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PRESOS NA CABANA

No documento Sumário ISBN 978-85-463-0494-3 (páginas 30-36)

No meio da noite, ouviram-se algumas vozes sussurrando e, no meio desta algazarra, Demétrius acordou e percebeu que era dele que falavam.

― Vamos acabar com a raça destes dois idiotas ainda esta noite! ― falava um deles.

― Não, o chefe disse que ele mesmo se encarregaria de meter uma bala na cabeça de cada um... ― retrucou um segundo.

Demétrius levantou-se atônito e dirigiu-se até Adrian que ainda roncava como um porco.

― Acorda, sua besta! Eles vão nos matar!

― Quem vai matar quem? De que é que você está falando?

― Nós. Eles vão nos matar. Acho que descobriram o roubo...

― Qual roubo?

― O que eu fiz... Desculpa não ter falado antes.

― Que porcaria! Como você pôde fazer isto comigo? O que foi que você roubou?

― Muitas joias e um diamante deste tamanho ― ele falou isto mostrando o diamante na mão direita.

― Deus! De onde foi que você roubou isso?

― No quarto de Alexandra!

― E eu pensei que você gostava dela... Esquece!

― Vamos fugir por trás da casa...

Os dois saíram se arrastando por baixo dos tijolos de um buraco na parede do estábulo, passaram pela cerca e fugiram por entre a mata cautelosamente para não serem vistos.

O dia já estava nascendo quando eles alcançaram as margens do rio. Lá chegando, Adrian hesitou em mergulhar. Ele estava com muito medo.

― Você não vem?

― Não.

― Ficou maluco?

― É a você que eles querem, e não a mim!

― Você acredita mesmo que eles não vão te matar depois de te interrogarem sobre mim? Vamos, sua besta! Tira esta roupa e vem logo!

― Não temos armas para lutar. Vamos apanhar até morrer e não poderei ver Elisabeth novamente e a culpa de tudo isto é tua, que além de cafajeste é um mau caráter e, ainda por cima, um maldito ladrão.

― Não, nada disso! Quem disse tal coisa? Eu precisava de dinheiro, assim como você! Depois falamos sobre isto, tudo bem?

Tenho dois revólveres cheios até a tampa e, se eles tentarem alguma coisa, vão levar bala nos peitos. Agora pula aqui!

Não muito distante, os legionários do Cavalo do Cão já haviam percebido a ausência deles e estavam em seu encalço. Eram muitos homens, armados de facas, facões e muitas armas, rifles, pistolas, revólveres e espingardas.

Eles os seguiram de longe até o momento em que eles mergulharam e, posteriormente, atravessaram o rio. Algum tempo depois, o fazendeiro chegou e juntou-se com o bando.

― Vamos caçá-los!

SEM SAÍDA

Os legionários, juntamente com Cavalo do Cão, perseguiram os dois fujões até o outro lado do rio. Nem precisaram andar muito, bastou atravessar uma velha ponte que se achava a alguns metros.

Os dois amigos, no entanto, continuaram fugindo.

Durante todo o trajeto, Cavalo do Cão permaneceu calado. Por algum tempo ele ficou imóvel, ali em cima de seu cavalo, só observando de longe os dois inimigos nadando desesperadamente.

Quebrou o silêncio:

― Estes dois não valem nada! Nem mesmo duas balas de uma arma vagabunda! Eu quero os dois encurralados, mas não o matem!

Eu quero ter o prazer de enfiar duas balas em cada um. Uma bala na testa e outra no rabo deles.

Cada uma destas palavras saiu da boca deste homem com um pouco de saliva. O bafo quente expelido exalava um fedor horrível.

O mau hálito era insuportável e quem ali estivesse teria que fazer um doloroso sacrifício para não vomitar.

Na outra margem, Demétrius gritava:

― Anda logo, sua besta! ― e movia os braços freneticamente.

― Calma, eu nunca nadei tanto! ― falou Adrian.

Os dois saíram dali correndo. Avistaram logo em seguida uma velha cabana. Era uma cabana pequena, de proporções retangulares, mas muito bem construída. Quase toda ela era de madeira firme. Ao entrarem nela, viram que estava completamente empoeirada. Móveis velhos e rústicos. Livros rasgados pelo chão, quadro antigos nas paredes e muitas caixas de madeiras espalhadas em um dos cantos.

