A nova realidade administrativa mundial tem fornecido estudos sobre modelos de gestão, que podem ser definidos, segundo Malmegrim (2010, p.73):
como o conjunto de princípios, normas, valores e sistemas; estruturas, processos e recursos, que explicam como a organização é entendida, como é dividida e como os trabalhos são alocados e coordenados para o alcance dos objetivos estabelecidos.
As empresas, organizações, instituições públicas ou privadas possuem as mais diversas finalidades e envolvem diversos tipos de atores e recursos. Em todos os casos, percebem-se elementos comuns e que podem ser mapeados, identificados e aglutinados na busca de
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solucionar os desafios de se estabelecer modelos gerenciais capazes de viabilizar os objetivos pretendidos.
Os modelos de gestão possuem uma estrutura organizacional que estabelecem o conjunto das funções e das relações que determinam formalmente as missões que cada unidade organizacional deve executar, e os modos de colaboração entre essas unidades. A estrutura organizacional é o conjunto de relações formais entre os grupos e os indivíduos que constituem a organização. Ela define as funções de cada unidade da organização e os modos de colaboração entre diversas unidades, e é normalmente representada num diagrama chamado organograma (GIL, 2009, p.3).
As empresas e organizações públicas ou privadas possuem uma macroestrutura que pode ser definida com base nas orientações estratégicas previamente feitas e também nos recursos que se tem disponível, divididas em macroestruturas básicas e avançadas. As macroestruturas básicas são menos elaboradas e requerem recursos que não sofrem diferenciação. Já as macroestruturas avançadas estão relacionadas com estratégias mais complexas, com base em recursos mais diversificados. As macroestruturas básicas são conhecidas como estrutura simples, estrutura funcional e estrutura divisional, enquanto as macroestruturas avançadas são denominadas de estrutura por unidade estratégica de negócio, estrutura matricial e estrutura em rede (GIL, 2009, p. 5).
As estruturas em redes organizacionais podem ser internas e externas, formando uma rede empresarial ou institucional, local, regional, estadual, nacional ou mesmo internacional. As redes são um fenômeno recente, e percebe-se que existem diversas razões que podem levar as organizações e instituições públicas ou privadas a se constituírem em redes, sendo que estas alianças podem proporcionar novas oportunidades para todos os atores.
As empresas, instituições públicas ou privadas, agricultores, associações, dentre outras, tem como prioridade a geração de riquezas e a sua manutenção no mercado. A melhoria de seu desempenho evoca as redes como alternativas dinâmicas para aumentar a competitividade diante dos desafios dos concorrentes locais e internacionais.
As dificuldades contemporâneas, a normal limitação de recursos e formas de se obter diferenciais para melhorar seu posicionamento no mercado faz com que as empresas busquem um contínuo processo de melhorias e inovações. A busca por melhorias de gestão e processos vem se intensificando e a tendência empresarial é estar num círculo contínuo virtuoso de aprimoramento, organizando e reorganizando a sua competência, os modelos de gestão e os modos de operação, com a finalidade maior de compatibilizar a organização com padrões atualizados de qualidade e produtividade, criando estratégias colaborativas como forma de adquirirem habilidades que ainda não possuem.
A consequência desse processo contínuo de aperfeiçoamento conjunto tende a refinar a metodologia, impactar na cultura local e proporcionar um ambiente de transformações, proporcionando a geração de novas combinações que contribuirão para o aprimoramento dos envolvidos e a capacidade dos arranjos em gerir eficientemente os seus relacionamentos interorganizacionais.
Esse é um ponto importante a ser considerado, pois a cooperação e a própria necessidade de competir para se manter no mercado exige a mudança de comportamento dos atores, bem como a sensibilidade para perceberem as suas capacitações, o que pode levar ao desenvolvimento de uma nova consciência cidadã e até mesmo a alteração do tecido social.
