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129 Resgatar o passado significa ter uma compreensão diferente da história; o passado

4.1.2 Professoras entrevistadas – Percursos Isabela

Eu acho que a criança é ótima nisso, na questão de criar, de imaginar e estar inventando sempre novas coisas a partir de um objeto, a partir de alguma coisa que ela está vendo, ela cria muito em cima daquilo. Então eu acho que a vida da criança vira uma Arte, quase (ISABELA, professora entrevistada em 2014).

Figura 45: Professora

Formada em pedagogia no UNI BH, fez também pós – graduação em Educação Inclusiva e Psicopedagogia Institucional. O sonho dela era ser professora, desde criança, nunca pensou em seguir outra ccarreira. Fez o magistério e logo em seguida ingressou na Faculdade de Pedagogia. Segundo Isabela não teve dúvidas quanto à sua es olha pela p ofiss o. Meu so ho era ser professora desde que eu era criança, não quis ser outra coisa. E quando eu terminei o fundamental eu já parti direto para o magistério e já fui direto para a faculdade de pedagogia. Eu o ti e dú idas e elaç o a i ha p ofiss o

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Trabalha há 11 anos na Educação Infantil. Na época da pesquisa, ela atuava no período da manhã na UMEI Olhos de Criança e, à tarde, em outra UMEI, recentemente inaugurada. De acordo com Isabela pretende sair da Educação Infantil e trabalhar no Fundamental.

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Nicole

A gente já foi numa exposição que tinha pinicos. Um monte de pinicos de todos os séculos. E porque isso é Arte? É Artes plásticas, Artes Visuais? Vai depender do seu olhar. E então eu acho que Arte visual é isso, é a interação da pessoa, do olhar da pessoa com a obra de Arte. E então tudo pode ser Arte (NICOLE, professora entrevistada em 2014).

Figura 46: Professora

Nicole tem uma trajetória escolar e profissional bem dinâmica. De acordo com ela, sua entrada para a educação está relacionada com sua experiência na adolescência. Tinha quatorze anos quando sua mãe abriu uma escola de Educação Infantil e então, passou a ajudar na gestão da escola em Ribeirão das Neves.

Co o o ai o o ti ha out as es olas pa ti ula es e e pú li as, a nossa escola era muito cheia. E não tinha mão de obra especializada no bairro para trabalhar com a gente. E então, vira e mexe, eu estava em sala de aula ajudando, com 14 anos. Nunca estava na regência sozinha mas sempre auxiliando um pouquinho. Na minha casa mesmo tinha uma piscina pequenininha e então eu trabalhava com os meninos na piscina e com as out as p ofesso as Ni ole, professora entrevistada em 2014).

Junto com a mãe mantiveram a escola aberta durante muitos anos. Nicole afirma que sua mãe não tinha agist io e ue a uilo ue eu ap e dia eu le a a pa a ela o te po todo. Eu sempre compartilho muito, com ela, as coisas. Tanto que eu coloquei na minha dissertação de

est ado ue ela u pou o est a ta Ni ole, professora entrevistada em 2014).

Fez o magistério no Instituto de Educação com duração de quatro anos. Algumas mudanças ocorreram e ela então ingressou na faculdade de Jornalismo no UNI BH. Trabalhou um tempo nessa área, mas descobriu que não era a profissão que desejava. Fez o curso de letras, complementação pedagógica no Rio de Janeiro nos finais de semana. Fez o concurso da PBH e passou. Tem mestrado em Educação pela Universidade do Estado de Minas Gerais. Durante a realização do mestrado fez também o curso de pedagogia. Na época da pesquisa, trabalhava no turno da manhã na UMEI Olhos de Criança e à tarde ela é P135. Trabalha no projeto de intervenção pedagógica com língua portuguesa, com o primeiro e segundo ciclo.

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Valentina

Eu vou me interessar pela Arte corporal se eu tiver liberdade de encostar no meu colega, ver a reação dele e me expressar fisicamente dentro de todos os conflitos do espaço em que eu estou (VALENTINA, professora entrevistada em 2014).

Figura 47: Professora

Valentina afirmou que sua formação aconteceu na prática. Trabalhava com crianças desde os 15 anos. Na época em que fez o magistério, em 77 e 78, o olhar das organizações e das escolas não era voltado para as crianças abaixo de 7 anos. Fez magistério com duração de dois anos e, segundo ela, percebeu que o curso não oferecia aquilo que desejava levar para aquela turma onde já trabalhava. Eram crianças de maternal, primeiro período e segundo períodos, nomeados assim, naquela época. Quando se formou, passou a lecionar para as crianças do Fundamental e isso durou 10 anos. Ao ingressar no curso de pedagogia, já havia aberto uma escola de Educação Infantil que funcionou durante 23 anos. Abriu a escola em 1982 e fechou em 2005. No quinto período do curso de pedagogia da PUC, faltando um ano para se formar, largou a faculdade, porque para ela o curso não correspondia ao que acreditava ser necessário para a formação das crianças pequenas. Assim, largou o curso e continuou trabalhando com crianças pequenas e, ao longo do tempo, foi se formando junto com elas.

