AGENTE CENTRAL con.
2.4. Política Pública
2.4.5. Políticas públicas e programas estaduais para o setor agrícola
O Governo do Estado do Rio de Janeiro evidencia que os seus atos, com relação à agricultura, estão em consonância com os dispositivos estabelecidos na legislação vigente - em particular com a Constituição Federal e legislação em vigor no país (Anexo 1). (ALERJ, 2013). As principais legislações para a agricultura do estado do Rio de Janeiro, de interesse para os estudos abordados nesta tese, estão indicadas no apêndice C.
O governo, através da Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária (SEAPEC), busca o desenvolvimento da agricultura familiar e de todo o agronegócio através da pesquisa, prestação de serviço e elaboração de políticas públicas para o setor, com ênfase na geração de oportunidades de trabalho e renda para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento do interior do estado do Rio de Janeiro (SEAPEC, 2013).
A secretaria possui diversos programas para o estado, como o Cultivar Orgânico, Crédito Fundiário, Estradas da Produção, Eletrificação Total, Florescer, Frutificar, Jovem frutificando, Multiplicar, Prosperar, Rio Agro Energia, Rio Café, Rio Carne, Rio Genética, Rio Horti, Rio Leite, Rio Mel, Rio Rural, Sanidade Rio, Programa Estadual de Recuperação da Economia do Meio Rural Fluminense, todos devidamente identificados conforme a listagem apresentada no apêndice D.
A orientação do Governo do Estado do Rio de Janeiro para agricultura se fortalece com a Lei nº 6179, de 9 de março de 2012, que em seu artigo 1º "cria o Programa Estadual de Recuperação da Economia do Meio Rural Fluminense, visando o fortalecimento da Agricultura Familiar e atividades afins."
Em seu artigo 2º estabelece os objetivos do programa:
a) Identificar as principais causas do êxodo rural no território fluminense.
b) Identificar as regiões do estado onde haja maior incidência de redução da atividade econômica rural e maiores níveis de empobrecimento do homem do campo.
c) Promover ações conjuntas de governo que objetivem incentivar a fixação do homem no campo.
d) Promover ações que possibilitem a diversificação das atividades econômicas rurais.
e) Estabelecer parcerias entre os diversos níveis de governo, através da elaboração de convênios, onde haja disponibilização de patrulhas mecanizadas. f) Estabelecer ações facilitadoras de acesso a aquisição de insumos, mudas e demais recursos tecnológicos.
g) Promover a valorização do trabalhador rural através da capacitação técnica nos diversos ramos de atividade econômica rural.
h) Restaurar ecossistemas de água doce, possibilitando a implantação de projetos de aquicultura como alternativa de desenvolvimento econômico-rural da região.
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i) Propiciar a inclusão das áreas rurais ao serviço de telefonia fixa e móvel celular, expandindo o atendimento a todas as regiões.
Para o caso específico desta tese, destaca-se o Programa Frutificar, mas as práticas relacionada ao Programa Rio Rural entram em sintonia com o Programa Frutificar, pois trabalha com os agricultores estimulando a adoção de práticas sustentáveis e com transferências de técnicas produtivas que sejam mais eficientes e ambientalmente adequadas. Em contrapartida, propõe a melhoria da qualidade de vida no campo, harmonizando a conservação dos recursos naturais com o aumento da renda do produtor rural, sendo executado pela Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária do Estado do Rio de Janeiro (SEAPEC) através da Superintendência de Desenvolvimento Sustentável (SDS), com financiamento do Banco Mundial (RIO RURAL, 2013).
O programa vem promovendo a participação comunitária nas políticas públicas e na gestão de recursos naturais, incentivando e catalisando a adesão do produtor às práticas sustentáveis. Podem ser identificados como beneficiários do programa 300 mil habitantes de 470 microbacias e, de forma indireta, os residentes nos centros urbanos e na região metropolitana do Rio de Janeiro, através do aumento da oferta de alimentos e água, pela proteção à biodiversidade.
Os principais benefícios do programa são:
Desenvolvimento da cidadania; Melhoria de suas condições de vida; Recuperação ambiental;
Aumento de renda;
Melhoria da infraestrutura; Maior inserção no mercado e,
Criação de uma nova perspectiva de vida para suas famílias e para as futuras
gerações. (RIO RURAL, 2013)
Esta metodologia de microbacias se encontra em estudo e implantação no país há cerca de 20 anos, com melhorias constantes de forma a promover a integração comunitária local na autogestão comunitária dos recursos naturais, evidenciando que o homem depende do ambiente para sobreviver (RIO RURAL, 2013).
