ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO
4.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS E INSTRUMENTOS
Como ensina Triviños (1987, p. 138), a pesquisa qualitativa exige que seja dada atenção especial ao informante, razão pela qual os procedimentos de coleta de dados, bem como a escolha dos instrumentos devem ser cuidadosamente previstos. Assim, o processo de pesquisa qualitativa recolhe seus dados por meio de vários instrumentos que proporcionam a obtenção do maior número possível de informações.
Nesta investigação, os procedimentos para coligir os dados foram distribuídos em três etapas, iniciando-se com a revisão de literatura em fontes bibliográficas variadas, seguida de entrevistas estruturadas aos bibliotecários de órgãos públicos objeto do estudo, lotados em unidades sediadas em Salvador, Bahia. A terceira etapa consistiu na aplicação de questionário aos bibliotecários que trabalham em outros estados.
Vale assinalar que, com a primeira leitura da bibliografia selecionada e com o início das entrevistas, começaram também as fases de análise e de interpretação, pois, como bem afirma Triviños (1987, p. 131), o relatório final “[...] vai se constituindo através do desenvolvimento de todo o estudo e não é exclusivamente resultado de uma análise última dos dados.”
Selltiz (1967, p. 273 apud GIL, 2002, p. 115) leciona que as técnicas acima selecionadas são adequadas para reunir informações a respeito do que o indivíduo “[...] sabe, crê ou espera, sente ou deseja, pretende fazer, faz ou fez, bem como a respeito de suas explicações ou razões para quaisquer das coisas precedentes.”
4.3.1 Revisão de literatura
O referencial teórico relacionado à competência informacional, à competência informacional no ambiente de trabalho, ao bibliotecário e à função educativa do profissional da informação foi construído pelo levantamento da produção científica na Ciência da Informação e
na Biblioteconomia. Na Administração, buscou-se entendimento acerca da competência e do uso da informação nas organizações. No Direito, investigou-se a estrutura e organização da Administração Pública e das instituições selecionadas. A revisão de literatura assinalou a existência de estudos sobre o conceito e práticas da competência informacional no ambiente de trabalho e proporcionou entender a questão da competência e a visão dos teóricos da Administração e da Ciência da Informação a respeito do papel do bibliotecário nas organizações, o que enriqueceu o conhecimento da pesquisadora para respaldar a fundamentação teórica e a análise e discussão dos resultados obtidos.
Esta investigação, cumpre registrar, teve na pesquisa bibliográfica, uma das etapas mais estimulantes. Precedeu o início do trabalho e continuou em todo o processo, tanto para descobrir novos tópicos e tendências, uma vez que o tema tem despertado o interesse de pesquisadores em todo o mundo – o que aguçou o empenho de, mais ainda, conhecer – quanto para garantir a inclusão de material mais atualizado, principalmente artigos publicados na internet, que poderiam até mudar o direcionamento da pesquisa.
O material pesquisado nas bibliotecas do ICI e da Universidade Salvador (UNIFACS), inicialmente em fontes formais de informação, como periódicos e livros, foi devidamente organizado e fichado, sendo destacadas as idéias que poderiam nortear a coleta e análise dos dados. Em seguida, a investigação teve continuidade em artigos acessados na internet, em bases de dados especializadas e, posteriormente, em fontes informais de informação, como seminários e encontros, em um dos quais houve a possibilidade de estabelecer contato com Elizabeth Adriana Dudziak, uma das pesquisadoras pioneiras no estudo da matéria no Brasil, que incentivou a pesquisa e confirmou a insuficiência de trabalhos realizados na área, no contexto nacional. Por fim, a revisão de literatura foi ainda complementada com a troca de mensagens eletrônicas com teóricos como Bernadete Santos Campello, Christine Susan Bruce, Elisabeth Adriana Dudziak, Juan Carlos Fernández Molina, Patrícia Senn Breivik, Regina Célia Baptista Belluzzo e Sheila Webber, que teceram comentários sobre a temática analisada. Essa fase da investigação, com a leitura intensiva dos teóricos, ampliou os limites de compreensão da pesquisadora sobre a matéria e esclareceu suas inclinações de estudo.
Cumpre elucidar que, por ser matéria incipiente na Ciência da Informação, a produção científica pertinente se reduz basicamente a artigos de periódicos e a publicações em eventos ou em portais de entidades que apóiam e fomentam a pesquisa em competência informacional. Especificamente de referência ao ambiente de trabalho, foi identificado apenas um livro, o de Goad (1999). Entretanto, quer por terem publicado mais de um trabalho dedicado ao tema, quer por serem reiteradamente citados por aqueles que estão realizando investigações nesse domínio,
alguns nomes já se projetam no cenário internacional como referências essenciais ao estudo do assunto, a exemplo de Abbel (1998, 2000), Bruce (1998, 1999), Cheuk (2002), Kirton e Barham (2005), Lloyd (2003a, 2003b, 2005, 2007), Oman (2001), O’Sullivan (2002) e Webber e Johnston (2000, 2003).
