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2.   REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 13

2.6.   PROBLEMAS AMBIENTAIS DA BACIA DO PIPIRIPAU 41

poluidor dos dejetos de suínos e aves, abundantes nesta bacia.

Um aspecto importante a ser considerado para o desenvolvimento local é a organização comunitária, composta hoje pelas seguintes Associações: Associação de Horticultores da Taquara e Pipiripau - ASHORT; Prefeitura Comunitária da Taquara - PRECONTAQ; Associação dos Agricultores e Pecuaristas do Núcleo Rural da Taquara - AGROTAQUARA e Cooperativa Agrícola da Região de Planaltina - COOTAQUARA. A PRECONTAQ envolve-se quase que exclusivamente com as causas sociais, administrativas e religiosas da população, sobretudo da agrovila, enquanto a AGROTAQUARA, ASHORT e COOTAQUARA envolve-se com a produção e comercialização dos produtos. A criação, montagem e consolidação destas estruturas organizacionais contam com a participação efetiva da EMATER-DF.

Segundo dados da EMATER (2004) e Oliveira (2006), considerando a Agrovila Taquara e as propriedades rurais integrantes deste núcleo, lá residem cerca de 4.000 pessoas, onde as residências locais são abastecidas por poço artesiano e o saneamento é feito através de fossas sépticas.

2.6. PROBLEMAS AMBIENTAIS DA BACIA DO PIPIRIPAU  

Segundo Rocha (2007), em relação aos valores de DBO5 para a série histórica de 1993 a 2000, o Pipiripau encaixa-se na classe 1, de acordo com a classificação da Resolução CONAMA 357/05 podendo ser considerado de boa qualidade no que se refere à poluição por esgotos.

Entretanto o maior fator de poluição e degradação da qualidade dos recursos hídricos da bacia é o elevado grau de erosão. Por esse motivo, o Ribeirão Pipiripau possui a segunda pior qualidade de água dentre todos os mananciais explorados pela Caesb, obtendo IQA = 68,5 (Caesb, 2009). O IQA (Índice de Qualidade da Água) é o indicador utilizado pela Caesb para a caracterização da qualidade da água “in natura” dos mananciais. Para o cálculo do IQA são considerados oito parâmetros: cor, turbidez, amônia, ferro, cloreto, pH, DQO e coliformes totais.

De acordo com os estudos de Rocha (2007), as áreas com maior risco de erosão estão localizadas na parte mais baixas da bacia e, em geral, estão próximas a cursos d’água. Como os solos da bacia são relativamente erodíveis, os mesmos sofrem um processo de erosão acelerada durante o período chuvoso (outubro a maio). O sedimento gerado nas propriedades é levado pelas enxurradas, chegando ao ribeirão Pipiripau (CHAVES, 2001).

Além da pequena utilização de práticas mecânicas de conservação de solo, outro fator que contribui para a contínua degradação dos recursos hídricos da bacia é a retirada das áreas de vegetação nativa. De acordo com Chaves (2001) dentre essas áreas, cabe destacar a importância das de preservação permanente, que geralmente estão localizadas junto ao leito dos rios. Degradadas, as matas ciliares não têm a mesma capacidade de amortecimento de enxurradas e um grande volume de sedimentos acaba chegando ao corpo hídrico, gerando uma série de prejuízos para toda a população.

No que se refere à influência do regime de chuvas sobre a qualidade da água, é possível verificar, a partir de dados de turbidez obtidos em coletas realizadas no ponto de captação da CAESB, que o escoamento superficial provocado pelas águas das chuvas promove uma considerável degradação da qualidade da água do Ribeirão Pipiripau (CAESB, 2001).

De acordo com os dados fornecidos pela CAESB, no ano de 2001, durante o período chuvoso, foram registrados valores para a turbidez superiores a 157 uT, fato que inviabiliza, temporariamente, o uso do Ribeirão Pipiripau para abastecimento público conforme Resolução n.º 20 do CONAMA(18/06/86). Este tipo de evento faz com que a CAESB tenha que realocar água de outros mananciais para abastecer as localidades normalmente atendidas pelo Pipiripau, um procedimento que eleva o custo de operação da companhia de abastecimento de água de Brasília.

2.6.1. Conflitos na Bacia pelo uso da Água  

Os conflitos pelo uso da água na bacia são constantes devido ao canal Santos Dummont, que abastece parte dos proprietários rurais, e pela captação de água da Caesb para abastecimento público. Outros empreendimentos contribuem para a geração do conflito como a utilização de um pivô central, existente na região e pertencente a uma empresa de extração e lavagem de areia.

Além desses, há outros 260 usuários de água, presentes em toda bacia do Pipiripau, cadastrados nos bancos de dados da ANA e ADASA (dados de 2009). 78% desses usuários fazem uso da água para irrigação, principalmente de hortaliças (ANA, 2004). Outros usos expressivos são para dessedentação animal e aquicultura.

No que se refere às estimativas de demandas na bacia do ribeirão Pipiripau, nota-se que entre os meses de novembro a março, ocorrem às menores demandas na bacia, em torno de 430 l/s, correspondente ao período chuvoso e consequentemente relacionado a uma menor demanda de água pelas culturas irrigadas. O trimestre julho- setembro, que corresponde ao ápice do período seco no Distrito Federal, representa o período mais crítico em termos de demandas, cujos valores variam entre 770 l/s a 920 l/s, ou seja, praticamente o dobro da estimativa de demanda em relação ao período chuvoso (ANA, 2004).

