A Vale e suas subsidiárias são rés em várias ações judiciais no curso normal dos negócios, entre outras, causas civis, administrativas, fiscais e trabalhistas. Ver Nota Explicativa 19 das demonstrações financeiras consolidadas. Processos junto ao CADE
O Conselho de Administração de Defesa Econômica (CADE), autoridade antitruste brasileira, realiza auditorias pós-operações de praticamente todas as nossas aquisições e joint ventures. Atualmente, estamos em litígio relativo a uma dessas auditorias, como indicado abaixo. Em dois processos distintos, o CADE alega que houve concorrência desleal por parte da Vale, nas atividades de logística. Se o CADE vier a decidir que houve concorrência desleal, poderá exigir que tal concorrência seja suspensa e/ou determinar o pagamento de multas.
Em agosto de 2005, o CADE emitiu parecer após auditoria pós-transação relativa às aquisições da Mineração Socoimex S.A., S.A. Mineração Trindade-Samitri, Ferteco Mineração S.A., Belém-Administrações e Participações Ltda. e CAEMI Mineração e Metalurgia S.A., além de anular a participação cruzada com a Companhia Siderúrgica Nacional. O CADE aprovou as operações, sob reserva de renúncia dos nossos direitos de voto e de veto, com relação à participação da Empresa na MRS Logística S.A. (feito pela Vale em 2006) e, ou bem (i) vender todos os
ativos adquiridos por meio da aquisição da Ferteco Mineração S.A. em 2001, ou bem (ii) renunciar totalmente aos direitos de preferência, na mina de minério de ferro Casa de Pedra.
Recorremos, e obtivemos liminar permitindo adiar o cumprimento da decisão, até a sentença do recurso. A Justiça Federal de Brasília proferiu sentença contrária em fevereiro de 2006 e o Tribunal Regional Federal confirmou a sentença em março de 2007. Os recursos subseqüentes ao Superior Tribunal de Justiça, ou STJ, e ao Supremo Tribunal Federal foram indeferidos, mas interpomos um recurso junto ao STF. O pedido de liminar contra a decisão do CADE permanece em vigor até o trânsito em julgado de todos os nossos recursos
Após o indeferimento da Justiça Federal de Brasília, em fevereiro de 2006, entramos com pedido de ação declaratória junto ao Tribunal, requerendo as seguintes declarações: (i) que é necessária uma dilatação de prazo, para possibilitar auditoria dos ativos da Ferteco e da Casa de Pedra, a fim de cumprir com a decisão do CADE relativa à Casa de Pedra, (ii) que os direitos de preferência relativos à Casa de Pedra têm valor econômico e (iii) que temos direito à indenização antes de renunciar aos direitos de preferência. A Justiça Federal de Brasília indeferiu o pedido em agosto de 2007, no que diz respeito ao nosso pedido de liminar, e nosso recurso contra essa decisão ainda encontra-se pendente de julgamento, assim como a decisão do mérito do caso.
Em janeiro de 2008, o CADE emitiu uma multa no valor de US$ 23 milhões, referente a 631 dias de descumprimento da sentença, desconsiderando a validade do pedido de liminar que nos foi deferido. Impetramos ação junto à Justiça Federal de Brasília, para anular a multa e aguardamos decisão. Enquanto isso, o Tribunal permitiu a consignação de garantia bancária, para substituir o depósito do valor da multa, antes da resolução do recurso.
