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As medidas metodológicas para alcançar esses objetivos foram pensadas a fim de abordar a questão central por diferentes frentes, como já bem explicado na seção de metodologia: (1) levantamento de macroambiente: questionário quantitativo com a opção do entrevistado adicionar dados qualitativos; (2) pesquisa de campo, ou etnografia; (3) levantamento de microambiente: cartografia das regiões sociais da cena musical rock de Curitiba; (4) pesquisa qualitativa: entrevistas específicas com profissionais estrategicamente escolhidos.

O questionário online atingiu um total de 158 pessoas, das quais 132 foram aptas a preenche-lo até o final. Mesmo com uma pergunta bem direcionada a músicos profissionais, 27 pessoas que não se encaixam neste perfil, acessaram a pesquisa. Houve um indivíduo que atualmente não exerce a profissão de forma remunerada, porém mesmo assim conseguiu acessar a pesquisa pois, logo após a fase de testes no formulário, um erro de programação, o qual passou despercebido por mim e pelo grupo de pesquisa, permitiu que ele respondesse as questões - as quais eram direcionadas apenas a profissionais que tem na música uma forma de remuneração.

Este caso aconteceu no início da pesquisa e foi corrigido logo em seguida porque a pessoa em questão entrou em contato comigo e, devido ao fato de ela já ter um histórico na cena, embora não trabalhe com música, julguei que os dados não seriam corrompidos pelas suas respostas, caso contrário, teria realizado o questionário novamente. Por isso, há está diferença de 131 participantes profissionais somados a este caso isolado, que para nosso entendimento não influenciou nos dados coletados por se tratar de um músico que, embora não exerça atividades remuneradas frequentemente, tem contato recorrente com a cena musical, totalizando então 132 participantes.

Embora houvesse um esforço e uma preocupação para averiguar a quantidade aproximada de músicos atuando na capital paranaense, este dado não foi possível de ser coletado devido a inexistência de órgãos que regulamentem o setor. Uma forma de se ter este número aproximado seria por meio da Ordem dos Músicos do Brasil, porém o órgão está inativo no Estado do Paraná. Há outras formas de se ter um número aproximado, com base em uma média ponderada levando em conta outras capitais brasileiras que possuem o órgão regulamentador, porém nos pareceu uma tentativa vaga e com uma demanda de energia desnecessária devido ao grau de imprecisão que este dado poderia sugerir. Por isso, não é possível estimar a porcentagem referente à presente amostra.

GRÁFICO 5 – PERGUNTA QUE DAVA ACESSO AO QUESTIONÁRIO108

FONTE: O autor (2020)

Além deste caso isolado com o músico amador que respondeu o questionário, foi percebido, ao passo que se averiguava as respostas chegando em tempo real pelo smartphone, mesmo com o anonimato dos participantes, a presença de um usuário aplicando trolling, isto é, um troll de internet. De acordo com Thiago Amorim Caminada et al, (CAMINADA;

108 Aproximadamente, 83% das pessoas que tiveram acesso à pesquisa online são músicos que atuam com remuneração em Curitiba, totalizando 132 respostas.

SCHLINDWEIN; JOHN, 2016, p. 13-14), trolls são indivíduos que perturbam o bom andamento de uma comunidade virtual, por meio de postagens negativas, ou descontextualizadas e tendem a se proteger pelo anonimato (AMARAL, 2013,p. 457). Por causa da cultura participativa instalada nos sites de redes sociais, aquela onde o público pode interferir no conteúdo produzido por terceiros, esses ambientes se tornaram propícios para a prática do trolling109, que é um comportamento que envolve insultos e provocações em meio virtual, através de postagens públicas agressivas, irônicas, humoradas e até mesmo ameaças.

Quando foi optado por disponibilizar o questionário desta pesquisa em meio virtual, tinha-se a plena consciência da possibilidade de aparecer um troll, porém foi um risco aceitado devido às possibilidades de alcance que o meio online oferece. Além disso, no período em que o formulário esteve recebendo respostas, tive o cuidado de monitora-las à medida em que chegavam, de modo que pudesse detectar um comportamento estranho, como foi o caso citado.

Este usuário em questão, na parte quantitativa do questionário, marcou o extremo de todas as opções de alternativa, como por exemplo: “mais de 60 anos; pós-doutorado; mais de 20 anos (de atuação no mercado em Curitiba); “sim, no Brasil inteiro e em outros países também (locais em que se apresenta); mais de R$1000,00 (como média de cachê por unidade de show em Curitiba); mais de 12 (como média de shows em Curitiba por mês); mais de 5 (sobre quantidade de projetos musicais em que atua); mais de 10000 pessoas (como número médio de público em Curitiba). Mais além, o usuário colocou respostas qualitativas como: “os cachês são muito bons, bem acima da média do restante do Brasil”, sobre os cachês na cidade; “perfeito” ao se referir sobre os relacionamentos entre bandas na capital, entre outros comentários sempre ironicamente extremos e sem nenhum complemento empírico para embasar o ponto de vista.

Assim sendo, desconsiderei as respostas, o que, devido ao número de participantes do formulário ser superior a 100, não altera a porcentagem correspondente nos gráficos gerados com as respostas quantitativas. Mesmo assim, por conta desses dois casos, os valores quantitativos serão sempre considerados aproximados, com uma margem de erro de 1%.

Com relação aos dados qualitativos, houve uma superprodução. Se no questionário online fora deixado opcional para os usuários responderem as questões com textos descritivos, é porque não se esperava tanto engajamento. Das 30 questões, 22 tiveram a opção para complemento qualitativo. E, inesperadamente, a maior parte dos entrevistados contribuiu com muitos relatos, o que gerou mais dados do que essa pesquisa consegue comportar. Além disso, as entrevistas presenciais somaram aproximadamente cinco horas de duração, com mais ou

109 O termo é emprestado do inglês e significa “lançar a isca”. O troll de internet é aquele usuário que busca reações de outros usuários por meio de provocações, normalmente com o intuito de se divertir.

menos 25 mil palavras transcritas. Há então, somado ao material utilizado no estudo anterior, uma quantidade exorbitante de dados qualitativos sobre a cena musical rock de Curitiba na atualidade.

A forma pela qual foi decidido tratar essa imensidão de dados, se consistiu primeiro em uma organização destes relatos por ordem de semelhança. Assim, os relatos foram agrupados em conjuntos de acordo com suas interseções. Por exemplo, na questão 18 do formulário, “sobre o cenário musical de Curitiba em 2018, há espaço para as bandas tocarem remuneradamente?”, as respostas foram separadas em um grupo com conotação positiva e em outro com conotação negativa. Em algumas questões houve a possibilidade de o entrevistado declarar neutralidade e, nestes casos, foi criado um terceiro grupo de respostas com a conotação neutra. Esta foi a forma pela qual se atenuou a dificuldade em lidar com esta superprodução de dados qualitativos. A escolha dos dados utilizados na pesquisa foi por ordem de relevância.

Como não é possível, por limitação de tempo e espaço, trazer todos os dados levantados na coleta, optou-se por escolher apenas os mais relevantes, levando em conta a argumentação coerente do entrevistado.