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A PRISON JUDGE DE SOUZA PLÁCIDO (PJPS) HOW TO CONFLUENCE FACTOR OF PROFILES STIGMA TIZED AND COMPLEX ON ACCESS TO JUSTICE THE EFFECTIVE

Pollyane Vieira de Assis 1

Prof. Dr. Arquimedes Fernandes Monteiro de Melo (Orientador) 2

RESUMO

Trazendo o conceito de acesso à justiça como garantia constitucional e direito fundamental, o presente artigo tem por ob- jetivo analisar tal princípio contido na Carta Magna sob o olhar dos detentos do sistema carcerário, em especial da Peniten- ciária Juiz Plácido de Souza (PJPS) localizada na cidade de Caruaru/PE. Dessa forma, desenvolve e discute a relação do perfil estigmatizado e excluído socialmente encontrado em tal estabelecimento, com a deficiência na concretização do acesso à ordem jurídica.

PALAVRAS-CHAVE: acesso à justiça; penitenciária; detentos ABSTRACT

Ringing the concept of access to justice as a constitutional guarantee and fundamental right, this article aims to analyze this principle contained in the Constitution under the gaze of the inmates of the prison system, particularly the Penitentiary Plácido Judge de Souza (PJPS) located in Caruaru / PE. Thus, it develops and discusses the profile relationship stigmatized and socially excluded found in such an establishment, with a deficiency in the implementation of access to the legal system.

KEY WORDS: access to justice; penitentiary; detainees INTRODUÇÃO

Previsto no seio da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, o acesso à justiça surge como um direito fundamental, criado também como mecanismo garantidor de outros direitos assegurados na mesma magna-carta. Presente no artigo 5º, inciso XXXV, o acesso à justiça deve ser compreendido muito além do direito de acessar aos órgãos judiciais existentes, devendo ter um alcance mais amplo, garantindo assim aos tutelados um acesso justo à ordem jurídica, como preceitua Kazuo Watanabe (1988).

Além de estar elencada na lei maior, a referida garantia encontra escopo em diversos pactos e convenções do plano inter- nacional, tais como a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, em seu art. 10, e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos de São José da Costa Rica, art. 8º, 1.

A busca pela efetivação do acesso à justiça ultrapassa a concretização de apenas um direito, individualizado. Na verdade, por se tratar de uma “expressão máxima de reivindicação de direitos, numa ordem jurídica democrática, cujo lema é a jus- tiça social, em que todos têm o privilégio de reconhecer suas prerrogativas, podendo defendê-las adequadamente” (BULOS 2014), é tido como direito fundamental, desencadeador da garantia de tantos outros direitos humanos igualmente essen- ciais. Compartilhando do mesmo entendimento e considerando o acesso à justiça como direito social, traz João Carlos da Silveira (2003):

1  Acadêmica de Direito – Faculdade ASCES

2  Doutor em Produtos Naturais e Sintéti cos Bioati vos pela UFPB. Professor adjunto IV da Faculdade ASCES nos Cursos de Direito e Farmácia. Experiência na área de Análises Toxicológicas Forenses e na área de Direito em Criminologia e Criminalísti ca.

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O conceito de acesso à Justi ça mereceu considerável evolução, transpondo desde uma formulação rudimentar, como apenas um direito natural, para avançar a um direito indivi- dual – mesmo que indisponível a enormes conti ngentes da população – agora assumindo uma feição social e políti ca de relevância e signifi cação.

Dito isto e voltando-se o olhar para a realidade das penitenciárias e presídios brasileiros, é perceptível e inegável o quão prejudicial pode se tornar a deficiência da efetivação do acesso à justiça.

Estigmatizados pela sociedade e segregados dentro do âmbito prisional, os detentos tendem a enfrentar os obstáculos da estrutura judicial hodierna para chegar ao efetivo direito de acesso à justiça, pesando ainda as dificuldades que lhes acom- panham durante toda a vida, como o limitado acesso à informação (devido ao precário ensino educacional que obtiveram), agravando e distanciando ainda mais a concretização de tal direito.

Sendo assim, carregados de estigmas, marginalizados pela sociedade e “esquecidos” pelo Poder Público, encontrados aos montes dentro dos estabelecimentos carcerários, é notória a complexidade de se efetivar e garantir o direito fundamental de acesso à justiça aos detentos, podendo ainda se apontar diversas causas e conseqüência de tal fatídica realidade.

METODOLOGIA

O estudo de caso apresentado neste artigo foi realizado através de uma pesquisa empírica, dedutiva-indutiva, explorató- ria de levantamento de campo e transversal, ainda em desenvolvimento na Penitenciária Juiz Plácido de Souza (PJPS), loca- lizada na cidade de Caruaru – PE. Foram utilizados ainda dados fornecidos pelo próprio estabelecimento enquanto número atual de presos e capacidade da unidade.

