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No documento OficinaBrasil_outubro2011 (páginas 59-61)

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ara diversas oficinas, a presença de um modelo como Stratus, Cherokee ou Dakota é bem rara, o que gera muitas dúvidas no momento da repara- ção.

Para auxiliar nesta tarefa, o Jornal Oficina Brasil, em parceria com a oficina Dr. Chrysler, criou uma série de matérias especiais sobre a manutenção de mode- los Chrysler, Dodge e Jeep, com dicas e cuidados no diagnóstico e na execução de serviços. Acompanhe.

BREVE HISTÓRICO

Os modelos modernos da Chrysler, que engloba ainda as marcas Jeep e Dod- ge, começaram a chegar ao país no início da década de 1990, com a abertura eco- nômica e a liberalização das importações. A partir de então, modelos como Dakota, Cherokee, Gran Caravan e Wrangler pas-

saram a ser vistos nas ruas do país. Em 1998, a montadora resolveu retor- nar a fabricar modelos no Brasil, inaugu- rando uma fábrica da Dodge em Campo Largo, no Paraná, que visava atender o mercado nacional e da América do sul com a versão da Dakota equipada com o motor diesel. Entretanto, as vendas fica- ram bem abaixo do esperado, obrigando o encerramento das atividades da fábrica em 2001.

Ainda em 1998, o grupo Chrysler foi adquirido pela Daimler-Benz, que tam- bém controla a Mercedes-Benz, dando origem à marca DaimlerChrysler.

Esta parceria durou até o início de 2007, quando o grupo passou a ser con- trolado por uma empresa de fundos de investimentos chamada Cerberus e, em janeiro de 2009, a Fiat anunciou a com- pra de 35% das ações do grupo Chrysler LCC nos Estados Unidos, o que na prática

significou ter o controle administrativo das marcas Jeep, Dodge, Chrysler e da Mopar, divisão de equipamentos de alta performance.

A DAIMLERCHRYSLER

A união entre Chrysler e Mercedes- Benz rendeu uma grande troca de infor- mações entre as empresas, fazendo com que certos modelos compartilhassem componentes. Os dois principais exem- plos são o Chrysler Crossfire, um cupê baseado na Mercedes-Benz SLK320 e que foi fabricado entre 2003 e 2007, e o 300C, que compartilha sua plataforma com a Mercedes-Benz Classe E.

Também durante este período, boa parte da literatura técnica foi unificada, assim como os equipamentos de diagnós- tico e algumas ferramentas especiais. Como as concessionárias da Mercedes-

Benz viram o volume de trabalho aumen- tar bastante em um curto período de tempo, elas tiveram de buscar profissio- nais no mercado de reparação indepen- dente para suprir esta demanda por mão de obra.

Desta forma, muitos reparadores pu- deram ter contato com modelos de alta tecnologia, que exigiam procedimentos de manutenção diferenciados. Um desses profissionais foi Sandro dos Santos.

OFICINA ESPECIALIZADA Há mais de 10 anos, Sandro atua com manutenção de linha importada, traba- lhando entre 1997 e 2001 em diversas concessionárias Mercedes-Benz em São Paulo. Entre 2001 e 2002, ele trabalhou em uma concessionária da Chrysler, che- gando a ser gerente em uma delas, até

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Reparação de veículos

Chrysler - Parte 1

 A Chrysler sempre foi tida como uma marca de prestígio, capaz de associar luxo e esporti vidade, mas com custo inferior ao de modelos alemães

que decidiu abrir sua própria oficina em 2003.

Sandro foi sócio desta oficina até o fi- nal do ano de 2010, quando se viu obriga- do a encerrar a sociedade por conta dos constantes desentendimentos com seu só- cio. Ela passou por outra oficina até que, no início de 2011, decidiu voltar a atuar somente com carros Chrysler e formou uma nova parceria com um amigo de longa data, dando origem Dr. Chrysler.

