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Programa de perguntas e respostas – O céu é o limite

2.2 Programas que marcaram a história da TV

2.2.4 Programa de perguntas e respostas – O céu é o limite

A escolha do programa O céu é o limite para completar o quadro dos programas que marcaram a história da televisão no período em que esse meio estava sendo introduzido no país não é por acaso. Assim como foi visto no item anterior, o O Céu é o limite foi um dos programas que seguia a influência norte-americana e que teve uma adaptação de sucesso no Brasil.

Na verdade, o O céu é o limite não foi o único representante do gênero variedades40 tipo importação na televisão, pois junto a ele estava o Esta é a sua vida, que foi um programa que seguiu o modelo específico do This is your life, no qual havia uma pessoa cuja trajetória representava o estilo American way of life (SIMÕES, 1986, p. 39). Isto é, alguém que obtivera o sucesso em determinada área era homenageada pelos amigos,

40 É importante a constatação de que em 1956 Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha, estreou o

programa Rancho Alegre e que dois anos depois estreou o Discoteca do Chacrinha. No entanto, este estudo não avalia o trabalho desse profissional porque os programas apresentados por ele eram exibidos pela TV Tupi do Rio de Janeiro.

professores de escola, colegas de profissão, enfim, os indivíduos que eram ou tinham sido do convívio do homenageado contavam a sua história de superação.

Enquanto o Esta é a sua vida homenageava alguém com uma história de sucesso pessoal, O céu é o limite era um programa que dava a oportunidade para o desconhecido conseguir o sucesso diante do público. Sob um certo aspecto, os dois eram representantes que exemplificavam o modelo dos programas de variedade dos Estados Unidos, que acabavam por reforçar o estilo de vida americano como meio para se vencer na vida. Nesse caso, a principal diferença entre eles é que um enfocava os feitos do passado e o outro dava a oportunidade para que o participante pudesse desempenhar um bom trabalho diante das câmeras.

E é exatamente esse diferencial que chama a atenção. No período em que a televisão vivia à base de experimentações e tentativas, surgiu um programa com modelo importado dos norte-americanos que fez muito sucesso no Brasil. Em 1955 foi ao ar o primeiro programa de perguntas e respostas da televisão brasileira (MATTOS, 2002, p. 174) e com ele veio a oportunidade de consagração do convidado que conseguisse responder o maior número de perguntas possíveis.

O mais interessante de toda essa movimentação em torno do mais novo programa de perguntas e respostas é o modo pelo qual a adaptação de um programa importado à cultura brasileira conseguiu cair no gosto dos telespectadores. A consideração de que a adaptação de um programa de sucesso nos EUA também tenha obtido sucesso no Brasil levanta a discussão: O céu é o limite foi um marco na história da televisão devido à importação da fórmula dos programas norte-americanos de perguntas e respostas ou devido à adaptação dessa fórmula de acordo com a experimentação que se desenvolvia no país?

Talvez seja possível identificarmos qual foi o principal motivo pelo qual o O céu é o limite tenha sido um marco na história da TV, mas podemos apontar dois aspectos concomitantes que discutem essa questão. É possível afirmar que a fórmula dos programas de perguntas e respostas constitui um estilo do gênero de variedades que oferece ao público a chance de participar e obter sucesso através dessa atração. A possibilidade de participação no programa, seguida pela consagração de uma pessoa que até então não era conhecida pelo público, a coragem e a determinação demonstrada pelos participantes, talvez sejam os principais fatores de audiência desses programas.

De forma mais objetiva, poderíamos dizer que o sucesso obtido pelos participantes movimenta o debate público de acordo com o desempenho do participante. E, de uma certa forma, gera um sentimento que impulsiona a busca do público por uma trajetória de sucesso pessoal, de acordo com a propagação das conquistas possíveis pelo american way of life. Partindo sob esse aspecto, o sucesso do O céu é o limite também seria obtido em qualquer país no qual um programa com esse perfil, de perguntas e respostas, fosse exibido.