No caso de redes organizacionais de pequenos produtores rurais, percebe-se que existem características próprias, tendo em vista que a busca de estruturação de produtores rurais em arranjo organizacional do tipo associação buscam, em um primeiro momento, a possibilidade de aquisição de insumos básicos de forma coletiva, que permitirão a redução
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dos custos de produção, a compra de insumos de qualidade para a melhoria do produto final, uso de equipamentos compartilhados por todos os associados e a estruturação da associação que permita uma relação eficaz entre os membros, a comunidade e os órgãos governamentais. 2.2.1. Redes: origem, conceito e aplicação
As redes têm adquirido importância crescente nos últimos anos, principalmente na área social, revelando-se como um recurso que possibilita a comunicação e a colaboração entre atores sociais. São identificadas como qualquer estrutura que por sua disposição lembre um sistema reticular, ou seja, que tem forma de rede, significando um conjunto de pontos interligados de forma horizontal, um conjunto de nós e linhas articuladas de forma não hierárquica (FERREIRA, 1986, p.1466).
Malmegrim (2010, p.76) estabelece os elementos morfológicos das redes como:
NÓS – os nós podem ser representados por uma empresa ou uma atividade entre empresas. Os nós são os pontos de interligação da rede.
POSIÇÕES – a posição de um ator na rede é compreendida pelo conjunto de relações estabelecidas com outros atores da rede.
LIGAÇÕES – as ligações ou conexões de uma rede são compreendidas pelas ligações entre os atores.
FLUXOS – através das ligações fluem recursos, informações, bens, serviços, contatos.
As configurações de redes são estudadas em diversas áreas do saber e analisadas de formas distintas. Villela (2006, p.50) esclarece que "a gênese das redes de empresas remonta ao século XVIII nas regiões de Lyon na França e Birminghan na Inglaterra" e salienta que o "conceito de rede representa o fim do isolacionismo das organizações".
Castells (1999, p. 499) enfatiza que:
redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores ou objetivos de desempenho). Uma estrutura social com base em redes é um sistema aberto altamente dinâmico suscetível de inovação sem ameaças de equilíbrio.
O conceito evidencia uma forma de organização presente nos mais variados sistemas de relações. Nas relações humanas é fundamental em todos os seus aspectos, criando comunicação, pensamentos e significados, evoluindo de forma a produzir um sistema compartilhado de crenças e valores em um contexto comum de significados conhecidos, que pode ser denominados de cultura, o qual é sustentado por comunicações adicionais que renovam as relações culturais, onde os indivíduos pertencentes a esse grupo adquirem identidade como membro de uma rede social.
A constituição de redes sociais é um processo de construção que pressupõe afinidades culturais e estratégicas, com um objetivo que se inscreva em campo de ação compartilhado pelo coletivo, onde os participantes estabeleçam vínculos e interconectem ações. Trata-se de condições necessárias para definir compromisso com o grupo e pela causa escolhida por todos.
O processo de construção e organização de uma rede implica em certas dificuldades. A questão conceitual, a dinâmica e a forma de funcionamento de uma rede, aliados a uma baixa disponibilidade e envolvimento dos participantes e facilitadores, bem como a falta de cultura e de experiência de trabalho e vivência em rede, podem ser um empecilho em sua formação.
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Em outros casos particulares, as redes podem iniciar de forma espontânea e natural nas relações diárias de trabalho e convivência, sem que os atores se percebam como constituintes de uma rede.
A sociedade tem alguma dificuldade em entender o conceito e as estruturas, pois ainda encontra-se entranhado na dinâmica popular uma cultura baseada em estruturas hierarquizadas e transpassadas por processos econômicos e sociais fragmentadores e excludentes.
De uma forma geral, as redes, na visão de Teixeira (2007, p. 10):
têm sido vistas como a solução adequada para administrar políticas e projetos onde os recursos são escassos e os problemas, complexos; onde existem múltiplos atores envolvidos; onde há interação de agentes públicos e privados, centrais e locais, bem como uma crescente demanda por benefício e participação cidadã.
Os recursos são escassos de maneira geral em todas as áreas, principalmente nas áreas de pequenos produtores rurais, que necessitam criar, programar e implantar ações estratégicas para se posicionarem e se manterem no mercado e ampliarem os seus negócios. Para que estes possam alcançar um nível de competitividade, é necessário um conjunto de diversos tipos de competências e uma organização em rede que permita o estabelecimento de parcerias e alianças.