Para Sandro, uma oficina especializa- da monomarca tem diversas vantagens, já que o reparador consegue focar todo o seu conhecimento em um determinado tipo de produto, tornando os serviços de reparo e manutenção mais simples. “No tempo que estive trabalhando em conces- sionária, notei que o preço cobrado pelas peças e pela mão de obra era muito alto, e nem sempre o cliente saía satisfeito com o serviço. Percebi que havia um nicho que eu poderia explorar, prestando um ser- viço com a mesma qualidade da conces-

sionária, ou até melhor, mas custando uma fração do pre- ço”, argumenta ele.

Àqueles que desejam abrir uma ofici- na especializada, Sandro orienta que três itens são fundamentais, independente da marca escolhida: conhecimento sobre os modelos, mão de obra capacitada e inves- timento em recursos de diagnóstico, como scanners e manuais. O aprendizado deve ser constante e o reparador deve estar atento aos novos lançamentos do merca- do para que ele esteja preparado para atender este cliente quando ele chegar a oficina.

A principal aliada de Sandro nessa bus- ca de informações é a internet, pois foi por meio da rede que ele pode adquirir equipamentos e ferramentas especiais que as concessionárias norte-americanas usam, além de obter acesso a uma vasta

quantidade de material técnico que vão desde catálogos de peças até manuais com procedimentos de diagnóstico. Isto permite que ele possa atender qualquer veículo fabricado entre 1983 até 2011, mesmo que não tenha sido vendido oficial- mente no Brasil.

OFICINA ON-LINE

Outro trunfo da internet é que ela per- mitiu a criação da “Oficina On-Line”, um espaço para troca de informações sobre a marca com proprietários de veículos e reparadores de diversos lugares do Brasil. Enquanto navegava em um fórum voltado para veículos off-road, Sandro notou uma grande quantidade de dúvidas a respeito de carros da marca e que ninguém conse-

guia passar orientações de forma adequa- da: “Decidi criar um tópico informando que sou um especialista na marca, e como tenho acesso a praticamente todos os ma- nuais técnicos, posso auxiliar a resolução desde problemas simples até os mais com- plexos. Já perdi a conta de quantos casos ajudei a resolver sem nem ver a cor do carro, somente conversando por e-mail, mensagens instantâneas ou pelos fóruns. Desde casos simples, como inversão de fios em um sensor ou troca de fusível até reparos na transmissão automática”.

Ele ainda esclarece que, “no início, alguns acharam que eu estava lá apenas para tentar obter algum lucro, mas sem- pre fiz questão de deixar claro que essa não era minha intenção. Com o tempo, ganhei a confiança dos outros freqüenta-

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Com o software StarMobile, é possível controlar  as funções do veículo a distância

O braço de articulação da suspensão di anteira, quan- do apresenta rompimento de uma de suas bu chas, deve ser substituído por completo

O motor oito cili ndros do 300C é capaz de funcionar apenas com a metade deles para reduzir o con sumo de combustível e a emissão de poluentes

Uma oficina especializada é capaz de atender todos os modelos, independente do ano

O Chrysler 300C foi um dos modelos avaliados na oficina

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dores do fórum, e hoje já criei espaço semelhante no Orkut e em outros fóruns da área automotiva. Diariamente, recebo ao menos um ou dois clientes que me en- contrado nos fóruns ou no O rkut, e isso é muito gratificante”.

PEÇAS, SÓ ORIGINAIS

Na oficina Dr.Chrysler, as peças são compradas por duas maneiras: nas con- cessionárias ou via importação direta dos EUA por um de seus escritórios. Dessa maneira, as peças de alto giro e mais sim- ples são compradas em autorizadas em São Paulo, mas quando o preço é muito elevado ou o prazo de entrega é muito longo, é feita a encomenda diretamente nos EUA. Na maioria das vezes, mesmo pagando todas as taxas e impostos neces- sários, é possível ainda obter um preço inferior ao cobrado pelas autorizadas, mesmo utilizando somente produtos ori- ginais ou homologados pela montadora.

Alguns clientes da oficina, porém, não possuem condições de arcar com os custos de manutenção de um carro mais antigo, pois apesar de serem baratos, continuam sendo modelos de luxo e que exigem componentes importados. Por conta disso, muitos proprietários acabam optando por comprar peças recondiciona- das, usadas ou de baixa qualidade. Nesta situação, Sandro admite que executa o serviço, mas, tanto na ordem de serviço

(OS) quanto na nota fiscal, ele anexa uma declaração assinada pelo dono do carro, em que se exime de toda e qualquer res- ponsabilidade de problemas decorrentes das peças trazidas pelo cliente.