O segundo aspecto referente ao êxito desse programa estaria mais ligado ao fato da adaptação desse gênero no Brasil. As experimentações que marcaram o estilo das produções nacionais também estiveram presentes no O céu é o limite. Um exemplo dessa adaptação foi a concomitância de exibição em dois lugares diferentes, em São Paulo, apresentado por Aurélio Campos, e no Rio de Janeiro, apresentado por J. Silvestre (SIMÕES, 1986, p. 40). A simultaneidade na apresentação do mesmo programa em dois locais distintos mostra a capacidade da televisão em utilizar essa fórmula de programa de perguntas e repostas de acordo com o público que assiste a essas produções em âmbito local.

A resposta para a questão levantada anteriormente, sobre a chave do sucesso do programa O céu é o limite, seria uma junção da importação de uma fórmula consagrada nos EUA e o talento dos profissionais brasileiros na adaptação desse gênero de variedades. Se fôssemos traçar uma linha do tempo visando identificar o alcance do programa, verificaríamos que esse modelo foi exaustivamente repetido, com diversas roupagens e em diferentes programas de televisão nas últimas décadas. E hoje sabemos que é impossível afirmar com clareza o alcance desse tipo de programa de perguntas e respostas, gênero iniciado em 1955.

O alcance do programa junto ao público nos leva novamente à questão da publicidade, já analisada neste trabalho, pois o sucesso do programa causou uma grande movimentação daqueles que queriam patrocinar a atração.

“Um dos programas que causou a maior guerra publicitária havida no Brasil, ‘O céu é o limite’, com uma audiência de 98% nas noites de sexta-feira, fez subir rapidamente o preço de inserção nos minutos que antecediam a sua apresentação (e os custos de patrocínio). Votorantim era a

patrocinadora da apresentação paulista”. (ÁVILA apud PROPAGANDA, 1982, P. 31)

Esse ciclo de sucesso: programa de perguntas e repostas Ù consagração de participante Ù alto índice de audiência Ù movimentação publicitária – parece ser uma estrutura desenvolvida em um contexto que deu suporte para que O céu é o limite realmente fosse um marco na história da TV brasileira. Mais do que isso, o primeiro programa de perguntas e respostas apresentado nos anos 50 foi um acontecimento que permanece na memória41 de muitos paulistanos.

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SINTONIZANDO OS CANAIS:

AS CONSEQÜÊNCIAS DO ADVENTO

E DO DESENVOLVIMENTO

DA TELEVISÃO NA

O surgimento da televisão no Brasil nos anos 50 foi um acontecimento muito importante, pois o advento e o desenvolvimento de TV foram caracterizados por um processo muito peculiar. Essa peculiaridade se deve ao fato de que, no momento em que começamos a falar de televisão, é quase impossível não inseri-la em duas instâncias de abrangência distintas. A primeira se refere ao papel desse meio de comunicação na sociedade brasileira em nível mais amplo. A segunda instância está associada ao papel da televisão na sociedade paulistana, com um enfoque mais direcionado ao cenário familiar.

É fundamental destacar a importância dessas duas instâncias que estão intrinsecamente associadas, pois essas esferas em nível macro e micro são complementar uma à outra. Quando falamos da história do surgimento da TV no Brasil, somos levados a avaliar os primórdios desse meio na cidade de São Paulo. Assim como, a referência sobre a atuação da televisão ao longo das décadas de sua implantação traz a história dos estados brasileiros que começam a ter acesso ao número de aparelhos que cresce em ritmo vertiginoso em diversas regiões do país.

Apesar dessa característica de complementaridade entre a história da televisão no país e na cidade de São Paulo, o trabalho se ocupa em avaliar de forma mais direcionada os eventos da cidade de São Paulo na década de 50. Seria possível afirmar que esse enfoque fez parte de uma escolha pessoal em identificar a história de uma cidade isolada, a fim de facilitar a análise. Acontece que a determinação em analisar somente a cidade de São Paulo foi, na verdade, uma exigência do próprio objeto em questão.

