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3. A DEFESA DO MEIO AMBIENTE E SUAS DIMENSÕES ECONÔMICA E SOCIAL

3.5. Políticas públicas e desenvolvimento sustentável

A presença de uma ‘ordem econômica’ na Constituição e de um conjunto de normas que a compreendem, marca uma expressiva “transformação que afeta o direito, operada no momento em que deixa de meramente prestar-se à harmonização de conflitos e à legitimação do poder, passando a funcionar como instrumento de implementação de políticas públicas (no que, de resto, opera-se o reforço da função de legitimação do poder)” (GRAU, 2000a, p. 13).

A expressão ‘políticas públicas’ designa toda a atuação do Estado, cobrindo todas as formas de intervenção do poder público na vida social. E de tal forma isso se institucionaliza que o próprio direito, neste quadro, passa a manifestar-se como uma política pública – o direito é também, ele próprio, uma política pública (GRAU, 2000b, p. 22).

Krämer (1999, p. 79) conceitua política como “um conjunto harmônico e coerente de medidas, agrupadas por uma orientação geral e com vistas a alcançar determinados objetivos”.35 Reconhece, ainda, que é um termo bastante vago e dotado de grande discricionariedade.

Política pública pode ser entendida como um programa de ação. É uma atividade que engloba um conjunto de normas e atos tendentes a consecussão de um dado objetivo. Condutas são perseguidas com vistas a uma finalidade coletiva.

Já Comparato (1997, p. 16) ressalta que toda política estatal tem se orientado no sentido de atingir o chamado ‘quadrilátero mágico’, ou seja, estabilidade monetária, equilíbrio cambial, crescimento constante da produção nacional e pleno emprego.

A justificativa da política pública deve ser coletiva e, não valorizar interesses individuais ou interesses de grupos econômicos. Além disso, as políticas públicas (incluindo os seus idealizadores) deveriam levar em consideração os efeitos extra-locais das decisões por elas emanadas. Assim como, os efeitos a longo prazo e, não apenas os efeitos de um futuro imediato.

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O autor esclarece, ainda, que o conceito de política foi introduzido no seio da Comunidade Européia pelo Tratado de Maastricht em 1993, antes disso fala-se, apenas, em “ações relativas ao meio ambiente” (1999, p. 79).

O desempenho de um desenvolvimento sustentável está fortemente influenciado pelas políticas públicas ditadas pelo Estado através, por exemplo, da distribuição dos direitos de propriedade, do sistema de impostos e da política monetária, de crédito e bancária.36

É imprescindível a atuação do Estado na formulação de políticas públicas de desenvolvimento, cabendo-lhe definir diretrizes capazes de assegurar uma relação de mercado sustentável. As políticas sustentáveis devem ser orientadas para a superação de desigualdades, portanto, deve haver uma coordenação entre as políticas econômica, social e ecológica. Para essa consecução deve-se investir em ações prioritárias já que se vive num contexto no qual os recursos são limitados.

No nível macroeconômico, as políticas de desenvolvimento sustentável podem ser abordadas como uma tentativa de se restabelecer a harmonia perdida entre desenvolvimento e meio ambiente, onde o Estado se torna responsável pela implantação de um conjunto coerente de medidas capazes de orientar e articular as iniciativas que emergem no nível local e que sustentam um padrão aceitável de endogeneidade (VIEIRA, 1995, p. 60).

É preciso encontrar um nível intermediário entre os níveis macro e microeconômicos para resolver os grandes problemas do desenvolvimento, como o sistema de regulação da economia e a vinculação da teoria com a prática, dentro do ideário de sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Daly (1997, p. 183-92) apresenta quatro políticas para o desenvolvimento sustentável, que, em princípio, podem ser aplicadas a qualquer país, são elas, apresentadas em ordem crescente de radicalismo: 1) parar de contar o consumo do capital natural como renda; 2) tributar menos a renda e taxar mais o uso de recursos naturais na produção; 3) maximizar a produtividade do capital natural no curto e investir no crescimento de sua oferta no longo prazo e 4) sair da ideologia da integração econômica global do livre comércio, do livre movimento de capitais e do crescimento promovido por exportações – e para uma orientação mais nacionalista que busque desenvolver a produção doméstica para mercados internos como

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Comparato (1997, p. 16) esclarece que “o juízo de validade de uma política - seja ela empresarial ou governamental – não se confunde nunca com o juízo de validade das normas e dos atos que a compõem. Uma lei editada no quadro de determinada política pública, por exemplo, pode ser inconstitucional, sem que esta última o seja. Inversamente, determinada política governamental, em razão da finalidade por ela perseguida, pode ser julgada incompatível com os objetivos constitucionais que vinculam a ação do Estado, sem que nenhuma das normas que a regem, sejam, em si mesmos, inconstitucionais”.

primeira opção, recorrendo ao comércio internacional apenas quando claramente muito mais eficiente.

Mas quais são as principais dificuldades de implementação de políticas públicas ambientais no Brasil? Pode-se enumerar uma série delas, tais como, a falta de consciência e educação ambiental; a insuficiência de recursos financeiros e/ou humanos capacitados; a desarticulação de órgãos; a ausência ou carência de dados atualizados sobre o meio ambiente; o obsolutismo do sistema jurídico; a pouca credibilidade dos órgãos ambientais e do poder judiciário; o formalismo exagerado do sistema sancionatório, pois, o infrator muitas vezes, prefere pagar as multas e obter o benefício da atividade econômica.

Dentre outros impasses, a demanda efetiva para a implementação de uma política deve ser considerada. Há causas econômicas que influem na não implementação, revelada pela falta de interesse dos agentes econômicos.

A participação de diversos atores sociais deve ser fortalecida, estimulando-se a parceria entre Estado e sociedade para a formulação, a implementação e o controle de políticas públicas. A participação popular, muitas vezes, é deficiente pela dificuldade de canais de comunicação entre a comunidade e a administração pública.

É robusto o arcabouço teórico para a formulação de políticas públicas que promovam o desenvolvimento sustentável. Pela interpretação desse conceito, bem como pelos instrumentos presentes nos tratados internacionais ratificados, no próprio texto constitucional e no ordenamento infraconstitucional, encontra-se a base jurídica para subsidiar a consecução de políticas públicas sustentáveis. A implementação de políticas públicas deve ocorrer de modo integrado com todas as dimensões que o desenvolvimento sustentável abrange.