DICAS DE MANUTENÇÃO Nesta primeira parte da série, Sandro dá algumas dicas de manutenção sobre o Chrysler 300C que, por estar comple- tando cinco anos de mercado, começa a freqüentar as oficinas para reparos mais extensos.

Na parte de suspensão, este modelo frequentemente apresenta ruídos na par- te dianteira após 60 mil km. Esse baru- lho é causado pela quebra de uma das buchas do braço de articulação inferior da suspensão, que gera uma grande fol- ga no conjunto dianteiro. Para resolver o problema, é necessário trocar o braço inteiro.

As versões equipadas com motor oito cilindros possuem um sistema que v isa re- duzir o consumo de combustível e a emis- são de poluentes, chamado MDS (sistema de deslocamento variável em inglês), que em velocidade constante, corta a alimen- tação de quatro cilindros e fecha as res- pectivas válvulas de admissão e escape. Os cilindros são “desligados” de forma al- ternada, mantendo a temperatura na câ- mara de combustão dentro do ideal. Este controle é feito por válvulas hidráulicas

Na oficina Dr. Chrysler, Sandro possui dois scanners, sendo um deles sem fio, além de um equipamento de diagnóstico de defeitos intermitentes, chamado “Co-Pilot”.

O modelo DRB3 é o scanner utilizado pelas concessionárias do grupo Chrysler nos EUA e foi comprado via internet. O aparelho reconhece qualquer modelo entre 1983 e 2007, sem necessitar de nenhuma atualização.

O Star-Mobile, outro scanner utilizado pelas concessionárias, atende todos os modelos desde 2006 e, por utilizar rede sem fio para comunicação, é possível conectar o aparelho no veículo e operá-lo á distância pelo computador.

Juntamente com estes, existe ainda o Co-Pilot, q ue é um equip amento capaz de gravar diversos os parâmetros do veículo em um determinado período de tempo. Ele é utilizado sempre que o cliente reclama de um defeito

intermitente.

Nestas situações, Sandro conecta o equipamento na tomada de diagnóstico do veículo e solicita ao cliente que rode com o carro nas situações em que a falha ocorre. Sempre que o defeito aparecer, o motorista deve acionar um botão, que faz com que os diversos sinais sejam armazenados na memória, de cinco segundos antes até cinco segundos depois de a falha ocorrer. Basta que o motorista faça isto algumas vezes e retorne com o veículo à oficina para que o equipamento seja removido do carro e ligado no computador, para que a análise dos dados possa ser feita. Com os dados em mãos, é possível identificar qual sensor, atuador ou circuito apresenta avarias. Recentemente, Sandro adquiriu o WiTech, software de diagnose da Chrysler que atende os modelos construídos em parceria com a Fiat, como o novo Freemont.

Da esquerda para a direita, o Co-Pilot, o StarMobile e o DRB3, os scanners originais da Chrysler 

As plataformas da Chrysler são identificadas por um código com uma ou duas letras, dependendo do mode- lo do veículo e do ano de fabricação. Como estas plataformas são mundiais, em todos os países os modelos rece- bem o mesmo código de identificação, o que facilita quando for necessário importar algum componente.

A seguir, alguns exemplos de códi- gos e seus respectivos modelos.

WK – Jeep Grand Cherokee (2005 a 2010)

XK – Jeep C herokee (1984 a 2001) ZJ – Jeep Grand Cherokee (1993 a 1998) ZG – Jeep Gran d Cherokee (1993 a 1998 – modelos de exportação) LH – Chrysler 300M (1999 a 2004) LX – Chrysler 300C (2006 a 2010) LY – Chrysler 300C (2011 em diante) JA – Chrysler Stratus (1995 a 2000) PL – Chrysler Neon (1995 a 2005) PT – Chrysler PT Cruiser (2001 em diante) NA – Dodge Dakota (1987 a 2004) DR – Dodge Ram 2500 (2002 em diante) SR – Dodge Viper (1992 a 2002)

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