São Paulo foi o berço da televisão no país com a inauguração da TV Tupi em 18 de setembro de 1950. Além de ter sido o cenário principal no qual foram criadas as primeiras emissoras de televisão, como pode ser visto na tabela a seguir:

Criação de emissoras no eixo Rio-São Paulo

Ano de criação Emissora Canal Cidade

18/9/1950 PRF-3 TV Tupi-Difusora canal 3 São Paulo 20/1/1951 PRG-3 TV Tupi canal 6

Rio de Janeiro 14/3/1952 TV Paulista canal 5 São Paulo

27/9/1953 TV Record canal 7 São Paulo

15/7/1955 TV Rio canal 13

Rio de Janeiro 7/9/1960 TV Excelsior canal 9 São Paulo 20/9/196042 TV Cultura canal 2 São Paulo

Tendo como base a noção de que a cidade de São Paulo foi o principal local de criação e desenvolvimento da TV no país, é que damos continuidade ao presente trabalho. O capítulo 3 avalia as conseqüências do advento e do desenvolvimento da televisão na cidade de São Paulo e como esses fatores interferiram na comunicação interpessoal dos familiares que faziam parte do universo comunicacional do período. Todos os itens vistos até aqui são indispensáveis para a construção desta análise que visa o cumprimento do objetivo principal: avaliar se a introdução da televisão na esfera familiar paulistana nos anos 50 transformou os vínculos entre os familiares.

No capítulo 1, a apresentação do cenário histórico do país e do cenário familiar na década de 50 possibilitou uma visão geral sobre os principais acontecimentos, em ambas as esferas, que deram condições para o surgimento e o desenvolvimento da televisão. No capítulo 2, houve uma divisão entre os aspectos que estiveram presentes nesse processo e os programas que marcaram a história da TV. Neste último capítulo será traçado um paralelo entre os dois capítulos anteriores, tendo como foco principal as ações

42 Em 1958 os Diários Associados obtiveram o sinal que lhes dava a oportunidade de começarem a exibição

dos conteúdos de uma nova emissora no canal 2; porém, foi somente em 1960 que a TV Cultura estreou oficialmente.

que geraram conseqüências na esfera da família que vivia na cidade de São Paulo no período de introdução da televisão.

3.1 Conseqüências geradas pelo surgimento da televisão

“Viver é tentar negar a morte. Viver é fazer de conta que não há morte”.

Vilém Flusser

A primeira constatação a ser feita é que o advento e o desenvolvimento da televisão ao longo da década de 50 representaram uma mudança na esfera dos meios de comunicação. Antes de apontarmos as possíveis modificações na estrutura dos grupos sociais, como é o caso do estabelecimento de vínculos na família, parece fundamental considerar quais foram os aspectos, os fenômenos criados pelo próprio meio que fizeram parte desse processo de surgimento da televisão.

A primeira parte do capítulo 3 destina-se ao estudo dos fenômenos que despontaram no momento em que a televisão começou a se firmar. Essas observações são muito importantes para que possamos compreender a mudança que foi ocorrendo no cenário comunicacional conforme a televisão foi se desenvolvendo. É possível dizer que a televisão inovou quando se valeu das experimentações técnicas, mas não há como negar que essa experimentação estava atrelada a diversas técnicas que já eram utilizadas por outros meios de comunicação. Nesse caso, a estrutura do próprio aparelho, unindo som e imagem, fez com que essas características se acentuassem. Talvez, a melhor forma para que possamos entender essa questão da potencialização de determinados fenômenos dos meios de comunicação da época seja analisar alguns eventos do rádio.

O rádio vinha sendo um veículo de comunicação de grande sucesso. As famílias costumavam colocar seus aparelhos na sala ou na cozinha43 para ouvir as músicas e as radionovelas transmitidas na programação. As pessoas desconheciam os profissionais responsáveis pelas atrações, mas conheciam de nome as estrelas do rádio. Para se ter uma idéia, em 1940 começaram a existir os fã-clubes. Dez anos depois, em 1950, os que

estavam mais organizados conseguiam acompanhar seus ídolos em qualquer aparição pública (SAROLDI, 2005, p. 122).

