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8 PRINCIPAIS REAÇÕES DO PODER PÚBLICO

No documento Ambiental DIREITO (páginas 77-80)

O Ministério Público do Pará, em conjunto com o Ministério Público Federal cobram responsabilização da Norsk Hydro e da SEMAS por danos concretos ao meio ambiente considerando a contaminação das águas por elementos presentes no fluxo de transformação da bauxita e pela omissão do dever de fiscalização e monitoramento da empresa, respectivamente.

Inicialmente, MP-PA e o MPF em conjunto com a Defensoria Pública realizaram recomendações à SEMAS, à CODEC-Companhia de Desenvolvimento do Estado do Pará e à Hydro Alunorte.

No dia 28/02/2018, o MP-PA e o MPF entraram com medida cautelar inominada tendo como pedido a proibição do uso da DRS2 até a obtenção de licença

33 INSTITUTO EVANDRO CHAGAS. Avaliação preliminar dos impactos ambientais referente ao transbordo e lançamentos irregulares de efluentes de lama vermelha na cidade de Barcarena, estado do Pará. Disponível em: <http://www.iec.gov.br/portal/wp-content/uploads/2018/03/RELAT%C3%93RIO_T%C3%89CNICO_SAMAM_003-2018.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2018.

operacional para funcionamento e até que reste demonstrada a sua capacidade operacional e segurança de sua estrutura, além de solicitar a redução de 50% da produção média mensal dos últimos 12 meses ou ao menor nível de produção mensal verificado nos últimos dez anos, o que for menor. A medida foi deferida pela justiça, inclusive pelo risco de que a contaminação alcance a capital Belém.

Em função da negativa de assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta/TAC proposto pelos parquets à Hydro, aqueles entraram com pedido de tutela de urgência cautelar antecedente, preparatório de Ação Civil Pública, em 10/04/2018, pedindo a suspensão parcial das atividades da planta industrial da empresa Alunorte, até que a sua estabilidade e eficácia operacional sejam comprovadas, sendo indispensável a demonstração técnica da capacidade operacional da ETEI (Estação de Tratamento de Efluentes Industriais) em tratar os resíduos e efluentes gerados pela atividade industrial, buscando além da preservação do local para obtenção de provas periciais, ajuda humanitária às comunidades afetadas e aos trabalhadores.

A medida judicial aponta a inexistência de Plano de Ação Emergencial por parte da Alunorte e de sistema de comunicação com as comunidades em caso de desastres; a ausência de barreiras físicas entre os DRS e as áreas das comunidades locais; o lançamento rotineiro de efluentes pluviais não tratados, diretamente no Rio Pará por duto irregular; a descoberta de mais um duto irregular conhecido como “canal reserva” com proporções de lançamentos de águas pluviais não tratadas ainda maiores do que o duto irregular anterior e que, segundo relatos de ribeirinhos era utilizado com frequência, mas segundo trabalhadores da própria empresa, apenas em situações extremas; possível mau funcionamento da DRS2; possíveis fissuras na DRS1, além de corrosão de telhado, calhas e paredes do depósito de carvão que permitiram a mistura das águas com este material e seu contato com o meio ambiente sem tratamento.

Uma outra Ação Civil Pública da Procuradoria-Geral do Estado do Pará foi deferida pela Justiça do Estado do Pará para que a Hydro Alunorte apresente plano de recuperação da área afetada, suspenda a operação de estruturas que não possuam

licenciamento ambiental, além de depositar a quantia de R$ 150 milhões em juízo ou então que apresente garantia deste valor.

Conforme dados disponíveis no site da Hydro:

“[...] O IBAMA também multou a Hydro em um total de 20 milhões de reais, divididos em duas multas de 10 milhões de reais. As multas se devem ao fato de a Hydro ter conduzido atividades potencialmente poluentes sem licença válida para tal no depósito de resíduos de bauxita DRS2 e por causa do duto de drenagem na área industrial da Alunorte. [...]”.

9 A REAÇÃO DA HYDRO ALUNORTE

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A empresa nega o transbordamento de resíduos dos DRS 1 e 2, chegando a recorrer da decisão judicial que determinava a suspensão de sua produção em 50%, não obtendo, contudo, êxito35. A empresa contratou ainda empresa de auditoria ambiental para avaliar a situação dos fatos do dia 17. O resultado dessa auditoria teria concluído que não houve problema no funcionamento das bacias de resíduos e que tampouco há indícios de que a Hydro Alunorte contaminou as águas e que tenha havido impacto ambiental significativo ou duradouro nos rios da região, mas recomendou melhorias quanto ao sistema de recursos hídricos, capacidade de tratamento, manutenção preventiva, treinamento e plano de emergência.

A empresa presta esclarecimentos dos fatos em sua página na internet informando, dentre outros esclarecimentos, que a coloração avermelhada das águas no dia 17 ocorreu pelo fato de as ruas não serem asfaltadas, assumindo a cor característica do solo local. A empresa alega que um dos dutos descobertos durante a fiscalização não teria conexão com a área de depósitos de resíduos da bauxita e que não se encontrava mais em uso, tendo sido apenas utilizado na época da construção daquela área da Alunorte, acreditando que com a quantidade das chuvas as águas tenham adentrado o cano. O duto, sustenta a empresa, teria sido agora fechado. Esclarece ainda que os demais dutos descobertos foram inspecionados pela empresa e selados.

34 Informações disponibilizadas no site da empresa Hydro.

35 MEDIDA cautelar inominada 0002384-18.2018.8.14.0008. Disponível em: <https://consultas.tjpa.jus.br/consultaprocessoportal/consulta/principal>.

A Hydro Alunorte embora admita o uso do “canal velho” afirma que as águas dele liberadas tiveram o PH tratado antes de se encontrarem com as águas da estação de tratamento de efluentes e com as águas superficiais da fábrica de alumínio que podem conter poeira da bauxita e vestígios de soda caustica, mas as águas não teriam tido contato com os resíduos do depósito36; o descarte de soda caustica devido a falha de energia elétrica em função das chuvas no dia 17; a existência de rachadura no duto que leva efluente do DSR1 para estação de tratamento, mas que o efluente foi contido em uma bacia de retenção apropriada. Informa que por determinação do Ministério Público fechou o “canal velho” e providenciou o conserto de rachadura no duto.

A empresa anuncia ainda investimentos para melhoria do sistema de drenagem da Hydro Alunorte para que suporte condições climáticas mais severas. Informou ainda que se reuniu com a comunidade no dia 20/03/2018 e se comprometeu a ajudar a superar os desafios sociais locais.

Foi anunciado ainda corte de 230 mil toneladas de produção de alumínio da Albrás, como consequência da decisão judicial de redução em 50% da produção de alumina da Alunorte, que produz a alumina matéria-prima utilizada pela Albrás.

A Hydro tem fornecido água potável às comunidades de Bom Futuro, Abaetetuba e Vila Nova.

No documento Ambiental DIREITO (páginas 77-80)