Eu compreendi que a gente tinha que buscar na criança aquilo que ela queria. A criança de zero a seis anos quer brincar. Mas tem o jeito de brincar de uma forma diferente, é o brincar livre, é o brincar pedagógico, e o brincar de construção do conhecimento que para mim era muito interessante. E ali a gente foi desenvolvendo uma série de coisas. Inclusive a própria linguagem corporal das crianças, foi trazendo para a gente novas visões (VALENTINA, professora entrevistada em 2014).

No período da pesquisa, Valentina trabalhava na UMEI Olhos de Criança como professora apoio nos dois turnos manhã e tarde. Durante esse processo de observação, precisou de várias licenças médicas. Sua saúde estava comprometida.

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Baiano

Eu acho importante, muito importante mesmo a Arte visual na educação e agora na educação infantil que eu estou chegando, eu vejo que é muito mais importante ainda, porque aqui é onde se começa tudo (BAIANO. professor entrevistado em 2014).

Figura 48: Professor

Nascido em Alcobaça, no sul da Bahia, próximo a Porto Seguro, Baiano fez magistério e ingressou no curso de pedagogia na Universidade Estadual da Bahia e depois fez pós- graduação em Arte Terapia e Educação, no Rio de Janeiro. De acordo com ele, seu desejo era fazer Artes, mas devido às dificuldades impostas pela vida, fez o curso de pedagogia. Porém, sua intenção é continuar os estudos em Artes e sua pós-graduação foi o começo. Trabalha na área, como pintor.

Segundo Baiano, ele chegou à Educação infantil sem um planejamento interior, e isso está relacionado à sua vida pessoal. Seu primeiro filho é portador de necessidades especiais e veio para Belo Horizonte em busca de melhores condições de vida para ele, a esposa e o filho. Ele pediu licença na escola em que atuava na Bahia e veio para Belo Horizonte. Aqui, ficou sabendo do concurso da prefeitura e resolveu fazer. Antes de ser chamado pela Prefeitura, trabalhava na UFMG no Setor de Pessoal. Fazia cálculo de tempo de serviço para a aposentadoria de funcionários em geral, e para professoras. De acordo com o próprio Baiano, era um trabalho muito burocrático, para um professor inquieto como ele. Em 2008, foi nomeado professor da Educação Infantil. Nunca tinha lecionado na educação infantil. Quando estava na sala para ser nomeado, disse:

Todo mundo olhava para mim. Quem é este cara? Será alguém que vai falar aí na frente? Eu falei: gente, não é possível. Fui pesquisar na internet para ver, não é possível, não tem nenhum outro homem aqui, não tem mais homem não, só eu? Depois eu vi, que naquela época eram 5 ou 6 homens

a ede. BAIANO, professor entrevistado em 2014).

Como ele afirma, resolveu encarar e está até hoje na Educação Infantil. No período da pesquisa atuava como professor regente no turno da tarde com uma turma de 5 anos e no horário da manhã passou a substituir uma professora que estava de licença–maternidade, na turma de 3 anos.

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Júlia

Porque a exigência mínima da prefeitura é o magistério. Eu não fiz o magistério, mas o relato que eu tenho das meninas que fizeram o magistério é que primeiro a professora cobra que tem que ter uma capa de bichinho e bonequinha. E então, qual é a concepção que a professora está passando? (JÚLIA, coordenadora entrevistada em 2014).

Figura 49: Coordenadora

Júlia começou sua vida profissional trabalhando no Mac Donald, na parte de coordenação da gerência financeira. Segundo ela, seus amigos diziam que tinha um perfil para coordenação, apesar de não achar. Saiu do Mac Donald para trabalhar na secretaria de uma escola de Inglês. E a partir daí, começou a vislumbrar a área da educação, mas sem nenhum desejo em ingressar no curso de pedagogia. De acordo com Júlia, sempre gostou da área de exatas ou gerencial.

Passou no curso de administração da Newton Paiva, pois queria atuar na área de marketing, trabalhar em algum banco talvez. Segundo ela, queria trabalhar de salto, e no ar condicionado.