Processos relativos à privatização
Estão pendentes inúmeros processos judiciais contestando a legalidade do preço mínimo do leilão, fixado na privatização de 1997, inclusive várias ações coletivas. Os tribunais de primeira instância proferiram sentença favorável nessas ações e os demandantes recorreram. Em algumas das ações, obtivemos sentença favorável, no recurso às instâncias superiores. Em outras ações, nas quais os demandantes questionaram o preço pago pelo bloco controlador da Vale e outros aspectos da privatização, as decisões proferidas nas instâncias inferiores foram revogadas (em 2005) pelas instâncias superiores, sendo determinado que os processos fossem reapresentados à instância inferior, a fim de prosseguir com a fase de publicação compulsória, segundo os procedimentos jurídicos brasileiros, no que tange as bases para estabelecimento de um preço mínimo no programa de privatização. Juntamente, entramos com recurso contra tal decisão junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e estamos aguardando a publicação da decisão. Não acreditamos que, separadamente ou no total, tais ações venham a afetar desfavoravelmente o resultado do processo de privatização ou a produzir efeito prejudicial relevante para a Vale. Processo Praia Mole
Somos réus em uma ação civil pública visando anular o convênio de concessão, nos termos do qual a Vale e outros réus operam o terminal marítimo de Praia Mole, no Estado do Espírito Santo. Houve pronunciamento em nosso favor, em novembro de 2007, mas o autor interpôs um recurso junto ao Tribunal Regional Federal em abril de 2008, que ainda encontra-se pendente de julgamento.
Processos de Itabira
Somos réus em dois processos diferentes ajuizados pelo município de Itabira, no Estado de Minas Gerais. Em uma dessas ações, ajuizada em 1996, o município de Itabira alega que as operações de minério de ferro na região provocaram danos ambientais e sociais e reivindicam perdas e danos com relação à degradação ambiental da área de uma das minas, assim como a imediata restauração do complexo ecológico afetado, além da implantação de programas ambientais compensatórios na região. A indenização reclamada, ajustada na data do pedido, totaliza aproximadamente US$ 1,032 bilhão. Acreditamos que não haja mérito no pedido. No segundo processo, o município de Itabira reivindica reembolso pelas despesas relacionadas aos serviços públicos prestados, em conseqüência das atividades de mineração. A indenização reclamada, ajustada na data do pedido, totaliza aproximadamente US$ 1,196 bilhão. Acreditamos que não haja mérito nos pedidos.
Processos relativos a CFEM
Somos réus em uma série de processos administrativos e um processo judicial iniciados pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), agência do Ministério de Minas e Energia. O mais importante desses processos foi iniciado em março de 2006, sob alegação de que não houve pagamento do valor integral da CFEM, decorrente das receitas geradas por nossas atividades de exploração de minério de ferro e manganês. (Para mais detalhes sobre o CFEM, ver Item 4. Informações sobre a Empresa —Assuntos regulatórios — Regulamentação de
mineração.) Acreditamos que as alegações do DNPM carecem de mérito. O valor total reclamado no processo
administrativo e no processo judicial é de aproximadamente US$ 1,411 bilhão.
Somos réus em um processo judicial movido em 2002 pelo município de Mariana, sob alegação de que devemos royalties (“CFEM”) nas atividades de pelotização. Não acreditamos que as atividades de pelotização estão sujeitas ao CFEM. Para mais informações sobre o CFEM, ver Item 4. Assuntos regulatórios — Regulamentação de
mineração.
Também estamos em litígio com o DNPM sobre a taxa CFEM aplicável de potássio. A legislação brasileira estabelece a taxa de 2% para fertilizantes. Como o potássio produzido pela Vale é utilizado como fertilizante, acreditamos que a taxa aplicável deveria ser de 2%. O DNPM acredita que uso final do potássio é irrelevante na determinação da taxa aplicável e que a taxa aplicável de 3%, aplicada para produtos derivados de potássio, é correta. Para mais informações sobre o CFEM, ver Item 4. Informações sobre a Empresa —Assuntos regulatórios —
Regulamentação de mineração.
Litígios na área tributária
Estamos envolvidos em litígio relativo a aspectos de recentes regulamentos fiscais, que exigem que os lucros das subsidiárias estrangeiras sejam incluídos no cálculo dos impostos a serem pagos no Brasil. Obtivemos uma liminar em fevereiro de 2003, interrompendo a obrigação de pagar os valores em questão. A liminar continua em vigor, graças a um recurso pendente impetrado junto ao Tribunal Regional Federal, em setembro de 2005, contestando decisão contrária do STJ em julho de 2005. Enquanto isso, as autoridades fiscais interpuseram um novo processo administrativo para reforçar a aplicação do regulamento fiscal.
