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4. PLATAFORMA CONTINENTAL INTERNA DO ESTADO DA

4.6. Processos Sedimentares

Na plataforma continental interna do estado da Paraíba, a fonte primária dos sedimentos modernos é constituída por material terrígeno e organógeno, resultantes da ação dos processos que atuam e atuaram sobre a área.

Os sedimentos terrígenos, constituídos por cascalhos,

areias e lamas, desde sua origem até chegarem a plataforma interna, sofrem influência de variáveis físicas, químicas e biológicas. Estas variáveis atuam na área fonte, durante o transporte e na deposição.

No continente, as rochas que ocorrerem na linha de costa, sob ação dos agentes físicos químicos e biológicos

sofrem intemperismo e erosão. As águas das chuvas e dos rios, são os agentes de transporte que levam para o mar os produtos da desagregação destas rochas. O clima atual, semi-árido, determina uma rede de drenagem inexpressiva e intermitente, o intemperismo físico, determina baixa taxa de material em suspensão nas águas dos rios.

Os cascalhos litoclásticos indicam provavelmente condições de clima seco pretérito, onde chuvas esparsas e torrenciais, que provocaram fluxo de detritos, sendo depositado nas depressões e no sopé das falésias da Formação Barreiras. Eles estão em desequilíbrio com as condições atuais e relacionados as variações relativas de nível do mar e a erosão marinha dos paleopedimentos da Formação Barreiras.

As areias litoclásticas, são transportadas pelos rios, por tração, saltação e rolamento, até a plataforma interna, quando sob influência das correntes, ondas e marés, são distribuídas através da deriva litorânea, ao longo da costa. Mostram evidência de um equilíbrio textural, entretanto, algumas delas, estão em desequilíbrio com as condições atuais, podendo estar relacionadas às variações relativas de nível do mar, quando formaram antigas linhas de costa, podendo serem observadas nos perfis em frente a Ponta dos Coqueiros e na Ponta de Lucena.

Os cascalhos e as areias litoclásticas presentes, localmente, no Setor Sul e Norte, estão submetidas a uma intensa mobilização, através das correntes, o que impede a colonização biogênica próxima ao litoral.

A contribuição atual de areias litoclásticas para a área, deve-se ao aporte pelos rios e a erosão da zona litorânea. A erosão dessa zona nos últimos anos está se tornando mais intensa, fato evidenciado na Ponta de Mato, Formosa e Ponta do Bessa.

As lamas são transportadas em suspensão, sendo que a maior parte se deposita na desembocadura dos rios, e uma pequena quantidade é transportada através da plataforma indo deposita-se no talude. A quantidade relativamente pequena de

material fino 17% sobre a área, pode ser o resultado da combinação de fatores representados pela pequena quantidade de material transportado em suspensão, ou pela retenção de sedimentos finos nos estuários.

Os sedimentos organógenos, derivados essencialmente dos

organismos que colonizam os recifes, são formados principalmente por fragmentos de algas calcárias do tipo

Halimeda e Lithothaminium, além de outros derivados de conchas

de moluscos e foraminífero bentônicos.

O clima é de grande importância para explicar a formação dos recifes, pois a presença das algas calcárias do tipo Halimeda e Lithothaminium nos recifes, é provavelmente, reflexo das condições de temperatura (27,8-28,2°C), da

salinidade (35,8-36,6°/°°), da luminosidade (zona de alta

saturação).

O tipo de substrato também é responsável pelo desenvolvimento dos organismos construtores dos recifes. Os “beach rock”, são, provavelmente, os principais responsáveis pelo desenvolvimento dos recifes algálicos.

O recife formado sofre uma erosão mecânica e biológica, produzindo uma série bioclástica composta por: Cascalhos, areias e lamas (siltes e argilas).

Os cascalhos e areias bioclásticos também são transportados pelas correntes litorâneas. As lamas bioclásticas, estão associadas a locais calmos e abrigados próximos aos recifes. Tais sedimentos mostram evidência de um equilíbrio textural, pois a pouca profundidade e as condições hidrodinâmicas atuantes na área estudada, definem a localização e distribuição destas fácies. Porém, os sedimentos podem ser encontrados em locais incompatíveis com a hidrodinãmica atual, podendo estarem relacionadas as variações relativas de nível do mar.

O avanço dos organógenos em direção a praia sugere a tendência de um deslocamento decorrente de modificação de profundidade, criando condições favoráveis ao crescimento dos organismos construtores. No setor central este padrão pode ser

observado, o que reflete um aumento local da razão de sedimentação carbonática provavelmente devido a subsidência e condições sedimentares locais.

Na área estudada, tanto os sedimentos terrígenos como os organógenos, apresentam amostras com elementos modernos e antigos. Neles foram identificados pigmentação de óxido de ferro, indicando exposição subaérea, tendo sido depositados em nível do mar mais baixo que o atual.

Não se dispõe de dados que permitam traçar uma evolução recente das variações do nível do mar para a área, E Entretanto, utilizando-se a curva de Martin, et al., (1979). percebe-se que nos últimos 7.000 anos, o nível o mar ultrapassou o mínimo duas vezes. Em torno dos 5.000 anos ultrapassou o atual e atingiu a cota do +5 m. Segue-se uma regressão. O nível do mar volta a subir novamente e por volta dos 3.000anos o nível do mar ultrapassa o atual e atinge a cota de +4 acima do nível atual, seguido de uma regressão/transgressão. A partir daí o mar começou a recuar até atingir o nível atual. Atualmente percebe-se uma tendência de subida do nível do mar, fato evidenciado pela forte erosão zona costeira. Esse fato não está registrado na curva de (Martin, 1979), porém os indícios de acentuada erosão costeira em toda área estudada, levam a admitir uma tendência de subida do nível do mar nos últimos 1.500 anos.

5. CONCLUSÕES

Com base nas evidências morfológicas e sedimentológicas,

foi possível se chegar a algumas conclusões:

• Três setores se diferenciam na área em estudo. Cada Setor apresenta propriedades particulares em relação a configuração da linha de costa, as feições batimétricas e a composição dos sedimentos.

• O Setor Sul compreende a região que vai desde o limite sul da área (7°35’00”) até o Cabo Branco.

-A linha de costa é quase retilínea, com direção N-S, sendo caracterizada por uma planície costeira arenosa bastante estreita, onde os sedimentos da Formação Barreiras chegam até a costa, formando uma linha de falésias vivas, entalhadas por pequenos estuários.

-O padrão dos contornos apresentados pelas isobatimétricas de 5, 10 m, é no sentido de acompanhar a morfologia da linha de costa. A isóbata de 15 m acompanha também os contornos da linha de costa, exceto, ao sul. As irregularidades aumentam com a profundidade. Os perfis batimétricos, apresentam as menores variações morfológicas da área, indicando a grande atuação da sedimentação terrígena atual.

-Os sedimentos apresentam percentuais de cascalhos em torno de 3%, as areias de 82% e as de lama 15%. Nele predominam os sedimentos clásticos com 61%.

• O Setor Central, abrange a região que vai desde o Cabo Branco ao Rio Mamanguape.

-A costa apresenta direção N 20° W, sendo o setor mais recortado. Apresenta uma planície costeira mais desenvolvida, devido ao afastamento dos sedimentos da Formação Barreiras. -O padrão dos contornos das isobatimétricas é mais irregular que os Setores Sul e Norte. Os perfis batimétricos apresentam as maiores variações morfológicas da área, traduzindo a influência da sedimentação carbonática.

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