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Capítulo III Estágio na DGAF

3.4. Principais diferenças entre o POCAL e o SNC

Dada a particularidade da Instituição onde decorreu o estágio curricular, Autarquia Local (município de direito público), por lei está sujeita ao regime de contabilidade pública e o sistema contabilístico utilizado é o POCAL, que compreende as considerações técnicas, os princípios e regras contabilísticas, o plano de contas, método contabilístico, os modelos das Demonstrações Financeiras (Anexo I), a utilizar, entre outros e que difere da contabilidade empresarial que utiliza o SNC (Anexo II), método contabilístico estudado durante o percurso escolar. Neste sentido, nos pontos seguintes vamos abordar as respetivas diferenças entre os dois métodos. Dado a extensão das contas do POCAL e SNC, optou-se por presentar os planos de contas em anexo (Anexo III e IV respetivamente). As principais diferenças referem-se à conta 0 referente às contas do controlo orçamental e de ordem que existe no POCAL e que não constam nas contas do SNC e na termologia identificadora do Código de Contas, uma vez que o POCAL é dirigido para as especificidades e natureza da entidade (Município) - contabilidade pública e o SNC é utilizado no setor empresarial. Outro aspeto a referir é no que diz respeito aos conceitos utilizados por ambos os sistemas contabilísticos, conforme mencionado no Quadro 1.

Fonte: Anexos III e IV

Quadro 1 - Diferenças entre Termologia utilizada pelo POCAL e SNC

POCAL SNC

Conceitos Amortização Depreciação

Início da

amortização/depreciação Entrada em Funcionamento

Quando disponível para utilização

Métodos de Amort./Deprec. Quotas Constantes

Método da linha reta (quotas constantes)

Método do saldo decrescente (quotas decrescentes)

Conta 51 Património Capital

Amortizações/Deprecia acumuladas 481 Amortiz. Acum. De investimentos em imóveis 482 Amortiz. Acum. De imobilizado corpóreo 483 Amortiz. Acum. De imob. Incorpóreo 485 Amortiz. Acum. De bens

de domínio público 489 Perdas por imparidade

acumuladas

428 Propriedades de investimento 438 Ativos Fixos Tangíveis

448 Ativos Intangíveis 429 Perdas por imparidade

acumuladas

439 Perdas por imparidade acumuladas

449 Perdas por imparidade acumuladas

459 Perdas por imparidade acumuladas

469 Perdas por imparidade acumuladas

Vendas e prestações de serviços 71 Vendas 71 Vendas

72 Prestação de serviços Trabalhos para a própria

entidade

75 Trabalhos para a própria entidade

74 Trabalhos para a própria entidade

74 Transferências e Subsídios

obtidos 75 Subsídios à exploração

Custos/Gastos com o pessoal 64 Custos com o pessoal 63 Gastos com o pessoal

Juros obtidos 781 Juros obtidos 791 Juros obtidos

Resultados operacionais 81 Resultados operacionais -

Proveitos/Ganhos 7 Proveitos e ganhos 7 Rendimentos

Custos/Gastos 6 Custos e perdas 6 Gastos

RAI 811 Resultados antes de

impostos

Resultados líquidos 88 Resultado líquido do

exercício

818 Resultado líquido do período

3.4.2.

Métodos Contabilísticos

Como foi referido anteriormente o Serviço de Contabilidade e Património utiliza o POCAL para a classificação dos factos patrimónios.

A estrutura organizacional do POCAL é constituída por: Contabilidade Orçamental;

Contabilidade Patrimonial; Contabilidade de Custos.

O POCAL é composto por dois regimes: completo e simplificado.

A principal diferença entre os dois regimes tem por base o tipo de preparação contabilística.

As autarquias que se integram no regime simplificado apenas aplicam contabilidade orçamental. Como é o caso de grande parte das juntas de freguesia que apenas apresentam receitas e despesas, excluindo as localidades de grande dimensão e não apresentam balanços, nem demonstrações de resultados.

No regime completo, inserem-se as autarquias que contêm contabilidade orçamental, patrimonial e de custos, como é o caso dos Municípios, inclusive o Município do Sabugal.

Relativamente à Demonstração de Resultados (DR), no regime completo, também se apresentam em separado os custos/perdas e os proveitos/ganhos.

As entidades devem proceder à prestação de contas aos múltiplos utentes de informação financeira e para tal têm de proceder à elaboração e preenchimento das demonstrações financeiras, das quais fazem parte o balanço e a DR as quais apresentem a situação da entidade, no ponto de vista financeiro, económico e orçamental evidenciando uma imagem verdadeira e apropriada da posição financeira e dos resultados.

A Demonstração de Resultados evidencia os proveitos e os custos, tomando possível a comparabilidade entre essas duas grandezas, consequentemente fornece a informação sobre a formação de resultados, quer em valor, quer na sua natureza, ou seja, quanto a empresa ganhou ou perdeu, dando, assim a ideia do lucro ou prejuízo e que tipo de resultados obteve e quais os de maior peso. Quer isto dizer que, é através do DR que nos é fornecida a situação económica da empresa.

3.4.3.

Princípios Orçamentais e Contabilísticos

Os Princípios orçamentais que devem ser seguidos para elaboração e execução dos orçamentos das autarquias são:

Princípio da independência: a elaboração, execução e aprovação do orçamento das autarquias é independente do Orçamento de Estado;

Princípio da anualidade: os valores que constam no orçamento são anuais; Princípio da unidade: o orçamento das autarquias locais é único;

Princípio da universalidade: no orçamento constam as despesas e as receitas, não excluindo as dos serviços municipalizados que se encontram no orçamento anexo. P ro n p io s O am e n ta is Políticos Contabilis cos Económicos P ri n p io s C o n ta b ili st ic o s Quanto à períodização Quanto à Legalidade Quanto ao controlo de Gestão

Princípio do equilíbrio corrente: as despesas correntes

devem ser iguais às receitas correntes. Ou seja, o valor das receitas tem que cobrir o valor das despesas.

Princípio da especificação: no orçamento, as despesas e as receitas previstas devem estar descriminadas.

Princípio da não consignação: o produto de quaisquer receitas não pode ser afeto à cobertura de determinadas despesas, salvo quando essa afetação for permitida pela lei.

Princípio da não compensação: não se dá entrada de um valor líquido, é necessário registar a receita e a despesa.

Os Princípios Contabilísticos que devem ser seguidos pelas autarquias são:

Princípio da entidade contabilística: constitui entidade contabilista todos os entes públicos que se encontrem obrigados a utilizar o recente plano.

Princípio da continuidade: a entidade desenvolve a sua atividade continuamente, com duração ilimitada.

Princípio da consistência: a entidade não altera as suas políticas contabilísticas de um exercício para o outro. Se tal se suceder, deve constar em anexo nas demonstrações financeiras (DF´s).

Princípios da especialização: nas demonstrações financeiras, devem constar os proveitos e os custos.

Princípios do custo histórico: os registos contabilísticos devem basear-se em custos de aquisição ou de produção.

Princípio da prudência: É possível integrar nas contas um grau de precaução. Princípio da materialidade: as Demonstrações Financeiras evidenciam os

elementos relevantes que possam de alguma forma, afetar as avaliações ou decisões dos órgãos das autarquias.

Princípio da não compensação: os valores do ativo e do passivo têm que ser apresentados em separado.

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