida podem não ser totalmente recuperadas. Fazemos os testes anuais de recuperabilidade em 30 de setembro. Na primeira etapa da verificação, comparamos o valor justo com o valor contábil, a fim de identificar possíveis perdas potenciais de recuperabilidade dos ativos de vida útil indefinida. Caso o valor contábil de uma unidade reportada ultrapassar o valor justo, é necessário dar início à segunda etapa do teste de recuperabilidade, para avaliar o valor, se houver, da perda da recuperabilidade dos ativos de vida útil indefinida da unidade. Os ativos de vida útil indefinida resultantes de uma combinação de negócios com o valor da participação não controladora deve ter a sua recuperabilidade testada a partir de uma abordagem coerente com a abordagem utilizada pela entidade, para avaliar a participação não controladora na data da aquisição. No caso dos investimentos de equivalência patrimonial, determinamos anualmente se existe um declínio, que não seja temporário, no valor justo do investimento.
Alocação do preço de compra
Em 3 de janeiro de 2007, adquirimos 100% da Vale Inco. Utilizamos o “método de compra” para contabilizar as transações da nossa combinação de negócios, o que pressupõe que possamos determinar o valor de mercado dos ativos e passivos identificáveis das empresas adquiridas separadamente, a fim de determinar a parte do ativo a ser reconhecida como ativo intangível. Após a aquisição do ativo, que inclui os direitos às reservas de minas de recursos naturais, a alocação dos valores desses ativos inclui a determinação de valores de mercado nas reservas compradas, classificadas no balanço patrimonial como propriedade, usina e equipamento.
Com relação à Vale Inco, as alocações preliminares dos preços de compra baseadas nos valores de mercado das aquisições dos ativos e passivos têm como referência as estimativas de avaliação interna da diretoria. Tais alocações serão finalizadas no segundo trimestre de 2007 com base em avaliações e outros estudos realizados por nós com a assistência de especialistas externos. As diferenças entre as alocações preliminares e as alocações finais são analisadas na Nota Explicativa 7 das demonstrações financeiras.
Derivativos e atividades de hedge
A SFAS 133, “Accounting for Derivative Financial Instruments and Hedging Activities” (Contabilidade para instrumentos financeiros derivativos e atividades de hedge), com alterações nas SFAS 137, SFAS 138 e SFAS 149, requer que sejam reconhecidos todos os instrumentos financeiros derivativos como ativos ou passivos em nosso
balanço patrimonial e tais instrumentos sejam avaliados por seu valor de mercado. As alterações no valor de mercado dos derivativos são registradas em cada período nos lucros correntes ou receita total (fora do lucro líquido), no segundo caso dependendo se a transação for designada como um hedge efetivo. Foram registrados no lucro líquido corrente os ajustes de mercado dos nossos derivativos, a não ser que tenham sido indicados como hedge de fluxo de caixa. Alguns instrumentos derivativos foram designados como hedges de fluxo de caixa, nos termos do SFAS 133, dos quais os ajustes de mercado correspondentes não realizados foram reconhecidos diretamente ao patrimônio líquido. Em 2007, registramos na demonstração do resultado um lucro não realizado de US$ 917 milhões, com relação aos ajustes de valor de mercado sobre os instrumentos derivativos e US$ 29 milhões para outra receita total com relação aos instrumentos derivativos indicados como hedges de fluxo de caixa.
Imposto de renda
Em conformidade com a SFAS 109, “Accounting for Income Taxes,” (Contabilidade para Imposto de Renda), reconhecemos os efeitos dos impostos deferidos de prejuízo fiscal com períodos-base anteriores e diferenças temporárias em nossos demonstrativos financeiros consolidados. Registramos uma provisão para avaliação de ativo quando acreditamos que é grande a probabilidade de que os ativos fiscais não sejam plenamente recuperáveis no futuro.
Quando preparamos os demonstrativos financeiros consolidados, estimamos os impostos com base em várias jurisdições onde realizamos negócios. Para tanto, é necessário estimar a nossa exposição fiscal real e atual e avaliar as diferenças temporárias resultantes de um tratamento divergente de certos itens para fins fiscais e contábeis. Tais diferenças resultam em ativos e passivos fiscais deferidos, indicados no balanço patrimonial consolidado. Em seguida, é necessário avaliar a probabilidade de recuperação dos ativos e passivos fiscais deferidos, a partir de futuros rendimentos tributáveis. Caso acreditemos que a recuperação não é provável, estabelecemos uma provisão para avaliação de ativo. Quando estabelecemos uma provisão para avaliação de ativo ou aumentamos a provisão para um período contábil específico, contabilizamos o custo fiscal nas demonstrações financeiras. Quando reduzimos a provisão para avaliação de ativo, registramos um benefício fiscal nas demonstrações financeiras.
