Desde o início do século XX, o estudo da motivação humana vem atraindo a atenção de estudiosos e cientistas. Diferentes estudos foram realizados nessa área, porém o chamado estudo de Hawthorne, segundo Marras (2003: 33), “foi planejado com o intuito de estabelecer a existência de alguma relação entre as condições de trabalho e a incidência de fadiga ou monotonia entre os empregados”.
Para surpresa dos pesquisadores, a conclusão desse estudo provou que a “atenção” dada ao trabalhador conseguia influir na sua produtividade. Portanto, esse foi o primeiro passo e, por volta da década de 1950, permitiu que fossem reiniciados os estudos sobre o processo motivacional. A partir de agora estudaremos as diferentes teorias motivacionais.
A teoria de Maslow
Maslow cita o comportamento motivacional, que é explicado pelas necessidades humanas. Entendese que a motivação é o resultado dos estímulos que agem com força sobre os indivíduos, levandoos à ação. Para que haja ação ou reação é preciso que um estímulo seja implementado, seja decorrente de coisa externa ou proveniente do próprio organismo. Essa teoria nos dá idéia de um ciclo, o ciclo motivacional.Quando o ciclo motivacional não se realiza, sobrevém a frustração do indivíduo, que poderá assumir várias atitudes:
“ Motivação implica fazer aquilo que é muito significativo para mim” .
GESTÃO DE PESSOAS
a) Comportamento ilógico ou sem normalidade;
b) Agressividade por não poder dar vazão à insatisfação contida; c) Nervosismo, insônia, distúrbios circulatórios/ digestivos;
d) Falta de interesse pelas tarefas ou objetivos;
e) Passividade, moral baixo, má vontade, pessimismo, resistência às modificações, insegurança, nãocolaboração, etc.
Quando a necessidade não é satisfeita e não sobrevindo as situações anteriormente mencionadas, não significa que o indivíduo permanecerá eternamente frustrado. De alguma maneira, a necessidade será transferida ou compensada. Daí percebese que a motivação é um estado cíclico e constante na vida pessoal.
A teoria de Maslow é conhecida como uma das mais importantes teorias de motivação. Para ele, as necessidades dos seres humanos obedecem a uma hierarquia, ou seja, uma escala de valores a serem transpostos. Isso significa que, no momento em que o indivíduo realiza uma necessidade, surge outra em seu lugar, exigindo sempre que as pessoas busquem meios para satisfazêla. Poucas ou nenhuma pessoa procurará reconhecimento pessoal e status se suas necessidades básicas estiverem insatisfeitas.
O comportamento humano, nesse contexto, foi objeto de análise pelo próprio Taylor, quando enunciava os princípios da Administração Científica. A diferença entre Taylor e Maslow é que o primeiro somente enxergou as necessidades básicas como elemento motivacional, enquanto o segundo percebeu que o indivíduo não sente, única e exclusivamente, necessidade financeira.
Maslow apresentou uma teoria da motivação, segundo a qual as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa hierarquia de importância e de influência, numa pirâmide, em cuja base estão as necessidades mais baixas (necessidades fisiológicas) e, no topo, as necessidades mais elevadas (as necessidades de autorealização).
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De acordo com Maslow, as necessidades fisiológicas constituem a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie: alimentação, sono, repouso, abrigo, etc. As necessidades de segurança constituem a busca de proteção contra a ameaça ou privação, a fuga e o perigo. As necessidades sociais incluem a necessidade de associação, de participação, de aceitação por parte dos companheiros, de troca de amizade, de afeto e amor. A necessidade de estima envolve a autoapreciação, a autoconfiança, a necessidade de aprovação social e de respeito, de status, prestígio e consideração, além de desejo de força e de adequação, de confiança perante o mundo, independência e autonomia. As necessidades de autorealização são as mais elevadas, de cada pessoa realizar o seu próprio potencial e de se autodesenvolver continuamente.
