1. 1. Se j á m e senti preso ou m uito acom odado em m inha vida atual, foi porque...
2. 2. Se quero ter um a vida m ais intensa, terei que...
3. 3. De todas as características dos Intensos — receptivos e observadores do m om ento, orientados ao futuro, abertos aos desafios, profundam ente interessados nos outros, independentes, criativos, interessados no propósito —, a que eu poderia integrar e am pliar em m inha vida seria...
PARTE I OS CINCO IMPULSOS BÁSICOS CONTROLE COMPETÊNCIA CONG RUÊNCIA CUIDADO CONEXÃO
Capítulo 2
O IMPULSO POR CONTROLE
A estabilidade que não conseguimos encontrar no mundo, devemos criar dentro de nós mesmos.
— NATHANIEL BRANDEN
Meu pai, Mel Burchard, foi diagnosticado com leucem ia m ieloide aguda em 10 de m aio de 2009, Dia das Mães. Foi de repente. Na sem ana anterior, ele estava j ogando golfe e brincando de j ogar tênis. Os m édicos deram a ele 5% de chance de sobreviver. Disseram que aquele era o pior caso que tinham visto na vida.
Papai era um hom em m aravilhoso: engraçado, incentivador, forte, am oroso. Sua m ensagem para nós, seus filhos, ao longo de sua vida, dizia tudo sobre ele m esm o: “Sej a você m esm o. Sej a honesto. Faça o seu m elhor. Sej a um bom cidadão. Trate as pessoas com respeito. Corra atrás de seus sonhos”.
A dedicação que ele tinha pelos outros tam bém falava por si só. Vinte anos na Marinha, com três passagens pelo Vietnã; 20 anos com o estado de Montana; 34 anos com a m inha m ãe; 69 anos com o um bom hom em .
Um dia depois do Dia dos Pais, soubem os que o segundo tratam ento de quim ioterapia não tinha sido eficiente. O câncer havia tom ado seu corpo. Ele entendia o resultado e estava em paz com ele m esm o. Teria apenas algum as sem anas de vida. Meu pai escolheu ficar em casa, com o home care, cercado por sua fam ília.
Todas as enferm eiras choraram quando ele deixou o hospital, pois todas tinham aprendido a am ar seu bom hum or e as histórias que contava sobre a vida. A todos os lugares que ele ia, respeitava os outros e contava um a piada ou um a história. Criava raízes de am izade em todas as partes. Todos o am avam .
No período curto que perm aneceu em casa, m eu pai não deixou nada sem ser dito nem feito. Nossa fam ília estava ali: m inha m ãe; m eus dois irm ãos, Bry an e David; m inha irm ã, Helen; seu m arido, Adam ; e m inha esposa, Denise. Tivem os a bênção de passar aquele tem po com ele. Pudem os lhe dizer o orgulho que sentíam os dele, que ele havia vivido um a boa vida, que sem pre cuidaríam os de m inha m ãe, que seus valores e espírito continuariam vivendo dentro de cada um de nós. Eram coisas im portantes para ele. Até perder a capacidade de falar, nos
últim os dois dias, ele nos pediu que tom ássem os conta de m inha m ãe. E tom arem os.
É difícil ver seu pai perder a vida. Para m im , foi a pior coisa que aconteceu em toda a m inha vida, e eu detestava o fato de não poder evitar nem controlar aquilo. Mas m eu pai enfrentou tudo com graça e força, m esm o quando os efeitos colaterais da quim ioterapia faziam com que ele se sentisse m uito m al. Ele sem pre foi grato e am oroso enquanto cuidam os dele. Ele sabia que seu tem po era curto e foi m aravilhoso vê-lo tão carinhoso conosco, tão em paz com o que aconteceria.
Ele m orreu um pouco antes da m eia-noite. À m eia-noite e m eia do dia 9 de j ulho, a enferm eira deu o aviso oficial. Ele partiu em paz, sem dor, apenas com um a série de respirações difíceis e cada vez m ais espaçadas até sua partida. Morreu enquanto eu segurava sua m ão direita, m eu irm ão Bry an segurava sua m ão esquerda e m inha m ãe e m inha irm ã estavam ao seu lado. Em casa, com a fam ília ao seu redor — exatam ente com o queria.
Algum as sem anas antes de m eu pai m orrer, quando descobrim os que a quim ioterapia não havia cum prido sua função, eu estava m inistrando um sem inário. Havia cerca de 400 pessoas, de diversas partes do m undo. Eu estava em São Francisco; m eu pai, em Nevada, onde ele e m inha m ãe tinham um a segunda casa e onde ele adoeceu. Na noite anterior ao evento, ele m e ligou para contar a notícia: teria apenas algum as sem anas de vida. Não queria que eu m e precipitasse e cancelasse o sem inário — algo que ele sabia que eu faria para poder ficar com ele.
