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2. METODOLOGIA

2.4. Instrumento de coleta de dados

2.4.1. Pré-teste

É válido ressaltar que, antes da aplicação, o questionário foi validado, em forma e conteúdo, por meio da realização de pré-teste. Segundo Richardson (1999), tal artifício revela-

se indispensável na medida em que permite verificar, a priori, se as questões elaboradas são compreensíveis, se a duração prevista para a resposta do questionário é ad equada e se a seqüência das questões está bem delineada. Nesse pré-teste foi trabalhado um questionário elaborado a partir dos principais modelos de QVT existentes na literatura clássica e na literatura brasileira.

Assim, antes de ser testado, o questionário foi submetido ao professor orientador dessa pesquisa e a outros professores com experiência na área. O estudo piloto foi realizado em duas etapas. A primeira delas junto a 30 servidores que trabalhavam, no momento da coleta de dados do estudo piloto, na organização alvo da pesquisa. Foram sujeitos que, através de convites verbais dispuseram -se a colaborar com a pesquisa. Houve retorno de 18 questionários dos quais dois estavam em branco, totalizando uma amostra piloto de 16 respondentes.

A importância d essa etapa prende -se ao fato de tentar garantir homogeneidade de interpretação das questões formuladas, bem como clareza e objetividade do instrumento, fatores intervenientes na fidedignidade das respostas. O estudo piloto serviu para, preliminarmente, tes tar a fidedignidade do instrumento de pesquisa. Sabendo que fidedignidade é a falta de erro em um conjunto de medidas, e que erro significa a variabilidade, as flutuações das medidas, não devidas ao que quer que esteja sendo medido. Assim, quando um conjunto de medidas tem tal variabilidade, não é fidedigno (KERLINGER, 1980).

Esse erro pode ocorrer quando se trabalha com sentimento e atitudes. A investigação fica contaminada por fatores subjetivos, racionalizações, projeções, desinteresse do respondente pela pesquisa, o que ocasiona respostas ambíguas e desconexas e resulta em erro. Outro fator observado é a escala utilizada que, embora numérica, possui, em seus diversos graus, o teor subjetivo distinto para cada um dos respondentes; conseqüentemente, nem sempre respostas iguais refletem julgamentos iguais. Assim toda medida tem um componente verdadeiro e um de erro, erro esse avaliado através da fidedignidade do instrumento (SELLTIZ et al, 1987, p. 4).

Nesta primeira etapa, então, que contou com a observação das respostas dadas pelos 16 respondentes e mais as sugestões dadas pelo professor orientador desse estudo, assim como o professor da disciplina “Seminário de dissertação” e dos professores da Banca de Qualificação desse trabalho, foram retiradas do instr umento as variáveis Desenvolvimento de práticas de QVT, Adequação das ações de QVT às necessidades do indivíduo, Gestão de pessoas e Disposição em participar do PQVT, por se considerar que as mesmas estariam

voltadas para avaliação do programa de qualidade de vida no trabalho da instituição, o que não é o foco desse trabalho.

Foi percebido, a partir das respostas dadas nessa fase do pré -teste, que outros indicadores poderiam ser agrupados, como foi o caso das variáveis Feedback do chefe e Feedback do client e, que se transformaram na variável Feedback extrínseco; das variáveis Informação quanto a mudanças e eventos e Divulgação de normas e rotinas da organização,

que se fundiram em uma nova variável denominada Informação quanto a normas, mudanças e eventos. Imagem da organização junto à população e Avaliação da EMATER -RN por parte

de outros órgãos, geraram a variável Imagem externa da organização. Um grupo ainda maior

de variáveis foi fundido para formar apenas uma. Foi o caso das variáveis Condições de saúde

e segurança, Iluminação, Ventilação, Barulho ou ruído , Higienização e limpeza e Espaço físico. Todas elas formaram a variável Condições físicas do ambiente de trabalho.

Em outro caso, pelo fato de se ter procurado medir, inicialmente, cada variável mais de uma vez, pôde -se, após o estudo piloto, retirar algumas variáveis que mensuravam basicamente a mesma coisa, prevalecendo apenas uma delas. Os indicadores Participação nas

decisões da área de trabalho e Apontamento de falhas a serem corrigidas no setor de trabalho medem primordialmente a participação do indivíduo no processo decisório da

organização. O mesmo ocorre com as variáveis Esgotamento provocado pelo trabalho e Falta

de tempo para fazer o trabalho com qualidade , que implicam a quantidade ou volume de

trabalho, isto é, o ritmo de trabalho na organização.