RESULTADOS

Na pesquisa ainda em desenvolvimento, passamos a caracterizar o perfil sociodemográfico dos detentos da Penitenciária Juiz Plácido de Souza (PJPS), localizada na cidade de Caruaru/PE. Desta forma, até o presente momento foi possível identifi- car que 39% dos entrevistados são jovens adultos, com idade entre 22 e 28 anos.

No tocante a escolaridade, tem-se que 31% possuem o Ensino Fundamental I incompleto, apontando ainda que o princi- pal motivo por parar de estudar foi o fato de precisar trabalhar (29% dos resultados). Consta ainda que 43% pouco gosta de ler e 29% não gosta ou não sabe. Nos dados sociais, 31% dos entrevistados disseram trabalhar como autônomos, recebendo entre 1 e 3 salários-mínimos (64%), ressaltando-se que a grande maioria apontava perceber um pouco mais de um salário.

Respondendo quanto aos dados familiares, 55% estão entre o casamento e a união estável, e 64% disseram ter filhos, sendo a maioria da mesma mãe (73%). Por fim, obteve-se ainda que 95% dos detentos participantes da pesquisa responde- ram já ter utilizado algum tipo de substância como drogas, cigarro e álcool, iniciando o consumo entre os 13 e os 17 anos de idade (53%).

DISCUSSÃO

Como bem coloca Mauro Capelleti (1988:6), se faz imprescindível a identificação dos obstáculos ao acesso efetivo à jus- tiça, devendo esta ser a primeira tarefa para então depois, serem esses obstáculos estudados e atacados. Nesse sentido, o presente artigo vem a fazer uma correlação entre o perfil do detento da PJPS, excluído socialmente, com a dificuldade em se efetivar o direito de acesso à justiça, como decorrente consequência.

Como já posto, o direito de acesso à justiça está previsto na CF/88 no Capítulo referente aos direitos individuais e coleti- vos, sendo dito também como uma garantia constitucional. Na verdade, faz-se indispensável ressaltar que tal direito deve ser considerado como de suma importância, uma vez que é gerador e garantidor de tantos outros direitos fundamentais, como traz Wilson Alves de Souza (2011):

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Sendo assim, toda vez que houvesse violação a direito ou garanti a substancial, não fosse o acesso à justi ça, esses direitos e garanti as não teriam como ser exercidos. Por outras palavras, o acesso à justi ça é, ao mesmo tempo, uma garanti a e em si mesmo um direito fundamental; mais do que isso, é o mais importante dos direitos fundamentais e uma garanti a máxima, pelo menos quando houver violação a algum direito, porque havendo essa violação, todos os demais direitos fundamentais e os direitos em geral, fi cam na de- pendência do acesso à justi ça.

Desta feita, é através do acesso a ordem jurídica que os detentos podem ver garantidos tantos outros direitos que lhe são reservados, como o direito de ir e vir (art. 5º, XV, CF/88) – proveniente da liberdade que lhe será dada com o efetivo anda- mento processual -, o respeito à integridade física e moral (art. 5º, XLIX, CF/88) – direito este que terá uma melhor efetivi- dade com a redução do número de reclusos nas unidades prisionais -, e a garantia de não ser mantido preso se a lei admitir liberdade provisória – só concedida por decisão judicial-, dentre tantos outros direitos e garantias.

No entanto, a exclusão presente na hodierna sociedade em relação aqueles que carregam consigo o estigma da prisão, somada as inúmeras deficiências apresentadas pelo Poder Público, corroboram para a formação de óbices na efetivação de tal direito ora estudado.

Quanto às falhas estruturais do Poder Público, pode-se citar: a morosidade do Judiciário em dar o devido andamento processual e prover decisões; a falta de recurso humano para atender as demandas em tempo razoável; a insuficiente quan- tidade de defensores públicos e advogados do Estado, para que possam acompanhar o andamento e realizar a ampla defesa garantida aos presos, principalmente àqueles que não possuem condições financeiras para constituir advogado particular; dentre outros.

Tais problemas, elencados exemplificativamente, somados ao perfil do detento das unidades prisionais, em especial da PJPS, sendo este um jovem adulto de baixa escolaridade, que percebe um salário limitado para prover as necessidades bási- cas de sua família e seus filhos, que pouco gosta de ler (logo tem pouco acesso à informação), e que está desde cedo envolto no mundo das drogas e das bebidas, constitui um grave problema.

Uma escolaridade deficiente, como bem explica a Sociologia Criminal, é um dos fatores fragilizantes que corroboram na tomada de decisão no cometimento de crimes. Assim, por si só, a baixa escolaridade identificada no perfil daqueles detentos surge como uma das possíveis “causas” da delinquência, uma vez que ainda existem outros fatores estudados pela criminolo- gia3, assim como também agrava a realidade dos presos, dificultando seu acesso à informação e, por conseqüência, o acesso

à justiça.