E hoje t a alho de t is e o alo , se uise , se e e tilado . Olha ue eleza... JÚLIA, coordenadora entrevistada em 2014). A pergunta a ser feita diante da fala de Júlia é: porque na escola não podemos ter melhores condições de trabalho? Porque que tem que ser esse sofrimento?

Naquele período acabou vislumbrando o curso de pedagogia na UEMG, por indicação de uma amiga e trancou o curso de administração. Ao terminar a faculdade, fez o concurso da prefeitura, passou e foi para a UMEI. Mas, antes, trabalhou como professora em algumas escolas particulares na Educação Infantil. Segundo Júlia,

as coisas que eu sei hoje se deram muito pela minha experiência na escola particular. Porque eu passei por escolas muito bacanas, com coordenadoras bacanas e com uma concepção de Educação Infantil um pouco diferente das que a gente vê em algumas escolas tradicionais. As escolas por onde eu passei tinham uma linha um pouco mais construtivista, sócio-interacionista e eu acho que minha formação veio um pouco deste lugar (JÚLIA, coordenadora entrevistada em 2014).

Trabalhou durante um tempo, meio horário na Prefeitura e meio horário na escola particular. Depois que foi chamada para assumir a primeira coordenação, saiu da escola particular e ficou só na escola pública

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Quando recebeu o convite para a coordenação ficou receosa porque

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tinha só um ano e meio de prefeitura e nunca havia trabalhado na coordenação. Para Júlia é uma experiência muito importante na vida do professor, porque amplia o olhar. Segundo ela, não tem como voltar para a sala de aula com o mesmo olhar com ue saiu. Na oo de aç o você participa de vários encontros, congressos, conhece pessoas que discutem educação, as questões políti as... tudo te fo a.

No período da pesquisa atuava como coordenadora pedagógica nos dois turnos na UMEI Olhos de Criança. Ao final da pesquisa, por questões administrativas e gerenciais, passou para a vice- direção. Em 2015, começaria como vice-diretora. Além disso, no momento da entrevista declarou estar cursando a Pós-Graduação em Ciências por Investigação, curso ofertado pelo Centro de Ensino de Ciências e Matemática – CECIMIG – da Faculdade de Educação da UFMG.

Luz

A história da Arte é emocionante para mim. É a história da humanidade expressa ali. Eu acho que é isto que a Arte expressa, a nossa identidade, é a nossa representação da humanidade (LUZ, vice-diretora entrevistada em 2014).

Figura 50: Vice-diretora

Luz é pedagoga, professora e, no período da pesquisa, era vice-diretora da UMEI Olhos de Criança. Como professora, sempre esteve em sala de aula com as turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, trabalhando com a alfabetização. Sua trajetória na rede se deu também como coordenadora na Escola de Ensino Especial e na Escola Municipal à qual a UMEI Olhos de Criança está vinculada. Essas duas instituições, segundo Luz, foi onde trabalhou mais intensamente. Antes dessas experiências, atuou no CAPE – Centro de Aperfeiçoamentos dos profissionais da Educação. Nesse período, foi quando houve um processo de formação de professores para a inclusão de pessoas com deficiência. Houve a mudança de integração para inclusão. Foi um período, segundo Luz, em que se criaram muitas políticas de formação para a Rede Municipal de Belo Horizonte, política de acompanhamento. Uma ação intensa de formação de professores. Ao sair do CAPE foi trabalhar na regional Pampulha com o acompanhamento das escolas. Depois dessa experiência foi diretora de uma Escola Municipal que passava por sérias dificuldades e conflitos. Ficou na gestão dessa escola em dois mandatos, num total de cinco anos. Saiu porque estava muito cansada. Nesse período decidiu

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voltar para a Educação Infantil. De acordo com Luz, o início de sua carreira foi na Educação Infantil e começou quando ainda tinha 14 anos. Foi monitora numa escola da esposa do seu professor de português. Fez o magistério e passou a lecionar numa escola particular confessional na Educação Infantil e na sequência ocorreu seu ingresso também na prefeitura. Está com 26 anos de Prefeitura, mas não tem a idade mínima para se aposentar. Pensa terminar sua trajetória na prefeitura, voltando ao que começou, a Educação Infantil

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Ago a a minha causa é a Educação Infantil; durante muito tempo a minha causa foi a inclusão de pessoas com deficiência. Eu considero que isto hoje está muito mais resolvido e tenho uma causa nova. A Educação Infa til u a ausa o a a ede (LUZ, vice-diretora entrevistada em 2014). No final da pesquisa, por questões administrativas e gerenciais, estava deixando a vice- direção da UMEI Olhos de Criança para dirigir uma Escola Municipal de Educação Infantil. No segundo semestre de 2014 ingressou no Curso de Especialização em Docência na Educação Infantil - DOCEI- UFMG.

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