Um dos fatores motivadores para a utilização da microbacia como unidade de planejamento e intervenção é a dificuldade de planejar em bacias hidrográficas, com toda a sua complexidade e inúmeras variáveis socioeconômicas e ambientais. Assim, nasceram os programas de microbacias, preocupados em solucionar a crescente degradação dos solos e a má conservação dos rios, principais fontes de insumos no meio rural (RIO RURAL, 2013).
O programa trabalha com transparência nas decisões, onde a comunidade tem acesso às informações e são estimuladas a se organizarem de forma profissional através do associativismo e cooperativismo, o que pode vir a ser transformado em aglomerações produtivas eficientes.
A participação cidadã e o incentivo a melhoria de vida traz ao agricultor uma nova perspectiva de vida, proporcionando oportunidades de formarem lideranças em seus grupos de interesse, para compor os Comitês Gestores de Microbacias, COGEM, que são as entidades encarregadas de liderar as ações de desenvolvimento rural sustentável.
Os membros do comitê realizam um levantamento das principais demandas e potenciais da microbacia, junto aos atores locais, através do diagnóstico rural participativo (DRP). A partir deste primeiro documento, é construído o plano executivo da microbacia PEM, que contém as ações que serão realizadas (RIO RURAL, 2013).
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O fluxo da metodologia de microbacias está apresentado na figura 6, disposta a seguir.
Figura 6. Fluxo de metodologia de Microbacias Fonte: Rio Rural (2013).
O Programa Frutificar possui uma competência direcionada para o aumento da produção e da produtividade de frutas no estado do Rio de Janeiro, através de linha de crédito específica para financiamento de projetos de fruticultura irrigada (SEAPEC, 2013). Ao proporcionar o financiamento para investimento e custeio de lavouras de fruticultura irrigada, com recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social (FUNDES) financiado através do Banco do Brasil (SEAPEC, 2013), o programa dispõe também de uma rede de técnicos para pesquisa e orientação, realizada por técnicos do quadro da secretaria, da EMATER-Rio e de prefeituras municipais conveniadas. Como particularidade fundamental, o programa apresenta a pesquisa e o suporte para a identificação e estudo de problemas relativos à nutrição de plantas, irrigação e fitossanidade das lavouras.
Com uma capacidade de pesquisa que leva aos produtores informações a respeito de possíveis causas e os meios de controle agronomicamente viáveis, por meio diagnóstico de laboratório, das empresas de pesquisa e universidades oficiais, o produtor recebe informações, através de visitas, cursos e literatura, e é orientado a conduzir suas atividades produtivas respeitando as legislações e normas ambientais vigentes (SEAPEC, 2013).
O programa incentiva ainda a agricultura irrigada e orienta os produtores que produzem em áreas próximas, que são exploradas com as mesmas fruteiras, a implantação de condomínio de irrigante, levando em conta a viabilidade e a concordância dos envolvidos. Este condomínio tem como objetivo minimizar os custos operacionais dos projetos de irrigação, através da utilização comum dos equipamentos envolvidos, redes, motobomba, casa de bomba, filtros, painel elétrico, sistema de captação e de condução de água, dentre outros (SEAPEC, 2013).
O Governo do Estado regulamentou a Lei nº 4.177, que isenta todos os produtos agrícolas da tributação do Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS), e estimula os agricultores a se organizarem em grupos de produtores, associações e ou cooperativas, de maneira que estas entidades possam atuar como responsáveis pela negociação e comercialização da produção com atacadistas e intermediários, compra em comum de insumos, equipamentos, capacitação, dentre outras, que neste estudo em questão seria a formação de arranjos produtivos locais, denominados APLs (SEAPEC, 2013).
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A Lei nº 4.177 estabelece em seu artigo. 1º: "fica criado o regime especial de benefícios fiscais ao setor de Agronegócio e da Agricultura Familiar Fluminense, a vigir nas condições especificadas nesta Lei".
O seu artigo 2º estabelece:
§ 4º - Os benefícios previstos nesta lei também se aplicam: I – na aquisição de sementes por seus beneficiários;
II – na contratação de assistência técnica e extensão rural a ser prestada por entidade oficial ou privada;
III – no incentivo a criação de cooperativas para ajudar a comercialização e o escoamento da produção.
