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Programa de Controle da Estanqueidade dos Reservatórios

No documento 6365-EIA-G90-001d iii Leme Engenharia Ltda (páginas 101-106)

13. Análise Interativa e Conclusiva

13.3 Planos e Programas Ambientais

13.3.1 Programa de Controle da Estanqueidade dos Reservatórios

O Programa de Controle da Estanqueidade dos Reservatórios integra o Plano de Acompanhamento Geológico-Geotécnico e de Recursos Minerais, sendo dirigido para a identificação, caracterização e monitoramento dos locais onde podem existir riscos associados à fuga d’água dos reservatórios, em regiões onde os reservatórios fazem limite com litologias sabidamente permeáveis da Formação Maecuru, portadora de cavidades subterrâneas, e outras feições menores originadas por piping.

Durante o desenvolvimento do programa, a depender do grau de relevância a riscos de fuga de água, serão indicadas medidas de controle com base em estudos de alternativas e estabelecidas as recomendações e detalhamentos sobre tratamentos, bem como sobre a continuidade do monitoramento.

b) Justificativas

A existência de cavidades subterrâneas e outras feições menores de piping associadas aos arenitos permeáveis da Formação Maecuru indicam a possibilidade de ocorrência de fuga de água do Reservatório dos Canais e recomendam a implantação de levantamentos topográficos e mapeamentos detalhados das áreas de ocorrência de cavidades próximas a esse reservatório, conforme indicado neste Programa de Monitoramento da Estanqueidade dos Reservatórios.

c) Natureza do Programa

Monitoramento.

d) Etapa do empreendimento para implantação

Operação.

e) Ações/Procedimentos Metodológicos

Estão previstas as seguintes atividades: detalhamento do programa de monitoramento; levantamento topográfico e execução das investigações de campo; análise dos resultados das investigações de campo e determinação de relevância; estudos de alternativas e detalhamento das medidas de controle; monitoramento das condições de estanqueidade.

e.1) Detalhamento do programa

O detalhamento do programa deverá considerar os trechos e locais de maior criticidade para eventuais processos de fuga d’água, os quais deverão ser priorizados para a implantação do Programa.

O detalhamento deverá incluir a localização e as especificações gerais para a execução das investigações, bem como a programação dos estudos e análises necessários para a proposição das medidas de controle e de monitoramento. Caso necessário, deverão ser previstas inspeções de campo para efetuar o detalhamento do programa.

e.2) Levantamento topográfico e execução das investigações de campo

Deverão ser efetuadas investigações de superfície, investigações de subsuperfície indiretas e diretas e instalação de monitores e piezômetros, prospecções exocárstica e endocárstica e respectivas caracterizações geológica geológica e estrutural, geomorfológica e hidrogeológica complementares, ensaios hidrogeológicos (hidráulicos e com traçadores e incluindo aqueles pontuais e de intercomunicação).

Investigações de Superfície

de 1:1000, com curvas de nível de metro em metro, onde deverão estar claramente identificadas as regiões de escarpas e os relevos abruptos.

Além dos levantamentos topográficos, deverá ser feita a caracterização geológico-geotécnica, estrutural e hidrogeológica dos locais de estudo. Essa caracterização inclui as seguintes atividades:

• Processamento e interpretação de imagens de satélite recentes e atualizadas e fotointerpretação geológica utilizando fotos aéreas, plantas de restituição aerofotogramétrica e de levantamentos topográficos disponíveis e específicos e modelos digitais de terreno.

• Trabalhos de mapeamentos de campo de detalhe: mapeamento geológico-geotécnico; mapeamento estrutural; mapeamento hidrogeológico.

Investigações Indiretas

A princípio, está previsto o emprego das seguintes técnicas geofísicas para investigar as escarpas do arenito Maecuru:

• Levantamentos gravimétricos;

• Ensaios de resistividade elétrica com a técnica de caminhamento elétrico;

• Radar de penetração no solo (GPR).

Os resultados deverão ser apresentados em mapas de anomalias onde devem estar destacadas regiões no maciço para serem investigadas com métodos de investigação direta.

Investigações Diretas e Instalação de Monitores e Piezômetros

A execução das investigações diretas deverá contemplar sondagens mecânicas (sondagens a percussão e sondagens mistas) e ensaios de infiltração e de perda d’água e a instalação de medidores de nível d’água e de piezômetros. Poderão também ser coletadas amostras para ensaios de laboratório, caso os resultados das sondagens indiquem a necessidade.

Prospecções Exocárstica e Endocárstica e Respectivas Caracterizações Geológicas, Geomorfológicas e Hidrogeológicas Complementares

A partir da análise dos dados obtidos nas investigações diretas e indiretas, caso se verifique a necessidade, deverão ser efetuadas prospecções exocárstica e endocárstica e respectivas caracterizações geológicas, geomorfológicas e hidrogeológicas complementares.

Ensaios Hidrogeológicos (hidráulicos e com traçadores e incluindo aqueles pontuais e de intercomunicação).

e aqueles de intercomunicação tridimensionais, com controle e monitoramento nas regiões adjacentes do ensaio.

e.3) Análise dos resultados das investigações de campo e determinação de relevância

A análise das investigações deverá ser apresentada em relatórios parciais emitidos ao final do desenvolvimento de cada atividade e em relatórios consolidados.