Na noite seguinte, depois de passar nove horas no palco, peguei o telefone e liguei para o m eu pai. Havíam os tido a ideia de entrevistá-lo, fazer algum as perguntas a respeito de sua vida, para gravar a conversa e dividi-la com a fam ília posteriorm ente. Gostei de um a m ensagem em especial, que ele deu a todos nós, seus filhos: “Sem pre am em sua m ãe, seus irm ãos e irm ãs, m antenham a fé dentro de si, aj udem as outras pessoas que têm m enos sorte do que vocês e não tenham m edo de pedir aj uda e am or. Sej am bons sam aritanos e façam o m elhor que puderem ”.
Com aquela m ensagem , aprendi m uito sobre ele. Não houve nenhum a revelação surpreendente sobre sua vida; o m ais especial era com o ele falava e com o lidava com tudo. Era m uito sincero e otim ista e tinha um a grande facilidade de enfrentar o incontrolável com decisão e disposição.
ficou claro que ele não estaria vivo na sem ana seguinte, aceitou a m orte e pareceu libertar-se dos m edos. Nunca reclam ou de nada — nem da dor, nem do penico, nem dos sangram entos nasais constantes, nem das inj eções, nem de ter que ser rolado para a troca de lençóis. Ele aceitou sua condição e escolheu enfrentar a m aior e m ais assustadora transição de sua vida com am or e graça. Em um a situação incontrolável, ele ainda guiava a força de seu caráter, e o soldado da Marinha que existia dentro dele definiu o sentido de tudo a seu m odo até o fim .
Não é fácil escrever essa história, tentando ser breve e, ainda assim , expressar com o ele foi notável, tentando ensinar-nos sobre controle, sobre a vida.
Dizer que a m orte costum a ser m alvista e incontrolável é dizer m uito pouco. Mas ela acontece de qualquer m odo, assim com o m uitas coisas que não planej am os nem desej am os. Mas, dentre todas as nossas lutas, m esm o nossas batalhas finais, se nossa disposição e coragem perm itirem , tem os a capacidade de controlar a m aneira com que vem os o m undo, de definir o sentido de nossa experiência e de deixar um exem plo de com o podem os ser fortes ao passar por tudo isso.
Pode parecer estranho com eçar um livro sobre m otivação com um a história de m orte. Mas quero que você m e conheça e quero com eçar sendo sincero — não podem os controlar tudo na vida. Tam pouco devem os tentar. Na verdade, costum o dizer que a m aior parte da tristeza que as pessoas sentem na vida provém da tentativa de controlar as coisas que não podem ser controladas ou que não têm im portância. Não se pode controlar o clim a nem a econom ia. Não se pode controlar os outros — você j á sabe disso, tenho certeza. Na m aior parte do tem po, podem os controlar apenas a qualidade de nossas atitudes e contribuições ao m undo.
Ainda assim , o im pulso por controle é forte e costum am os procurar m ais controle até que, finalm ente, ele é arrancado de nós. Nesse intervalo, precisam os aprender quais fatores podemos controlar para tornar nossas j ornadas notáveis. Este capítulo tem o obj etivo de aj udar você a fazer isso.
Com eçam os com um questionário:
Até que ponto você se sente no controle de sua vida hoje, em uma escala de um a dez, sendo que dez representa totalmente no controle?
Até que ponto você se sente no controle do mundo ao seu redor?
Suas respostas dizem m uito sobre com o você decidiu agir no m undo e elas se correlacionam diretam ente a seu nível de felicidade.
Poucos diriam que passam os grande parte da vida tentando obter m ais controle, m as o que, especificam ente, estam os tentando controlar? Quais fatores fazem com que nos sintam os no controle, sadios e felizes?
Falando de m odo geral, estam os buscando um a sensação de controle sobre nossos m undos interior e exterior. Querem os controlar as experiências conscientes, os pensam entos, sentim entos e com portam entos; querem os controlar os resultados que obtem os e os relacionam entos que tem os no m undo externo. Esse desejo de regular e influenciar nossa experiência geral de vida é o que significa o impulso humano pelo controle.
Com o acontece com todos os im pulsos hum anos, o im pulso pelo controle pode ser um a faca de dois gum es. Se procuram os controle dem ais, acabam os nos tornando inflexíveis e rígidos. Com eçam os a querer que tudo aconteça exatam ente com o planej am os e então perdem os a capacidade de ser receptivos e adaptáveis ao que não esperávam os. Tentam os conter qualquer m udança em nossa vida e nos prendem os em rotinas, relacionam entos e am bientes obsessivam ente controlados. Colaboram os com m enos facilidade uns com os outros e costum am os tratar as pessoas com rigidez quando elas não fazem o que querem os. É terrivelm ente restritivo e nos im pede de experim entar a diversidade, a cor e a alegria de um a vida m ais flexível e solta.
