3. A METODOLOGIA DA PESQUISA
3.4 A intervenção
3.4.1 Primeira etapa Planejamento da implementação do PBL
Esta etapa foi realizada em quatro momentos (Ver Figura 3). No primeiro momento, nos reunimos com o professor que ministrava a disciplina de TICEQ para planejarmos o desenvolvimento da metodologia PBL em sala de aula. Esse planejamento tomou como base a ementa e o Plano de ensino da disciplina. Nesse momento foi apresentado ao professor todos os instrumentos de pesquisa a serem aplicados na turma, combinando as ações e suas respectivas avaliações.
No segundo momento planejamos a construção do problema (ver p. 107) que se baseou na vivência da pesquisadora em acompanhar alunos bolsistas do programa de Iniciação à docência (PIBID) do curso de Licenciatura em Química e que fizeram parte do Núcleo de Pesquisa SEMENTE/UFRPE, em suas propostas de intervenção aplicadas na escola e que na maioria das vezes precisaram sofrer adaptações, pois às escolas ora não possuíam laboratórios, ora os mesmos estavam fechados. Dessa maneira, através da busca de artigos que pudessem embasar teoricamente essa problemática, selecionamos um trabalho referente a pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em Educação Química do Departamento de Química da Universidade Federal do Rio Grande, RS, Brasil cuja autoria pertence a Galiazzi et. al. (2001) e que tem como título: “Objetivos das atividades experimentais no ensino médio: a pesquisa coletiva como modo de formação de professores de ciências”.
Pretendíamos através da construção desse problema que os alunos vivenciassem situações que na sua futura prática profissional pudessem estar presentes, mas que independente das limitações impostas pela infraestrutura ou capital humano da escola, os mesmos pudessem trabalhar conteúdos de Química, de forma teórica e prática em suas salas de aula, utilizando as TIC como recurso didático, de uma forma mais crítica quanto ao uso do instrumento tecnológico, bem como desenvolvessem determinadas habilidades e atitudes que os auxiliassem em um posterior contexto profissional, como por exemplo, na tomada de decisões de quais materiais educacionais elaborar e utilizar, refletir em quais as estratégias de ensino poderia ser aplicada para
determinado conteúdo, tomando como base a inserção das TIC no ensino de Química.
Diante do contexto apresentado, consideramos que o mesmo está de acordo com um problema no PBL (ver p. 38-43), por se configurar para os estudantes com as seguintes características: um cenário, apresentado em forma de texto, relevante, pertinente e complexo e dessa maneira não comportando uma única solução (GORDON, 1998; WOODS, 1985; WILKERSON E GIJSELAERS, 1996) Como descrito a seguir:
No terceiro momento, foi realizado outro encontro com o professor para apresentar o problema a ser trabalhado no PBL e a pesquisadora solicitar ao docente dados relacionados à sua formação acadêmica. Ressaltando que o
O Problema
Para que haja interesse e envolvimento nas aulas de Química é importante que a teoria e a prática experimental estejam interligadas. Galiazzi et al. (2001) argumentam que embora muitos professores acreditem que possam transformar o ensino de Ciências através da experimentação, as atividades experimentais são pouco frequentes nas escolas, sob a justificativa da inexistência de laboratórios, e aquelas que os possuem, não têm recursos para mantê-los. Como professor recém-contratado, você foi selecionado para ministrar aulas de Química no 2º ano do ensino médio em uma escola na cidade do Recife, estado de Pernambuco. Ao conhecer as dependências da instituição, verificou que a mesma não possui laboratório para realização de aulas experimentais. Desse modo, o diretor da escola, sabendo que você cursou na sua graduação a disciplina de Tecnologia da Informação e da Comunicação no ensino de Química, solicitou a você a preparação de material didático utilizando as TIC que ajudasse os alunos a associar os conteúdos do 2º ano com a prática no ensino de Química.
mesmo, já tinha participado em conjunto com a pesquisadora de uma experiência anterior (Piloto) que foi utilizada como forma de capacitá-lo na metodologia, sendo alguns resultados publicados em periódico (SILVA; LINS; LEÃO, 2015). Dessa maneira, o professor em questão possuía a seguinte formação: Graduado em Licenciatura em Química, com mestrado em Educação Química e no presente momento estava cursando o Doutorado em Ensino das Ciências. Com relação ao tempo de experiência o mesmo afirmou que possuía 04 anos de docência, sendo 02 anos no Ensino Básico e 02 anos no Ensino Superior como professor temporário de uma Instituição Pública Federal.
No quarto momento, o planejamento sofreu algumas modificações e a forma de aplicação da metodologia foi repensada, pois em conversa com a professora coorientadora dessa pesquisa, a pesquisadora sentiu a necessidade de ter o planejamento da implementação do PBL de uma forma mais sistematizada. Nesse momento, a professora coorientadora dessa pesquisa indicou que a pesquisadora utilizasse um “instrumento metodológico” denominado “Toolkit” que tinha o funcionamento de um tutorial, através de cartas, que se baseava em como Pensar e Planejar um curso com a metodologia PBL (ver ANEXO C). Das 47 cartas “Toolkit” foram utilizadas 20, pois nem todas contemplavam o contexto dessa pesquisa. Selecionadas as cartas foi construída uma tabela semelhante a um check list que demonstrava uma diagnose da forma que as ações deveriam ser implementadas (ver Apêndice F). As cartas foram distribuídas na seguinte lógica: Início das atividades; Procedimento de execução da metodologia PBL e Avaliação do aluno, do conteúdo e da metodologia.