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4. O DESENVOLVIMENTO

4.4 POLÍTICAS PÚBLICAS: INDUTORAS DO DESENVOLVIMENTO

A desigualdade social, em especial no que se refere às condições de renda, é um problema estrutural. Isto quer dizer quaisquer respostas efetivas ao seu combate só têm efeitos reais a médio e longo prazo, o que implicam em reformas estruturais eficientes. Ao passo que, é preciso que existam formas de promover situações que desenvolvam capacidades como: facilitar o acesso da população mais pobre às atividades econômicas produtivas, o combate à pobreza, a inserção dos pobres às decisões públicas105.

Em relação ao enfrentamento dessas questões, a concentração de renda fruto de um sistema tributário que promova uma maior concentração de renda, e os setores econômicos oligopolizados da economia que minam o desenvolvimento de pequenas e microempresas são algumas das muitas dificuldades para a consolidação da descentralização do capital, tanto financeiro como produtivo.

Em linhas gerais, o impacto distributivo da política fiscal no Brasil apresenta um lado que concentra a renda – regressividade tributária – e outro que distribui a renda os gastos sociais. Portanto, o efeito distributivo ocorre pelos gastos públicos – transferências e pelos serviços públicos – dado que o sistema tributário contribui para ampliação da desigualdade, pois todo o ganho de distribuição com a arrecadação direta é perdido pela arrecadação indireta.

Dessa forma, afirma-se que o manejo da política fiscal tem um papel central na redistribuição de renda e que qualquer medida, que afete a arrecadação ou os gastos públicos, terá um efeito relevante. Cabe então um debate sério no Brasil sobre como as políticas de austeridade afetam a distribuição de recursos na sociedade e a defesa dos gastos sociais que tem

105NUSSBAUM, M. C. Educação e Justiça Social. Portugal: Edições Pedago, 2014.Para a Nussbaum, a promoção das capacidades em impacto tanto na justiça social quanto no incremento da economia.

um importante impacto distributivo106. Neste passo, dá-se outra perspectiva à economia, ao lugar em que deveria promover aumento do consumo que provocaria maiores investimentos, empregos e renda. Portanto, trabalhar políticas públicas107 é primordial para entender a maneira

pela qual elas atingem a vida cotidiana e o que pode ser feito para que sejam efetivas.

Sob este aspecto, a erradicação da pobreza e redução das desiguales sociais têm forte impacto para a economia, desta maneira o desenvolvimento, e nele o crescimento econômico, impulsiona-se de dentro para fora. Neste entender, que a distribuição de renda e a inclusão das pessoas no mundo do consumo é bem mais que uma questão de justiça social, mas também de desenvolvimento econômico. Vez que, mais pessoas trabalhando e recebendo salários justos significa uma maior produção de bens para consumo interno e exportação, mais arrecadação de impostos e maior fluxo financeiro no sistema bancário108.

Assim, o combate à pobreza e às desigualdades sociais não pode, portanto, satisfazer-se com a caridade, pois o combate à pobreza e às desigualdades sociais nos países subdesenvolvidos constitui uma necessidade ética, econômica e social. Este cenário faz nos conceber um dinâmica em que um número cada vez maior de pessoas mais pobres deixe esta condição. Ademais, a estabilidade econômica constitui uma condição necessária para a diminuição da pobreza, mas por outro lado, a melhoria das condições de vida dos pobres não depende apenas da retomada econômica, nem deve dela esperar ímpeto.

Nesse contexto, cabe ao Estado adotar uma política que minimize as origens e os efeitos concentradores do sistema produtivo. Pois, a capacidade e a forma de arrecadar e de gastar impacta a distribuição da renda, tanto em termos diretos, na determinação da renda disponível, quando em termos indiretos, na oferta de bens e serviços gratuitos à população, especialmente

106Austeridade e Retrocesso: Impactos Sociais da Política Fiscal no Brasil. São Paulo: Brasil Debate e Fundação Friedrich Ebert, 2018, 1° Ed. Disponível em < http://brasildebate.com.br/wp-content/uploads/DOC- AUSTERIDADE_doc3-_L9.pdf> Acesso em: 02 abr. 2019.Conforme o documento é necessário um político fiscal condizente com as propostas do governo.

107Embora recente, a conceituação de políticas públicas relaciona-se ás “políticas de governo” e as ciências sociais, as ciências políticas, as ciências econômicas e as ciências da administração pública. Estas visam representar soluções específicas para necessidades e problemas da sociedade. São ações do Estado, que busca garantir a segurança e a ordem por meio da garantia dos direitos, e expressam, em geral, os principais resultados oriundos da presença do Estado na economia e na sociedade brasileira

saúde e educação, que funcionam como a redistribuição material de renda por meio de acesso a serviços.

Com este proposto as políticas estruturais sensíveis à diminuição das desigualdades e da pobreza são fundamentais. Inclusive as que atentam às diferenças sociais regionais, vez que, no Brasil, as regiões que têm a inserção no processo produtivo precário e intensas dificuldades de acesso aos meios de produção sofrem com baixa produtividade do trabalho dos pequenos produtores e com condições precárias de vida dessas pessoas. Em boa parte, estas circunstâncias são agravadas pela falta de infraestrutura, na área social, educação, saúde e bem-estar. Consequentemente, estas regiões se destacam no Brasil pelos maiores índices de desigualdade e pobreza. É exatamente aí a urgência das políticas sociais e estruturais bem-sucedidas, que resultariam em uma melhora de forma expressiva na condição de vida das pessoas e na erradicação da pobreza com a consequente redução de desigualdade social109. De tal modo,

quando a política pública é desenhada, implementada e avaliada, há patente indução ao Desenvolvimento. Fruto de ação do governo somado às ações privadas, corolários da democracia, em respeito maior à Constituição Federal.

As políticas públicas aqui discutidas integram as modalidades interventivas110 como

formas de relacionamento entre Estado e particulares. Isto significa um trabalho entre direito e economia, entretanto não se estagna no caminho da análise econômica do direito, mas também enfrenta o mercado como instituição jurídica em que tomam parte Estado e agentes econômicos, como sujeitos de direito.

Finalmente, por meio das políticas públicas, o Estado manipula os instrumentos de intervenção em consonância e na conformidade das leis que regem o funcionamento dos mercados, por indução111. Em especial por se tratar de mecanismos jurídicos não punitivos,

mas verdadeiramente instrumentais para fomentar o funcionamento dos mercados. Eis justamente a dinamicidade exigida pelo mercado, vez que agindo por indução os Estados

109NUSSBAUM, M. C. Educação e Justiça Social. Portugal: Edições Pedago, 2014.Para a Nussbaum, a promoção das capacidades em impacto tanto na justiça social quanto no incremento da economia.

110GRAU, E. R. A Ordem Econômica na Constituição de 1998, 9ª ed. São Paulo: Malheiros, 2004. A intervenção no domínio econômico aqui disposta designa as diversas estratégias de ação do Estado diante do processo produtivo e de mercado. As modalidades são: intervenção diretamente por participação ou por absorção; intervenção indireta por direção ou indução.

contribuem para o fomento do mercado, sem que para isso haja maiores prejuízos quanto à não aderência de mercado. Estas tarefas cabem ao Estado, justamente por ser regulador da economia. Pois, é primordial que sejam desenvolvidas políticas necessárias e dirigentes aos objetivos sociais, e de maneira específica os da CRFB. Entre eles, e principalmente, garantir o Desenvolvimento sustentável e a justiça social.