Por outro lado, se não tiverm os controle sobre nossa vida, viver pode ser terrível. Ainda que abrir m ão do controle em troca de um a atitude de “deixar a vida nos levar” possa parecer m aravilhoso em um prim eiro m om ento, isso tam bém exige que nos afastem os do que é real. Abrir m ão de todo o controle pode funcionar no spa ou no topo de um a m ontanha, m as nos rios caudalosos da vida, costum a ser um a m á ideia. Não ter controle significa não ter escolha, não exercer o livre-arbítrio e pode nos deixar desam parados. Sem controle, não conseguim os direcionar nossa m ente nem influenciar o am biente. Ficam os sem ter a liberdade de escolher nossos cam inhos se nos entregarm os totalm ente aos caprichos do acaso e das circunstâncias.
Meu obj etivo ao falar de cada um desses im pulsos não é dizer o quanto você deveria se esforçar para controlá-los ou livrar-se deles. O que faz com que eu m e sinta no controle de m inha vida pode ser a definição que outra pessoa dá a m uito ou pouco. Todos precisam os de níveis diferentes de controle em diferentes
m om entos da vida. Apesar de eu acreditar que a m aioria de nós quer ficar em algum ponto no cam inho harm onioso entre os dois extrem os de cada im pulso, nem sem pre é o que acontece.
Descobri que existem três ativadores específicos que acionam nosso im pulso por controle de um m odo que faça com que nos sintam os especialm ente energizados, envolvidos e entusiasm ados. Independentem ente de quanto controle preferir ter, se você quer controlar algo na vida, preste atenção nas três áreas a seguir.
Ativador 1: Controle seu ponto de vista e sua personalidade
A m aioria dos acontecim entos e das experiências que acontecem em sua vida costum a ser aleatória, inesperada, coincidente ou, se preferir, predestinada — eles acontecem e não estão relacionados às suas expectativas. No entanto, sua reação — o sentido que você dá a esses acontecim entos — está 100% dentro de seu controle. Nessa habilidade, está o m aior diferenciador da experiência hum ana e sua m ais forte ferram enta para criar um a Vida Intensa. Acontece que o m aior im pulsionador do nível de controle que você tem sobre sua vida é o seu ponto de vista, a qualidade do sentido que você atribui aos acontecim entos e ao seu futuro.
Se isso for verdade, coloca você em um papel crítico perante a vida — atuar com o protetor e guia de seu ponto de vista em relação a si m esm o, aos outros e ao m undo. Essa tarefa é m ais difícil do que você pode im aginar, pois o que você vê no m undo com frequência é o que costum a esperar, e o que a m aioria das pessoas está vendo não é tão positivo. Quase tudo o que vem os e lem os hoj e é um a propaganda, de um a form a ou de outra, para o caos, o estresse, o conflito, o negativism o, o consum ism o ou para as atribuições de outras pessoas. Analisem os nosso m undo direcionado pela m ídia m oderna, que, aparentem ente, conspira para obscurecer nossa perspectiva em relação à hum anidade. O norte- am ericano com um assiste à televisão por quatro horas por dia e a m aioria dos program as perpetua a polarização, a violência, o narcisism o e a ganância. Pior, passam os algum as horas navegando por sites que não acrescentam nada em nossa vida, apenas oferecem m ais distração e becos sem saída. Se estam os passando m ais de quatro horas por dia vendo e experienciando tais coisas, o que devem os com eçar a esperar do m undo? Coisas positivas ou negativas?
Isso nos leva ao óbvio: se você pretende m anter um a perspectiva sadia e positiva a respeito do m undo, é im portante proteger m elhor a inform ação que consom e. Assim , não seria ruim dim inuir drasticamente o tem po que passa na frente da TV, que escuta bobagens no rádio, que passa navegando à deriva na
internet ou que lê fofocas sobre celebridades. Todas essas inform ações que você está consum indo consciente ou inconscientem ente estão criando estresse e intranquilidade em sua vida a um nível que você não com preende. Apesar de ouvirm os que nosso cérebro é um com putador, ele não é. Os com putadores não têm em oção; você tem . Para cada inform ação que entra em sua vida, seu cérebro agrega m ais sentido e em oção. Isso quer dizer que a inform ação é bem “pesada” e, quanto m ais inform ação você tiver na vida, m ais peso vai sobrecarregá-lo. Se um com putador fica sobrecarregado com dados dem ais, ele dim inui a velocidade de processam ento ou, em casos extrem os, para de funcionar. Pense, então, o que o excesso de m ídia negativa faz com sua bagagem em ocional.
