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CAPÍTULO III: ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO 63

3.7 Procedimentos 90

3.7.1 Etapas e procedimentos do trabalho de campo

O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objectivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis (José Saramago, s/d).

definição dos objectivos, foram enunciadas algumas questões investigativas que permitiram

definir o esquema conceptual para o estabelecimento de algumas relações esperadas entre as variáveis e a sua operacionalização, bem como o cronograma das etapas a desenvolver. Dando cumprimento a esse cronograma, o processo de recolha de dados desenvolveu-se em dois momentos distintos: um primeiro momento, entre Novembro e Dezembro de 2010 - aplicação de inquérito/escalas - que viriam a determinar o número de sujeitos da amostra; um segundo momento, em Abril, pela necessidade de ser considerado o desempenho académico dos alunos do 2º período de 2011. Esta recolha de dados teve por base a consulta de documentos oficiais produzidos pela Escola, nomeadamente, as Pautas de Avaliação de final do 2º período.

A investigação educacional, como qualquer outra investigação, pressupõe um agir para o bem comum. Cada etapa de uma investigação pode estar associada a problemas éticos os quais podem resultar da própria natureza do projecto, do contexto da pesquisa, dos procedimentos adoptados, dos métodos e tipo de dados recolhidos, da natureza dos participantes ou, ainda, do que se irá fazer com os dados obtidos (Cohen & Manion,2000).

No momento de recolha de dados, as questões éticas devem reflectir-se no comportamento do investigador o qual deverá garantir e respeitar os direitos de todos os que participam, voluntariamente, no trabalho de investigação. Segundo Bogdan e Biklen (1994) existe algum consenso relativo à ideia de que os sujeitos devem ser informados sobre os objectivos da investigação e garantir o pressuposto da obtenção do consentimento informado. Nesse sentido, e tendo em vista a realização deste estudo, foi solicitada a autorização formal ao Director do Agrupamento da escola (Anexo 4) acompanhada de um exemplar dos instrumentos/inquéritos a aplicar. Foram seleccionadas as turmas-alvo e, uma vez concedida a autorização da instituição de ensino, foi enviado aos Encarregados de Educação um pedido formal de autorização da participação dos seus educandos na investigação – consentimento informado (Anexo 5). Houve, também, um contacto prévio com o(a) Director(a) de Turma, para esclarecimento dos objectivos do estudo e das condições de aplicação dos instrumentos, tendo sido acordada a data mais conveniente para a aplicação do pré e pós-teste (aula de Formação Cívica). Procurou-se, assim, garantir uma menor interferência ou perturbação nas actividades pedagógicas dos alunos. A relação de contactos estabelecidos apresenta-se na Figura 7.

Figura 7: Contactos estabelecidos durante a recolha de dados

3.7.2 Aplicação dos instrumentos

O

inquérito permite obter informação tendo por base uma amostra representativada população, a partir da qual se procura tirar conclusões consideradas representativas da população como um todo. Assim, após a primeira versão estar redigida torna-se “necessário garantir que o questionário seja de facto aplicável e que responda efectivamente aos problemas colocados pelo investigador” (Ghiglione & Matalon, 1995, p. 172).

A aplicação do pré-teste tem como objectivo descobrir eventuais problemas no instrumento de recolha de informação de modo a que os indivíduos, no estudo real, não encontrem qualquer dificuldade em responder. Ghiglione e Matalon (1993) referem que o investigador deve aplicar o pré-teste do questionário “em pequena escala e em condições tanto quanto possível idênticas à da sua aplicação definitiva” (p.157). Devem ser testados todos os aspectos do questionário, inclusive o tratamento estatístico dos dados (Pereira, 2004). Nesse sentido, durante o mês de Outubro de 2010, realizámos o correspondente ao ensaio do questionário em pequena escala num grupo semelhante ao da população em estudo (aplicação a 15 alunos de ambos os percursos, que não pertencem à nossa amostra), representando 9,2 % do valor da amostra, com o objectivo de pôr à prova: (i) a extensão dos questionários/escalas; (ii) a acessibilidade do vocabulário utilizado; (iii) a compreensão das instruções e dos itens; (iv) a forma das questões e o posicionamento do respondente perante o mesmo; (v) testar a pertinência dos itens e, por fim, (vi) aprimorar, se necessário, alguns detalhes relativos aos instrumentos e condições de aplicação.