Como grande parte da água consumida é utilizada para a produção de alimentos a maior parte desta não retorna a bacia. A figura a seguir ilustra a demanda de água utilizada pelos empreendimentos presentes na bacia.

Figura 6

Variação da estimativa da demanda sazonal dos empreendimentos

Estudos da SEMATEC (1999) preveem que haverá um aumento da demanda de água em Planaltina em aproximadamente 52% nos próximos 15 anos, fato este relacionado ao crescimento populacional. O uso da água subterrânea para a utilização na agricultura é um fato que preocupa a CAESB, sendo relatado como uma prática perigosa para a disponibilidade e qualidade das águas do aquífero.

A captação da CAESB na bacia do Pipiripau, cuja operação iniciou-se no ano 2000, faz parte do Sistema Integrado Sobradinho/Planaltina. Esse sistema integrado é composto atualmente por oito captações superficiais e quinze poços profundos (CAESB, 2005).

Figura 7

Sistema integrado Sobradinho/Planaltina

Fonte: Caesb (2004).

O Subsistema do Pipiripau inclui uma captação com barragem de nível em concreto cujo reservatório é operado a fio d’água, tendo sido avaliado como de vida útil de 50 anos (GALVÃO e CHAVES, 2008). A água captada do Pipiripau é conduzida para a unidade de tratamento simplificado, localizada em Planaltina, e posteriormente conduzida para abastecimento.

O empreendimento tem outorga (Resolução ANA 340/2006) para captação de 400l/s, embora tenha capacidade instalada para a adução de 720 l/s. Porém, em virtude dos longos períodos de estiagem e da qualidade da água muitas vezes imprópria para captação, esse subsistema tem operado com um valor médio captado de 280 l/s.

Atualmente, as águas do Pipiripau abastecem 180.000 habitantes da cidade de Planaltina. Se houvesse condições para que o valor de outorga (400 l/s) fosse

integralmente captado durante todo o ano, 265.000 pessoas poderiam estar sendo atendidas (CAESB, 2009).

2.6.2. Problemas do Núcleo Rural Taquara  

Através de visitas técnicas e questionários aplicados pela equipe da EMATER, juntamente com profissionais da CAESB, no ano de 2008, foram identificados alguns problemas presentes no região do Núcleo Rural Taquara. Tendo como tema inicial a influência da captação da CAESB sobre a quantidade de água disponível para a agricultura foram identificados os seguintes problemas:

• Preocupação de limitar a água para agricultura; • Atividades na bacia que afetam a água a jusante; • Desmatamento;

• Água em pouca quantidade para Núcleo Rural Taquara; • Possível redução na produção agrícola;

• Influência no manejo por razão da qualidade de água; • Crescimento acelerado da população urbana.

Abordando as questões relativas à qualidade da água e a contaminação por agrotóxicos foram salientados os seguintes pontos:

• Destinação inadequada das embalagens de agrotóxicos; • Destinação inadequada de restos de animais;

• Aplicação inadequada de agrotóxicos.

Em relação à conservação de solos e estradas e a reposição da mata ciliar foram salientados diversos pontos preocupantes como:

• Terraços mal construídos; • Problemas de assoreamento;

• Estradas com baciões sem conservação;

• Erosão em alguns locais da microbacia (estradas);

• Falta de um projeto integrado de conservação do solo e da água;

• Plantios inadequados nas margens do córrego não respeitando os limites impostos pela lei

Dentro desta perspectiva a possibilidade de redução da utilização da água para irrigação preocupa a comunidade, assim como a CAESB, já que problemas como o desmatamento e falta de conservação das nascentes podem afetar a produção e a renda dos produtores, devido ao aumento no custo de produção agrícola, ocasionado pela escassez de água e até a sua inviabilidade o que proporcionaria o aumento das taxas de desemprego na região. Outra realidade salientada neste estudo é o aumento da demanda pela utilização do recurso água, sendo que em algumas propriedades a água subterrânea já vem sendo utilizada para a irrigação de lavouras.

De acordo com o relatório supracitado, diversos problemas comprometem a qualidade e a quantidade de água disponível na bacia. A utilização indevida da água, assim como as práticas agrícolas inadequadas, que geram a degradação do solo comprometem a viabilidade agrícola e econômica da região, além de prejudicar a captação de água pela CAESB, devido a redução da vazão e perda de qualidade, que por sua vez encarece o tratamento. De acordo com o relatório parte desses problemas são oriundos da ocupação inadequada do solo. Dentro desta perspectiva será descrito a seguir algumas características relacionadas a ocupação e utilização do solo na Bacia do Pipiripau.

2.7. MALHA FUNDIÁRIA  

A ocupação da região onde se encontra a bacia do Pipiripau ocorreu antes da construção da capital, ainda no início da década de 60. O local era constituído por grandes fazendas que, com o passar dos anos, foram desapropriadas e parceladas. Após a construção de Brasília, devido à política nacional de incentivo à ocupação do cerrado ocorreu a criação dos núcleos rurais do DF, transferindo para o Planalto Central produtores das Regiões Sul e Sudeste.

Na Bacia do Pipiripau, as propriedades rurais existentes são constituídas, em grande parte, por terras arrendadas. São terras públicas cuja competência é da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal - TERRACAP. A área ainda é composta por propriedade de particulares e de posse. Observa-se um grande grau de antropismo, prejudicando a qualidade das águas e comprometendo sua disponibilidade.

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