O m esm o se aplica aos vam piros de energia e de estim a de sua vida. Você sabe quem eles são — aqueles que quase sem pre o repreendem com críticas e opiniões, fazendo com que se sinta péssim o consigo m esm o. Dim inuir a exposição a pessoas tóxicas é tão im portante quanto dim inuir sua exposição à m ídia negativa.
Então, talvez sej a a hora de concentrar quatro horas, em m édia, por dia, para ler livros e assistir a program as de conteúdo educacional; ou ir encontrar am igos que tam bém incentivam sua perspectiva de vida; ou enfrentar novos desafios que façam você se lem brar de com o é forte e responsável por sua vida.
Em term os de felicidade, a m aneira m ais im portante de proteger seu ponto de vista é controlar as interpretações que fazem os dos acontecim entos em nossa vida, até que ponto nós os consideram os positivos ou pessoais. Esta é a base para falarm os sobre otim ism o e identidade na m aior parte da psicologia.
Vam os com eçar com o otim ism o e por que é im portante com eçar a controlar seus pensam entos, para que você se torne ou continue sendo otim ista. Os psicólogos j á provaram , de m odo conclusivo, que é m elhor interpretar as inform ações e os acontecim entos da vida de m odo positivo — considerando o que se vê, ouve e vive.
Ser otim ista significa que você vê as coisas com o boas e perm anece esperançoso e confiante de que tudo dará certo para você. Quando coisas ruins acontecem , o otim ism o o aj uda a analisar a situação com o ela realm ente é. É por isso que os otim istas costum am ver os acontecim entos negativos da vida com o tem porários, específicos a um a situação e algo que eles não necessariam ente causaram , m as que podem enfrentar ou resolver.
m undo com o ele é. Na verdade, os otim istas têm mais chance de ver o mundo como é e de tom ar atitudes para resolver os problem as do que os pessim istas. Isso porque os pessim istas não acreditam que os problem as possam ser resolvidos e os otim istas, sim , então estão m ais dispostos a agir. Os otim istas, de m odo geral, são m ais felizes, lidam m elhor com os fatos, vivem m ais tem po, m antêm por m ais tem po casam entos felizes e levam a vida de m odo m ais saudável. Os pessim istas costum am ver os acontecim entos e as experiências negativas com o coisas que durarão m ais tem po, que prej udicarão a vida e que não podem ser controladas nem interrom pidas.
Para quem diz “Bem , não nasci otim ista” ou “Não sou assim ”, existe esperança: os neurocientistas provaram , m uitas vezes, que novos cam inhos neurais podem ser form ados (e cam inhos antigos podem ser fortalecidos) pelo foco consciente de nossa atenção e prática. Sem dúvida, todos os seres hum anos norm ais podem se tornar eternos otim istas com foco e esforço. É um a questão de escolha. Então, se tivesse opção, o que você escolheria: um a m aneira m ais positiva de ver as coisas ou um a expectativa negativa?
A outra grande interpretação que fazem os, e que devem os controlar para proteger nossa m aneira de ver as coisas, é com o relacionam os acontecim entos e inform ações à ideia que fazem os de nós m esm os — nossa identidade. As pessoas com vida presa costum am ver a inform ação negativa e as experiências de vida com o prova de que elas são “ruins” ou “indignas”. Quem tem um a vida acom odada, tem a sensação de que “não é suficiente” ou que deveria ter im pedido, pessoalm ente, que os problem as surgissem na vida. Mas quem tem um a Vida Intensa costum a ver a inform ação com o apenas um a inform ação. Ela não a relaciona a um a em oção negativa ou a um a crítica a si m esm a só porque alguém disse algo negativo ou porque algo negativo acontece no m undo. Ela protege sua autoim agem e percebe que um m undo, por vezes caótico e volátil, não deve m udar sua form ação interna nem seu ponto de vista a respeito de com o o m undo pode ser m ágico.
Esse poder interno de proteger e direcionar seu ponto de vista é igual à força que lhe perm ite m oldar e determ inar sua personalidade.
Um a das escolhas m ais fortes que você pode fazer em sua vida é decidir controlar a qualidade da pessoa que você será todos os dias. O que você defenderá? Que tipo de valores positivos, padrões e crenças você dem onstrará todos os dias? Quanta honestidade, integridade, j ustiça e gentileza você oferecerá ao m undo? É disso que a personalidade é feita.
com o a m aior pessoa que possa ser, em todas as situações. Exij a de si m esm o dem onstrar um a firm eza de caráter de m odo a sentir orgulho de quem você é e exij a tam bém agir de tal m odo que as pessoas o vej am com o um exem plo.
Você não pode controlar tudo na vida. Mas pode controlar você — quem você está sendo, com o está tratando os outros, qual propósito o direciona. Controlar a qualidade de sua personalidade dia a dia, interação por interação, situação por