Teixeira (2007, p.16) complementa esse raciocínio, destacando que:
redes são um conjunto de relações relativamente estáveis, de natureza não hierárquica e independente, que vinculam uma variedade de atores que compartilham interesses comuns em relação a uma política e que trocam entre si recursos para perseguir esses interesses comuns, admitindo que a cooperação é a melhor maneira de alcançar metas comuns.
Com essa visão, vem se tornando comum a realização de associações ou atividades cooperativas entre agricultores, instituições públicas ou privadas e empresas de um mesmo setor para se conseguir ou mesmo se manter em uma posição no mercado. Essas redes podem se apresentar em um formato simples ou complexo, que pode variar de acordo com os atores e a complexidade das relações estabelecidas entre eles, bem como a disposição e adesão dos mesmos.
Teixeira (2007, p. 10) salienta que:
a criação e a manutenção da estrutura de redes impõem grandes desafios administrativos relacionados a diferentes processos, tais como negociação e geração de consensos, estabelecimento de regras de atuação, distribuição de recursos e interação, construção de mecanismos decisórios coletivos, estabelecimento de prioridades e acompanhamento.
As estruturas de rede permitem às empresas aumentar suas capacidades de transposição de fronteiras e, de forma acentuada, de acordo com o seu grau de adesão, melhorar a eficácia dos atores envolvidos através da parceria, da colaboração e da ajuda mútua, e do compartilhamento de modo cooperativo para o alcance de objetivos em comum.
Santos (2011, p.16) orienta que:
diante disso, o comportamento entre as organizações tem mudado, passando a enxergar os benefícios de um equilíbrio entre competição e cooperação. Configurando as redes entre empresas como um modelo de gestão que gera maior competitividade. Nesse contexto, as redes tornam-se um modo de obter as
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vantagens competitivas necessárias, assegurando devidas condições de sobrevivência e desenvolvimento.
No contexto desta tese, verifica-se que a formação de redes entre agricultores ou entre empresas na forma de Arranjo Produtivo Local (APL) pode contribuir para melhoria das relações entre atores e facilitar a competitividade do setor, por meio da realização dos princípios das redes sociais, explicitados adiante.
2.2.2. Configurações básicas de redes
Existem diversos formatos em rede, que podem variar de acordo com os interesses, a natureza do grupo associado, a metodologia, as áreas de atuação, a relação com outras redes e com a distribuição de recursos entre os atores, tornando difícil a existência de redes estruturadas de formas idênticas.
Nesta pesquisa, serão relacionadas cinco configurações básicas, iniciando com a rede infinitamente plana (Figura 1), que possui um ponto central ou nó, representando o agente central da rede que desempenha o papel de fornecedor e coordenador de informações. Tal elemento possui conhecimentos para capacitação do enfrentamento dos desafios cotidianos e para inovações dos diversos nós, de onde ramificam-se ligações para posições de atores que não se conectam entre si (MALMEGRIN, 2010, p.77).
Figura 1. Rede infinitamente plana
Fonte: adaptada de Malmegrin (2010, p.77).
A segunda configuração é conhecida como rede invertida (Figura 2), onde os nós são interconectados entre si, possibilitando que o conhecimento circule livremente de nó para nó ou formalmente para o centro, quando definido pelo modelo de gestão (MALMEGRIN, 2010, p.78). Agente autônomo Agente autônomo Agente autônomo Agente autônomo Agente autônomo Conhecimento Informação Conhecimento Conhecimento Informação Conhecimento Informação Informação Conhecimento Informação AGENTE CENTRAL
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Figura 2. Rede invertida
Fonte: adaptada de Malmegrin (2010, p.78)
A terceira configuração é a rede teia de aranha (Figura 3), que é considerada como rede verdadeira, onde todos os nós são autônomos e não existe um agente central, mas uma livre interligação entre os atores, permitindo assim o fluxo de conhecimento livre entre todos sem um centro de controle (MALMEGRIN, 2010, p.78).
Figura 3. Rede "teia de aranha"
Fonte: adaptada de Malmegrin (2010, p.78).
A quarta configuração (Figura 4) é a rede aglomerada, formada por nós que realizam atividades contínuas e permanentes, chamadas de unidades; e por nós que executam tarefas situacionais, que recebem o nome de equipes. As equipes são formadas por especialistas das