É interessante observar esse ponto de virada em que a imagem dos astros da Rádio Nacional passava a ser reconhecida pelos ouvintes. O aparelho de rádio era marcado por essa característica de transmissão de sons e isso nos levaria a pensar que os profissionais do rádio eram reconhecidos somente pela voz. A partir do momento em que o sucesso do rádio gerava uma curiosidade nos ouvintes, começava a haver organização dos fã-clubes e o acompanhamento dessas personalidades da época. Essa nova situação representou um fenômeno que aumentou a projeção dos profissionais do rádio como celebridades.

Foi nesse sentido que dissemos que a televisão se apropriou de determinadas características de outros meios de comunicação e que nela se tornaram ainda mais evidentes. A criação de ídolos no rádio deu sustento para a criação de ídolos na televisão que, se antes eram reconhecidos por uma minoria interessada em associar a voz à imagem, passaram a contar com o recurso da imagem. Claro, não se pode afirmar que houve o reconhecimento imediato dessas personalidades advindas do rádio, do cinema ou do teatro se pensarmos que a nitidez e o grau de definição das televisões ainda eram muito precários.

Ao longo da década de 50, a qualidade das imagens foi melhorando e a técnica se aperfeiçoando. Essa evolução técnica acabou auxiliando no processo de identificação dos artistas. Os astros do rádio, do cinema e do teatro juntavam-se aos poucos novatos nas produções televisivas e passaram a ser identificados como profissionais de televisão. Dependendo do caso, o sucesso obtido pelo programa podia lançar-lhe ao estrelato, sendo reconhecido por seu trabalho nas ruas e ganhando status de celebridade.

A mesma fama que cercava muitos profissionais da televisão também cercava as temáticas abordadas por determinadas produções de televisão. À medida que os programas eram apresentados, os telespectadores sentiam-se tocados pelos artistas ou pela trama das produções. O que antes era um fenômeno verificado no rádio por intermédio de determinados grupos que se organizavam para seguir os donos das poderosas vozes transmitidas na programação, passa a ser um fenômeno verificado na televisão e potencializado pela exibição do som e da imagem ao mesmo tempo.

O reconhecimento dos profissionais da televisão na rua fez com que o fenômeno de identificação entre o público e o artista fosse potencializado. Isso já acontecia no rádio, mas foi com a televisão, e a possibilidade de conferir a atuação dos artistas através das imagens, que esses profissionais puderam sentir o gosto da fama. Assim como a fama obtida pelos artistas de maior apelo junto ao público, determinados assuntos trabalhados na televisão também tiveram seu alcance potencializado.

O rádio como meio de divulgação de notícias também gerava discussão. Acontece que a imagem apresentada pelo aparelho de TV transformou essa relação entre o acontecimento e a discussão gerada por ele. Como foi visto no capítulo anterior, o primeiro beijo da televisão transmitido na telenovela Sua vida me pertence, por exemplo, foi um acontecimento que gerou muita polêmica e que marcou a história da TV brasileira. Enquanto as radionovelas faziam sucesso, não era freqüente que transformassem um romance acompanhado pelos ouvintes em um debate de grandes proporções.

A imagem trazida pelos televisores ganhou uma dimensão muito grande, enquanto o rádio tentava se manter como principal meio de comunicação somente pelo recurso do som. Realmente, a batalha era desleal. A televisão era um veículo novo, cercado de mistério, com uma magia trazida pela tecnologia e visto com curiosidade por parte das pessoas que não tinham acesso aos televisores. Logo, se o fenômeno do surgimento dos astros e do agendamento de temas na sociedade já ocorria no rádio, é inevitável considerar que os mesmos fenômenos estiveram presentes na primeira década de introdução da televisão no país de forma acentuada.

