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Procedimentos de Tratamento e análise de dados

III. Metodologia

4. Procedimentos de Tratamento e análise de dados

Após a recolha das respostas dos professores avaliadores/relatores procede-mos à sua análise, tendo em conta os principais pressupostos da técnica de análise de conteúdo, frequentemente utilizada na investigação a área da educação, com o objetivo de aumentar a compreensão do investigador acerca dos dados que recolhidos.

Para Bardin (2004:7), “a análise de conteúdo é (...) um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais subtis em constante aperfeiçoamento que se aplicam a discursos (...) extremamente diversificados. O fator comum destas técnicas múltiplas e multiplicadas (...) é uma hermenêutica controlada, baseada na dedução: a inferência. Este tipo de análise, requer um elevado esforço de interpretação e procura de objetividade porque os dados, por norma apresentam um elevado grau de subjetividade. Por esta razão é que dados, nestes casos, não precisam apenas de ser analisados como interpretados”.

Segundo Bogdan e Biklen (1994), a análise de dados é o processo de busca e de organização sistemático de entrevistas, de notas de campo e de outros materiais acumulados, com o objetivo de aumentar a sua própria compreensão, desses mesmos materiais e de lhe permitir apresentar aos outros aquilo que encontrou.

Este estudo de caso segue uma linha interpretativa, que no dizer de Afonso (2005:118), prevê que:

O tratamento da informação qualitativa é um processo muito mais ambíguo, moroso e reflexivo, que se concretiza numa lógica de crescimento e aperfeiçoamento. A formatação do diapositivo não é prévia ao tratamento de dados. Pelo contrário, constrói-se e consolida-se à medida que os dados vão sendo organizados e trabalhados no processo analítico e interpretativo.

Numa primeira etapa procede-se à recolha dos elementos que vão ser sujeitos à análise, essa escolha deverá ser feita tendo em atenção determinadas regras, tais como: a exaustividade, a homogeneidade, e a pertinência. Depois divide- se em categorias que são rubricas significativas em função das quais o conteúdo será classificado. Após a definição de categoria é necessário proceder à definição das unidades de registo sendo estas o segmento mínimo de conteúdo que se considera necessário para poder proceder à análise, colocando-a numa determinada categoria.

De acordo com Bardin (2004), a análise de conteúdo consiste num conjunto de regras e métodos, de instrumentos metodológicos aplicáveis a múltiplas situações, cujo fator comum é uma interpretação controlada com base na dedução, ou seja, na inferência. O interesse da análise de conteúdo não reside na descrição dos conteúdos, mas antes no conhecimento que se poderá retirar após os dados terem sido tratados.

Esta técnica varia entre o rigor objetivo e a subjetividade, assumindo um papel fundamental na análise de dados, que permite deter o tempo necessário, rico e proveitoso entre a mensagem recebida e a reação interpretativa. Com efeito, podemos falar de análise de conteúdo como uma técnica de investigação que permite descrever de forma objetiva, sistemática e quantitativamente o conteúdo manifesto da comunicação, tendo como grande finalidade a sua interpretação Berelson, citado Silva e Pinto (1986).

Tal como afirma Krippendorf, citado por Silva e Pinto (1986:103), a análise de conteúdo é uma técnica de investigação que permite fazer inferências, válidas e replicáveis, dos dados para o seu contexto.

Mas, tal como nos refere Bardin (2004), a análise de conteúdo deixa de ser apenas uma técnica de descrição passando a ser, também, uma técnica que permite inferir e passar da descrição à interpretação dos dados, enquanto atribuição de sentido às características do material que foram levantadas, ou seja, a sua finalidade é retirar ilações sobre as mensagens cujas caraterísticas foram inventariadas e sistematizadas. Apesar de poder assumir vários significados, a análise de conteúdo constitui-se como um processo sistemático caraterizado pelo trabalho dos dados recolhidos de diversas formas: organiza-os, divide-os em categorias, sintetiza-os e retira-lhes as ideias mais importantes, codifica-os utilizando um determinado sistema de códigos.

No entender de Bardin (2004), as fases da análise de conteúdo desenvolvem- se em torno de três eixos sequenciais: a pré-análise, a exploração do material, e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.

O primeiro, diz respeito à fase da organização. É um tempo de intuições, cujo principal objetivo é a operacionalização e sistematização das ideias iniciais, que visa a obtenção de um esquema rigoroso, embora flexível, do desenvolvimento das operações sucessivas num plano de análise. Isto é, nesta fase o investigador seleciona os documentos para análise, formula as hipóteses e os objetivos e elabora os indicadores, procedendo, por último, à preparação do material que, numa fase posterior, será explorado e tratado.

O segundo diz respeito à fase de exploração do material, isto é, o investigador estuda o material que recolheu e já submeteu a uma pré-análise, de modo a, posteriormente, tratar e interpretar os resultados obtidos.

Por fim, o investigador procederá ao tratamento dos resultados obtidos e sua interpretação. Esta fase, caracterizada por ser longa e monótona (Bardin, 2004), relaciona-se, sobretudo, com operações de codificação, desconto ou enumeração, em função de regras previamente formuladas, isto é, os resultados obtidos são submetidos a tratamento de modo a se constituírem como significativos e válidos, mostrando-se, por isso, necessário e pertinente conhecer a razão pela qual se

procede à análise, explicitando-a de forma a saber como tratar o material. Tratar significa codificar o material, transformá-lo sistematicamente e agregá-lo em unidades que possibilitem descrever, com exatidão, as características pertinentes do contexto (Holsti, 1969).

O investigador, após conseguir obter resultados válidos e significativos, realizará à posteriori a categorização e codificação dos dados, para que, desta forma, lhe seja possível criar ilações e interpretações, em concordância com os objetivos que se propôs atingir como poderá aparecer novas hipóteses de estudo.

A interpretação dos resultados obtidos, será elaborada com base nos objetivos e no suporte teórico, é fundamental para a obtenção de um resultado autenticado e consistente.