― O que faremos agora? ― interrogou Adrian.

― Vamos matá-los e depois fugiremos!

― Para onde?

― Para qualquer lugar! ― finalizou Demétrius.

Não tiveram tempo de conversar mais, pois Cavalo do Cão e os legionários se aproximaram da cabana e gritaram aos berros:

― Estão presos!

Esta era uma verdade que nenhum dos dois queria aceitar.

Mas não havia saída, exceto a morte de ambos, ali presos e sem direito à defesa. Seria uma carnificina. Então, agora voltemos ao início de nossa narrativa, quando deixamos os dois em meio a uma decisão:

― Iremos morrer assim! ― exclamou Adrian.

Demétrius sacou as duas armas e passou uma delas para o amigo.

― Iremos morrer, sim, mas não sem lutar! ― gritou enquanto se posicionava.

A primeira bala de Demétrius foi parar no peito de um dos homens de Cavalo do Cão. A partir daí, começou uma chuva de bala que mais parecia uma queima de fogos de artifícios. Balas e mais balas atravessavam a cabana, derrubando tudo que ali se encontrava.

Por algum tempo, os dois encurralados resistiram bravamente, porém era evidente que aquela quantidade de balas era insuficiente para darem de conta de tantos homens. Vendo então que era uma situação impossível, Demétrius, após receber a arma de Adrian, disse:

― Não há como sairmos daqui vivos, pelos menos não nós dois! Nós faremos o seguinte: eu sairei antes e irei matar a todos que eu encontrar pela frente, enquanto isso você vai para trás e foge na direção oposta. Pule pela janela e vá embora. Irei distraí-los. Não olhe para trás.

― Que loucura é esta? ― indagou Adrian meio atônito.

― Não é nenhuma loucura. Apenas decidi pôr um fim em meus erros. Agora, vá! Não temos tempo a perder!

― Não vou deixá-lo fazer isso!

― Sua besta! Vá antes que eu mude de ideia. Prometa que vai cuidar bem de Elisabeth!

― Prometo! ― Adrian respondeu gaguejando.

Demétrius fez conforme havia planejado: abriu a porta e saiu atirando e cada um dos tiros acertava ou o peito ou a testa dos legionários, mas alguns deles conseguiram acertá-lo, deixando-o meio desiquilibrado. No entanto, antes de cair, deu o último tiro que atingiu somente a perna de Cavalo do Cão.

― Onde está o seu amigo? ― perguntou o fazendeiro.

― Que amigo?

― Adrian.

― Ele nunca foi meu amigo. E o deixei lá depois do rio mesmo.

Ele estava fugindo comigo porque menti para ele.

― Mentiu?

― Sim. Eu disse a ele que você queria matá-lo por causa de um cavalo que ele deixou ir embora...

― Onde estão os diamantes?

― Caíram no rio...

― Você vai morrer, miserável!

― Ah... Grande novidade! ― e tossiu, derramando um pouco de sangue pela boca ― Mas antes saiba de uma coisa: já se

perguntou por que é que tua mulher procurava outros homens? Teu pinto é pequeno! ― e caiu na gargalhada, misturada com tosse.

Cavalo do Cão atirou em sua cabeça. Sentiu-se profundamente irado. Um ódio encheu o seu coração. Não se sabe o motivo ao certo, mas ele não quis ir atrás de Adrian. Subiu em seu cavalo e foi embora com os legionários sobreviventes, deixando os corpos dos outros para trás.

Enquanto isso, bem distante dali, Adrian já se aproximava da Fazenda Matas Virgens e, lá chegando, percebeu que Elisabeth estava sentada ao lado de uma árvore. Aproximou-se calmamente e pôde ouvir estas palavras:

― Meu Deus, que eles voltem em segurança!

― Aqui estou! ― exclamou Adrian esbaforido.

Elisabeth virou-se e então o viu. Ele estava muito machucado.

Abraçaram-se e ficaram assim por algum tempo. Beijaram-se. Foi aí que Adrian sentiu que havia algo em um de seus bolsos. Meteu a mão direita e tirou-o: era o diamante de cor-de-rosa que pertencera a Alexandra.

V I D R O S Q U E B R A D O S

No documento Sumário ISBN 978-85-463-0494-3 (páginas 30-36)

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