Para determinar a provisão para imposto de renda, para os ativos e passivos fiscais deferidos e a provisão para avaliação de ativo a ser contabilizada em nossos ativos fiscais líquidos deferidos, é necessário fazer avaliações e previsões sobre questões altamente incertas. Para cada ativo de imposto de renda, avaliamos a probabilidade de uma parte do ativo, ou todo ele, não ser realizado. A provisão para avaliação de ativo feita em relação aos prejuízos fiscais acumulados diferidos depende da nossa avaliação da probabilidade de geração de futuros lucros tributáveis dentro da entidade legal na qual o ativo fiscal deferido relacionado é registrado, com base em nossos planos de produção e vendas, preços de venda, custos operacionais, planos de reestruturação do grupo para subsidiarias, custos de recuperação de áreas exploradas e custos de capital planejados.
A partir de 1º de janeiro de 2007, adotamos os dispositivos do FIN 48, “Accounting for Uncertainty in Income Taxes—an Interpretation of FASB Statement No. 109,” que indica a maneira de se contabilizar as posições incertas de imposto de renda, prescrevendo o limite mínimo de reconhecimento que uma posição fiscal deve atender, antes de ser apresentado nas demonstrações financeiras. O FIN 48 também orienta sobre como uma empresa deve reconhecer itens tributários já reconhecidos, medir, classificar juros e multas, contabilidade nos períodos intercalares e a divulgação das demonstrações financeiras. Com a implementação do FIN 48, a Vale reconhece os benefícios fiscais das posições incertas apenas se a posição fiscal puder sustentar em auditoria realizada pelas autoridades tributárias, a partir dos méritos técnicos da posição fiscal. O valor do benefício fiscal reconhecido nas demonstrações financeiras em tais posições são os maiores valores com uma possibilidade acima de 50% de ser realizado em última instância.
Devido ao porte da empresa e ao número de jurisdições fiscais dos locais onde conduzimos nossas operações globais, somos regularmente sujeitos a auditorias fiscais. Assim, temos reservas para contingências fiscais alocadas para possíveis obrigações fiscais no mundo todo. Acreditamos que nossas reservas para auditorias e avaliações são suficientes. A liquidação dessas auditorias ou a prescrição fiscal, em qualquer ano fiscal, pode resultar em um aumento ou diminuição das futuras posições tributárias.
Contingências
Os passivos contingentes são divulgados, exceto quando a possibilidade de prejuízos for considerada remota. É feita a divulgação dos ativos contingentes quando a entrada de benefícios econômicos for provável. As contingências são analisadas na Nota Explicativa 19 das demonstrações financeiras.
Registramos as contingências de acordo com a SFAS 5, “Accounting for Contingencies” (Contabilidade de contingências), que exige o registro de um prejuízo estimado de uma contingência de prejuízo, quando as informações disponíveis antes da emissão de nosso demonstrações financeiras indicarem que é provável que um evento futuro venha a confirmar a não recuperabilidade de um ativo ou a ocorrência de um passivo na data das demonstrações financeiras e quando o valor do prejuízo puder ser estimado. Mais particularmente, considerando-se a natureza incerta da legislação tributária brasileira, as avaliações de potenciais passivos fiscais exigem uma avaliação profunda por parte da diretoria. Devido à sua natureza, as contingências somente serão resolvidas quando um ou mais eventos futuros ocorrerem ou deixarem de ocorrer – e normalmente esses eventos ocorrerão dentro de alguns anos. Avaliar tais passivos, sobretudo no cenário incerto da legislação brasileira, implica o exercício de uma avaliação profunda por parte da diretoria sobre o resultado de eventos futuros.
A provisão para contingências em 31 de dezembro de 2007, totalizando US$ 2,453 bilhões, consiste de provisões de US$ 519 milhões, US$ 311 milhões, US$ 1,605 bilhão e US$ 18 milhões para litígios trabalhistas, cíveis, tributárias e outras, respectivamente.
Benefícios pós-aposentadoria dos Empregados
Patrocinamos um plano de aposentadoria de benefícios definidos para alguns dos nossos empregados aposentados. Registramos esses benefícios de acordo com a SFAS No. 132, “Employers’ Disclosure about Pension and Other Posretirement Benefits” (Divulgação sobre pensão e outros benefícios após aposentadoria) e SFAS No. 158, “Employees’ Accounting for Defined Benefit, Pension and Other Postretirement Plans” (Contabilidade para benefícios de pensão e aposentadoria e outros planos de aposentadoria).
A determinação do valor de nossas obrigações para benefícios de aposentadoria depende de certas premissas atuariais. Essas premissas estão descritas na Nota 18 de nossas demonstrações financeiras consolidadas e inclui, entre outros, a taxa de retorno esperada no longo prazo sobre os ativos do plano e aumentos salariais. De acordo com o U.S. GAAP, os resultados atuais que forem diferentes das premissas e que não sejam um componente dos custos do benefício líquido do ano, são registrados em outras receitas totais (perdas).