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4.1 AVALIAÇÕES CENTRADAS NOS OBJETIVOS

4.1.3 Processo de execução da PEHPP

4.1.3.4 Realiza Parto Normal

A Diretriz estabelecida referente ao procedimento Parto Normal não se limita a simples realização dele. A PEHPP, na sua proposição de ampliação da abrangência e na direção de organização das RAS, prioriza a mudança do modelo de atenção ao Parto, com o olhar voltado para a Rede Cegonha, que, junto a RUE, caracteriza-se como prioritárias pela política.

A Rede Cegonha foi instituída pelo MS visando garantir o direito à saúde às mulheres e crianças, com o intuito de assegurar uma rede de cuidados materno e infantil. Neste contexto do estudo, ressalta-se o componente parto e nascimento, marcado pela implementação de um novo modelo de atenção centrado nas necessidades da mulher, baseado no conceito de parto como condição fisiológica normal, com vista, sobretudo, ao acolhimento e à segurança (BITTENCOURT; VILELA, 2021).

As variáveis avaliadas neste estudo referem-se à organização de acordo com princípios da Rede Cegonha e envolvem a vinculação da Gestante ao local de parto, ambiência, garantia do acesso e regulação às unidades de referência e ao acompanhante em todas as fases do trabalho de parto, e impacto da implementação da política na assistência à gestante quanto à realização do Parto Normal.

Quadro 30 – Variáveis de avaliação da diretriz Parto Normal Variável/município Amélia

Rodrigues Cipó Conde Ituaçu Presidente Tancredo

acompanhante. NÃO NÃO NÃO NÃO SIM NÃO NÃO NÃO 12,5%

Promove a

Fonte: Elaboração própria, 2021, com base nos Relatórios analisados.

Os resultados encontrados a partir da avaliação das variáveis selecionadas demonstram, em uma visão abrangente, que os HPP estudados dispõem de grande fragilidade na Clínica Obstétrica, que para o seu nível de complexidade envolve Parto Normal de risco habitual. Esse cenário se mostra ainda mais sombrio quando se avalia a inserção, a partir de diretrizes da PEHPP, na Rede Cegonha, identificada como uma das prioritárias pela política, conforme já por diversas vezes mencionado neste trabalho. Quanto a essa situação, Souza e colaboradores (2019) relatam que as internações nesse tipo de hospital não ocorrem segundo os parâmetros estabelecidos, fato este que embasam discussões a respeito da efetividade dessas unidades.

No contexto dos hospitais estudados, verificou-se que, em relação à realização de procedimentos de obstetrícia (87,5%), não oferecem garantia do acesso ao serviço de saúde ou vinculação da paciente à maternidade de referência. Tal fato foi observado a partir das fontes documentais que evidenciaram que nessas unidades as pacientes eram acolhidas apenas no período expulsivo do parto. Somente um dos hospitais (12,5%), dos avaliados, acompanha o trabalho de parto, desempenhando importante papel na RAS do município e sendo referência para o procedimento de Parto Normal para sua população. Essa situação é corroborada em estudos anteriores acerca do mau desempenho, sendo o cuidado em rede, garantia de acesso e falta de vinculação paciente/hospital as grandes fragilidades observadas (ROSA, 2014;

BITTENCOURT; VILELA, 2021).

A situação relatada leva à necessidade do deslocamento da parturiente a outras unidades de saúde, o que reacende a obrigatoriedade da existência do transporte sanitário adequado como pré-requisito para adesão à PEHPP. Nesse aspecto, chama a atenção o fato de que o único município que não dispõe desse tipo de transporte é justamente o que atende aos requisitos anteriores. De acordo com a instituição da Rede Cegonha, quatro elementos compõem a organização da Rede: as ações de Pré-Natal; Parto e Nascimento; Puerpério e Atenção Integral à Saúde da Criança; e o Sistema logístico que inclui o transporte sanitário e a regulação (VILELA, 2020).

Nos hospitais, a ambiência é ponto fundamental na estruturação dos serviços, sobretudo no obstétrico, prioritário na PEHPP, devendo ser priorizada a adequação da ambiência ao preconizado pela PNH e pela Rede Cegonha para atendimento ao parto humanizado (BAHIA, 2013c). Contudo, este estudo constatou que nenhuma das unidades avaliadas apresentou ambiência adequada ou a realização de projeto de ajuste das estruturas.