Para Ghiglione e Matalon (1993), a duração da aplicação do questionário (tempo de preenchimento por parte do respondente) não deve ultrapassar 15 a 20 minutos. No nosso

estudo previmos como tempo médio necessário ao preenchimento o seguinte: 10 minutos

para o questionário “Valor atribuído ao sucesso e persistência no estudo” e 15 minutos, para os restantes. Este tempo revelou-se adequado tanto para as turmas de percurso normal, como para as de percurso alternativo. Não foram detectadas dificuldades ou dúvidas no preenchimento dos questionários mas, a falta de uma questão identificativa do percurso seguido pelo aluno, conduziu a um pequeno rearranjo, de modo a que contemplassem este aspecto. Após este trabalho, seguiu-se a aplicação colectiva dos instrumentos à amostra, durante todo o mês de Novembro de 2010.

A recolha dos dados necessários a este estudo foi realizada pela investigadora em colaboração com o(a) Director(a) de Turma, das turmas seleccionadas, tendo como suporte os questionários respondidos pelos participantes e a consulta das pautas de avaliação do final do 2º período.

Os questionários foram administrados aos alunos em ambiente de sala de aula, em horário lectivo, na presença do investigador e/ou Director de Turma, com um afastamento temporal que oscilou entre quatro dias, até uma semana, de modo a evitar a saturação por parte dos respondentes.

Nos três momentos, após a apresentação do investigador, foi feita uma breve justificação da investigação, alertou-se para o carácter voluntário e anónimo da participação realçando-se, contudo, a importância da sua colaboração, a necessidade de expressarem a sua opinião sincera, esclarecendo-se que não existiam respostas certas ou erradas. As instruções foram lidas em voz alta. Durante toda a fase de preenchimento não foi dada qualquer explicação adicional de modo a evitar a introdução de algum viés.

Nas turmas em que não foi possível o investigador estar presente por incompatibilidade de horário foi solicitada a colaboração do Director de Turma. Para o efeito, foram fornecidos, num envelope, os exemplares necessários dos questionários, com uma recomendação escrita para a sua aplicação onde, para além dos aspectos referidos na Tabela 16, constava que os questionários deveriam: ser respondidos na sua totalidade, em situação de sala de aula e sob a supervisão do Director de Turma; ser preenchido pelo mesmo aluno, o questionário codificado com o mesmo número.

Tabela 16: Passos dados durante a administração dos instrumentos

Aplicação dos instrumentos

o Apresentação da investigadora;

o Breve descrição dos objectivos do estudo;

o Informação da tarefa a realizar, garantindo o anonimato e confidencialidade das respostas dadas;

o Distribuição do instrumento; o Leitura das instruções em voz alta;

o Esclarecimento de algumas dúvidas aos alunos, nomeadamente nas turmas PCA;

o Preenchimento do instrumento; o Recolha do instrumento;

o Agradecimento aos alunos e Director(a) de Turma.

Os questionários foram previamente numerados de modo a possibilitar a associação de cada questionário ao mesmo sujeito e ao seu desempenho em Matemática (nível a obter no final do 2º período de 2011). Após a aplicação, e na posse dos inquéritos, procuramos organizar o efeito de ordem, criando uma nova sequência numérica que permitisse identificar os questionários no tratamento estatístico a realizar a posteriori. Na medida em que o investigador foi o único elemento a ter acesso a esta informação, considerámos não existir perda de confidencialidade. Iniciou-se, assim, a actividade de codificação e análise de dados, recorrendo ao programa estatístico SPSS (versão 18).

A relação entre o número de questionários aplicados e recebidos em pré e pós-teste, relativos aos dois percursos curriculares, encontram-se sistematizados na Tabela 17.

Tabela 17: Síntese da recolha de dados: Pré e Pós-teste

Percurso Curricular

Questionários Aplicados Questionários válidos recebidos

Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste

Percurso Comum 10 126 10 125 Percurso Alternativo 5 38 5 38

Total 15 164 15 163

Relativamente ao pré-teste, todos os questionários aplicados (quinze) foram recebidos e considerados válidos. Já no que se refere ao pós-teste, foram recebidos 164 questionários dos 167 inicialmente previstos, diferença que se ficou a dever ao facto de alguns alunos das turmas seleccionadas terem faltado num dos dias de aplicação do instrumento. Um dos questionários foi considerado inválido, por apresentar um elevado número de itens não respondidos. Assim, a amostra final ficou constituída por 163 alunos do 3º Ciclo (N=163), o que representa uma percentagem de retorno de 97,6%.