Além dos aspectos identificados no perfil dos presos, englobando aspectos sociais e educacionais, a superlotação dos estabelecimentos prisionais brasileiros dificulta ainda mais a prestação de serviços essenciais. Na perspectiva da PJPS, en- contra-se a capacidade de 418 vagas, havendo, no entanto, 1858 presos ali reclusos4. Desse impactante número, tem-se que

apenas 431 já foram condenados, estando assim 1427 deles aguardando o andamento processual.

Os dados supracitados corroboram ainda mais com a constatação da complexidade em se efetivar o direito de acesso à justiça, uma vez que a exclusão social, realidade ainda presente na sociedade hodierna, e o estigma do crime somados as deficiências estruturais do Poder Público levam a um verdadeiro impasse na garantia de acesso a ordem jurídica por aqueles que estão segregados no cárcere.

“Atualmente, busca-se uma justiça igualitária, justa, humana que perpasse por todas as classes sociais. Porém, para que isso ocorra, a igualdade deve sair do papel e passar a fazer parte da realidade dos brasileiros, a fim de poderem exercê-la

3  “Conjunto de conhecimentos que estudam o fenômeno e as causas da criminalidade, a personalidade do delinquente, sua conduta delituosa e a maneira de ressocializá-lo”. (FERNANDES 2010)

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efetivamente”. (SOUZA e CARVALHO 2015:6)

CONCLUSÃO

Diante do exposto, resta claro que há uma pré-determinada reação de consequências, podendo ter como início os fatores que levaram a tomada de decisão no cometimento de crimes, e acabam por segregar o criminoso que por esses fatores se deixou corromper, estando entre eles à deficiente escolaridade.

Assim sendo, a formação educacional incompleta surge como causa da falta de oportunidades de empregos melhores, fazendo com que possa ser identificado mais um fator do perfil dos detentos, que restam por receber pequenos salários.

Esse conjunto de dados que compõe o perfil sociodemográfico, e as exemplificadas deficiências do Poder Público, junto a estes presos, refletem uma grande dificuldade e complexidade em se efetivar o direito constitucionalmente garantido que lhes é o acesso à justiça.

Havendo, no entanto, tal efetivação, muito da realidade social se transformaria, não somente no tocante a vida interna das unidades prisionais. Neste ponto, por sua vez, é possível apontar que a garantia do acesso à justiça levaria a uma dimi- nuição no número de detentos, ou no mínimo, elevar-se-ia o número de presos já condenados, ou seja, que já receberam o quantum da sua punição e que poderão desfrutar de tantas outras garantias que lhe são previstas no âmbito da execução penal.

Por fim e como arremate do estudo ora apresentado, tem-se que o perfil excludente e carregado de estigmas ora apresen- tado dificultará e muito o acesso à justiça por aqueles que estão reclusos em unidades prisionais, em especial na PJPS. Como decorrência de tal conclusão, observa-se que a esmagadora maioria ainda encontra-se sem julgamento.

Há que se dizer que muito precisa ser feito, em especial pelo Poder Público (seja quanto ao Judiciário, Executivo e Legis- lativo), visando à redução na discrepância de acesso ao ordenamento jurídico pelas pessoas que possuem um maior poder aquisitivo (assim constituem advogado em pouco tempo e podem acompanhar de perto o andamento processual) daqueles que restam por excluídos e esquecidos (compondo esta a grande maioria) nos estabelecimentos prisionais.

REFERÊNCIAS

BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional . 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

CAPPELLETTI, Mauro & GARTH, Bryant. Acesso à Justiça. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 1988.

FERNANDES, Newton e FERNANDES, Valter. Criminologia Integrada. 3. Ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

SILVEIRA, João Carlos da. Acesso à Justiça e Direitos Fundamentais. Revista electrónica de derechos existenciales, n. 24, dezembro de 2003. Disponível em: < http://www.revistapersona.com.ar/Persona24/24Silveira.htm>. Acessado em 18 Jun 2016.

SOUZA, Antônio Ivo Rodrigues de & CARVALHO, Maria Luciene Barbosa. Acesso a justiça enquanto direito fundamental aos hipossuficientes. Disponível em: https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidspp/article/viewFile/13148/2337>. Acessado em 17 Jun 2016.

SOUZA, Vera Leilane Mota Alves de. Breves considerações sobre o acesso à justiça. Jus Navigandi. Disponível em: < ht- tps://jus.com.br/artigos/24200/breves-consideracoes-sobre-oacesso-a-justica>. Acessado em 16 Jun 2016.

SOUZA, Wilson Alves de. Acesso a Justiça. Salvador: Dois de Julho, 2011.

TORRES, Ana Flávia Melo. Acesso à Justiça. Âmbito Jurídico. Disponível em: < http://www.ambitojuridico.com.br/site/ index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=4592>. Acessado em 16 Jun 2016.

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