Litígios da Valesul
A partir de uma decisão da agência reguladora da ANEEL, a LIGHT – Serviços de Eletricidade S.A., companhia de eletricidade do Rio de Janeiro, foi autorizada a cobrar de alguns consumidores de grande porte no Rio de Janeiro - entre eles a subsidiária Valesul - algumas tarifas adicionais incluídas na tarifa de utilização das linhas de distribuição. A Valesul contestou a legalidade dessa cobrança em janeiro de 2004, obtendo sentença favorável em junho do mesmo ano. A decisão foi revista, após recurso, em setembro de 2004, e a Valesul foi obrigada a retomar os pagamentos, até que a decisão do Superior Tribunal de Justiça seja proferida.
DISTRIBUIÇÃO
Em conformidade com a política de dividendos da Empresa, a diretoria propõe ao Conselho de Administração, até o dia 31 de janeiro de cada ano, um valor mínimo por ação, expresso em dólares norte-americanos a ser distribuído naquele ano aos acionistas. A distribuição pode ser classificada, por questões tributárias, como dividendos ou juros sobre capital próprio, e referências à “dividendos” devem ser compreendidas como toda a distribuição, não obstante sua classificação tributária, a menos que indicado de outra maneira. Determinamos o pagamento de dividendos em dólares norte-americanos, a partir da análise de geração de fluxo de caixa esperado da Empresa, no ano da distribuição. A proposta determina duas parcelas a serem pagas nos meses de abril e outubro de cada ano. Ela é apresentada ao Conselho de Administração nas reuniões organizadas nos meses de abril e outubro. Após aprovação, os dividendos são pagos em reais e convertidos em dólares norte-americanos pela taxa cambial em vigor no último dia útil antes das reuniões do Conselho, nos meses de abril e outubro.
A diretoria também pode propor ao Conselho de Administração, dependendo da evolução do desempenho do fluxo de caixa, outro pagamento aos acionistas de um valor por ação, além do dividendo mínimo inicialmente estabelecido. Em 2008, a Diretoria propôs ao Conselho de Administração o pagamento do mínimo de dividendos da ordem de US$ 2.500 milhões. Em geral, temos pago os mesmos valores, tanto sobre as ações ordinárias como sobre
as ações preferenciais da classe A, conforme nosso Estatuto Social. A primeira parcela destes dividendos, representando US$ 1,250 bilhões, foi paga em 30 de abril de 2008.
De acordo com a legislação em vigor no Brasil e o estatuto da Empresa, a distribuição é fixada em, no mínimo, 25% do valor a ser distribuído por ano, devendo tal distribuição, denominada dividendos obrigatórios, ser feita, a menos que o Conselho de Administração informe aos acionistas durante a Assembléia Geral dos acionistas que a distribuição é desaconselhável em vista da situação financeira da companhia. Ver Item 10. Informações Adicionais, para uma explanação sobre provisão para distribuição de dividendos, em conformidade com a Legislação Societária Brasileira e o nosso estatuto.
Distribuições classificadas, por questões tributárias, como dividendos pagas aos detentores de ADRs e aos titulares de ações ordinárias e preferenciais classe A não-residentes não estão sujeitos à retenção de imposto na fonte, a não ser a distribuição seja feita com base nos lucros gerados antes de 31 de dezembro de 1995. Tais distribuições estarão sujeitas à retenção na fonte, a taxas variáveis. As distribuições classificadas, por questões tributárias, como juros sobre capital próprio pagas aos detentores de ADRs e aos titulares de ações ordinárias e preferenciais classe A não-residentes estão sujeita à retenção na fonte no Brasil. Ver Item 10. Informações
adicionais – Tributação – Considerações sobre a legislação fiscal no Brasil.
