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Relacionamento professor / aluno perante ambientes com

2. Capítulo II – Enquadramento Teórico

2.3. Aprendizagem móvel (m Learning)

2.3.4. Relacionamento professor / aluno perante ambientes com

com aprendizagem móvel

Segundo Peters (2007), o primeiro grande desafio dos professores é perceber que as técnicas tradicionais de ensino, baseadas na memorização, não estão adaptadas às demandas dos alunos “digital natives” definidos por Prensky (2001). Num estudo realizado por Spender (2005), é reforçada a ideia de que a juventude actual, e a sua atitude, nada tem a haver com o método de ensino tradicional:

“Eight year olds think there’s something wrong with their teachers. Don’t teachers know that heads are unreliable places? That’s what the save key is for. Even if you do store things in your head, you can’t ever find them again.”

Spender, citado em Peters (2007: 5)

Spender expressa ainda alguma preocupação, relativamente à falta de conforto que os professores têm com as TIC, quando é necessário responder às oportunidades de

aprendizagem digital baseadas na pesquisa de informação para posterior construção de conhecimento.

Os professores devem ter consciência de que as evoluções tecnológicas trouxeram a necessidade de encontrar novas formas de cativar os alunos. Estes, por sua vez utilizam diariamente o computador, telemóvel, leitor de mp3, etc., ou seja, este é um universo perfeitamente normalizado na mente da maioria dos alunos. Pode-se assim dizer que, neste momento, os dispositivos móveis são talvez uma das grandes chaves para aproximar os professores “digital immigrants” (Prensky, 2001) do mundo digital dos alunos, sendo o m-Learning a porta de entrada tanto para um modelo de processo de ensino – aprendizagem, cujo ambiente se adeqúe às necessidades e formas de pensar dos nossos jovens de hoje, como também pode ser o passaporte para a sua integração na actual Sociedade Móvel.

Para Sharma & Kitchens (2004), as tecnologias móveis estão a alterar a forma, o local e a altura em que são transmitidas as aprendizagens no contexto educativo. Os mesmos autores defendem a ideia de que, no futuro, o m-Learning será uma combinação entre e- Learning e aprendizagem presencial, ou seja, à imagem do modelo “blended learning”47, só que com a variante de usar dispositivos móveis. Neste campo, os conteúdos que o aluno terá acesso são transferidos para o seu dispositivo móvel, através da internet ou de um sistema de wireless. No espaço da sala de aula o professor funcionará como um orientador, levando os alunos a desenvolver da melhor forma as suas actividades e aprendizagens, tendo em conta os conteúdos disponibilizados. Num estudo desenvolvido por Vahey et al (2003) está presente esta linha de pensamento, evidenciando que os dispositivos móveis podem ter melhor impacto, se forem também utilizados no contexto de sala de aula, promovendo não só um melhor rendimento do trabalho colaborativo, como também uma maior autonomia dos alunos. Um caso de sucesso deste âmbito desenvolveu-se em Melbourne Law School (2002), e consistiu na instalação de wireless nas salas de aula, permitindo aos alunos o acesso de conteúdos através dos seus dispositivos móveis, no âmbito de pesquisas conduzidas pelo professor, que por sua vez levaram a uma ampliação da discussão e da aprendizagem (Hartnell & Jonesl, 2004).

47 Blended Learning (b-Learning) é a combinação e integração de diferentes tecnologias e metodologias de

aprendizagem, misturando formação on-line e presencial. O professor poderá optar por entregar os conteúdos alternando entre aula presencial ou não presencial. Poderá também ter um modelo, cuja estrutura inicial assente em aulas presenciais para de seguida proceder a um acompanhamento à distância. (retirado da Wikipédia, versão em inglês -

Sala de aula Currículo Professor Aluno Escola Recursos e conteúdos adicionais Internet Currículo Professor Escola Sala de aula “móvel”: Aprendizagem em qualquer lugar Internet Aluno

Conforme defende Aquino (2004), a aprendizagem é influenciada pela cultura e a experiência dos alunos, logo, a actual “geração móvel” (Moura, 2007) não será incentivada pela tradicional sala de aula. O professor terá de repensar o “espaço” da sala, pois este não pode ter o mesmo conceito quando as aprendizagens são abordadas através do modelo m-Learning, tornando-se assim num grande desafio para os professores “digital immigrants” (Prensky, 2001). Os modelos de aprendizagem tradicional e de m-Learning apresentado por Sharma & Kitchens (2004), conforme as figuras 2.5 e 2.6, realçam a diferença do conceito de sala de aula e por conseguinte a relação de comunicação entre professor – aluno.

Figura 2.5 – Modelo de aprendizagem tradicional (Adaptado de Sharma & Kitchens)

No modelo de m-Learning o local, o tempo e a fonte de informação onde alunos tinham as suas aprendizagens deixaram de estar exclusivamente ligadas à sala de aula e à presença do professor. Os alunos passaram a ter um espaço pessoal para aprender, tanto ao nível físico como temporal e, o professor, por sua vez, como já não é o principal gerador de informação, tem perante os seus alunos a responsabilidade de organizar e distribuir a informação de forma simples e eficaz procurando que o ambiente de aprendizagem seja de partilha de experiências e ideias, onde alunos e professor possam discutir entre si os conhecimentos adquiridos. Este tipo de comunicação é de facto um grande trunfo do m-Learning, pois tendo em conta os resultados de um recente estudo de Fozdar & Kumar (2007), a grande maioria dos alunos dão grande importância aos “feedbacks” do professor enviados para estes dispositivos, bem como a recepção de alguns conselhos para execução de tarefas que estes realizem à distância. Fannon (2004), citado por Peters (2007), reafirma a ideia de que os jovens de hoje encaram com naturalidade o uso de dispositivos móveis no suporte de conteúdos para aquisição de conhecimentos, o que desde logo leva a ultrapassar as “barreiras temporais e espaciais” (Fannon, 2004) do processo de ensino – aprendizagem tradicional.

Outro aspecto importante na abordagem do m-Learning, segundo McKenzie (2000), citado por Sharma & Kitchens (2004), é a de que o professor terá de ser bastante explícito quando fornece informação aos alunos, ou seja, os materiais pedagógicos devem ser elaborados de forma a que se perceba perfeitamente o que é que se pretende que o aluno faça, podendo inclusive sugerir diversas fontes de apoio ou de ajuda para a realização da sua tarefa. Para que isto seja possível, Bocanegra & González (2007) afirmam que o professor deverá ter competências ao nível técnico, pedagógico e didáctico mediante da abordagem das TIC e dos dispositivos móveis, levando a que o modelo de m-Learning proposto tenha os melhores resultados junto dos alunos.

Em suma, a forma como professores e alunos se posicionam num ambiente de m- Learning terá grande influência no sucesso do processo de aprendizagem, provocado não só pelo uso de ferramentas móveis, mas principalmente, devido à mudança necessária de atitudes por parte dos professores, cuja finalidade é a de caminhar ao lado do pensamento digital dos jovens de hoje.