3.1.1 O surgimento dos astros e estrelas – os artistas e as garotas-propaganda

Como foi dito anteriormente, o processo de reconhecimento do artista pelo público não foi uma situação nova. A criação dos fã-clubes em 1940 é um bom exemplo disso, pois apontou essa tendência do público começar a se identificar com um determinado artista e querer acompanhar seus passos na carreira. Tanto no rádio, quanto na televisão, os ouvintes e os telespectadores mantinham um interesse em reconhecer os artistas que apareciam nesses veículos. Apesar disso, é necessário fazer uma distinção crucial na forma como esse artista vai ser reconhecido pelo público.

Os ouvintes podiam eleger seus astros no rádio, de acordo com a desenvoltura de cada artista, o modo de falar, o jeito de se expressar, enfim, havia uma série de fatores que faziam parta desse universo dos ouvintes que os levava a eleger seus ídolos. Só que a forma como esses ouvintes se relacionavam com seus astros se dava de uma maneira menos visual e mais imaginária. O fato do rádio não trabalhar com a imagem foi determinante para que os ouvintes criassem a imagem de muitos artistas, de acordo com a impressão que eles faziam dessas pessoas.

Essa questão da não visualização do artista era tão forte nessa época de sucesso do rádio, que um dos programas de grande êxito da Rádio Nacional oferecia como atração máxima o contato pessoal com a cantora Emilinha Borba44.

“Nesse programa45, o esquema mais sofisticado de transmissão incluía um furgão devidamente equipado que percorria os bairros do Rio de Janeiro levando o apresentador à procura do ouvinte que tivera sua carta sorteada no auditório. Localizado o felizardo (e se ele comprovasse o uso de produtos da União Fabril Exportadora), iniciava-se uma série de comemorações em que o atrativo máximo era a presença da cantora Emilinha Borba”. (SAROLDI, 2005, p. 119-120).

Com a televisão essa curiosidade em saber quem era o artista mudou de figura, pois a curiosidade em relação ao artista não diminuiu. O que aconteceu foi uma substituição de preferências. Com o rádio era possível imaginar quem era o artista, a associação da figura da pessoa à voz. Com a imagem da televisão não havia mais o que imaginar em relação ao físico do artista que interpretava determinado personagem. A curiosidade acabou se transformando em um interesse pela vida pessoal do artista.

A essa altura do trabalho, é essencial pontuar o momento desses acontecimentos. O período do rádio ao qual fazemos referência foi o da “era de ouro”, nos anos 40, e que se arrastou por alguns anos na década de 50, concomitantemente ao período do advento e do desenvolvimento da televisão no país. Isso porque o processo de

44 Emilinha Borba foi uma cantora de grande sucesso nos anos 40, tendo sido citada na entrevista de Maria

Aparecida Baccega. Quando a especialista soube da chegada de um aparelho que podia mostrar o “lado de lá” (no momento do surgimento da televisão), ela disse: “Meu Deus, eu vou poder falar com a Emilinha Borba”.

introdução da televisão na sociedade brasileira começou timidamente com apenas 200 televisores, aos quais somente as famílias da elite paulistana tinham acesso.

Dessa forma, é mais correto afirmar que o fenômeno do surgimento de astros e estrelas da televisão tenha sido mais relevante em 1956, quando o número de aparelhos disponíveis no Brasil deu um salto para 141 mil46. O grande número de aparelhos no país refletiu um maior acesso à televisão e, conseqüentemente, um maior acesso aos artistas que faziam parte da programação das emissoras. É nesse ponto em que podemos considerar a relação entre o trabalho desenvolvido pelo artista de televisão e o interesse pela vida pessoal dessas “destacadas figuras da vida paulista47”.

Figura 12: O Estado de São Paulo - Caderno Principal - p.10 - Domingo, 4 de outubro de 1959.

46 De acordo com a tabela apresentada na página 84.

47 “Destacadas figuras da vida paulista” é a maneira como o anúncio se refere aos “políticos, cientistas,

Através do processo de criação de astros da televisão, verificamos o complexo jogo de projecção-identificação48 do telespectador com o artista. É difícil especificar qual tenha sido o principal fator responsável pela criação desse fenômeno dos