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Pontos de Cultura e inclusão digital: estudo de caso em

4. Estudos de campo

4.3. Popular Coco de Umbigada – Olinda, PE

Origens e objetivos

Localizado na cidade de Olinda-PE, o Ponto de Cultura Coco de Umbigada é um projeto que visa à preservação da memória e à difusão da cultura negra e afro- descendente, sob a perspectiva dos direitos humanos, auxiliando, por meio da cultura e educação, na inclusão social de jovens em situação de vulnerabilidade social.

O projeto Coco de Umbigada possui uma área de atuação centrada no Bairro de Guadalupe e seu entorno, caracterizado por representar uma das maiores den- sidades demográicas e menores Índices de desenvolvimento Humano da cidade de Olinda. A diiculdade de acesso da população aos bens e serviços socialmente produzidos denota a importância de se ter uma iniciativa de fomento à cultura, educação e inclusão social na comunidade.

A difusão da cultura negra e afro-brasileira ocorre principalmente por meio de um encontro chamado Sambada de Coco, através do qual são oferecidas danças típicas da cultura ancestral, além de uma troca de conhecimentos entre os chama- dos mestres da cultura popular e suas novas gerações. O encontro envolve toda a comunidade promovendo uma ação de preservação do patrimônio imaterial do povo negro e afro-descendente. A sambada de coco ocorre regularmente reunindo cerca de 4 mil pessoas a cada edição, aquecendo a economia local e promovendo integração social.

A Sambada de Coco começou no século passado, na Aldeia de Paratibe, em Pernambuco, através das raízes da família Barbosa e dos Mestres João Amâncio e Zé da Hora, que realizavam essa manifestação espontânea e tradicional entre seus parentes e sua comunidade. No entanto, com a morte dos mestres, a sambada deixou de acontecer por quase 40 anos. Apenas em junho de 1998, uma nova geração da família Barbosa, liderada pela yalorixá (mãe de santo) Beth de Oxum, trouxe de volta a sambada.

Peril dos frequentadores e inserção no mercado de trabalho

O Coco de Umbigada possui um núcleo administrativo pequeno e pouco desenvolvido, sendo coordenado por Beth de Oxum, de quem partiu a iniciativa. O Ponto esforça-se para minimizar as distâncias sociais existentes entre diferentes

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grupos, privilegiando a capacitação dos jovens por meio de oicinas de formação artística afro-brasileira. As oicinas oferecidas compreendem ritmos e danças de umbigada do Brasil, estudo da identidade negra e sua cultura além de oferecer cursos de Tecnologia de Informação e Comunicação, demonstrando preocupar-se com a inclusão digital destes jovens.

Contudo, o Ponto não tem objetivo proissionalizante, apenas de possibilitar que as crianças tenham ocupações e formação cultural fora do horário de aula. Dessa forma, viabiliza um resgate da auto-estima de seus frequentadores pela va- lorização da cultura local, o que não deixa de ajudá-los mais adiante nos processos de auto-valorização para busca de trabalho etc.

Gestão e Manutenção do Ponto de Cultura

Com o foco de trabalho voltado para o Ponto de Cultura especiicamente, o Coco de Umbigada consegue atender de forma aceitável às exigências do Ministério da Cultura. Não obstante, tendo em vista a baixa qualiicação dos integrantes do Ponto, as exigências, além de burocráticas, mostram-se complexas na visão dos gestores entrevistados, exigindo um grau de esforço e de atenção muito maior do que consideram necessários, sendo um fator de grande peso ao avaliar o quanto vale a pena manter o vínculo com o Ministério da Cultura. O Coco de Umbigada, contudo, valoriza o apoio, apesar do volume de exigências, em virtude de seu exíguo orçamento, considerando a ajuda inanceira e o kit multimídia, fundamentais para o aprimoramento do Projeto.

Relação com o MinC

Em novembro de 2004 a iniciativa do Terreiro da Umbigada foi reconhecida pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, irmando a parceria com o Governo Federal. A parceria tornou-se o foco principal do projeto, sedimentando uma política pública cultural comprometida com entidades e suas respectivas comunidades, através da valorização e difusão da Cultura Popular. Após sua transformação em Ponto de Cultura, o projeto ampliou suas atividades oferecen- do oicinas de capacitação proissional para mais de 70 jovens da comunidade do Guadalupe e seu entorno.

A transformação em Ponto de Cultura constituiu um fator essencial para o aprimoramento na infra-estrutura do projeto, sendo uma ajuda considerável levando-se em conta o módico orçamento da iniciativa. A melhora na infra-

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estrutura possibilitou a inclusão digital dos membros do projeto e sua multi- plicação aos membros da comunidade não tendo sido um objetivo inicial, mas encarado hoje como fundamental considerando a eiciência das novas mídias na difusão cultural.

Uso das tecnologias e relação com as lan houses do encontro

As oicinas contam com materiais didáticos especíicos para o uso da tecno- logia além de laboratórios multimídia onde o jovem aprende informática, comu- nicação, edição e produção de vídeo, priorizando sua integração em conjuntos sociais e mantendo sua identidade e seus costumes. Aumentando sua integração com as tecnologias da informação e comunicação os jovens desta comunidade se consideram melhor capacitados para o mercado proissional.

O projeto prioriza o acesso à inclusão digital, diversidade cultural, aten- dimento alternativo e projeção social, promovendo ainda soluções sustentáveis para uma aprendizagem, oferecendo meios para a alfabetização digital, para que os jovens possam melhor interagir em um ambiente cada vez mais exigente tec- nologicamente.

A parceria com o Ministério da Cultura foi considerada fundamental não só pelo apoio inanceiro, sendo uma contribuição, reitera-se, bastante considerável para o Ponto, mas também por haver introduzido no Projeto os meios tecnológicos usados para potencializar a difusão da cultura negra e afro-brasileira, possibilitando ainda a inclusão digital dos jovens daquela Comunidade.

Ideário da Cultura Livre

O kit multimídia tem sido utilizado pelo Ponto, inclusive os software livres de edição serviram para a preparação de vídeos registrando a festa do Coco. No decorrer das entrevistas, não se averiguou questionamentos ou impedimentos para o uso dessas tecnologias.