4.3.2 Entrevista
Os dados qualitativos foram obtidos por meio de entrevista estruturada com os bibliotecários dos órgãos públicos já especificados, lotados em Salvador. Para Marconi e Lakatos (2006, p. 197) “[...] a entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional.” É uma forma de comunicação, na qual as informações que se deseja obter são transmitidas de uma pessoa, pesquisada, para outra, pesquisador. Foi escolhida como instrumento desta investigação, em razão das reiteradas afirmações dos estudiosos sobre ser a que melhor se ajusta às pesquisas qualitativas, uma vez que permite aprofundamento a respeito do que se quer verificar, além de ter maior flexibilidade, podendo o pesquisador se adaptar a situações inusitadas que podem ocorrer. Os questionamentos, fundados em teorias que interessam ao exame, permitiram respostas detalhadas dos investigados, que participaram, assim, da elaboração do conteúdo do estudo.
De acordo com Marconi e Lakatos (2006, p. 199), a entrevista pode ser padronizada ou estruturada, que segue um roteiro pré-determinado; despadronizada ou não-estruturada, que não obedece a roteiro prévio; e painel, que de período em período repete as perguntas às mesmas pessoas. Para maior padronização dos dados obtidos, optou-se pela entrevista estruturada, a qual garantiu que nenhum aspecto do que se desejou conhecer fosse omitido. Entretanto, comentários ou pedidos de esclarecimento foram permitidos, quando relevantes para o estudo.
Uma vez que, conforme ensina Triviños (1987, p. 129), a pesquisa qualitativa se preocupa mais com o processo do que com os resultados ou produto, a elaboração do roteiro da entrevista revestiu-se de cuidados, para evitar a influência excessiva da pesquisadora sobre os entrevistados, de forma que pudessem revelar suas opiniões, tendências e entendimentos do fenômeno estudado.
A parte inicial do roteiro da entrevista (APÊNDICE B) constou de cabeçalho de identificação, com nome da instituição de ensino e do programa de pós-graduação ao qual a
pesquisa está vinculada, seguido do título do trabalho e do convite para participação que, além do nome da orientadora, objetivo do estudo e nota sobre o consentimento do bibliotecário, assegurou o caráter científico da investigação e o sigilo dos dados que poderiam identificar os respondentes. A segunda parte, dedicada à exploração do tema, foi constituída por 18 perguntas. Elaborado e revisto o roteiro inicial, foi realizado um pré-teste, para verificar se as perguntas estavam claras e objetivas e se apresentavam algum óbice à coleta dos dados de interesse do trabalho. De acordo com Marconi e Lakatos (2006, p. 230), o pré-teste deve ser aplicado a uma amostra reduzida, na qual a seleção é similar à da pesquisa, mas os sujeitos não devem fazer parte da amostra final. Foram intencionalmente selecionados dois profissionais da informação, de dois órgãos que não fazem parte da população estudada, os quais responderam às questões sem dificuldades de entendimento.
Apesar de não ter havido empecilho a que as entrevistas do pré-teste fluíssem de forma natural, depois de analisados os dados, o roteiro inicial foi revisto e modificado, eliminando-se duas questões que não guardavam qualquer relação com os objetivos da investigação, sendo então validado o instrumento.
Dividida em seis blocos, após a redução feita com o pré-teste, a segunda parte do roteiro ficou constituída por 16 questões, de forma a atender aos objetivos da pesquisa. O bloco um, com apenas uma questão, se referiu à titulação; o bloco dois, também com apenas uma pergunta, versou sobre o valor da informação no órgão público; o bloco três, constituído por quatro questões, tratou especificamente da competência informacional no ambiente de trabalho e sobre a forma como os respondentes percebem essa competência; o bloco quatro contemplou a percepção dos bibliotecários sobre treinamento em competência informacional no ambiente de trabalho, com a formulação de quatro perguntas; o bloco cinco, com três questões, explorou o papel educativo do bibliotecário; e, por fim, o bloco seis, com três perguntas, indagou aos respondentes sobre as necessidades de treinamento para que possam ensinar competência informacional no ambiente de trabalho. Tentou-se ajustar o interesse do estudo ao tamanho do roteiro, de forma que um instrumento muito longo não se tornasse uma barreira à participação na pesquisa.
Foi relevante, quando da elaboração do roteiro, decidir sobre a gravação ou não das entrevistas. Considerou-se a recomendação de Triviños (1987, p. 148) de que, embora seja um processo mais trabalhoso, deveria ser o adotado, para garantir a fidelidade e integridade dos dados, que poderiam ser consultados a qualquer momento. Definiu-se, também, que durante as respostas seriam feitas anotações no roteiro, para consulta no momento da transcrição, caso persistisse alguma dúvida sobre o conteúdo da gravação.
Estabeleceu-se, ainda, que as entrevistas, num total de dez, como demonstra o Quadro 4, seriam presenciais, feitas individualmente no ambiente de trabalho dos respondentes que exercem atividades nos órgãos públicos sediados em Salvador e que os agendamentos seriam por meio de telefone e de correio eletrônico.
Instituição Total de bibliotecários
PODER JUDICIÁRIO FEDERAL 5
MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO 4
ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO 1
TOTAL 10