De acordo com a legislação em vigor, a Assembléia Geral dos acionistas deverá reunir-se ordinariamente uma vez por ano, até o dia 31 de abril, durante a qual é necessário declarar o valor dos dividendos anuais. Além disso, o Conselho de Administração pode declarar os dividendos provisórios. Nos termos da Legislação Societária Brasileira, os dividendos devem, em geral, ser pagos ao detentor registrado em até 60 dias após a data em que o dividendo foi informado, salvo se, por deliberação, os acionistas decidirem fixar outra data para o pagamento, que não deverá ser posterior ao encerramento do exercício fiscal em que os dividendos foram declarados. Os acionistas têm um prazo de três anos, a partir da data de pagamento do dividendo, para reivindicar os dividendos (ou o pagamento de juros sobre capital próprio) relativos às suas ações, após o qual cessa a nossa obrigação com relação a tais pagamentos. De 1997 a 2003, todas as distribuições foram feitas sob a forma de juros sobre capital próprio. A partir de 2004, parte da distribuição foi feita sob a forma de juros sobre capital próprio e parte sob a forma de dividendos. Ver Item 10.
Informações Adicionais—Ações Ordinárias e Preferenciais—Pagamentos sobre o patrimônio líquido.
A distribuição em moeda corrente aos titulares de ações ordinárias e preferenciais classe A subjacentes às ADS é feita ao custodiante em nome do depositário. Em seguida, o custodiante converte os valores em dólares norte- americanos e os transfere aos titulares das ADRs. Para obter mais informações sobre a legislação brasileira relativa à distribuição de dividendos, ver Item 10. Informações Adicionais—Tributação—Considerações sobre a Legislação
A tabela a seguir apresenta as distribuições em moeda corrente feitas aos titulares de ações ordinárias e preferenciais classe A nos períodos indicados. Os valores não foram ajustados para dar efeito aos desmembramentos de ações realizados nos períodos subseqüentes. A conversão dos dólares americanos foi calculada à taxa de venda comercial em vigor no dia do pagamento. Os valores são expressos antes da retenção do imposto na fonte.
Ano Data de pagamento Reais por ação na data de pagamento Dólares US por ação na data de pagamento 2002 30 de abril ... 0,19 0,08 10 de dezembro... 0,22 0,06 2003 30 de abril ... 0,14 0,05 31 de outubro ... 0,29 0,10 2004 30 de abril ... 0,17 0,06 29 de outubro (1) (2)... 0,32 0,11 2005 29 de abril ... 0,28 0,11 31 de outubro (3) ... 0,39 0,18 2006 28 de abril (4) (5)... 0,29 0,14 31 de outubro (6) ... 0,29 0,14 2007 30 de abril (7) ... 0,35 0,17 31 de outubro (8) (9)... 0,39 0,22 2008 30 de abril (10) ... 0,44 0,26 (1) R$ 0,26 por ação, classificados por questões tributárias, como juros sob capital próprio e R$ 0,06 por ação, classificados como dividendos. (2) Em agosto de 2004, ocorreu desmembramento de ações na base de 3 por 1.
(3) R$ 0,17 por ação, classificados por questões tributárias, como juros sob capital próprio e R$ 0,22 por ação, classificados como dividendos. (4) Em maio de 2006, ocorreu desmembramento de ações na base de 2 por 1.
(5) R$ 0,17 por ação, classificados por questões tributárias, como juros sob capital próprio e R$ 0,12 por ação, classificados como dividendos. (6) R$ 0,28 por ação, classificados por questões tributárias, como juros sob capital próprio e R$ 0,01 por ação, classificados como dividendos. (7) R$ 0,13 por ação, classificados por questões tributárias, como juros sob capital próprio e R$ 0,22 por ação, classificados como dividendos. (8) Em setembro de 2007, ocorreu desmembramento de ações na base de 2 por 1.
(9) R$ 0,38 por ação, classificados por questões tributárias, como juros sob capital próprio e R$ 0,01 por ação, classificados como dividendos. (10) R$ 0,24 por ação, classificados por questões tributárias, como juros sob capital próprio e R$ 0,20 por ação, classificados como dividendos.