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Programa “Ensino Médio Inovador – ProEMI”

O Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI), integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como estratégia do Governo Federal para induzir a reestruturação dos currículos do Ensino Médio. O objetivo é apoiar e fortalecer o desenvolvimento de propostas curriculares inovadoras nas Escolas de Ensino Médio, ampliando o tempo dos estudantes na escola e buscando garantir a formação integral com a inserção de atividades que tornem o currículo mais dinâmico.

Nós, bolsistas do PIBID/Geografia – Caicó/RN, que atua- mos na EECCAM, auxiliamos a nossa professora/supervisora nas atividades desse Programa no início do segundo semes- tre de 2012 até o fim do primeiro semestre de 2013. O tema das reflexões, desenvolvidas com os alunos nesse período, foi “Diversidade Cultural”.

É importante colocar esse tema na pauta das discussões/ reflexões em sala de aula, primeiramente porque conduz os alunos à compreensão de suas raízes histórico-sociais, perce- bendo que de alguma forma todos fazem parte de uma mesma “família”; somos todos resultados de um mesmo processo de miscigenação, não importando a raça; estamos unidos, se não por laços sanguíneos, por laços religiosos ou étnicos, o que consequentemente leva o aluno a entender a riqueza cultural da nação e que preconceitos são irracionais e insustentáveis, sejam eles de ordem religiosa, étnica ou racial. Ademais é perceptível que, mesmo diversos culturalmente, conservamos semelhanças, o que traz à tona aquela antiga e tão verdadeira frase: somos todos semelhantes uns dos outros.

O tema em questão se reveste de relevância ainda maior tendo em vista que a cor, o credo religioso e a etnia são atualmente

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tidos como motivo ou justificativa para agir com preconceito e violência contra outras pessoas ou grupos sociais diferentes.

Estabelecemos como objetivos: conduzir os alunos à compreensão das origens históricas e geográficas de nosso povo; fazer com que percebam a conexão existente entre a nossa geração e a de nossos antepassados por meio das tradi- ções, isso é, instrumentos, vestimentas, alimentos, costumes e crenças que temos atualmente e que derivam deles, tentando deste modo trazer para o aqui e o agora o tema tratado, rela- cionando-o com o cotidiano dos alunos.

Primeiro “construímos” junto com os alunos um conceito básico de diversidade cultural (como a variedade de estruturas sociais e religiosas e de manifestações intelectuais e artísti- cas que caracterizam uma sociedade em particular), para que, partindo daí, os alunos pudessem compreender como nosso país foi formado culturalmente, entendendo quais são as culturas fundadoras ou matrizes da grande cultura brasileira.

Depois realizamos uma dinâmica de integração, na qual pedimos que os alunos tentassem descobrir de qual matriz cultural deriva alguns dos instrumentos, vestimentas, alimen- tos e costumes que temos atualmente, com o objetivo de fazê-los compreender a conexão existente entre a nossa geração e a de nossos antepassados, isso é, as tradições que herdamos deles. Com essa dinâmica conseguimos salientar que a herança cultural brasileira não deriva só do povo português, como era apresentado antigamente, mas também da matriz negra e da matriz indígena. Como resultado da ação, confeccionamos um cartaz e o fixamos na parede da escola para mostrar aos outros alunos que não participavam do projeto as raízes/origens da cultura brasileira.

Nas aulas subsequentes, exibimos o documentário “O Povo Brasileiro”, do antropólogo Darcy Ribeiro, que mostra

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as culturas matrizes ou fundadoras da grande cultura brasi- leira. O documentário em questão, além de mostrar imagens que retratam a riqueza da cultura brasileira, discute o concei- to de pluralidade cultural a partir da concepção/opinião de especialistas no tema e contextualiza historicamente e geogra- ficamente as raízes da nossa cultura. Isso possibilitou que os alunos construíssem uma visão mais ampla das origens cultu- rais de nosso povo.

Procuramos exibir vídeos como ponto de partida ou subsídio para as reflexões/discussões, tendo em vista o que diz Moran (2009, p. 1):

As linguagens da TV e do vídeo respondem à sensibilidade dos jovens e da grande maioria da população adulta. São dinâmi- cas, dirigem-se antes à afetividade do que à razão. As crianças e os jovens lêem o que podem visualizar, precisam ver para compreender. Toda a sua fala é mais sensorial-visual do que racional e abstrata. Lêem nas diversas telas que utilizam: da TV, do DVD, do celular, do computador, dos games.

Sabedores de que os vídeos servem para “introduzir um assunto, complementar informações; provocar discussões” (MORAN, 2009, p. 1), sempre complementávamos a exibição do documentário com um debate ou discussão das ideias prin- cipais, sendo que esse momento da aula era feito de forma mais simplificada e coesa, porque se estendêssemos demais as reflexões estávamos correndo o risco de sermos repetitivos ou tornar a aula cansativa e, consequentemente, desinteressante.

Depois de exibirmos o documentário, vimos a necessidade de nos aprofundarmos um pouco mais na reflexão sobre o tema da conservação das tradições. Então resolvemos falar sobre o grupo dos negros do Rosário, que é um movimento cultural folclórico derivante da matriz negra, que ainda sobrevive na

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região do Seridó Potiguar, apresentando os seus costumes e crenças. Isso possibilitou uma maior aproximação do tema com a realidade dos alunos, uma vez que todos já haviam visto os negros do Rosário se apresentando nas festas religiosas ou, ao menos, já tinham ouvido falar desse grupo, apesar de não conhecerem as origens e os significados das apresentações.

Como forma de aprofundar o conteúdo, solicitamos que pesquisassem mais sobre os negros do Rosário e elaborassem seminários sobre as várias características do grupo, desde suas vestimentas até danças, costumes e crenças, sempre atentando para a significação e a origem dos gestos e convicções, para que não fugíssemos dos objetivos estabelecidos inicialmente.

Ao final do semestre expusemos os nossos trabalhos no encontro de socialização da escola, uma espécie de feira de ciências da instituição, dando ênfase à influência das cultu- ras europeia, indígena e africana na culinária brasileira. Nesse momento, pudemos observar o quanto é importante para os alunos o ato de expor os resultados de seus estudos, pois os estimula e os alegra no ambiente e cotidiano escolar.