Você sabia que o estudo de Hawthorne representou um marco no estabelecimento da teoria das relações humanas? Talvez a maior contribuição dessa pesquisa tenha sido a ênfase na proposição de que “um problema humano para ser solucionado requer dados, informações e ferramentas humanas”. As conclusões mais importantes na experiência de Hawthorne foram:
1) Determinação do nível de produção por normas sociais e integração do indivíduo ao grupo;
2) Os indivíduos não agem isoladamente, mas seguem o grupo;
3) As recompensas e sanções impostas pelo grupo determinam o comportamento do indivíduo;
4) O reconhecimento da existência de grupos informais bem estruturados; 5) As relações humanas constituem as interações entre pessoas e grupos; 6) A importância do conteúdo do cargo no moral do indivíduo.
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Exercícios
1. Assinale a alternativa correta.a) De acordo com Maslow, as necessidades fisiológicas constituem a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie.
b) De acordo com Maslow, as necessidades de segurança constituem a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie.
c) De acordo com Maslow, a necessidade de estima constitui a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie.
d) De acordo com Maslow, as necessidades de autorealização são as mais inferiores.
2. Quando o ciclo motivacional não se realiza, sobrevém a frustração do indivíduo, que poderá assumir várias atitudes: a) nervosismo b) insônia c) distúrbios circulatórios/ digestivos d) todas as alternativas estão corretas. Respostas dos Exercícios 1. Assinale a alternativa correta. RESPOSTA CORRETA: A 2. Quando o ciclo motivacional não se realiza, sobrevém a frustração do indivíduo, que poderá assumir várias atitudes: RESPOSTA CORRETA: D
GESTÃO DE PESSOAS Nesta aula, você continuará estudando as diferentes teorias do processo motivacional. Dessa vez, estudaremos a teoria de Douglas McGregor.
AULA 10 • GESTÃO ESTRATÉGICA DE RECURSOS (CONT.)
Teorias Motivacionais
A teoria de Douglas McGregor
Douglas McGregor, psicólogo, é um dos mais famosos autores behavioristas da Administração; preocupouse em comparar dois modos contrários de pensar a administração. Em um dos pólos, um modo baseado na teoria tradicional, demasiadamente mecanicista e pragmática (Teoria X), e, no outro, um modo baseado nas concepções modernas sobre o comportamento humano (Teoria Y).
Teoria X
A teoria X está pautada na concepção tradicional de administração que se baseia em convicções incorretas sobre o comportamento do homem. Essa concepção o vê como insensível, negligente, preguiçoso por natureza, evitando o trabalho. A ele falta ambição, não gosta de assumir novas responsabilidades, é voltado par si mesmo e a sua própria natureza o leva a resistir a mudanças. É dependente, o que o torna incapaz de possuir autocontrole e autodisciplina.
Em função dessa concepção e premissa a respeito da natureza humana, a Teoria X revela um estilo de administração duro, rígido e autocrático e que se limita a fazer as pessoas trabalharem dentro de certos esquemas e padrões antecipadamente planejados.
“Ninguém motiva ninguém”.
GESTÃO DE PESSOAS
Toda vez que um administrador impõe arbitrariamente um esquema de trabalho e passa a controlar externamente o comportamento de seus subordinados, ele está baseandose na Teoria X.
A teoria X se fundamenta em uma série de proposições errôneas sobre o comportamento humano e proclama um estilo de administração cuja fiscalização e o controle externo rígido constituem mecanismos para neutralizar a desconfiança da empresa quanto às pessoas que nela trabalham. Segundo essa teoria, o único estímulo para o trabalho é o salário; se esse estímulo não está presente, o trabalho não acontece.
Teoria Y
É a moderna concepção de administração, de acordo com a teoria comportamental. A teoria Y se baseia em concepções e premissas atuais e sem preconceitos a respeito da natureza humana.
A Teoria Y desenvolve um estilo de administração aberto e dinâmico, muito democrático, por meio do qual administrar é um processo para criar oportunidades, liberar potencialidades, remover obstáculos, encorajar o crescimento individual e proporcionar orientação quanto a objetivos. É totalmente oposta à teoria X. Como a pessoa é vista na Teoria Y • são preguiçosas e indolentes. • não querem trabalhar. • evitam assumir responsabilidades, a fim de se sentirem mais seguras. • precisam ser controladas e dirigidas. • são ingênuas e sem iniciativa.