Para a participação no Programa Frutificar é necessário que o postulante seja um produtor rural, pessoa física ou jurídica, em suas diversas formas de organização, e que exerçam suas atividades nos municípios do estado do Rio de Janeiro, ressalvadas as condições exigidas pelo programa (SEAPEC, 2013).
Outro requisito é a comprovação de que suas propriedades possuam solos com aptidão agrícola para implantação da fruticultura, disponibilidade de água de qualidade e em quantidade suficiente para desenvolvimento do projeto de irrigação. Também participam do programa os produtores de mudas frutícolas, fiscalizadas ou certificadas das variedades e cultivares estabelecidos pelo programa, devidamente legalizados junto aos órgãos oficiais, que se comprometam a direcionar pelo menos 50% da produção para atendimento aos produtores contemplados no programa (SEAPEC, 2013).
A concessão de crédito a arrendatário, comodatário, usufrutuário, parceiro, dentre outros, fica condicionada à apresentação de documentação que comprovem a relação contratual entre o proprietário da terra e o beneficiário do crédito, registrada em cartório.
Serão concedidos créditos para formação de lavouras, com custo estimado pelo programa na solicitação, a pretendentes que comprovem a ocupação mansa e pacífica do imóvel rural há mais de 5 (cinco) anos ininterruptos.
Segundo a SEAPEC, (2013) para concessão de financiamento são necessárias:
a) "Declaração do pretendente", atestada pela EMATER-RIO e pela Secretaria Municipal de Agricultura, contendo descrição detalhada do imóvel, com sua exata localização, seus confrontantes e o período de ocupação.
b) Confirmação da posse, por pelo menos dois produtores confrontantes ou pelo Sindicato dos Produtores Rurais, ou ainda pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, mediante aposição, nos documentos fornecidos, das respectivas assinaturas com firmas reconhecidas e identificação dos responsáveis.
Nos empreendimentos organizados de forma coletiva, os financiamentos
poderão ser contratados pelos participantes, desde que, individualmente, o beneficiário satisfaça os pré-requisitos exigidos e se disponham a responder solidariamente pelo cumprimento das obrigações.
A solidariedade nos contratos poderá ser afastada, quando comprovado o
interesse do Estado na resolução de conflitos, e desde que o co-obrigado beneficiado pelo afastamento assuma a responsabilidade pelo pagamento de seu quinhão correspondente.
Quando o beneficiário for pessoa jurídica, deverá comprovar a quitação das
suas obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais. Caso as restrições cadastrais referidas recaiam sobre pessoas jurídicas, também estarão impedidos de operar na forma do FRUTIFICAR os seus respectivos sócio-quotistas.
75 Não poderão ser aceitas no Programa propostas de financiamento de
proponentes que apresentem restrições cadastrais [...]
Não serão aprovadas propostas de financiamento de proponentes que não
demonstrarem capacidade técnica, financeira e gerencial, necessárias ao desenvolvimento dos projetos, a critério do Grupo Executivo.
Cadastro - Esta proposta deve ser impressa e encaminhada ao Núcleo
Executivo da Regional de Campos dos Goytacazes.
A secretaria também possui o Projeto Jovens Frutificando no Interior, que oferece acesso à moradia e condições diferenciadas na linha de crédito do Programa Frutificar, como atrativos para que jovens agricultores, de 18 a 24 anos, possam plantar e permanecer no interior do estado. Adota as mesmas regras do Programa Frutificar com relação ao crédito, comercialização, orientação técnica, e demais elementos, permitindo um acréscimo de 30% no valor do limite de crédito, destinado à construção de sua moradia (SEAPEC, 2013).
Para efetivar o implemento de políticas públicas, o fomento da agricultura familiar e do agronegócio no estado, foi criada a Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária do Estado do Rio de Janeiro (SEAPEC).
A SEAPEC (2013) tem como atribuições:
implementar políticas públicas voltadas à agricultura familiar e a todo o agronegócio, cumprindo uma agenda social com ênfase na geração de oportunidades de trabalho e renda para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento do interior do Estado do Rio de Janeiro.
A Secretaria do Estado do Rio de Janeiro possui parceria com diversas entidades para cumprir a sua missão, conforme indicadas no apêndice E.