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2. Capítulo II – Enquadramento Teórico

2.3. Aprendizagem móvel (m Learning)

2.3.2. Potencialidades educativas do m-Learning

Após a procura da definição de m-Learning, neste momento será importante reforçar que este conceito centra a sua atenção no estímulo e melhoramento dos métodos de aprendizagem. Para melhor percebermos a forma como se enquadra neste processo, vamos descrever as principais potencialidades oferecidas pelo m-Learning ao nível da educação:

• A portabilidade dos dispositivos e dos conteúdos permite superar as barreiras geográficas da sala de aula, dando assim aos alunos e professores a oportunidade de terem experiências de aprendizagem donde quiserem, acedendo igualmente aos

conteúdos quando bem entenderem. (Attewell, 2005; Juniu, 2002; Klopfer et al 2002; Sharples, 2005; Sharples, Taylor & Vavoula, 2007; Stead, 2005).

• A flexibilidade e ubiquidade em termos de acesso, distribuição e circulação de conteúdos está perfeitamente integrado no âmbito do “just in time, just for me” (Peters, 2007). Por sua vez, esta forma de abordar conteúdos é uma mais-valia para alunos e professores, pois permite usar de forma mais eficaz o tempo disponível (Tintaya, 2002; Soltillo, 2003).

• Segundo Perry (2003), citado por Barker et al (2005), o uso de dispositivos móveis levam a uma maior motivação dos alunos nas actividades e nas aprendizagens. Os alunos ficam “more engaged enthusiasm” (Belt (2001) e mais “lights up” Perry (2003), após a implementação destas tecnologias no contexto da sala de aula.

• O m-Learning pode retirar alguma formalidade da sala de aula que, só por si, pode ser um factor desmotivador para alguns alunos. Alguma da informalidade, provocada por um contexto educativo baseado em dispositivos que os próprios alunos usam em termos pessoais, pode ser um grande trunfo para aumentar o empenho dos alunos e com isto a sua aprendizagem. (Attewell, 2005).

• A autonomia dos alunos aumenta com a utilização de dispositivos móveis, e muitas vezes os próprios alunos procuram maneiras de utilizar estes dispositivos para aprender. (Vahey & Crawford, 2003).

• Faculta a distribuição de conteúdos em pequenos episódios, baseados na portabilidade dos dispositivos, possibilitando que os alunos optem por uma aprendizagem faseada, conforme as suas capacidades e necessidades.

• Permite aprendizagem situada de uma determinada matéria que esteja a ser estudada, através da gravação de material áudio, vídeo ou imagem, independentemente do local onde esteja, podendo inclusive transferir esse mesmo conteúdo para outros colegas em tempo real. (Klopfer et al, 2002).

• Segundo Vavoula (2005), citado por Fozdar & Kumar (2007) e Klopfer et al (2002), citado na “Futurelab” (2006), o m-Learning é mais interactivo, pois a facilidade que os dispositivos móveis permitem na troca de conteúdos em diferentes formatos (texto, áudio, vídeo), possibilitam um maior envolvimento e colaboração entre aluno – aluno e aluno – professor.

• Os dispositivos móveis facilitam práticas de aprendizagem através da partilha, colaboração e construção de conhecimento. (Klopfer et al, 2002; Stead, 2005; Zurita & Nussbaum, 2005). De acordo com o relatório Becta (2004), o uso de dispositivos

móveis melhorou as aprendizagens dos alunos, em resultado do envolvimento dos pais, em casa, nas actividades educativas dos seus filhos. Low44 (2007) sugere que o uso de telemóveis não só permite aos alunos comunicar entre si no intuito de se auxiliarem uns aos outros, mas também permitirá partilhar recursos, o que poderá levar à construção de conhecimento de uma forma mais eficaz. Num estudo efectuado por Soltillo (2003), no âmbito de utilização de dispositivos móveis, os alunos melhoraram a sua aprendizagem devido à facilidade com que acediam às críticas de colegas e professores, permitindo por sua vez a revisão dos seus conhecimentos, adaptando-os depois a uma nova visão, fruto da partilha de ideias.

• O m-Learning pode melhorar a mudança do modelo centrado no professor para ambientes educativos centrados no aluno. (Holzinger et al, 2005).

• Independência tecnológica dos conteúdos, ou seja, o formato do conteúdo não é feita apenas para um dispositivo concreto. Nesta linha de pensamento, Affini (2008) afirma que “a produção de conteúdos audiovisuais para qualquer tipo de dispositivo, fixo ou móvel, é uma questão, sobretudo, política de gestão de informação nas sociedades contemporâneas”, ou seja, a revolução da Sociedade Móvel impôs a criação de formatos universais voltados para a especificidade e necessidade dos dispositivos móveis.

• Para Low (2007), o m-Learning pode possibilitar a comunicação e o envio de informação de uma forma mais rápida, entre professores e alunos. Ainda o mesmo autor relata que em 2006 no “Camberra Institute of Technology (CIT) Centre for Educational Excellence”, os alunos tiveram uma reacção muito positiva a partir do momento que os professores usaram serviço de sms para, por exemplo, avisar os alunos sobre o cancelamento de aulas.

Estes dispositivos permitem, em actividades mais difíceis, um “Scaffolding”45 mais individualizado por parte do professor (Lin, Hsiu-Yi e tal, 2008).

Após esta apresentação, podemos dizer que os ambientes pedagógicos baseados no desenvolvimento de actividades com recurso a tecnologias móveis, promovem uma maior motivação dos alunos, justificada não só pela familiaridade que estes dispositivos tem

44 As referências deste autor foram retiradas de um blog (http://mlearning.edublogs.org/2007/01/page/2/), no entanto é um

dos grandes especialistas mundiais na investigação e implementação de sistemas de m-Learning.

45 O termo Scaffolding é usado em educação quando se refere a uma estratégia de acompanhamento do professor no

desenvolvimento e resolução de actividades dos seus alunos, Salmon (2000). Segundo McLoughlin & Luca (2000), num ambiente de ensino a distância, o scaffolding é o processo de ajudar o aluno que não está completamente pronto para realizar uma tarefa de forma independente. Rever formatação – texto com tamanhos diferentes.

com a geração nativa digital de Prensky, mas também pelas capacidades que estas possibilitam na promoção da partilha e colaboração entre os vários membros educativos, conforme defende Moura (2008). Outro aspecto a referenciar é o facto do m-Learning proporcionar aprendizagem em qualquer espaço e hora, mediada pela facilidade de acesso a conteúdos, mesmo com “ausência” presencial do professor.

Agora é a vez do professor saber planificar e orientar um modelo de aprendizagem de m- Learning, pois os dispositivos móveis, só por si, não garantem de forma alguma o sucesso. Esta tarefa não é fácil e existem ainda muitas incertezas sobre as didácticas que melhor servem este modelo de ensino. No relatório Becta (2004), citado por Barker (2005), são propostas diversas recomendações para a implementação de um modelo m- Learning, onde se destacam as questões de envolvimento dos vários membros educativos e os aspectos de suporte técnico. Porém, o papel do professor é talvez o mais importante em todo este processo, pois para além de ter a responsabilidade de adequar pedagogicamente os dispositivos móveis e os novos ambientes de aprendizagem, terá a tarefa difícil de evoluir com os alunos, no sentido de se tornar um professor com pouca “pronúncia digital”46, para melhor transmitir os conteúdos e moderar / interagir com os seus alunos, a fim de manter acesa a discussão, a partilha, a colaboração e por conseguinte a aprendizagem.