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4.1 AVALIAÇÕES CENTRADAS NOS OBJETIVOS

4.1.4 Produto resultante da implementação da PEHPP

Como parte integrante da dinâmica de implantação de uma política pública, as alterações por ela propostas devem promover uma série de movimentos na direção do cumprimento dos seus objetivos. Conforme Arretche (2000) e Souza (2004, 2013), para as políticas públicas definidas pelo governo central, a autonomia do ente federado restringe-se à adesão ao modelo proposto, limitando, dessa forma, a capacidade decisória local, quanto à definição de prioridades em função de suas necessidades específicas, o que pode refletir no desempenho das unidades de saúde em relação à política.

No caso presente, o incremento esperado na RAS do município, beneficiando a sua população, inclui a diminuição do fluxo de deslocamentos desnecessários por causas sensíveis ao novo perfil esperado a partir da implementação da PEHPP. Para essa avaliação, as variáveis selecionadas e descritas no quadro a seguir referem-se à posição do HPP na rede de

atenção do município, ressaltando a importância dessa unidade para a população e o atendimento das necessidades da população, ou seja, as ações são suficientes e resolutivas.

Quadro 36 – Avaliação das variáveis da Relevância Assistencial e Social Variável/município Amélia

Rodrigues Cipó Conde Ituaçu

Presidente

Fonte: Elaboração própria, 2021, com base nos Relatórios analisados.

Os registros referentes à posição dos HPP, nos municípios estudados, revelam a importância dessas unidades no contexto da RAS para a população local, haja vista serem as únicas unidades hospitalares em 100% dos municípios. Os esforços empreendidos na direção de qualificar a prestação de serviço se mostram necessários. No presente estudo, o caminho seguido é justamente entender se a Política Estadual para esse perfil de Hospital agrega valor e contribui para que essas unidades se tornem verdadeiramente relevantes.

Para 62,5% dos hospitais estudados, a implementação da PEHPP gerou incremento no atendimento da população, no âmbito da internação hospitalar, após o período de 2015, quando foi formalizada a adesão à política desses hospitais. Essa repercussão pode ser observada ao longo do período analisado, comparando os anos de 2014/2015 – pré-implantação – e os anos de 2016/2020 – pós-pré-implantação. Esse incremento pode ser mais bem observado no gráfico a seguir.

Gráfico 1 – Repercussão da Implementação da PEHPP na internação geral ante o parâmetro estabelecido

Fonte: Elaboração própria, 2021, a partir do DataSUS/MS (2021).

Em cinco dos oito hospitais avaliados, foi observado que a maior repercussão em termos de internação nas clínicas básicas, compatíveis com o perfil das unidades, ocorreu no período de 2016 a 2019 com incrementos superiores a 50% em relação aos anos anteriores à implementação da Política. Todavia, destes, apenas dois municípios conseguiram atingir a faixa de 60% de atendimentos diante dos parâmetros, já descritos ao longo deste trabalho. Ou seja, a despeito do incremento na prestação da assistência com a implementação da política, ainda se encontra aquém do esperado para essas unidades no contexto da rede de atenção, principalmente quando se compara ao quantitativo de internações de residentes em outros municípios. Confirma-se assim a posição relatada por Ugá e López (2007), que embora, nesse processo desencadeado pela implantação da Política para HPP, fosse indicado o papel desses hospitais na rede de serviços, não foram observadas mudanças significativas no perfil da sua produção, no período posterior à implantação dela.

Outro aspecto considerado nesta avaliação recai sobre o atendimento à necessidade da população, ou seja, apesar de a produção de serviços encontrarem-se aquém da necessidade populacional (parâmetro), observou-se grande quantitativo de procedimentos, sensíveis ao perfil da unidade de saúde, serem realizados em unidades de saúde de outros municípios, como pode ser verificado numericamente no quadro a seguir.

Quadro 37 – Atendimentos realizados pelo HPP em relação ao total de internamento dos residentes Fonte: Elaboração própria, a partir do DataSUS/MS (2021).

Observa-se, em geral, que em comparação ao quantitativo de procedimentos realizados, ao longo do período pré e pós-implantação da PEHPP, não houve grande alteração na demanda de internamentos realizados em outras unidades de saúde. Isso se reflete na responsabilização do município ante a necessidade da sua população. Tal achado é visualizado a seguir.

Quadro 38 – Percentual de responsabilização do HPP no período pós-implantação da PEHPP – 2016-2020 – em comparação ao período pré-implantação

Município

Período pré-implantação da PEHPP

2014-2015 Período pós-implantação da PEHPP 2016-2020

HPP TOTAL

Internação dos

munícipes Percentual HPP TOTAL Internação dos

Fonte: Elaboração própria, a partir do DataSUS/MS (2021).

A avaliação realizada demonstra que em 75% dos municípios avaliados, a maior parte dos atendimentos relacionados com a internação nas clínicas básicas ocorre no próprio HPP.

Dessa forma, conclui-se que o HPP é o principal responsável pelos internamentos dos seus munícipes, com exceção de dois municípios. No primeiro, não houve grande variação em relação aos períodos analisados; enquanto no segundo, houve um decréscimo substancial após a implantação da política, passando de 51% para 39% de internamentos da sua população, a despeito da capacidade instalada e do seu baixo percentual de internação. Os estudos anteriormente realizados por Cunha e Bahia (2014), Noronha e colaboradores (2020) e Moreira, 2020, que relatam a baixa taxa de ocupação, confirmam os achados quanto à ociosidade dos leitos, todavia, não encontram ressonância quando se verifica a relevância dos HPP para o internamento de mais de 50% população, em alguns casos atingindo 65%, em 3/4 dos municípios avaliados. Em termos percentuais, pode-se observar, no gráfico que se segue, a evolução do desempenho das unidades anualmente, em relação ao cuidado com a sua própria população.

Gráfico 2 – Percentual de atendimento da população própria perante o internamento geral dos munícipes

Fonte: Elaboração própria, 2021, a partir do DataSUS/MS (2021).

Considerando o ano de 2020, período de pandemia, não foram observadas alterações significativas no padrão de atendimento em relação ao período anterior. Esse fato demonstra que, no âmbito dos HPP avaliados, não houve participação dessas unidades no plano de enfrentamento da pandemia, como unidade de retaguarda, perdendo-se importante meio de

suporte aos hospitais de referência (BAHIA, 2013c; BRASIL, 2020; MOREIRA, 2020;

NORONHA, 2020).

Nesse contexto, para que sejam discutidas fragilidades e fortalezas, assim como a relevância social, do modelo de atenção gerado a partir da implementação da política, serão agregadas as respostas aos questionários à avaliação documental realizada. Para tanto, as percepções dos usuários tratadas foram organizadas em quatro categorias: Perfil Assistencial proposto pela PEHPP; Atendimento às Diretrizes da PEHPP; Fraquezas e Fortalezas quanto à atenção à saúde; e Importância Social. Os dados são apresentados segundo o nível de concordância dos respondentes e a sua comparação com as informações extraídas dos documentos avaliados, analisadas a seguir.