Da mesma forma, outras três variáveis como Orgulho de fazer parte da organização ,

Divulgação da organização e do trabalho nela realizado e A EMATER -RN é a melho r

organização para se trabalhar , referem-se à imagem interna da instituição. Os indicadores Sentimento quanto do mau desempenho e Realização do trabalho mesmo na presença de

dificuldades reportam-se ao desejo de realizar um bom trabalho. Da mesma forma que as

variáveis Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e Tempo disponível fora do trabalho par

lazer e atividades sociais , que significam o balanceamento do tempo dedicado à vida fora e

dentro do trabalho; Trabalho exige cooperação com outras pessoas , Setores atuam de forma

integrada, Valorização do trabalho em equipe e Troca de experiências de trabalho , que

apontam para a integração do trabalho realizado; e Realização pessoal e Atendimento das

expectativas pessoais , que culminam na realização do indivíduo de uma maneira global,

dentro de fora do trabalho. E, por último, as variáveis Processos de trabalho coerentes e

eficazes e Processos de trabalho padronizados e normatizados , que se referem à efetividade

Buscando um número de respondentes que pudesse ser analisado com um mínimo de confiança estatística, tendo em conta o momento de melhoria do instrumento e que não exige tanto rigor metodológico, outros 14 questionários foram aplicados posteriormente, desta vez com a presença do pesquisador, para se evitar uma possível devolução sem respostas. Assim, totalizaram-se 30 questionários para essa segunda fase do pré-teste.

A confiabilidade do instrumento no estudo piloto foi verificada através da análise da congruência e d a homogeneidade interna, pelo método do coeficiente alfa de Cronbach (HAIR et al, 2005).

Considera-se, segundo Hair et al (2005), que a fidedignidade ideal do coeficiente alfa é um (1); os valores maiores ou iguais a 0,70 significam que existem coerência e compensação de erros entre os diferentes escores e itens, podendo ser agregados para análise estatística. Os valores abaixo de 0,70 já não possuem a mesma consistência, as questões devem ser revisadas de forma a se tornarem mais claras e compreensíveis. A pós os resultados, todos os indicadores de QVT que tinham um coeficiente alfa menor que 0,7 foram submetidos a uma análise correlacional para a localização do item que demonstrava incoerência em relação aos outros, possibilitando a sua exclusão ou reformulação.

Dessa forma, foram excluídas 17 variáveis que apresentaram uma correlação item - total, na análise do coeficiente alpha de Cronbach, bastante baixa. Foram elas: Ajuda da família no trabalho, Satisfação com o atual estado de saúde , Deslocamento para o trabalho,

Importância da QVT no resultado no trabalho , Tomar ex -gestores como referência ,

Realização de ginástica laboral , A EMATER -RN oferece benefícios aos funcionários e familiares que não são oferecidos por outros órgãos , Salário bastante para sustentar a

família, Existência de competição e inveja no local de trabalho , Não satisfação das

necessidades contraditórias de várias pessoas , Deslocamento para realização de outras tarefas, Satisfação com o modo de viver o dia -a-dia, Forma de avaliação de desempen ho, Ética dos colegas de trabalho , Identificação com o trabalho , Pensar em sair do trabalho e Existência de ações educativas e preventivas de segurança no trabalho.

Importante frisar que, à exceção da variável Existência de ações educativas e preventivas de segurança no trabalho, todas as demais retiradas do instrumento e mencionadas no parágrafo anterior aparecem citadas em não mais que um modelo da literatura, como, por exemplo, as variáveis Satisfação com o atual estado de saúde, Importância da QVT nos resultados do trabalho, Realização de ginástica laboral, Forma de avaliação de desempenho e Satisfação com o modo de viver o dia-a-dia do modelo de Limongi-França (1996); Tomar ex- gestores como referência, do modelo de Rodrigues (1994); e as variáveis Exist ência de

competição e inveja no local de trabalho e Deslocamento para realização de outras tarefas, variáveis inseridas neste trabalho, a partir da experiência do pesquisador em trabalhos anteriores. Observa-se, portanto, que se tratam de variáveis que ain da não demonstram muita conformidade na literatura e que, talvez por isso, apresentem um baixo coeficiente de correlação.

Com base no referencial teórico, nas respostas obtidas no estudo piloto e nas observações específicas feitas por professores e colega s, levantando pontos vulneráveis a erros de interpretações divergentes, foram realizadas as alterações finais e constituído o instrumento definitivo da pesquisa (Apêndice B). Fundamentalmente houve uma redução de 40 questões entre o questionário aplicado no estudo piloto e sua reformulação. O questionário utilizado no pré -teste constava de 92 questões e o aplicado na pesquisa constava de 52. É válido, ainda, lembrar que a numeração das questões seguiu ordem determinada através de sorteio. Para esse sorteio foram impressos papéis contendo as questões componentes do instrumento. Colocados todos os papéis juntos, à medida que as questões eram retiradas seguiam para ocupar sua posição no instrumento.

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