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Exercícios
1. Na teoria X as pessoas são: a) esforçadas e gostam de ter o que fazer. b) adoram o que fazem. c) precisam ser controladas e dirigidas. d) procuram e aceitam responsabilidades e desafios. 2. Assinale a alternativa correta.a) A teoria X está pautada na concepção tradicional de administração que se baseia em convicções incorretas sobre o comportamento do homem.
b) A teoria X vê a pessoa como insensível, negligente, preguiçosa por natureza, evitando o trabalho.
c) Toda vez que um administrador impõe arbitrariamente um esquema de trabalho e passa a controlar externamente o comportamento de seus subordinados, ele está se baseando na Teoria X. d) Todas as alternativas estão corretas. Respostas dos Exercícios 1. Na teoria X as pessoas são: RESPOSTA CORRETA: C 2. Assinale a alternativa correta. RESPOSTA CORRETA: D Como a pessoa é vista na Teoria Y • são esforçadas e gostam de ter o que fazer. • vêem o trabalho como uma atividade natural. • procuram e aceitam responsabilidades e desafios. • podem ser autodirigidas. • são criativas e competentes. • adoram o que fazem.
GESTÃO DE PESSOAS
Nesta aula você continuará estudando as diferentes teorias do processo motivacional. Dessa vez, estudaremos a teoria de Frederick Herzberg.
AULA 11 • GESTÃO ESTRATÉGICA DE RECURSOS TEORIAS
MOTIVACIONAIS (CONT.)
De acordo com Chiavenato (2004), Maslow alicerça sua teoria motivacional baseandose nas diferentes necessidades do homem (abordagem intraorientada), enquanto Herzberg fundamenta a sua teoria no ambiente externo e no trabalho da pessoa (abordagem extra orientada).
Em 1959, no livro intitulado Motivação para o trabalho, o professor Frederick Herzberg ressalta como é importante a motivação no trabalho. Ele aponta que no campo motivacional existem dois tipos de fatores, por isso sua teoria é chamada Teoria dos Dois Fatores. São elas:
1) os que causam satisfação
2) os que causam insatisfação, chamados de fatores higiênicos “ Muitos recebem conselhos. Só os sábios os aproveitam.”
Syrus
Herzberg afirma que a falta dos fatores que causam satisfação ou motivação não vai necessariamente causar insatisfação, mas que eles são os “fatores motivadores”
Herzberg identifica nos fatores de satisfação os elementos psicológicos com força para gerar motivação nas pessoas, pois sua presença gera nas pessoas uma atitude espontaneamente favorável e positiva para ação, conforme observado na tabela 1, em que os valores e expectativas sociais de crescimento estimulam a pessoa para agir, sem envolver fatores de coerção, como acontece com as respostas de punição e sanções presentes no ambiente de trabalho.
GESTÃO DE PESSOAS
Tabela 1 – Fatores motivadores segundo Herzberg
Fatores Motivadores Determinantes
Realização
O término com sucesso de um trabalho ou tarefa; os resultados do próprio trabalho.
Reconhecimento pela realização
O recebimento de um
reconhecimento, público ou não, por um trabalho bem feito ou um resultado alcançado.
O trabalho em si Tarefas consideradas agradáveis e
que provocam satisfação.
Responsabilidade Proveniente da realização do próprio
trabalho ou do trabalho de outros. Desenvolvimento pessoal
Possibilidade de aumento de status, perfil cognitivo ou mesmo de posição social.
Possibilidade de crescimento
Um desenvolvimento dentro da
estrutura organizacional, em termos de cargo ou responsabilidade.
Fonte: Marras (2003: 36)
No segundo grupo, encontramse o que Herzberg denominou de “fatores higiênicos”, isto é, aqueles que não motivam (ver tabela 2). A presença desses fatores não necessariamente causa satisfação no trabalho, mas a ausência deles com certeza causa insatisfação. Ex: O fato de termos uma excelente coordenadora pedagógica não significa que seja um fator motivador, porém se tivermos uma péssima coordenadora ou não tivermos nenhuma, isso pode gerar insatisfação no ambiente de trabalho.