O desenvolvimento das atividades indicadas no item e.2e a análise dos resultados obtidos deverão permitir a ordenação dos locais estudados de acordo com o grau de relevância quanto a risco de fuga d’água do reservatório.

Esta ordenação orientará os estudos de alternativas e de detalhamento das medidas de controle, bem como o monitoramento das condições de estanqueidade.

e.4) Estudos de alternativas e detalhamento das medidas de controle e de monitoramento

A partir dos resultados obtidos com o desenvolvimento das atividades dos itens e.2 e e.3 serão efetuados os estudos de alternativas de medidas de controle, a seleção da alternativa mais apropriada e o detalhamento sobre tratamentos, bem como estabelecidas diretrizes para a continuidade do monitoramento.

Algumas alternativas de medidas de controle são os tapetes de argila e diques com fundação em solos/rochas de baixa permeabilidade, como naqueles do Complexo Xingu e/ou Formação Trombetas. As FIGURAS 13-1 e 13-2 ilustram essas alternativas.

FIGURA 13-1 – Tapete de argila.

O tapete de argila poderá ser construído com solo argiloso compactado e de baixa permeabilidade na área de ocorrência, sob o reservatório, do arenito da Formação Maecuru, de elevada permeabilidade e portadora das cavidades subterrâneas. Esse tapete tem por finalidade a redução das vazões e o controle das percolações devidas à elevação da carga hidráulica pela formação do reservatório.

Os diques poderão ser implantados sobre a Formação Trombetas e/ou Complexo Xingu, de forma que a carga hidráulica do reservatório atue sobre essas formações, com características de baixas condutividades e/ou permeabilidades, não permitindo a ação do reservatório sobre os arenitos da Formação Maecuru, portadora das cavidades subterrâneas e com características de permeabilidade e/ou condutividade hidráulicas muito mais elevadas.

Deverão ser definidos os locais de instalação de instrumentos, a princípio, representados por medidores de nível d’água e piezômetros, complementares àqueles do item e.2 e medidores de vazão em drenagens superficiais e das cavernas. Se necessário, poderá ser especificada a coleta de amostras de água dos piezômetros e de águas superficiais e das cavernas para análises químicas.

e.5) Monitoramento das condições de estanqueidade

Deverão ser efetuadas inspeções geológicas e hidrogeológicas das escarpas da Formação Maecuru posicionadas na face contrária ao reservatório e das cavidades subterrâneas contidas nessas escarpas, leituras dos instrumentos instalados nos locais de maior relevância para o processo de fuga de água e efetuadas as coletas e análises de amostras de água. Os resultados dessas inspeções deverão estar consolidados em relatórios semestrais.

A leitura de instrumentos instalados e coleta e análises de amostras de águas subterrâneas deverão ocorrer em períodos antes e após o enchimento e incluir todo o período de formação do reservatório. Prevê-se que as leituras sejam mais freqüentes, a princípio, com freqüência semanal, durante e em períodos próximos à formação do reservatório (dois meses antes e depois) e menos freqüentes durante todo o período de monitoramento restante, a princípio, com freqüência mensal.

f) Interface com Outros Planos, Programas e Projetos

Os resultados obtidos em algumas das ações do presente programa serão compartilhados com os Programas de Monitoramento da Água Subterrânea e Monitoramento da Estabilidade das Encostas Marginais e Processos Erosivos.

g) Responsabilidade pela Implementação

A implementação e o desenvolvimento do programa são de responsabilidade do Empreendedor.

h.1) Detalhamento do Programa: deverá ser desenvolvido na etapa de elaboração do

PBA;

h.2) Levantamento topográfico e execução das investigações de campo: essas atividades

deverão ser efetuadas em um prazo máximo de um ano. Deverão ser iniciadas logo no início da etapa de construção do empreendimento.

h.3) Análise dos resultados das investigações de campo e determinação de relevância:

essas atividades deverão ter desenvolvimento paralelo àquelas do item h.2 estendendo-se, no máximo, até seis meses após a conclusão das atividadesindicadas no mencionado item.

h.4) Estudos de alternativas e detalhamento das medidas de controle e de monitoramento: essas atividades deverão ter desenvolvimento no máximo, até seis meses

após a conclusão das atividades indicadas no item e. Deverão estar concluídas antes do início da implantação das obras do Sítio dos canais e do Sítio Belo Monte.

h.5) Monitoramento e interpretação dos resultados: o monitoramento e a interpretação

dos resultados desenvolvem-se nos seguintes períodos descritos a seguir.

h.6) Inspeções e Relatórios: as inspeções e os relatórios com os resultados deverão ser

feitos e emitidos semestralmente, a princípio, até após cinco anos do início de operação da usina;

h.7) Leituras dos instrumentos e/ou monitores: imediatamente após a instalação dos

monitores e instrumentos deverão ser iniciadas as leituras, que deverão ser ininterruptas, a princípio, até após cinco anos do inicio de operação da usina. A princípio, fica estabelecida a freqüência semanal para o período de formação do reservatório e para os períodos de dois meses antes e após a formação do reservatório e a freqüência mensal, para o período restante do monitoramento.

A análise dos resultados obtidos poderá indicar a necessidade de continuidade do Programa além do prazo estipulado.

No documento 6365-EIA-G90-001d iii Leme Engenharia Ltda (páginas 101-106)