Coaduna-se com esse achado, Bittencourt e Vilela (2021), que constataram que a ambiência obteve o menor grau de implantação da Rede Cegonha. Os resultados apontam que esse problema impacta na produção dos serviços de saúde, assim como na condição do atendimento, que devem valorizar a organização do trabalho, a privacidade, promovendo ambiência acolhedora e confortável.

A condição da ambiência impacta diretamente no direito ao acompanhante durante todas as fases de internação para o parto. Essa situação é relatada nos documentos analisados, nos quais se observou que apenas um dos oito hospitais (12,5%) avaliados garantiu a presença do acompanhante em todas as etapas do trabalho de parto. A acompanhante de livre escolha e em tempo integral, segundo Bittencourt e Vilela (2021), foi avaliada como não adequado em pouco mais de um terço das maternidades do Brasil, com pequenas variações entre as regiões.

A Diretriz da PEHPP avaliada, impactada por todas as variáveis analisadas, repercute diretamente na realização do procedimento Parto Normal, quanto à produção de serviços e referenciamento do HPP para a população. Assim, verificou-se que apenas 37,5%, ou seja, três dos oito hospitais avaliados são responsáveis pelo procedimento para sua população. Em relação ao impacto da implementação da PEHPP, apenas três hospitais apresentaram um incremento, mesmo que discreto, após a adesão à política. Nos outros cinco municípios, não houve alteração significativa. A demonstração desses achados pode ser observada no quadro a seguir.

Quadro 31 – Internação em Parto Normal

Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do DataSUS/MS (2021).

O que se observa, além da contribuição pouco significativa da implementação da política para a realização do procedimento obstétrico e a incipiente inserção da unidade de saúde na rede de atenção específica, Rede Cegonha, é o alto índice de encaminhamento da população para outros hospitais, em outros municípios de referência. Cinco dos oito HPP avaliados não realizam ao menos 50% dos procedimentos necessários à população e, destes, quatro sequer alcançam o percentual de 30%. Essa baixa eficiência, certamente, reflete a ausência do cumprimento dos requisitos exigidos para adesão ao programa e das responsabilidades dos entes envolvidos. Na maior parte dos documentos analisados, restou evidente a participação da falta de Estrutura das unidades e de Recursos Humanos direcionados para essa ação. Conforme verificado, os poucos procedimentos realizados se deram nesses hospitais pela falta de possibilidade de referenciamento, haja vista se tratar de pacientes em período expulsivo ou não aceitos mediante solicitação de regulação.

Tais achados são corroborados por estudos anteriores realizados por Rosa (2014) e Souza e colaboradores (2019), que identificaram a baixa produtividade dos HPP e que quanto menor o porte do hospital, menor será sua taxa de ocupação de leitos, chegando a alguns casos a apenas 22% em unidades de menos de 50 leitos, refletindo assim seu mau desempenho.

Essa baixa taxa de ocupação, já amplamente identificada, reforça a possibilidade da inserção do HPP na rede de atenção na contrarreferência, para recepcionar usuários clínicos com quadro estabilizado, que ainda necessitem de Internação e que não disponham de Serviço e Atenção Domiciliar. Constituindo-se em uma das diretrizes da PEHHP, que será tratada a seguir, visa desafogar as unidades de referência de maior complexidade.

4.1.3.5 Ser Retaguarda para Hospitais de Referência Regional

Como já discutido na diretriz da PEHPP que trata da relação do hospital com a atenção primária, a contrarreferência também se faz presente na interrelação entre os diversos níveis da rede de atenção. Ou seja, inserção hospitalar nas redes hierarquizadas ocorre não apenas pelo referenciamento como também por meio da contrarreferência de pacientes. Neste tópico, o HPP será avaliado justamente pela sua participação nessa etapa do processo de deslocamentos do paciente no sistema de saúde. Para a análise dessa diretriz, foram avaliadas questões que envolvem a movimentação dos pacientes, a formalização da contrarreferência, a infraestrutura necessária e a ociosidade dos leitos, sistematizadas no quadro a seguir e analisadas posteriormente.