Tabela 2 – Fatores higiênicos segundo Herzberg
Fatores Higiênicos Determinantes
Supervisão A disposição ou boa vontade de ensinar ou
delegar responsabilidades aos subordinados
Políticas empresariais Normas e procedimentos que encerram os
valores e crenças da companhia.
Condições ambientais Ambientes físicos e psicológicos que
envolvem as pessoas e os grupos de trabalho. Relações interpessoais Transações pessoais e de trabalho com os
pares, os subordinados e os superiores
Status Forma pela qual a nossa posição está sendo
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Fatores Higiênicos Determinantes
Status Forma pela qual a nossa posição está sendo
vista pelos demais.
Remuneração O valor da contrapartida da prestação de
serviço.
Vida Pessoal Aspectos do trabalho que influenciam a vida
pessoal. Fonte: Marras (2003: 36)
Chiavenato (2004: 70) salienta que, na prática, “a abordagem de Herzberg enfatiza os fatores motivacionais que tradicionalmente são negligenciados e desprezados pelas organizações, nas tentativas para elevar o desempenho e a satisfação do pessoal”.
Exercícios
1. Assinale a alternativa correta. a) Os fatores higiênicos são aqueles que motivam. b) O término com sucesso de um trabalho ou tarefa é reconhecimento. c) A teoria motivacional de Herzberg é chamada Teoria dos dois fatores.d) Realização é o recebimento de um reconhecimento, público ou não, por um trabalho bem feito.
2. De acordo com o texto complementar (clique no botão correspondente no menu da aula), para cultivar motivação é preciso:
a) Ter autoconfiança, saber extrair a essência de uma situação e produzir resultados, acreditando na oportunidade futura. b) Ter atitude positiva, obstinação e perseverança para conseguir atingir nossos objetivos. c) Quebrar o bloqueio mental e transformar o sonho e pensamentos em ação. d) Todas as alternativas estão corretas. Respostas dos Exercícios 1. Assinale a alternativa correta. RESPOSTA CORRETA: C 2. De acordo com o texto complementar (clique no botão correspondente no menu da aula), para cultivar motivação é preciso: RESPOSTA CORRETA: D
GESTÃO DE PESSOAS Toda e qualquer organização, independentemente de seu tamanho, tem sempre como desafio encontrar meios de motivar seus funcionários a desempenharem bem suas atividades profissionais. Dentre as estratégias motivacionais tradicionalmente disponíveis ao administrador, ganha destaque os populares Planos de Benefícios Sociais. Eles consistem em incentivos indiretos e complementares à remuneração do assalariado, às vezes traduzidos em facilidades para a aquisição de bens ou serviços, cujo custo é comumente subsidiado pela empresa, ou expresso na gratuidade dos mesmos bens e serviços, por conta da parceria da empresa com o fornecedor do serviço ou produto. O benefício, para ser oferecido pela empresa, sempre envolve um custo financeiro. Por essa razão o benefício é normalmente classificado como uma forma indireta de remuneração.
AULA 12 • PLANOS DE BENEFÍCIOS SOCIAIS
Origens dos benefícios Sociais
A oferta de pacote de benefícios nas empresas é antiga, dado que no mercado brasileiro os benefícios foram introduzidos pelas empresas ainda na década de 1960, e nos anos de 1970 já eram populares nas grandes corporações. Sua popularização foi incentivada pelas vantagens tributárias de que o empregador goza ao adotar os planos de benefícios aos funcionários. Dentre as causas dessa expansão podemos destacar:a) Grande receptividade do empregado ao oferecimento de benefícios extras, além da remuneração.
b) Exigência dos sindicatos através de acordos e convenções coletivas de trabalho;
c) As exigências da legislação trabalhista e previdenciária imposta pelo governo;
d) A disputa pelas empresas dos profissionais no mercado, que escolhem as vagas de trabalho também por conta do tamanho do plano de benefícios, seja para atraílos ou mantêlos;
e) A percepção de se tratar de uma remuneração indireta, favorece a empresa a buscar controles salariais exercidos indiretamente pelo mercado mediante concorrência de preços dos produtos ou serviços;
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f) Impostos atribuídos às empresas, estas procuram localizar e explorar meios lícitos de fazerem deduções de suas obrigações tributárias.